Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

17 de nov. de 2006

Em jeito de tapas, duas sugestões da Tuché,

A quem desde já agradeço a amabilidade.

Comecemos então por estes

Ovos mexidos com alheira


(Para 6 pessoas)

.1 alheira de aves
.4 ovos

. Tirar a pele da alheira e desfazê-la com as mãos e fritar em azeite durante 5 minutos em lume brando sem deixar queimar;
. Bater os ovos mas não adicionar sal, pois a alheira já é temperada;
. Juntar os ovos na alheira e mexer bem até ficarem cozidos;
. Servir com um raminho de salsa em cima.
. Pode servir pãozinho torrado para acompanhar.


Alternativa vegetariana:

Cogumelos recheados com coentros e queijo emmental:


(6 cogumelos por pessoa + ou -)

. Lavar muito bem os cogumelos e retirar o pé; no interior do cogumelo deitam-se os coentros picadinhos ( frescos ou congelados) e por cima completa-se com queijo emmental.
. Aquecer previamente o forno a 150 graus.
. Levar os cogumelos num tabuleiro para gratinar até ficar meio tostadinho.

Depois está pronto a servir.

Esta receita também fica bem com recheio de chouriço picado (os de Arganil são bons), sem os coentros, mas com o queijinho por cima.

Bom apetite com estes petiscos da Tuché.

E com a sugestão do Parrot para vinho: "Duas Quintas".

Mais café e digestivo à conta da Wind :)

12 de nov. de 2006

Cristina,

Acabei por encontrar uma musiquinha do Carlos Mejía Godoy que andava para te mostar há bastante tempo. Até já citei parte da letra no teu blog... a propósito de perfumes. Reza assim:

SON TUS PERJÚMENES

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjúmenes mujer.

Tus ojos son de colibrí ¡ay! cómo me aleteyan
¡ay! cómo me aleteyan tus ojos son de colibrí.

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjumenes mujer.

Tus labios pétalos de flor cómo me soripeyan
cómo me soripeyan tus labios pétalos de flor.

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjúmenes mujer.

Tus pechos cántaros de miel cómo reverbereyan
cómo reverbereyan tus pechos cántaros de miel.

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjúmenes mujer.

Tu cuerpo chúcaro mi bien ¡ay! cómo me almareya
¡ay! cómo me almareya tu cuerpo chúcaro mi bien.

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjúmenes mujer.

Como bónus, apanhei no You Tube esta pérola, 3 minutos e meio de puro terror, a não perder :D
O rapazito faz-me lembrar o puto que imitava o Quim Barreiros, Saul, não era? E a "bailarina"... "Ay, ay, caramba, mamma mia, mir kocht der Blut!", como dizia um amigo meu alemão:)))

Depois de ouvir o Carlos Mejía Godoy, é só pôr o vídeo a andar e o dia está ganho :)


7 de nov. de 2006

Especialmente para a Wind,

Que perguntou para quando outro poema meu, aqui ficam estes versos, que escrevi há largos anos para uma amiga que estava a passar um mau bocado.

Um mau bocado estamos todos nós a passar nos tempos que correm. Por isso, a música do Zeca, uma balada muito antiga e muito actual, o "Coro dos Caídos", que fui descobrir na minha colecção de mp3...


Os versos são, obviamente, "datados". Apesar disso e do mais, apetece-me pô-los aqui hoje.

Para a Wind e para todos quantos queiram lê-los.








Arroz Doce, Amêndoa Amarga

Com as mãos que nos damos e os olhos perdidos no fumo
no vago da aurora nas ondas nas cores nos canais
construir calmamente criar num minuto num ano
numa vida de vida os caminhos abrir horizontes
com os olhos que damos e as mãos de fumo perdidas
Na pedra assinarmos um nome uma marca do corpo
e o silêncio que fica povoarmos de risos ou facas
ou tímidas aves ou cores ou canais de mãos dadas
nas sombras do espanto onde a líquida rosa desperta

com o corpo na pedra assinarmos o nome que marca
O dia que somos a data do amor a paisagem
dos frescos países onde as brisas se encontram a sós
onde os lábios se abrem ao ritmo do tempo das plantas
e nas veias as facas e os risos de novo se cruzam
na paisagem do dia que temos na data do amor
Descobrir que só somos se formos sem antes dizermos
como seremos ao sermos no devir das formas que
a cada instante se inventam à superfície do espelho
em que nos vemos ser vagos seres com plantas nos lábios
sem antes dizermos descoberto o descobrir que temos

