Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

9 de jun. de 2006

A receita da semana

Desta vez, a receita é melhorada, pelo menos na quantidade: há uma sobremesa, simpática contribuição da Teresa Durães, e um prato vegetariano, já se vê para quem.
Pediu-me a Maloud algo que não metesse facas, para um jantar "berbere" de apoio à nossa selecção. Encontrei uma coisinha que talvez só precise de faca para ser partida. Depende de como saia e da preferência (a comer) de cada um.



TARTE DE SARDINHAS COM CERVEJA E PIMENTOS
Ingredientes (4 pessoas):

* 300 g de massa folhada congelada
* 600 g de sardinhas
* 1 pimento verde
* 2 cebolas médias
* 3 dentes de alho
* 1 raminho de salsa
* 3 ovos
* 1 dl de natas
* 2,5 dl de cerveja
* manteiga, sal e pimenta qb

Preparação:
1. Descongele a massa folhada à temperatura ambiente
2. Amanhe as sardinhas e, de seguida, retire-lhes a cabeça e lave-as bem.
3. Corte as cebolas e os alhos em meias luas, o pimento em tiras, e pique a salsa.
4. Depois de descongelada, estenda a massa folhada sobre uma mesa e forre com ela uma forma previamente untada com manteiga.
5. Coloque uma camada de legumes no fundo da tarte, sobreponha as sardinhas, e depois os restantes legumes.
6. Misture as natas, os ovos e a cerveja; tempere com sal e pimenta.
7. Regue a tarte com este preparado e leve-a ao forno a 180º, durante cerca de 40 a 45 minutos.
8. Retire do forno e sirva.



FLAN DE ESPARGOS (Alternativa vegetariana não fundamentalista)

Ingredientes:

* 600 g de espargos verdes
* 3 ovos
* 1 copo de leite evaporado
* margarina light
* sal e pimenta

Preparação:
1. Pré-aqueça o forno a 170ºC
2. Lave os espargos e coloque-os num tacho com água e sal, deixe ferver e deixe cozer até ficarem tenros. Escorra bem, corte em pedaços pequenos e misture com o leite evaporado e os ovos.
3. Unte pequenas formas com a margarina e distribua entre elas o preparado. Leve ao forno, em banho-maria, durante 45 minutos.
4. Retire do forno, deixe arrefecer e desenforme, passando a ponta de uma faca em volta das formas.




SOBREMESA - BABA DE CAMELO


Ingredientes:
* 1 lata leite condensado
* 6 ovos

Preparação:
1. Colocar a lata de leite condensado numa panela de pressão durante 45 minutos
2. Bater as claras em castelo
3. Juntar o leite condensado saído da panela de pressão às gemas
4. Envolver as claras com leite e ovos
5. Pôr no frigorífico
6. Não ir fazer teste de colesterol


BOM APETITE!

8 de jun. de 2006

Passeio

I


Viemos devagar como quem longamente se interroga. Sugerimo-nos a espuma, e o que ficou foi sombra.

Ao sabor dos ventos procurámos os planos secretos da paisagem. Respondeu-nos o frio de muralhas erguidas em pedra antiga, orgulhosas, serenas, quase transparentes. No vértice da luz semeámos uma pátria inconsolável, uma pátria de estrelas e cantigas e automóveis deitados em círculo na relva. Subimos os degraus e não havia escada. Havia sede. Lá mais acima o céu ria-se, quem sabe se de nós. Olhámos em volta, e novamente em volta. As coisas giravam, parecia. As coisas sempre eram coisas, e tinham cores e cheiros.

E, de repente, o mar.




II


O mar surpreendeu-nos, secreto e silencioso. Desprendendo-nos de nós, procurámos os sons que nos situassem, o onde, o como, o se.

- Está frio...

A voz surgiu de súbito, talvez do mar, talvez do nada.

- Está frio.

A minha voz, único som aparente na estranheza da tarde, no divergir da luz. Ou seria a tua? Agarrámo-nos à voz, âncora de um inesperado crepúsculo rodeado de muralhas cada vez menos transparentes.

Lá em baixo, os automóveis levantavam-se. Comiam a relva, tranquilos, cerimoniosos, em círculo, sempre em círculo. A pátria inconsolável levantou a manta do piquenique e dobrou-a com cuidado, já a pensar na próxima vez.

Era tempo. Começámos a descer as coisas que sempre eram coisas, a escada que não havia, a ponte da tarde, os cheiros e as cores.

- Está frio.

