Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

23 de fev. de 2007

Zeca Afonso deixou-nos há 20 anos

Eu deixo-vos com as suas palavras, com a sua música e com a minha imensa saudade.




Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos
Polpas seus cabelos
Resíduos de lar
Nos degraus de Laura
A tinta caía
No móvel vazio
Convocando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas
A fúria crescia
Clamando vingança
Nos degraus de Laura
No quarto das danças
Na rua os meninos
Brincavam e Laura
Na sala de espera
Ainda o ar educa

18 de fev. de 2007

A receita da semana

É, desta vez, algo de simples e sem problemas para vegetarianos que comam ovos... e presunto :)


Para quatro pessoas,
* 4 ovos grandes
* 4 fatias de pão de forma
* 80 g de manteiga (reparem no pormenor...)
* 100 g de queijo ralado
* 4 fatias de presunto do tamanho do pão
* 2 colheres de sopa de vinagre por litro de água
* sal




A coisa faz-se assim:

1. Pôr ao lume um recipiente fundo e de boca larga com 1 litro de água, sal e o vinagre correspondente.
2. Quando a água ferver, partir os ovos e deitá-los, um a um, na água; cozer em lume brando durante 3 minutos exactamente. Pode ser útil cozer só 2 ovos de cada vez... :)
3. À medida que se retiram os ovos, introduzi-los numa tijela com água fria; depois, colocá-los sobre um pano limpo, para que escorram a água retida.
4. Entretanto, tostar ligeiramente o pão na torradeira; barrar as fatias com manteiga enquanto ainda estão quentes.
5. Colocar as tostas em pratos individuais, cobri-las com as fatias de presunto e metade do queijo ralado; colocar depois um ovo sobre cada uma delas e cobrir com o resto do queijo.
6. Introduzir uns minutos no forno, previamente aquecido, até o queixo fundir.
7. Servir os ovos assim que saiam do forno.

E pronto. Resta-me desejar-vos BOM APETITE!

9 de fev. de 2007

Porto Sentido

Uma pequena homenagem aos nossos amigos da Inbicta.
Com um bom Porto, ao pôr-do-sol, no Museu Romântico.



Os Rolling Stones são um pouco como o vinho do Porto. Por isso, a acompanhar, uma balada - As Tears Go By.



Bom fim de semana para todos!


Com a devida vénia e o meu muito obrigado, actualizo o post inserindo este belíssimo texto:



"Rendo-me. Morro de amor pelo Porto. Assim que desembarco naquele cinza azulado com cabelos de nevoeiro suspensos e engulo o cheiro do Douro, sinto-me quase pura.


O Porto tem mistérios que a emoção apanha e doura e transforma e eterniza. Clássico e íntimo, distante e sereno, arrogante e terno, soberbo e entristecido, atira-me um frio matinal e uma Foz opulenta. O Porto veste-se diferente. Ousado e vanguardista, formal e de linhas discretas, desce Santa Catarina como se fosse para o jazz e enquanto o café arrefece e o cigarro descai, olha displicentemente atento para a miúda integral e leite desnatado.


O Majestic vai envelhecendo ao ritmo do cansaço, as paredes descascam-se sem pudor e sempre ao velho poeta sucede-se um velho pintor, e lá fora a rua apetece. Com paixão desvairada mordo os bombons da Cunha, doces e intensos, especiais para recordar, para amar com a sôfrega paixão de quem deixa atrás uma cama aberta e um barco fundeado no Castelo do Queijo.


Estar no Porto é marcar encontro com Chagall e insistir no mistério do azul profundo com um sorriso sépia. É desejar uma asa e ter um sussurro apaixonado. É mergulhar numa arquitectura europeia e tropeçar em Mozart e derrapar num silêncio mordaz de Agustina, e perder o pé numa tela de Resende e ganhar a voz com Eugénio. O Porto de sombras. O Porto de sol. O Porto a trabalhar ao ritmo dos comboios. As castanhas no banco da Avenida, os livros, os barcos, a Ribeira, os putos, o vento e a inesquecível música de um violino despenhado.


Quem chega ao Porto chega sempre a um lugar diferente. Será do nevoeiro, será da claridade das casas austeras, dos jardins adocicados, da iluminação, das ruas apertadas, será da sombra do rio ao fundo dos hotéis cheios de gente, sei lá, deve ser de tanta beleza indizível, irretratável, mas também pode ser da memória do teu corpo que me persegue como uma onda e me galopa. E depois até a chuva é diferente. Escorrega sobre as pedras, desliza sobre o parque, enche de cheiro inglês o bairro da Boavista, amortece suavemente o Passeio Alegre, embala-nos o orgulho de uma cidade masculina.