Construir calmamente criar num minuto num ano
os caminhos do corpo as estradas de cada cabelo
com os dedos salgados tocando intranquilos as coisas
com os dedos nervosos formando o futuro da carne
e o que se diz alma à solta ao que há-de vir aos ventos
Incansável percurso de estrelas por dentro de estrelas
de rios por rios com estátuas de vidro nas margens
circulantes poeiras de luz vinhos de corpo espesso
e tudo bebermos com a ânsia dos outros de nós
e tudo em nós ser bálsamo ou sábio alimento

Criar a aventura o sabor dos mais antigos frutos
com as mãos que nos unem e os olhos de fumo que temos
pedra a pedra ir erguendo as cidades do amor impensável
no corpo a corpo em que o sangue silencia o eterno medo
rompe as muralhas e corre em direcção ao sol que dentro
De cada um teima em gritar e inesperado se acende
no canto vagabundo que recusa a solidão o nada
na invencível revolta na terna manhã das entranhas
no prazer da terra agora da terra vestida despida
no prazer da nudez absoluta serena de braços abertos


Viver sem fronteiras um hoje em que a luz nos beija o peito
ser o mar e a areia e os bosques e os barcos e os remos
sem guardar as palavras sem adiar a música dos gestos
viver como a líquida rosa que pouco a pouco se abre
e abrindo-se inteira se dá e em se dando desperta
Assim nos percorrermos nos cumprirmos assim sermos
com os olhos que damos perdidos nas mãos que esquecemos
corpo a nascer das águas vertical puro e molhado
e é preciso que hoje respire uma lágrima um beijo
braços abertos de amor que espera e dói - e tanto basta

31 de out. de 2006

À falta de música,

Deixo uma "letra". Ou várias.

Mais uma vez, o servidor de alojamento de páginas pessoais da Telepac, a quem pago para dispor de espaço de armazenamento na net, está "em baixo". Acontece com alguma frequência, e não se compreende. Nunca me descontaram nas facturas o tempo em que deixaram de me prestar este (e outros) serviços. Mas adiante, que não estou para lamentações.

A letra A de Alien8, para começar:



A letra H de Happy e de Halloween, já agora:



E uma "letra" de que gosto bastante, e que hoje me parece apropriada... :

Cantares de Andarilho

("letra" de António Quadros para música de José Afonso)





Já fiz recados às bruxas
do Caselho à Portelada
dei-lhes a minha inocência
elas não me deram nada.

Andei à giesta,
ao lírio maninho,
na Bouça da Fresta,
no Casal Velido.
Erva cidreira,
à erva veludo,
na Lomba regueira
no Pinhal do Mudo.

Andei ao licranço,
andei ao lacrau,
no Monte do Manso,
na Espera do Mau.
'Vib'ra, à carocha,
ao corujão cego,
na mata da Tocha,
no rio Lágedo.

Fui andarilho das bruxas,
moço de S. Cipriano,
já fui morto e inda vivo,
vendi a alma ao Dianho.

Era donzel e guardei-me
p´rás filhas da feiticeira.
Parti-me em metade à loira,
noutra metade à morena.


E daqui a nada é Dia de Todos os Santos. Gozem o feriado.

27 de out. de 2006

Sopa de coentros


da Teresa Durães,
que estava farta de ver o post anterior e nada de mudar, nada de mudar, isto aqui anda mesmo parado...

Sopa de coentros (que está ao lume, aqui já cheira e estou a ficar aguada...)

5 batatas, 2 cebolas, água a cobrir, sal q.b.. coze.
Passar com a varinha mágica. Juntar molho de coentros. 5 min máximo. Mais varinha mágica e já está. Quem quer junta natas para ficar mais espessa.

Simples, fácil de fazer, vegetarianíssima, a menos que façam como eu e lhe atirem com um bife à café por cima. Ou qualquer outro bife que seja bom :)

Obrigado, Teresa. Vês, não esqueci a tua receita!