6 de jun. de 2006

Discussão

- Desconfio que a democracia não resulta. Juntam-se astronautas, bodes, camponeses, galinhas, matemáticos e virgens loucas e dão-se a todos os mesmos direitos. Isso parece-me um erro cósmico. Desculpa.
Desculpei, mas fiquei ofendido. Que a democracia era aquilo mesmo, e ainda com conversa fiada como brinde, isso sabia eu. Que mo viessem dizer, era outra coisa. Fiquei ainda mais ofendido, até porque não gosto de erros cósmicos. Acho um snobismo.
- Eu sou democrático - rugi entre dentes, como resposta. - Tenho amigos no exílio, todos democráticos. É um sacrifício que poucos fazem, ir para o exílio e ser professor universitário exilado e democrático. Eras capaz de fazer isso?
- Não sou democrático.
Não havia resposta a dar. Nenhuma. Ele não era democrático, não sabia de democracia.
Eu sim, sou democrático, até já quis ir à América, que me afirmaram que lá é que é a democracia.
Recusaram-me o visto no passaporte, disseram que eu era comunista! Viram isto!?

(Mário-Henrique Leiria, "Contos do Gin-Tonic")

3 de jun. de 2006

Salada não enche barriga?

Mais uma vez, as vossas sugestões foram preciosas. Esperando não esquecer ninguém (mas, se esquecer, protestem!), aqui deixo os contributos que recebi.

Prato principal:
Repetir a entrada (Mar) - LOL!
Gaspacho (hmmm) ou pudim de gaspacho (Nãosoueuéaoutra) Prato principal é como quem diz :)
Um peixe fresquinho grelhado com molho de manteiga, por exemplo um linguado ou uma truta, acompanhado com legumes cozidos, tipo feijão verde e uma batatinha. (Cristina)

Vinho:
Um vinho muito leve. Aconselho um Vinho Cambra, Verde. (Parrot)

Sobremesa:



Frutas gratinadas
(Lola):

-300 g de frutas diversas (meloa, framboesa, morango, kiwi, manga, uvas, etc...)
-2 claras de ovo
- cerca de 30 g de açúcar ou o equivalente em adoçante
-1 colher de sopa de licor

. Descascar a fruta (se for o caso), cortar em pedaços pequenos e retirar os caroços e sementes.
. Colocar a fruta num tabuleiro de ir ao forno. Misturar o licor mexendo levemente.
. Bater as claras em castelo e misturar o açúcar (ou adoçante) até obter um merengue bem firme.
. Cobrir as frutas com o merengue e levar a gratinar no forno até a superficie ficar dourada.
. Servir de imediato

Cerejas de Resende (Maloud)
____________________________________________________________
& ainda:
Acrescentar uns lagostins partidos às rodelas que sobraram de repasto anterior!!! (Maloud)
Tirar as gambas (tadinhas!) (Teresa Durães).

A propósito, perguntou a Teresa a que espécie de vegetais pertencem as gambas. A resposta é fácil: à melhor! :)

2 de jun. de 2006

Receita da semana


Com o calor, apetece uma salada, que tem a vantagem de agradar aos amigos dos vegetais (e inimigos da carne...).

Por isso a receita de hoje é uma entrada, ficando o desafio para que alguém avance com o prato principal...

SALADA DE MAR E MONTANHA

Ingredientes para 4 pessoas:
* 4 rodelas de ananás natural
* 3 maçãs ácidas
* 3 endívias
* 3 cenouras médias
* 250 g de gambas
* 1 limão
* 30 g de manteiga
* salsa
_________________________________________________
Molho:
* 1 ovo
* 1,5 dl de óleo
* sal
* sumo de limão
* 1 colher de sopa de tomate concentrado
* 1 colher de sopa de mostarda
* 2 colheres de sopa de sumo de ananás
_____________________________________________
Preparação:
1.
Descascar as maçãs, esfregá-las com limão para não escurecerem e cortá-las em fatias finas. Lavar as endívias e cortá-las horizontalmente. Raspar as cenouras e cortá-las em juliana. Cortar o ananás em cubos.
2. Aquecer a manteiga e refogar as gambas. Descascá-las e reservar as cabeças.
3. Misturar as frutas e as verduras e colocá-las num prato raso.
4. Em seguida, preparar o molho, juntando o óleo, o sal, o ovo e o sumo de limão, batendo com a varinha até ficar bem misturado. Juntar o tomate, a mostarda, 2 colheres de sopa de sumo de ananás e um pouco de salsa picada. Bater de novo.
5. Regar as verduras e as frutas com este molho.
6. Adornar com as gambas e as cabeças que deixou reservadas. Polvilhar com salsa picada.
___________________________________________________

E pronto, já está! Bom apetite, ao som dos Demónios da Garoa e do seu Trem das 11.

1 de jun. de 2006

Dia Mundial da Criança



Que todas as crianças possam ser felizes. Nada mais.

29 de mai. de 2006

27 de mai. de 2006

Updates e upgrades (e um downgrade ? :)

Obrigado pelas sugestões!