O Porto vibra debaixo dos plátanos e das tílias, descansa sobre as estátuas, sonha na Arca de Água e consome nos centros comerciais e na tradicional 31 de Janeiro a vaidade urbana. São atmosferas densas de cor e forma, de desejos tórridos de contenção elitista, de segredos demorados e chistosos. O Porto é um tesouro que se fixa e que apetece sempre mais. Outra noite no Aniki-Bobó, outra conversa húmida no Luís Armastrondo, a mesmíssima música do rio no corredor da Ribeira.


O Porto com paixão. No Porto me perdi a meio de uma tarde iluminada pela geometria dos teus dentes. Sedento de moliceiros, perdido de saudade medieval, envolto de mistérios barrocos, no Porto me vejo fértil e bem português, rico e altivo, mulher de palavra quente e chã, corpo musculoso, visões antigas de uma verticalidade acintosa. Rude e compacto, áspero, mulher acesa, homem voluntarioso. Todos os ângulos são possíveis para te amar, todas as paisagens no trânsito caótico, na margem de Gaia, no sobressalto das águas picadas pelo vento do Moledo, no sossego dos jardins de S. Lázaro, no mercado, no táxi na Marginal, nos lençóis do Meridien. Ou seja, no Porto todo o amor é de paixão secreta e voluptuosa, às vezes rubra outras azul-escuro, mas sempre paixão de luz contra o nevoeiro. Porque o Porto não se esquece aqui fica em posfácio o recado possível. Angustia-me. Arruivece-me. Inaugura-me outra ponte. Devolve-me o teu momento de paixão."


Mendes Ferreira

1 de fev. de 2007

FRAGMENTOS: Cafés e afins por onde passei, convenientemente suspensos no tempo e no espaço para que possa visitá-los quando me apetecer.