20 de out. de 2006

Novidades do IRS

Todas as estações de Televisão anunciaram nos últimos dias, com o devido destaque, o fim da diferenciação entre solteiros e casados, para efeitos de dedução à colecta em razão do agregado familiar. Agora, casados e solteiros poderão deduzir a mesma percentagem do salário mínimo nacional (55%).

Certíssimo. Nada a objectar.

Houve, no entanto, outra alteração que não terá chegado ao conhecimento de algumas dessas emissoras, porque nelas não dei por qualquer notícia que se lhe referisse, e em outras foi apresentada â maneira das "letras pequeninas" que nos habituámos a ver em certos contratos.
Há uns anos, criou-se a distinção entre "contabilidade organizada" e "regime simplificado", sendo este aplicável a profissionais liberais e empresas cujos rendimentos não excedessem certo valor (cerca de 100 000 Euros para os profissionais liberais e cerca de 150 000 Euros para empresas). Ficou então estabelecido que, até à realização de estudos que fornecessem indicadores técnico-científicos para cada actividade, seria considerado como rendimento colectável dos profissionais liberais o valor resultante da aplicação do coeficiente de 65% ao seu rendimento. É apenas este coeficiente que agora interessa focar, precisamente porque foi o único a sofrer alteração no Orçamento de Estado para 2007.

Durante anos, considerou-se que os restantes 35% seriam verbas necessárias à formação dos rendimentos, e como tal não englobáveis. Os prometidos estudos ficaram, como sempre, por fazer.

Mas eis que, de repente, no meio da confusão, o Sr. Ministro das Finanças e o Governo em geral resolveram saír-se com um estudo a que só poderei chamar simplex, para não lhe chamar nadex ou nomes bastante piores que não param de me martelar o crânio. Estou a imaginar o "seminário":

- Ó pá, e se a gente pusesse 70% em vez dos 65% nos gajos liberais, hem? - Olha que é capaz de ser boa ideia, caramba! Ganhávamos aí uma batelada! - Mas então e os estudos...? - Os estudos que se lixem, pá. Ainda por cima, essa malta farta-se de fugir ao Fisco... - Ó pá, mas isto vai é apanhar os que não fogem... - Ai vai? Pois é... mas dá jeito, não? - Lá isso dá... - Então está feito. São 70% e não se fala mais nisso. E discrição nas notícias, pá, ok?

E pronto. De um momento para o outro, os profissionais liberais que deram pela coisa na Televisão ficaram a saber que só precisam de gastar 30% do rendimento para terem rendimento. Aquilo dos 35% era treta.

Tudo boas notícias. E assim se faz política neste país. Assim funciona a Comunicação Social.
Assim se ultrapassam as crises. Que, parece, já não há... ahahahahahahahahah!

P.S. : Não estranhem a fotografia. É que o outro também ia baixar os impostos.

16 de out. de 2006

A gata



De volta a estas lides, nada melhor que cumprir eventuais promessas e, na passada, mostrar as habilidades de uma das gatas da casa. Está longe de ser a única com apetência por teclados e monitores, o que demonstra que os Gatos e a Informática têm ligações misteriosas.




A música também é outra. "Penny Lane", dos Beatles, uma das minhas canções de referência de outros tempos, e que continuo a gostar de ouvir.

"In Penny Lane there is a barber showing photographs
Of every head he's had the pleasure to know..."

"In Penny Lane there is a fireman with an hourglass
And in his pocket is a portrait of the Queen.
He likes to keep his fire engine clean,
It's a clean machine..."

A ironia. Os ruídos do centro da cidade. Comboios. E a subida de Fá para Sol. Notável.

10 de out. de 2006

Barcos


Hoje deu-me para pôr aqui uns barquitos, só para descontraír, porque preciso e me apetece.
Sempre me parece melhor do que escrever "Intervalo" e folgar uns dias.

4 de out. de 2006

A opção vegetariana (receita da Vanda)


Sopa de Agrião para a Teresa :))

(e mais quem queira, acrescento eu :)

Em meia panela de água, adicionar:

Três batatas
Uma cebola
Um alho frances
Uma porção de abobora
6 cenouras
um fio de azeite
sal qb

Deixar cozer e triturar com a varinha mágica...