Vinhos:
Cheda Reserva 2002 do Douro (Maloud)
Tinto Herdade do Esporão (Teresa Durães e Cristina)

Luis Pato (Cristina)
Dão Casa de Santar tinto 2000 (Parrot)

Sobremesas:
Tarte de amêndoa (Teresa Durães)
Suspiro de frutas (Cristina)

Aqui fica a receita gentilmente cedida pela Cristina
(estou a falar bem, caramba!)

Suspiro de frutas

Ingredientes:
1 lata de pêssego em calda
suspiros
natas
açúcar

Confecção:
Num recipiente para servir à mesa desfaz-se uns 5 suspiros, mais ou menos, depois pega-se as natas batidas com um pouco de açúcar e põe-se por cima dos suspiros formando uma camada.
Por cima desta, os pêssegos cortado aos pedacinhos, e por cima os suspiros, depois natas, os pêssegos e sempre assim até acabar com natas por cima e decora-se com suspiros inteiros.
Vai ao frigorífico até á hora de ser servido.
bom apetite
(obs: pode ser usado morangos ou ananás em calda para substituir o pêssego)
__________________________________________________________________

E ainda...
Receita alternativa, da Teresa Durães, pela qual (receita:) não me responsabilizo (hehehe) :

Pudim de legumes
Ponto 1: correcto
Ponto 2 a 6: Eliminar e substituir por:
Cozer Legumes (Cove Rouxa, Bróculos, Couve-flor, espinafres e o que houver no frigo), colocar pirex, colocar ovo batido com colher farinha maizena por cima e queijo+sal vai ao forno

Sugestão da Maloud (que aconselho vivamente):
Acompanhar o Lombo 3 Sabores com o Pudim de Legumes da Teresa Durães.

26 de mai. de 2006

Receita da semana

Lombo 3 sabores

Ingredientes para 4 pessoas:

* 700 gr de lombo de vaca num pedaço inteiro
* 2 colheres de sopa de mel
* 2 colheres de sopa de mostarda
* 2 colheres de sopa de ervas finas para temperar
* 25 gr de manteiga
* sal
* pimenta
* 1 limão

Preparação:

1.
Aquecer o forno a 220º C
2. Esfregar o lombo com limão, sal e pimenta e untá-lo com mostarda
3. Colocar o lombo num tabuleiro refractário; polvilhá-lo com as ervas finas e distribuir pequenas nozes de manteiga por cima
4. Introduzir o tabuleiro no forno e assar a carne durante 15 minutos
5. Passado esse tempo, voltar a carne; assar mais 10 minutos
6. Retirar o lombo, cobri-lo com mel e voltar a introduzi-lo no forno mais 10 minutos
7. Servi-lo imediatamente.
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Fico à espera de sugestões para vinho e sobremesa. Bom apetite!

24 de mai. de 2006

A gambozina da semana


Fátima Campos Ferreira mostrou, no programa da RTP sobre o livro de Manuel Maria Carrilho, de que acabei por ver a repetição na RTPn, como não se deve moderar um debate. Inacreditável. Com uma gesticulação ao melhor estilo de cançonetista pimba, FCF aponta o dedo (nunca lhe disseram que apontar é feio?), tenta açular os convidados uns contra os outros (como se fosse preciso!), provoca-os, interroga-os à pior maneira policial para ver se não passa em branco qualquer porcaria insultuosa ou sensacionalista que começaram a dizer, interrompe-os nos piores momentos (ou seja, nos melhores...)

Depois da história da evacuação da sala, a saga continua.

Enfim, valha-nos (e a ela) Nossa Senhora. De Fátima, claro.

Uma leitura interessante


É a carta, que anda um bocado escondida, do Presidente do Irão ao Presidente dos Estados Unidos. Descontados alguns problemas de sintaxe oriundos das traduções, o texto, bastante longo, vale bem a pena. Dá-nos talvez uma perspectiva diferente do Islão, e revela uma parte do pensamento político e ideológico subjacente aos estados assentes na teocracia. Por outro lado, também perspectiva o Ocidente, e em particular os EUA (a sua Administração) de uma forma porventura surpreendente...

22 de mai. de 2006

Habilidades

Da Constituição da República Portuguesa

Artigo 58.º
(Direito ao trabalho)

1. Todos têm direito ao trabalho.
2. Para assegurar o direito ao trabalho, incumbe ao Estado promover:

a) A execução de políticas de pleno emprego;
b) A igualdade de oportunidades na escolha da profissão ou género de trabalho e condições para que não seja vedado ou limitado, em função do sexo, o acesso a quaisquer cargos, trabalho ou categorias profissionais;
c) A formação cultural e técnica e a valorização profissional dos trabalhadores.

Artigo 59.º

1. Todos os trabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, têm direito:
a)........................................................................................................................................................

b) A organização do trabalho em condições socialmente dignificantes, de forma a facultar a realização pessoal e a permitir a conciliação da actividade profissional com a vida familiar;

(...)