CAFÉ APOLO




A bola um, amarela, encaminha-se devagar para o buraco do meio da tabela, entra não entra, bate na esquina, não entra. Um minuto antes, alguém gritara:
- O senhor da 2!
Era a chamada para a tacada inicial de um jogo de pool, um jogo parecido com o snooker, mas completamente diferente.
O Eurico, dono do Café Apolo, era um excelente jogador de pool. A mesa, os tacos e as bolas eram de primeira, nada daquele material miserável que se encontrava na maioria dos cafés e salões de jogos. Ainda por cima, os finos bebiam-se muito bem e as tostas mistas eram óptimas. Faziam logo lembrar as sandes de presunto e queijo da serra da Leitaria Académica, onde se bebia muito pouco leite, mas uma enorme quantidade de penalties, uns copos altos de vinho tinto, que iam a matar com as sandes e deviam, em teoria, ser bebidos de um só trago.
No Café Apolo também havia penalties, que era como chamávamos às tacadas fáceis que se proporcionavam quando um dos jogadores se caía, que é como quem diz, deixava a sua bola em posição acessível para que o jogador seguinte a metesse no buraco. Tudo isto requer uma explicação. Com paciência, lá iremos.
Na pool usam-se as bolas numeradas de 1 a 8, que é o limite aconselhável de participantes. Bolas de eight-ball e não de snooker, residindo a diferença no facto de as primeiras serem numeradas de 1 a 15 e as segundas não terem numeração alguma, para além de apresentarem uma bela colecção de bolas vermelhas que nada têm a ver com o eight-ball.
- O senhor da 3!
O senhor da 3 poderia muito bem ser o João, que uma bela tarde me abordou a pedir um dinheirito porque precisava de ir até Lisboa no fim de semana. Os pais do João viviam em Angola, e as remessas de mesadas eram complicadas e irregulares, o que lhe provocava frequentes problemas de liquidez. Mas crédito, sem dúvida que tinha, sobretudo comigo, companheiros que éramos de estudos e de farras e de outras actividades que não vêm agora ao caso. Emprestei, portanto, o cacau ao João, e ele lá abalou para Lisboa. Voltou um ano depois, vamos lá fazer contas, e desde então o meu conceito de fim de semana prolongado nunca mais foi o mesmo.
Sorteavam-se as bolas pelos jogadores, cada um dos quais entrava com, digamos, vinte e cinco tostões. A bola 1 era posta a uma bola de espaço da tabela superior e a meia distância entre as tabelas laterais. O detentor da bola 2 colocava esta no semicírculo junto à tabela inferior e tacava à bola 1, tentando ensacá-la, ou seja, colocá-la num dos seis buracos da mesa. Tacada difícil, essa tacada inicial, sobretudo porque também era imprescindível defender, não fosse haver uma caídela para o senhor que se seguia. Havia, no entanto, sobredotados que conseguiam acertar mais de oitenta por cento destas tacadas. E lá se iam sucedendo os jogos, os finos e as tostas, pagando muitas vezes os ganhadores pelos perdedores, o que tornava a brincadeira mais equitativa. O Apolo fechava às duas da manhã, mas, sendo o Eurico quem era, cerravam-se portas e estores e a jogatana continuava.
O senhor da 5 iria jogar à bola 4, como o da 3 jogara à 2, e assim prosseguia a partida. Quando um jogador conseguia ensacar a bola de número anterior ao da sua, tinha o direito de alvejar qualquer outra bola, independentemente da ordem numérica, e, caso acertasse, continuaria a jogada, tentando ensacar quaisquer outras bolas, e apenas terminando a jogada quando não conseguisse “meter” a bola que visara. Por cada bola ensacada recolhia 5% do bolo. Essas bolas voltavam ao jogo, até sofrerem quatro entradas no buraco: nessa altura, os respectivos donos terminavam a sua participação.
De quando em vez ouvia-se distintamente o 4 a abrandar na curva, chiando nos carris. À medida que os sinais se iam espaçando, percebia-se que se estava a fazer tarde. Possivelmente já não teríamos oportunidade de apanhar o 4 em andamento, aproveitando a tal curva, porque o último já passara. Era altura de beber um café, para espertar, e de dar uma espreitadela cautelosa aos estores, não fosse aparecer de surpresa um creme-nívea mais silencioso à cata de multas por funcionamento da casa para além do horário autorizado.
- O senhor da 4!
Os senhores do 4 poderíamos ser o João e eu, que muitas vezes saltávamos à pressa para o último eléctrico e íamos acabar a noite a minha casa, que era na realidade a casa dos meus avós, nessa altura já apenas da minha avó. Conversávamos pela madrugada dentro, com mais uns petiscos e uns copos pelo meio, na cozinha daquele primeiro andar do prédio fronteiro à paragem do 4. Uns bons anos antes, quando no quadro mal iluminado que indicava o destino do eléctrico se podia ler “Bairro Operário”, essa paragem era, para o 4, o fim da linha. O Bairro Operário, apenas uma fila de casitas pobres com uma capela atrás, havia anos que fora demolido, provavelmente por estar mal enquadrado numa zona da cidade que, com o tempo, parecia ter desenvolvido algumas pretensões a chique. Como se diria hoje, o Bairro Operário terá sido deslocalizado, e a capela, deixada ao abandono, acabara por ser comida pela erva e descaracterizada pela falta de uso; havia muito que, da varanda da casa dos meus avós, se deixara de ouvir a ladaínha das novenas e de ver o serpentear das procissões de velas que me encantavam as noites de infância. Também era no 4 que o meu avô me levava ao circo, só que então no quadro mal iluminado do destino se lia “Portagem”, porque o percurso era agora o descendente. O bilhete custava sete ou oito tostões, e o meu avô oferecia um tostão extra ao guarda-freios para que fizesse a máquina andar mais depressa, não fôssemos chegar atrasados ao circo Mariano, ou ao Circo Royal, ou ao Circo Luftman. Quando a conversa se prolongava até ao raiar do dia, o João e eu já não ouvíamos os pregões das peixeiras que a minha avó distinguia à distância, a Joaquina, que trazia a melhor sardinha, a Adelaide, a Sebastiana, que vinham da Figueira com peixe fresco em dias certos, mas subiam a pé desde a Estação Nova, em vez de apanharem o 4, nem sentíamos o bater discreto na porta das traseiras da mulher que vendia os manjares, uns doces à base de farinha servidos em pratinhos de barro rasos, que nunca mais encontrei em lado nenhum, cheiros e sabores que se foram dissipando na roda dos anos, como a capela e o bairro, e como o 4, anos mais tarde substituído por um duvidoso autocarro que quase nem barulho fazia, e como saber, portanto, que estava a chegar, enfiar o agasalho, descer as escadas a correr e apanhar o eléctrico na hora certa, tlim-tlim, pode seguir?
O senhor da 6!
Se o senhor da cinco, por exemplo, saísse do jogo, passaria a bola 6 a jogar à 4, e por aí adiante. O jogo acabaria quando ficasse apenas uma bola em cima da mesa de bilhar, sendo dado como vencedor o dono dessa bola, que por isso recebia o “bolo” restante - o qual, por azar, poderia ser nulo, dependendo do número de bolas “metidas” fora de sequência - que, como expliquei, premiavam quem as ensacasse.
O senhor da 6 poderia muito bem ser o Rogério. Se assim fosse, já não tínhamos que nos preocupar com o 4, em cujo quadro de destino ainda mal iluminado se lia agora “Cruz de Celas”, porque o Rogério tinha carro e a boleia estava garantida. Ficava-lhe mesmo em caminho, já que morava na mesma rua, mas alguns quarteirões adiante, quase à beira do novo fim da linha, o Rogério, que, anos mais tarde, haveria de comentar no salão de bilhares do primeiro andar do Café Imperial:
- Ele é jogador de pool...!
Assim me desculpava por ter falhado estupidamente a tacada no jogo de eight-ball a que chamávamos snooker. Nos escritórios dos terceiro e quarto andares havia quem conhecesse bem o Apolo do Eurico e outros cafés e afins comuns, o Zé Manel dos chocos e dos ossos, o 007 do queijo da serra e dos vinhos do Dão, o Marbran da cabidela às tantas da madrugada, o Bar da Estação que era o último refúgio antes de o dia ser dia, o Atenas do Quaresma, o Et Coetera que tocava o “Vamos dormir” às 4 da manhã, e outros, e outros, recordados entre duas tacadas no salão de bilhares do primeiro andar do “Imperial” que, anos mais tarde, sucumbiria às mãos da fast food e se converteria num banal MacDonald’s, e que não ficava na mesma cidade onde se jogava pool no Apolo, mas numa cidade com escritórios, trabalho e responsabilidades e coisas assim, uns largos anos a Norte.
O senhor da 7!
O senhor da sete sou eu. Levanto-me enquanto bebo o resto do café, pego no taco, passo-lhe o giz na ponta para evitar alguma espirradela e considero a posição da bola 6 relativamente aos buracos mais a jeito. Observo cuidadosamente a bola 7, a fim de tentar evitar caír-me, e decido-me por uma tacada para o buraco do fundo, à direita, puxando ligeiramente a minha bola para a tabela. Encosto o taco à bola na posição que me parece adequada, aponto à bola 6, recuo o taco e desfiro uma pancada que pretende ser seca, precisa e eficaz. A bola 6 vai rolando perto da tabela lateral direita, encaminhando-se esperançosamente para o buraco do fundo, entra não entra, entra não entra, entra não entra...