Adicionar ao creme, um molho bem fresco e viçoso de agriões, ja devidamente arranjados e limpos de caules :)

Deixar cozer aproximadamente mais 6 a 7 minutos e .....bom apetite!!

Obrigado, Vanda :)))

E também por esta entrada:

Entrada fria de tomate, para a Isa :) à falta de tomate na sopa :)


Num prato, dispor várias rodelas de tomate no ponto (nem verde nem demasiado maduro), depois cortar várias fatias de queijo mozarella fresco, que vão acamar no tomate...

Polvilhar com óregãos, pimenta e sal refinado e no momento de servir, temperar com azeite virgem :))

Variante Teresa Durães: usar queijo fresco.

30 de set. de 2006

A receita da semana

A receita desta semana foi-me enviada pela Maloud, a quem agradeço a amabilidade.

É uma criação do Dr. Fouad Felfeli, médico libanês.


POULET AU CITRON ET L’AIL LIBANAIS


(Os tempos referem-se a um frango-galinha.)

Ligar o forno a 200º.

Partir um frango do campo aos bocados e retirar-lhe a pele.

Retirar do frasco 5 rodelas de "citron confit" (1) e parti-las em cubinhos.

Pôr num pyrex o frango temperado com pimenta moída na altura e regá-lo com o azeite que excede o limão, que restou no frasco. Meter no forno durante meia hora.

A seguir colocar por cima do frango os cubinhos de limão e 3 dentes de alho picados.

Deixar no forno mais 10 minutos. Regá-lo com o molho e rectificar de sal.

Ao fim de mais 20 minutos, deverá estar pronto.

Servir com um arroz branco feito não com manteiga, mas com azeite.

À parte, uma salada de pepino, tomate e cubos de queijo de cabra marinados em azeite, orégãos e tomilho-limão.


(1) CITRON CONFIT: (receita daqui: http://mercotte.canalblog.com/archives/2006/04/09/1630917.html)

Pelo menos dois dias antes da utilização, cortar alguns limões não tratados, bem lavados e limpos, às rodelas de 1 cm de espessura. Salgá-los em sal grosso durante 24 horas.

carrot_cake___citrons___l_huile_003

No dia seguinte, lavar e secar as rodelas, guardá-las num frasco e cobri-las simplesmente de azeite. Este preparado conserva-se à temperatura ambiente durante vários meses.


Bom apetite!

Aguardo, como sempre, as vossas considerações sobre a receita, vinhos e sobremesas.
A minha sugestão para os vegetarianos: Legumes ao vapor :)


E aqui estão elas, as vossas SUGESTÕES, que muito agradeço! E algo mais :)

Teresa Durães:
ai... adoro vinho tinto!!!! Esporão? hum!!!! ahhhhhhhhh
Monte Velho?
pois, legumes ao vapor , já agora acompanhado de um arroz no forno, s.f.f
não estou para passar fome. E que tal uma sopinha de agrião?
e para finalizar, dado a escassez de fruta de época... não sei...
uma tarte de amêndoa?
......................................................
Ah! E ao lado.... o vegetariano ou faço birra :P

Mercotte:
Tiens tiens , ne serais ce pas ma recette et la photo de mes citrons confits !!

Cila:
Quanto as sobremesas recomendava algo tipo peras bebadas temperadas com licor de poejos.... acompanhada com uma bola de gelado e decorado com pauzinhos de canela ;):).

Isabel:
A...não terás tu uma receita para respirar melhor???? mas com limão???

Touché:
A minha sugestão de vinho vai para um tinto da casa Santar, sei que não são vinhos baratos mas a minha sugestão é o Casa de Santar Reserva.
Já agora a pimenta moída que seja da preta que é mais saudável :)

Maloud: (a grande responsável desta receita, incluindo o famoso citron confit :) . Obrigado, Maloud!
Eu aceito e aconselho a sugestão do escanção Touché. Não esqueçam que decorrem as feiras dos vinhos em tudo quanto é sítio, portanto é aproveitar.