O direito ao trabalho deve, portanto, segundo a Constituição, ser concretizado através de políticas de pleno emprego, da valorização profissional, da formação cultural e técnica e da conciliação da actividade profissional com a vida familiar.

Onde fica então a pseudo-distinção entre direito ao trabalho e direito ao emprego com que alguns "iluminados" pretendem iludir as pessoas, procurando interiorizar nelas, através da insistência e com a cumplicidade de alguns media, uma ideia que daria mais ou menos nisto:

- "Pois é, o meu amigo tem todo o direito ao trabalho, mas vá lá trabalhar para outro lado, que o seu direito ao emprego aqui acabou."

Pretende-se, com esta "habilidade", esvaziar de conteúdo o princípio constitucional e facilitar os despedimentos sem justa causa. O direito ao trabalho seria então uma coisa abstracta, uma espécie de ideal previsto na Constituição, e o direito ao emprego contemplaria a realidade concreta, na sua forma negativa, quer dizer, o direito ao desemprego.

Temos o cinismo e a desonestidade intelectual a trabalharem para a liberalização dos despedimentos, a instabilidade no emprego e o agravamento da já baixa qualidade de vida da esmagadora maioria dos portugueses. Em nome de quê?
Não certamente da Constituição, que proclama, e muito bem, precisamente o contrário.

Em nome, dizem, da "mobilidade" do emprego, da "produtividade" e da "competitividade" das empresas, e por aí adiante. Noutro post procurarei abordar estas aparentemente imperiosas necessidades. Por agora apenas me interessa vincar que a conversa do direito ao trabalho versus direito ao emprego
, a ser contemplada na legislação laboral, violaria a Constituição.

20 de mai. de 2006

Afinal havia outro...




Nem Queirós, nem Erikson. Fernando Santos, o "engenheiro do penta", é o novo treinador do Benfica. Lá benfiquista é ele. José Veiga continua.





Noutro registo, Manuela Ferreira Leite afirmou, no congresso do PSD, que o que há de errado com o PS é imitar o PSD, colar-se às suas políticas e aos seus princípios. Dá para entender?



Os comerciantes da baixa de Coimbra não aderiram à iniciativa denominada "noite branca", cujo propósito era a divulgação do comércio tradicional e a chamada de atenção para as suas dificuldades, mas principalmente o convívio entre a população, habituada a comprar nas grandes superfícies, e os comerciantes. O público compareceu em massa, houve animação de rua e tudo - mas apenas meia dúzia de lojas permaneceram abertas até às 2 horas da manhã, conforme o previsto. Em tempo de "queima das fitas". Afinal, como é?

19 de mai. de 2006

Vinhos, sobremesas & etc. para a dourada

Com os meus agradecimentos aos autores, aqui ficam as sugestões que recebi na caixinha de comentários (espero não me ter esquecido de nada; se receber mais sugestões, editarei o post):



Vinhos
Um bom vinho verde (Tuché)
Vinho verde Quinta do Ameal 2000 (Parrot)
Vinho branco maduro Redoma Reserva Branco 1997 (Parrot)
Vinho Verde Casta Loureiro de Ponte de Lima (Teresa Durães)
Adega Cooperativa de Ponte de Lima (Cristina)







Sobremesas
Mousse de manga "bem fresquinha" (Mar)
Bavaroise (Wind)
Tarte de manga (Tuché) - ver receita mais adiante.
Leite creme (Cristina)



Etc.

* Se no sal misturar uma clara, fica mais fácil de moldar. (Maloud)
* Porquê os molhos? (...) Azeite e só azeite. (Maloud)
* Acompanhar com salada e tirar o peixe (!) (Teresa Durães)
* Usar a receita com qualquer peixe ou carne, por exemplo lombo de porco (Cristina)
* Para 2Kg de sal, batem-se 4 claras em castelo {aquelas que andam sempre pelos frigoríficos nacionais} e misturam-se. Na hora de tirar a crosta de sal, o trabalho é mais fácil. (Maloud)


Receita de tarte de manga (Tuché)

1 lata de manga em calda
1 pacote de gelatina de ananás (Royal)
1/2 lata de leite condensado

Para a Base da tarte
1 pacote de bolacha Maria
150grs manteiga

1 Tarteira de fundo falso

Picar a bolacha no 123 (picadora) até esta ficar bem moida
Derreter a manteiga em lume fraco
Depois misturar a manteiga na bolacha até ficar tipo uma massa para depois forrar a tarteira de fundo falso com a palma da mão.
Levar esta base ao congelador por 1 hora

15 minutos antes preparar o recheio da tarte

Num batedor ou com varinha mágica (e copo misturador) juntar a manga, a meia lata de leite condensado e a gelatina de ananás (fazer receita de 1/4 de água fria e 1/4 de água quente conforme está descrito no pacote. Juntar tudo até formar uma pasta, cerca de 10 minutos se for em misturadora e se usar varinha tem que ser mais 5 minutos.
Depois tirar a tarteira do congelador e deitar o recheio dentro.
Convém estar 4 a 5 horas pelo menos no frigorifico para solidificar bem.