27 de jan. de 2007

Lili Marlene

Recordemos, neste sábado meio cinzento, Lili Marleen.


Recordemos outra Marlene, a Dietrich, a intérprete.



A canção tornou-se obrigatória durante a Primeira Guerra Mundial, a partir de 1916. Os soldados alemães cantavam-na nas trincheiras, e muito rapidamente os soldados ingleses, americanos e franceses os imitaram.



Conheceu inúmeras versões desde a original, evidentemente em ritmo de marcha...

Foi título de um filme de Fassbinder.

Deixo aqui a letra original e uma tradução para Inglês.

1. Vor der Kaserne
Vor dem großen Tor
Stand eine Laterne
Und steht sie noch davor
So woll'n wir uns da wieder seh'n
Bei der Laterne wollen wir steh'n
|: Wie einst Lili Marleen. :|

2. Unsere beide Schatten
Sah'n wie einer aus
Daß wir so lieb uns hatten
Das sah man gleich daraus
Und alle Leute soll'n es seh'n
Wenn wir bei der Laterne steh'n
|: Wie einst Lili Marleen. :|

3. Schon rief der Posten,
Sie blasen Zapfenstreich
Das kann drei Tage kosten
Kam'rad, ich komm sogleich
Da sagten wir auf Wiedersehen
Wie gerne wollt ich mit dir geh'n
|: Mit dir Lili Marleen. :|

4. Deine Schritte kennt sie,
Deinen zieren Gang
Alle Abend brennt sie,
Doch mich vergaß sie lang
Und sollte mir ein Leids gescheh'n
Wer wird bei der Laterne stehen
|: Mit dir Lili Marleen? :|

5. Aus dem stillen Raume,
Aus der Erde Grund
Hebt mich wie im Traume
Dein verliebter Mund
Wenn sich die späten Nebel drehn
Werd' ich bei der Laterne steh'n
|: Wie einst Lili Marleen. :|


1. At the barracks compound,
By the entry way
There a lantern I found
And if it stands today
Then we'll see each other again
Near that old lantern we'll remain
As once Lili Marleen.