27 de set. de 2006

Caldeiradas de não saber

Com
esta
toalha
se
pode
ornamentar
a
mesa
com

na
marinhagem.


Depois, escolhe-se o barco
de papel,
que em breve será certo
e rumará
connosco onde quisermos.


Na
banheira
teríamos
o
clássico.
Procuremos,
porém,
outros
horizontes,
mais
propícios
às
propostas


tentadoras
que
em
alto
mar
se
consumam,
se
consomem,
sob o
olhar
agudo
da ave
a quem
a Vanda
prometeu
legumes
ao vapor e veio.





"_______________continuando a não saber sei que todo o entretanto já valeu a pena.
como se a viagem nunca iniciada fosse o prenome que afixo no vento." - escreveu A rasar o céu.

E eu, pedindo licença, subscrevo.


Se sabemos que não sabemos, que deixámos de saber, sabemos talvez que nunca mais saberemos.

Em todo o caso, algo sabemos. E o que não sabemos faz parte da viagem; não o sabemos precisamente porque algo já soubemos.

O que era nunca pode passar a talvez. Poderá o
que era talvez passar a nunca?

Como saber? Como deixar de saber?



Pode bem acontecer que, como li algures, tenhamos saído num qualquer apeadeiro.

Mas o comboio continua em viagem. Importará muito sabermos para onde?

Não, enquanto soubermos ________________________ afixar prenomes no vento.

22 de set. de 2006

15 de set. de 2006

As vossas sugestões

Alterações à receita:

Teresa Durães:
substituir o bacalhau por espinafres.
Lola: Substituir o bacalhau por nozes, pinhões e espinafres [em atenção à Teresa e demais vegetarianas(os)].
Maloud: Raminhos de funcho em vez de raminhos de salsa.

Vinhos:

Teresa Durães: verde Ponte de Lima (apoiado pela Cristina e pelo Parrot)








Sobremesas:
Rosalina:
Tarte de natas, de que transcrevo a receita amavelmente colocada em comentário:

TARTE DE NATAS


Ingredientes

* 1 lata de leite condensado;
* 5 folhas de gelatina;
* 2 claras;
* 250 gr. de bolacha Maria (ralada);
* Óleo para untar.

Preparação

- Colocar a gelatina de molho e depois escorrê-la.
- Num tachinho levá-la ao lume com 1 colher (sopa) de água até derreter e retirá-la.

- Numa tigela, bater as natas e juntar-lhes o leite condensado, a gelatina e, por fim, as claras batidas em castelo.

- Forrar com papel vegetal uma forma de tarde, untá-la com óleo e polvilhá-la com metade da bolacha ralada. Deitar na forma o preparado e polvilhar com a restante bolacha.

- Levar ao frigorífico.


*quando a faço "em cima do acontecimento" ponho-a, primeiro, no congelador. convém ser servida bem fresquinha.

Espero não me ter esquecido de nenhuma sugestão... mas posso sempre ser chamado à pedra:)

As sugestões da Nnannarella, ipsis verbis, sic e tvi:

- canetas de tinta permanente para escrever bilhetinhos impermanentes durante o repasto, untados de tinta;
- vinho do douro trasmontano, tinto, é claro, tipo "Bons Ares", cheios de aromas outonais e cascas de carvalho;
- broa de milho que faça lembrar o bacalhau com broa que se faz lá bem em cima, em Castro Laboreiro;
- lareira, já acesa, com tapete, para depois;
- cigarrilha cubana ou charro de boa origem para fumar no varandim, que é do melhor para consumir em noites de ventos a olhar os socalcos com entremeada tardia de beijos, antes da queda em leito de alhos durienses...

(continuo amanhã)


Ficamos à espera da continuação, que isto promete... :)


Não tendo ainda chegado qualquer continuação vinda da Nannarella, temos no entanto as sugestões da Cila:

"Olha lá e o cafezito a seguir nao tem direito a uns docitos assim tipo biscoitinhos caseiros ou entao uns "carabineiros como eu chamo aos brigadeiros"...lol
é que eu sou gulosa.
E aqueles senhores que depois gostam de um bom armagnac/aguardente velha/whisky não têm direito tb a um acompanhamento que so gelo e charuto nao dá."