Receita da semana - Dourada ao sal


Ingredientes para 4 pessoas:
* 1 dourada de 1,5 Kg aprox.
* 2 Kg de sal de cozinha grosso especial
* 1 folha de louro

Acompanhamento:

* 500 gr de batatas pequenas
* molhos preparados

Preparação:
1. Ao comprar a dourada, convém pedir que a esvaziem pela boca e a entreguem sem ser escamada. Se não tiver sido esvaziada pela boca e houver uma abertura por baixo da cabeça (em qualquer caso, não se deverá fazer um corte longo no ventre), antes de cobri-la com sal pode tapar-se a abertura com papel de alumínio.
2. Aquecer o forno a cerca de 220ºC.
3. Colocar num tabuleiro refractário metade do sal humedecido, bem calcado.
4. Colocar a dourada, já limpa, sobre o leito de sal. Pôr sobre o lombo a folha de louro e cobrir com o resto do sal, apertando bem para que fique compacto e uniforme.
5. Introduzir o tabuleiro no forno a cerca de 220ºC durante 35-40 minutos (ou até que se veja o sal a abrir fendas).
6. Entretanto, cozer em vapor as batatas, que devem ser pequenas e de tamanho uniforme.
7. Terminada a confecção no forno, retirar com cuidado a crosta de sal, que levará consigo a pele do peixe. Se ficar algum pedaço, retirá-lo com papel de cozinha untado com azeite.
8. Servir a dourada tal como sai do forno. Oferecer como acompanhamento as batatas e vários tipos de molhos, feitos em casa ou comprados.

Nota: Retirar muito bem o sal que tiver aderido à superfície. Os alimentos preparados em sal não ficam salgados, ao contrário do que se possa pensar. Ficam com o sal suficiente.

Espero que gostem. Fico agora à espera das vossas sugestões sobre vinhos e sobremesas.
Bom apetite!

17 de mai. de 2006

Receitas, mais receitas!


Agradeço o encorajamento que me deram a propósito das receitas que aqui tenho publicado. Pensei seriamente na sugestão da Maloud (fazer um blog sobre culinária), mas não tenho, por agora, pedalada para me meter nisso. Em vez de um blog, passarei a publicar uma receita por semana, mais coisa menos coisa, e às vezes uma sugestão para refeição completa (parte de comes), desde já agradecendo as vossas sugestões complementares para os vinhos e/ou outras bebidas.

Última hora!


(Clique se quiser ampliar)

16 de mai. de 2006

Gambozinos à vista?

Lembram-se do post em que convidei a detectar e caçar os bichos? Pois aqui dou um modesto contributo, e sempre que me pareça e me ocorra, sem qualquer pretensão de sistematizar, reincidirei.



Depois de conhecida a lista de convocados para a selecção nacional de futebol AA e da birra com o seleccionador dos sub-21, Agostinho Oliveira, Luiz Felipe Scolari, cá para mim, anda a parecer-se cada vez mais com um gambozino.





Com a publicação do livro de desagravo em que culpa tudo e todos pela perda da eleição para a Câmara Municipal de Lisboa, Manuel Maria Carrilho, o novo homem da teoria da conspiração, é outro sério candidato à distinção.



Que ninguém diga que não avisei...

13 de mai. de 2006

A Paz de Pablo Neruda. À minha paz. À vossa paz. E a todos os soldados da paz.

Paz para los crepúsculos que vienen,
paz para el puente, paz para el vino,

paz para las letras que me buscan
y que en mi sangre suben enredando

el viejo canto con tierra y amores,
paz para la ciudad en la mañana
cuando despierta el pan, paz para el río
Mississippi, río de las raíces:
paz para la camisa de mi hermano,
paz en el libro como un sello de aire,
paz para el gran koljós de Kíev,
paz para las cenizas de estos muertos
y de estos otros muertos, paz para el hierro
negro de Brooklyn, paz para el cartero
de casa en casa como el dia,
paz para el coreógrafo que grita
con un embudo a las enredaderas,
paz para mi mano derecha,
que sólo quiere escribir Rosario:
paz para el boliviano secreto
como una piedra de estaño, paz
para que tú te cases, paz para todos
los aserraderos de Bío Bío,
paz para el corazón desgarrado
de España guerrillera:
paz para el pequeño Museo de Wyoming
en donde lo más dulce
es una almohada con un corazón bordado,
paz para el panadero y sus amores
y paz para la harina: paz
para todo el trigo que debe nacer,
para todo el amor que buscará follaje,
paz para todos los que viven: paz
para todas las tierras y las aguas.