2. Both our shadows meeting,
Melding into one
Our love was not fleeting
And plain to everyone,
Then all the people shall behold
When we stand by that lantern old
As once Lili Marleen.

3. Then the guard to me says:
"There's tap call, let's go.
This could cost you three days."
"Be there in half a mo'."
So that was when we said farewell,
Tho' with you I would rather dwell,
With you, Lili Marleen.

4. Well she knows your foot steps,
Your own determined gait.
Ev'ry evening waiting,
Me? A mem'ry of late.
Should something e'er happen to me,
Who will under the lantern be,
With you Lili Marleen?

5. From my quiet existence,
And from this earthly pale,
Like a dream you free me,
With your lips so hale.
When the night mists swirl and churn,
Then to that lantern I'll return,
As once Lili Marleen.



Bom fim de semana!

20 de jan. de 2007

Stranger in a strange land

copiado deste site




(James B. Janknegt)


e sobre o livro de Robert Heinlein pode ler-se algo neste. Entretanto, antecipo isto:

". . .I would never undertake to be a `Prophet,' handing out neatly packaged answers to lazy minds. [. . .] anyone who takes that book as answers is cheating himself. It is an invitation to think - not to believe."

15 de jan. de 2007

Receita da semana... de volta!

Findas as festividades, vou reincidir na apresentação de algumas receitas, que, na verdade, não serão "da semana", mas de quando me apetecer ou de quando me enviarem sugestões ou mesmo receitas completas.

Como vinha sendo hábito, apresento apenas um prato principal, deixando aos meus ilustres comentadores o necessário espaço para a sugestão de vinhos, sobremesas, entradas, pratos alternativos, enfim, o que quiserem...

Vamos ao que interessa, neste caso...


ATUM GUISADO


(para 4 pessoas)

* 500 g de atum ou bonito fresco
* farinha
* 1 cebola
* 1 dl de azeite
* 1 copo de vinho
* 1 copo de caldo de peixe instantâneo (ou, melhor ainda, de caldo de peixe caseiro, se houver...)
* 1 colher de sopa de amêndoas tostadas picadas

Para a marinada:
* 1 limão, pimenta em grão
* 2 dentes de alho, 2 cebolas
* salsa, tomilho
* 1 folha de louro, sal

Preparação:
1. Preparar a marinada com 2 colheres de sopa de azeite, as cebolas e os alhos cortados em lâminas, o sumo de meio limão e os elementos aromáticos. Introduzir o atum cortado em pedaços e deixar macerar umas horas.

2. Escorrer o atum e reservar a marinada.

3. Aquecer o azeite restante, passar levemente o peixe por farinha e fritá-lo um pouco. Com 4 colheres de sopa deste azeite refogar, de preferência num prato de barro, a cebola cortada muito fina. Após 6 minutos, quando a cebola ficar transparente, juntar o atum, o líquido da marinada coado pelo passador e o vinho.

4. Cozer em lume brando cerca de 10 minutos. Verificar o tempero e rectificá-lo, se necessário. Polvilhar o guisado com a amêndoa picada e deixar cozer cerca de 10 minutos mais, vogiando para que não agarre. Terá que ficar com molho. Se, durante a cozedura, tiver absorvido demasiado líquido, juntar um pouco de caldo de peixe.

5. Servir na caçarola.


Este prato pode ser acompanhado com verduras levemente salteadas no azeite e cozidas depois com o peixe.


Bom apetite!




3 de jan. de 2007

Milénio

Escrevi isto por alturas da esfuziante entrada no novo milénio.
Chegamos agora ao sétimo ano do dito, e a minha perspectiva continua idêntica, e cada vez mais justificada, no meu modo de ver, pelos factos que todos os dias nos tomam de assalto.
Por isso, e sem mais comentários, aqui o deixo:

1000 N & 1

Os pirilampos atacam na Avenida

No braço esquerdo da Torre a chuva arde

A Oriente há um degrau onde o sol chora

A decadência dos ferros de engomar


Que já nada é como dantes pensa o búzio

De olhar ausente nas feridas da seara

E um gelado lambe à luz dos Continentes

Botões e teclas e carros e mais carros


Em carrossel onde os sonhos se desdizem

Dos ecrãs seminaristas cospem mar

E aquele ali com a gravata às utopias


Ri-se gatilho na tecnodiscoteca

Que amanhã sim encontraremos rimas

Quando já só nos sobrar uma palavra

31 de dez. de 2006

Feliz Ano Novo

Já aí vem o 2007!
Que seja bom para todos. Que traga paz, fora e dentro de nós.
E tudo o resto que sabemos e desejamos.
Por falar em saber, que traga sabedoria, que faz muita, muita falta...
Que traga consciência da vida, do mundo, do presente e do futuro.