12 de set. de 2006

A receita da semana

Após merecidas férias, ei-la que volta, a receita da semana, e sem sequer esperar por sexta-feira: é que a fome é muita.
Para hoje, escolhi (que imaginação!) o bacalhau. Fresco, para variar. Um prato simples, fácil de cozinhar, agradável e quase leve :) Vamos então ao

BACALHAU FRESCO NO FORNO


Ingredientes para 4 pessoas:
. 4 postas de bacalhau fresco de 200 g cada
. 2 maçãs reinetas
. 4 alhos-franceses
. 2 limões
. 30 g de margarina vegetal
. um pouco de óleo
. salsa
. funcho
. sal

Preparação:
1.
Aquecer o forno a temperatura média.
2. Untar com um pouco de óleo o fundo de um tabuleiro refractário.
3. Lavar os alhos-franceses, cortá-los em rodelas fimas e distribuí-las no fundo do tabuleiro.
4. Descascar as maçãs e cortá-las em rodelas finas, dispondo-as sobre o leito de alhos-franceses e regando-as com o sumo dos limões. Cobrir com um pouco de funcho picado e polvilhar com sal.
5. Levar o tabuleiro ao forno quente; cozinhar durante 30 minutos.
6. Passado esse tempo, colocar as postas de bacalhau sobre as verduras; temperar com sal e distribuir por cima nozinhas de margarina vegetal. Voltar a introduzir o tabuleiro no forno durante mais dez minutos.
7. Servir quando estiver pronto, polvilhando o peixe com salsa picada.

E pronto. Espero que vos agrade. Sugestões? Vinhos? Sobremesas? Fico à espera e

BOM APETITE!


7 de set. de 2006

1 de set. de 2006

28 de ago. de 2006

Para onde foi a Ave?


Há já alguns dias que a Ave levantou voo e desapareceu da nossa vista. Ficámos sem as belas histórias, sem os Lusitanos e a deusa Ataégina, sem o Rufus e outra malandragem, sem as fotos e os poemas, e etc., e etc....
Isso não se faz, Ave. Se voares por estas paragens e deres com este post, lembra-te de que temos saudades tuas. Eu tenho, isso é certo.
Em qualquer caso, que os novos voos sejam bem sucedidos.

21 de ago. de 2006

Poeira


Antigamente forjavam-se
ramos por dentro das coisas e
cada ramo era barco e partia – ia
e.

Eram orientes de todas as cores
astrolábios abraços salgados
fermentavam as linhas as cartas
o percurso da água os segredos.

Pelas tardes cresciam heras silêncios
o fumo de um cigarro o copo na mesa
na mão na memória dos lábios
a espuma.

Recorriam sons agarrados aos dedos
que tocassem as coisas os ramos
as tardes
os barcos por dentro os silêncios.

Na parede gelada sofriam
as formas o capricho do olhar
espirais ocultas nas sombras
marcas de nomes o
hoje.

12 de ago. de 2006

Quadras


Duas, apenas. Salvo erro, de Francisco Menano, que também lhes juntou a música para um fado de Coimbra, interpretado pelo próprio e por Adriano Correia de Oliveira (na foto), entre outros.

Fiz uma cova na areia
Para enterrar minha mágoa:

Passou por ela o mar todo,
Não encheu a cova de água.

Ninguém conhece no rosto
O que a nossa alma inspira.

A vida é gosto e desgosto,

Mentira, tudo mentira.

4 de ago. de 2006

O post de todos os posts...

... que ficaram "no tinteiro".


Quem nunca disse para si mesmo:

- "Eh pá, boa ideia, vou pôr isto no blog um dia destes!" Ou
- "Olha, vou registar para não me esquecer. Isto vai dar um post. Talvez ainda hoje." Ou
- "Só falta arranjar uma foto, e esta coisa vai direitinha para o meu bloguito."

Mas nem registo, nem memória, nem post, nem nada. Algumas ideias ainda acabam por ser recuperadas, mais ou menos de acordo com o esquema original. Outras perdem-se para sempre.
Este post é para essas. É o post de todos esses posts, vossos e meus. Um grande post, portanto.