Yo aquí me despido, vuelvo
a mi casa, en mis sueños,
vuelvo a la Patagonia en donde
el viento golpea los establos
y salpica hielo el Océano.
Soy nada más que un poeta: os amo a todos,
ando errante por el mundo que amo:
en mi patria encarcelan mineros
y los soldados mandan a los jueces.
Pero yo amo hasta las raíces
de mi pequeño país frío.
Si tuviera que morir mil veces
allí quiero morir:
si tuviera que nacer mil veces
allí quiero nacer,
cerca de la araucaria salvaje,
del vendaval del viento sur,
de las campanas recién compradas.
Que nadie piense en mí.
Pensemos en toda la tierra,
golpeando con amor en la mesa.
No quiero que vuelva la sangre
a empapar el pan, los frijoles,
la música: quiero que venga
conmigo el minero, la niña,
el abogado, el marinero,
el fabricante de muñecas,
que entremos al cine y salgamos
a beber el vino más rojo.

Yo no vengo a resolver nada.

Yo vine aquí para cantar
y para que cantes conmigo.

11 de mai. de 2006

Não quero transformar isto num blog de culinária, mas...

Dados os protestos, pedidos e sugestões, aqui vai uma receita mais carnívora. Tentei jogar num prato que agrade a todos (menos aos vegetarianos, já se sabe...)

BIFE COM NATAS E COGUMELOS

4 bife(s) de vaca
200 g cogumelos laminados
4 fatias fiambre
1 ramo manjericão
80 g manteiga
1 dl óleo
vinho branco dl
2 dl natas
sal q.b.
Pimenta q.b.
piripiri em pó q.b.



O bife da foto não corresponde exactamente ao da receita!


Bata os bifes com o martelo de carne, de modo a que fiquem bem espalmados.
Tempere com sal e pimenta e sobreponha, a cada um deles, uma fatia de fiambre e uma folhinha de manjericão. Dobre e prenda com palitos.
Leve uma frigideira ao lume, com a manteiga e o óleo, e core os bifes. Retire e reserve.
À mesma gordura, misture os cogumelos. Salteie e tempere com sal e pimenta.
Escorra um pouco de gordura e regue com o vinho, deixando que este evapore um pouco.
Envolva então as natas e deixe engrossar.
Aqueça os bifes neste molho e sirva de imediato.


Nota: Pode optar por fritar os bifes apenas em manteiga ou margarina.

9 de mai. de 2006

O prometido é devido: uma receita vegetariana... da qual gosto muito.


ARROZ DE GRELOS


1 molho de grelos de nabo
350 g de arroz carolino
1 cebola grande
4 colheres de sopa de azeite
2 dentes de alho
sal e pimenta



Preparação:

Prepare os grelos aproveitando sobretudo as pontinhas e as folinhas mais tenras e corte em bocados. Meça o arroz. Pique a cebola finamente e coza-a com o azeite até estar translúcida, sem deixar ganhar cor. Junte os dentes de alho e os grelos e salteie-os até estarem macios. Adicione o arroz e envolva-o bem na gordura. Regue com água, que deve ser o dobro do volume do arroz. Tempere com sal e pimenta, deixe levantar fervura, tape, reduza o calor e deixe cozer, devendo o arroz ficar solto e inteiro.


Bom apetite!

8 de mai. de 2006

Isto está mau para os históricos... mas a Académica é a maior!



Acabou a Primeira Liga, com a despromoção (já previsível) do histórico Vitória de Guimarães e (algo inesperada) do histórico Belenenses à Divisão de Honra. O meu histórico, a Académica, safou-se por um triz. Realmente, os históricos que se cuidem...

Porto, o campeão anunciado, Sporting na Liga dos Campeões e Benfica nas pré-eliminatórias da dita.

Braga e Nacional na UEFA, e mais o Vitória de Setúbal, por ser finalista da Taça de Portugal.

Para o ano, teremos na Primeira Liga o Beira-Mar e o Desportivo das Aves (já se sabia).

E pronto. Aguardemos o Mundial...

Comunicação da máxima importância

OLHÓ POST!

6 de mai. de 2006

7 de Maio - Dia da Mãe



Mãe é mãe, não é preciso dizer mais nada.





A todas as mães, uma beijoca!



4 de mai. de 2006

Pátrias


A propósito do post de ontem da Cristina , dou-vos conta de uma espécie de dilema que me vem acompanhando ao longo dos anos. Não gosto de nacionalismos nem de patrioteirismos. Penso que só amamos e respeitamos verdadeiramente a nossa pátria se amarmos e respeitarmos as pátrias dos outros. Eu poderia ter nascido na China ou no Senegal, e estaria exactamente na mesma posição de A que nasceu na China ou B que é do Senegal - e gostaria que A e B respeitassem a minha pátria. Creio também que não podemos afirmar o nosso país CONTRA os outros. Devemos afirmá-lo COM os outros, ainda que, por exemplo, por comparação COM os outros.