Para todos, um Feliz Ano Novo!



P.S.: Não tenho tido tempo para vir aqui. Peço desculpa por não ter retribuído as vossas visitas. Para o ano serei mais assíduo :)

23 de dez. de 2006

Bom Natal para todos!


Natal ou qualquer outra data que festejem ou celebrem,

em paz, com saúde e alegria, junto daqueles que amam.











Para todos vós, o meu obrigado pela companhia, pelos comentários, pela amizade, e

o meu abraço.

18 de dez. de 2006

Parabéns, Renata!



Um aniversário muito, muito feliz, e que os anos que aí vêm sejam ainda melhores do que este dia!


Hoje, com especial dedicatória para ti, fica também o poema do post anterior...


E mais este postalzito :)



16 de dez. de 2006

Viagem

Vai como quem quer e quem não quer

Abre as asas e voa para a paz

Do futuro que espreita a tua sombra

No presente daquilo que serás

Vai contra a maré se tem de ser

À descoberta do sul do sol do sal

Das palavras que o vento beije e leve

Em viagem estamos todos afinal

Somos onde chegamos

Até breve




Entretanto, outra viagem se perfila, uma prenda espacial do meu amigo Parrot .

Aqui vou eu... obrigado, Parrot!



14 de dez. de 2006

Hoje é o dia da Lola!

Parabéns, Lola!






Por feliz coincidência, consegui descobrir a versão original do "El Colibri", de que tanto gostas. É fraquita e tem falhas, mas foi o que se pôde arranjar...

É para ti, hoje, com um beijo :)

12 de dez. de 2006

Apenas uma canção

Que hoje me apeteceu, por várias razões, colocar aqui. Os chilenos Inti-Illimani cantam o Libertador, Simon Bolivar.



Porque sim!

8 de dez. de 2006

Um dia sem net

Uma tragédia :)



Visitas por fazer: que me desculpem aqueles que não pude ir chatear, e aqueles a cujos comentários demorei a responder. Vocês sabem que estas coisas acontecem.





Mais um fim de semana prolongado, com chuva pelo meio, para estragar os planos e ajudar a encher os centros comerciais, como se já não bastasse a proximidade do Natal.



Estaria na altura de colocar aqui mais uma receita, mas ainda não estou com disposição para isso. Daqui a uns dias, quem sabe? Isto não é propriamente um blog de culinária ou gastronomia, mas devo dizer que tenho todo o gosto e nenhum problema em publicar receitas.




Entretanto, só para abrir o apetite...






















Uma ementa variada....



















Sem esquecer as opções vegetarianas. E, por esta vez, sem sobremesas.



Update
importantíssimo! Acrescento, porque tal me foi praticamente exigido, as seguintes iguarias vegetarianas:
















Arroz

Massas
















Soja e tofu

Cogumelos










E coisa e tal :)

5 de dez. de 2006

Há condicionais e condicionais...


De quando em vez, passar aqui Leo Ferré é, para mim, obrigatório.
Gosto bastante deste "Le Conditionnel de Varieté": letra, música e interpretação conjugam-se numa sublime lição de ironia e numa "argumentação" irresistível.

Pouco se ouve de Ferré e de outros grandes da canção fancófona, como Jacques Brel, Jean Ferrat, Mouloudji, Yves Montand, Serge Reggiani, Georges Brassens, Collete Magny, Maxime Le Forrestier, Joe Dassin, Nana Mouskouri, Juliette Gréco, Gérard Lenormand e tantos, tantos outros que mereceriam igualmente ser aqui referidos.

Com um pouco de tempo livre, encontra-se na net material interessantíssimo sobre todos eles; os links de um sítio conduzem a outros, e em breve nos achamos mergulhados em biografias, letras, músicas, análises críticas, enfim, tudo o que se pode esperar e ainda mais alguma coisa. Desesperante é a falta de tempo para "ir a todas".




1 de dez. de 2006

Já decidi.

Não vou colocar aqui chat, pelo menos nos tempos mais próximos.
Continuarei a frequentar o chat do Contra Capa, que é acolhedor e divertidíssimo,
pelo que vivamente o recomendo a quem queira conversar e, sobretudo, rir.
A Cristina faz as honras da casa e oferece café, chá e bolinhos :)

28 de nov. de 2006

Enquanto decido

Se ponho aqui um chat a funcionar ou me abstenho, proponho-vos a versão do Hino dos E.U.A. pela guitarra de Jimi Hendrix, por alturas de 1969. A gravação é fraca e tem falhas, mas, mesmo assim, creio que vale a pena ouvi-la. Além disso, foi o que arranjei :)

26 de nov. de 2006

Até sempre, Mário!