Que Portugal e os Portugueses têm defeitos, todos sabemos. Não há país nem povo que os não tenham... Não é por isso que vamos desprezar o nosso país e glorificar os países dos outros. Que Portugal e os Portugueses têm qualidades, também o sabemos. E também não será por isso que vamos colocar a nossa terrinha num pedestal e as dos outros na lama.

Cada povo com as suas características peculiares, ou nem tanto, e todos têm aspectos com grande interesse, e outros menos conseguidos. Apetece-me dizer que somos todos cidadãos do mundo, e a verdade é que o somos cada vez mais... veja-se a aldeia global em que tudo isto se vai transformando.

Considerar que um povo ou um país são "melhores" que outros é, por definição, subjectivo. Objectivo será classificar um país como mais rico - mas, no meu conceito, isso não significa que seja "melhor". Nem sequer que lá se viva melhor que num país mais pobre - este aspecto é também subjectivo.

Tenho tendência, portanto, em termos racionais, a não desprezar o meu país, mas igualmente a não exarcebar o meu amor à pátria, ou como se lhe queira chamar. E é aqui que entra o dilema: se assim é, por que razão vibro e sofro com as equipas e selecções nacionais, sejam de futebol, hóquei ou atletismo? Após alguns meses de ausência no estrangeiro, se ouço a guitarra do Carlos Paredes, sinto invariavelmente um nó na garganta. Porquê?

Que venha responder quem souber.

2 de mai. de 2006

Prato do dia - Bacalhau com broa

Hoje estou mais virado para a política gastronómica. Sempre a defender que o que é nacional é bom, lembrei-me de um exemplo que é capaz de não sofrer grande contestação. Afinal de contas, bacalhau com broa e migas é um conforto para os olhos e para o estômago (dos que podem...). Para os mais glutões, recomendam-se batatas assadas a murro como acompanhamento, que o prato até é levezinho. Ah, e bastante azeite, para manter a célebre dieta mediterrânica.





Ingredientes:
2 lombos grandes de bacalhau demolhado
1 kg de miolo de broa
7 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de banha
2 copos de vinho branco
1 cebola
1 folha de louro
2 dentes de alho
1 colher de sobremesa de colorau
sal e pimenta


Preparação:
Colocam-se os lombos de bacalhau demolhado numa assadeira. Junta-se 1 copo de vinho, 2 colheres de sopa de azeite, louro e pimenta.
Leva-se ao forno quente e deixa-se tostar.
Numa tigela faz-se uma pasta com o restante vinho, o miolo de broa esmigalhado, a banha, os alhos picados, o colorau e o resto do azeite.
Tempera-se com sal e pimenta e barram-se, com esta pasta, os lombos de bacalhau.
Colocam-se de novo no forno até ganhar cor.


(Receita tirada daqui)


Bom apetite!

30 de abr. de 2006

Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador



























Cartaz do 1º de Maio de 2004 da Confederação Intersindical Galega


Corria o ano de 1886, e os trabalhadores americanos estavam em luta pela jornada de trabalho de oito horas. Na sequência de uma greve geral e de manifestações iniciadas precisamente a 1 de Maio de 1886, em Chicago, oito dirigentes dos trabalhadores foram enforcados.

Em 1 de Maio de 1888, a Federação Americana do Trabalho assinalou a triste efeméride com outra série de manifestações em que se continuava a reivindicar o limite de oito horas diárias de trabalho.

No dia 1º. de Maio de 1890 as manifestações estenderam-se a várias cidades norte-americanas e europeias, tendo nesse mesmo ano o dia Primeiro de Maio sido considerado, pela II Internacional Socialista, o Dia do Trabalhador.

Hoje, o dia é comemorado um pouco por todo o mundo. Curiosamente, nos Estados Unidos (e em outros países) o Labo(u)r Day passou a ser celebrado em datas diferentes. No caso dos Estados Unidos, na primeira segunda-feira de Setembro, proporcionando a festa móvel a possibilidade de os trabalhadores gozarem, efectivamente, o seu feriado, que não pode assim coincidir com sábado ou domingo.

Um bom 1º. de Maio para todos. E um óptimo fim de semana prolongado, que o descanso faz parte do trabalho.

Se houvesse degraus na terra



















Imagem daqui

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.

(Herberto Hélder)



29 de abr. de 2006

Gambozinos e Cª:


Estou como o Mário-Henrique Leiria: não me venham dizer que não há gambozinos. O O'Neill preferiu referir-se a macacos, mas os gambozinos remetem para o fantástico e o onírico, saltam do imaginário e do fabuloso, passam pela infância e, suprema ironia, conseguem transportar alguma inocência.

Ainda por cima, o nome cheira a petisco.

Há uns muito engraçados na Televisão. Disfarçam-se de comentadores e explicam-nos as coisas, que é como quem diz ensinam-nos a pensar. Ou pensam que ensinam.