Morreu hoje, aos 83 anos, Mário Cesariny de Vasconcelos, o poeta, o pintor, o maior nome do surrealismo em Portugal. Da sua vasta e polifacetada obra, que abarcou mais que a literatura e a pintura, deixo dois exemplos, em homenagem ao Mestre.





You Are Welcome To Elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam

e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes

espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós

e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras noturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o
amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

22 de nov. de 2006

FRAGMENTOS: Cafés e afins por onde passei, convenientemente suspensos no tempo e no espaço para que possa visitá-los quando me apetecer.



CAFÉ MOÇAMBIQUE

O Santos, do café Moçambique, era baixote e gorducho, e pouco devia à inteligência. Dizia-se que baptizara o Café com esse nome porque Moçambique era a capital de Angola. A atestar a falta de cérebro do Santos contavam-se várias historietas e anedotas cuja origem era, no mínimo, duvidosa. A mim, venderam-mas, na altura, como originais e legítimas. Como aquela do cliente que pediu uma sandes de carne assada e o periódico. O empregado, recém-chegado das berças, coçou a cabeça, franziu o cenho e acabou por buscar socorro no Santos, que estava lá para os fundos do balcão.

- Você é mesmo ignorante - rosnou o patrão, enquanto se encaminhava para o freguês. Com um sorriso rasgado, perguntou:

- O amigo quer branco ou tinto?

Falava-se também do comensal que, depois de duas garfadas de um prego no prato, protestara alto e bom som que aquilo não se podia comer, que o bife era duro e o molho não prestava. Logo o Santos acorrera, meio espantado, meio indignado:

- Ouça lá, como é que isso pode ser? Ainda há pouco outro cliente acabou de comer um e disse que estava simplesmente execrável!!!

Mas verdadeira, verdadeira, é a que conto a seguir:

O Café Moçambique tinha agregada uma pensão, que funcionava no primeiro andar. Um belo dia lá se hospedaram duas jovens francesas, caso raro, por sinal. Ora, alguém tinha informado o Santos de que com francesas é que era, facturação garantida, tiro e queda, não deixe passar a oportunidade, homem!

De maneira que, por volta da meia noite, o Santos escapuliu-se, em pijama, do leito conjugal, e foi com passinhos de veludo bater à porta do quarto das francesas. O Santos não falava francês, mas deve ter-se feito entender claramente, porque as moças, que não eram de intrigas, desataram a cascar-lhe forte e feio, obrigando-o a uma retirada vergonhosa pelas escadas abaixo, até à rua. Levanta-se a mulher aos gritos, e participa na perseguição. O candidato a D. Juan já não sabia às quantas andava, acossado, humilhado, de pijama e chinelos de quarto no meio da rua. Só lhe faltava que aparecesse a polícia. E não é que apareceu?

Perante a queixa das francesas, a autoridade não teve outro remédio senão levar o Santos para a esquadra, onde foi forçado a pernoitar. E tudo acabou por se resolver, à boa maneira portuguesa.

Bem sabemos, porém, que notícias deste teor se espalham com a velocidade do vento. E foi assim que, passados uns dias, um amigo do Santos apareceu no Café e, sem mais prolegómenos, lhe atirou:

- Ó Santos, então você esteve preso, homem?

O visado nem pestanejou:

- Pois, é verdade... Políticas, meu amigo, políticas...!


O Café Moçambique aumentara substancialmente a clientela depois de a PIDE ter fechado a Associação Académica. Pouco povoado pela manhã, ia-se compondo a seguir ao almoço, graças aos grupos que iam à bica e ficavam depois para estudar. Com o passar dos meses, esses grupos quase sedimentaram, as mesmas pessoas nas mesas do costume, os rituais repetidos, a debandada geral pouco antes da hora do jantar e o regresso para a bica e a conversa da noite.

Era um café de estudo, o Moçambique. Digo-o eu, que muito li naquela mesa.

Certa tarde de princípio de Verão, conta-se que um rapaz, freguês habitual, se sentara à mesa do costume, com a mão por cima do ombro da namorada, como era uso dos parzinhos frequentadores do Café. Mas o Santos, nesse dia, estava do contra. Tinha lá uma espécie de parente recém-chegado da terrinha, e terá feito questão de ostentar o estabelecimento como casa de muito respeito, de maneira que, lá de trás do balcão, mandou o empregado de mesa dizer ao rapaz que aquilo não eram modos de se estar no Café dele, Santos. O empregado, discretamente, disse. O rapaz terá mandado responder ao Santos, pela mesma via, que se metesse na vida dele e não o chateasse. O empregado assim fez. O Santos levou a mal, pudera, tinha lá a espécie de parente... Apopléctico, desatou aos berros, que aquilo era uma casa decente, que não admitia poucas-vergonhas, que acabassem com a marmelada e fossem para a rua, já, imediatamente!

Ao rapaz, que não estaria nos seus melhores dias, passou-lhe qualquer coisa pela cabeça. Levantou-se de raiva, correu até ao balcão e vá de apertar os colarinhos ao Santos. Consta que o rapaz até era de seu normal pacífico e contido, com raras excepções, como naquela vez em que a polícia de choque entrara pela praça e pelo Tropical a malhar em tudo o que mexia, idosos e uma grávida incluídos, ou aquela outra em que a GNR enfiara os jipes com protecção dianteira de arame farpado pela mesma praça e atropelara e agredira à coronhada quem por lá estava em paz. Nessas ocasiões, diz-se que o rapaz se passara completamente, gritara que aquelas coisas só podiam acontecer naquele país de pides e de filhos da puta, e tivera de ser levado à força por colegas para a Associação, antes que fosse levado à força para outro sítio.

Mas adiante. Prontamente agarrado e imobilizado pelo Trajano, um empregado de balcão que fazia dois dele, o rapaz reparou que as pessoas começavam a levantar-se das mesas e a avançar para o matulão, que achou por bem largá-lo antes que a coisa desse para o torto. Sentou-se de novo à mesa. O Santos berrava que ia chamar a Polícia, e chamou mesmo.

Cinco minutos depois apareceu, de facto, um agente da PSP, que delicadamente pediu ao rapaz que saísse, ao que este respondeu, também com toda a cortesia, que não via qualquer motivo para saír. Retorquiu o guarda que ali o Sr. Santos se queixara de comportamentos menos próprios... O rapaz negou, convidando o agente da autoridade a arranjar uma testemunha, uma só que fosse, de tais acusações. Que, assim, sairia.

O polícia encabulou. Que eram todos amigos do rapaz, como iria conseguir testemunhas? E o rapaz que não, que a maioria dos presentes, apenas os conhecia de vista.

E o polícia saíu.

Os “presentes”, colegas de café e de hábitos, também elas e eles se abraçavam todos os dias, muito naturalmente, no Café Moçambique e em qualquer outro café, ou na rua, ou nos jardins, e também lhes repugnavam a imbecilidade e a prepotência dos moralistas de trazer por casa. E assim foi que, uma a uma, as mesas começaram a esvaziar-se e as pessoas a abandonarem o café. Algumas ainda foram ter com o rapaz, que se fosse embora, que ainda arranjava problemas, e um dos do grupo de caboverdianos perguntou-lhe em surdina se não achava que aquele Trajano merecia um correctivo... Que não, disse que não valia a pena, de resto o homem, se não tivesse obedecido ao patrão, às tantas era despedido, e o caboverdiano, muito sério, para o rapaz:

- Bom, se precisar de alguma coisa, estamos à disposição.

Caboverdiano que, diz-se, viria a encontrar o ex-rapaz muitos anos mais tarde, na Tabanca, o bar dos Tubarões, na cidade da Praia, onde a banda tocava e se dançava no pátio aberto. Era então ministro e, quando deu pelo antigo colega de aventuras, sentou-se à mesa dele, falaram daqueles tempos, riram e beberam, até que de repente os Tubarões atacaram uma coladera, ou talvez fosse um funaná, e o ministro se levantou e disse:

- Desculpe, amigo, mas agora tenho que ir dançar.

Naqueles tempos de que se falara na Tabanca, o rapaz e a rapariga tinham decidido teimosamente que seriam as últimas pessoas a saír do Café Moçambique. E parece que foram mesmo. A esmagadora maioria das pessoas que então abandonaram o café deixaram, pura e simplesmente, de frequentá-lo. Eu, por exemplo, só voltei a entrar no Café Moçambique anos mais tarde, já o Santos se retirara e o dono passara a ser o Sr. José, um antigo empregado de mesa simpático e de ar apalermado, de quem jamais suspeitaria que conseguisse sacar o café ao Santos. Como as pessoas se enganam!