Se por acaso metem o pé na argola, dizem logo que não disseram. Ou que disseram, mas. Matam-nos de tédio muito lentamente, e gostam. Já quase não adianta o zapping: eles estão em todo o lado, invadem tudo, alastram com política correcção pelo nosso quotidiano.

No dirigismo desportivo também se encontram exemplares notáveis. O que eles gambozineiam, meu Deus! O que eles se lambuzam, reviram, atropelam na voragem delirante do pequeno poder! Dizem as maiores barbaridades com o ar mais sério deste mundo, e esperam que acreditemos. E não é que, às vezes, acreditamos? Distraídos no meio da poluição dos dias, escapa-se-nos a capacidade crítica e vamos por ali abaixo sem nos darmos conta.

E na política? Passeiam por lá, misturam-se com os políticos sérios, que também os há, e esforçam-se por saltar para a ribalta. É aí que se tramam, porque às tantas se lhes percebe a gambozinice.

A evolução da tecnologia trouxe-nos uma nova classe: os gambozinos da blogosfera. Os que vêm dizer-nos que tipo de blogues devemos fazer, quais os que não são para ler, que posts devem ser evitados. Os que estão realmente convencidos de que os blogues deles é que são bons. Os que assaltam as caixas de comentários e lá deixam lixo e complexos de todo o tipo. E por aí adiante.

O problema é que este povo foi ensinado a acreditar que não existem gambozinos. Mas a treta das partidas pregadas aos ingénuos não passa, na verdade, de um disfarce. Acreditamos em bruxas, oráculos, leaders de opinião, nulidades da TV, da Rádio, dos jornais, chicos-espertos e estúpidos, sacripantas, fala-baratos, analistas económicos, satélites do futebol e até mesmo no professor Karamba. Mas em gambozinos, não. Nem os cheiramos. Não acreditamos neles, mas engolimos o que eles pregam, desde que sejam discretos e eficazes na camuflagem.

É por isso que os gambozinos são perigosos. Há que caçá-los. Vamos a isso?

27 de abr. de 2006

Teach Your Children




You who are on the road
Must have a code that you can live by
And so become yourself
Because the past is just a good-bye

Teach your children well
Their father's hell did slowly go by
And feed them on your dreams
The one they pick's the one you'll know by

Don't you ever ask them why
If they told you, you would cry
So just look at them and sigh
And know they love you

And you of tender years (Can you hear and do you care and
Can't know the fears Can you see we
That your elders grew by Must be free to
And so please help Teach the children
Them with your youth To believe and
They seek the truth Make a world that
Before they can die We can live in)

Teach your parents well
Their children's hell will slowly go by
And feed them on your dreams
The one they pick's the one you'll know by

Don't you ever ask them why
If they told you, you would cry
So just look at them and sigh
And know they love you

25 de abr. de 2006

O caminho de Abril

25 de Abril sempre!


Foi há trinta e dois anos. Tem sido um pouco todos os dias, que a vida é feita de avanços e recuos. Mais importante que a meta é o caminho. Continuaremos na estrada de Abril, e os que vierem depois de nós e depois dos que vierem depois de nós serão mais livres, mais justos, mais sábios, mais felizes.

Um dia, o 25 de Abril será uma data distante na História. Para muitos que o não viveram, já é. Esses são certamente mais felizes do que os que suportaram o salazarismo, a PIDE, a censura, as "medidas de segurança", os "tribunais plenários", a prisão, a tortura, a guerra colonial, o corporativismo, a Mocidade Portuguesa, a Legião, o ar irrespirável do dia a dia.

Não que hoje estejamos bem. Mas estamos melhor, muito melhor. Mais importante, temos agora nas mãos uma maior possibilidade de fazermos do futuro o que quisermos. Por pequena que seja, há que aproveitá-la. Não existe outro caminho senão o que percorrermos em busca da paz, da justiça social, da felicidade. Seja qual for a forma como viajamos, que ideias há muitas e práticas quase tantas.

Um bom 25 de Abril para todos.


ABRIL
Pela esperança naufragada
num oceano invisível,
pela palavra ancorada
na margem do que é possível,

pela angústia vacilante
que nos arde no desejo,
pelo silêncio cortante
que nos atraiçoa o beijo,

pelo sorrir-se da ideia
na carne de sonho e espanto,
pelo abrir-se da veia,
cansada de esperar tanto,

pelas gotas de outra vida
nos nossos corpos despertos,
pela areia corrompida
na foz dos nossos desertos,

no gesto enfeitado de plantas, de estrelas,
de gritos, de garras,
na força escondida nos templos ritmados
das nossas guitarras,
na pele ansiosa, no tacto irritado
da nossa memória,
na doce semente do amor combatente
fazemos a História.

24 de abr. de 2006

Jardinagem

O inefável Alberto João resolveu comemorar o 24 de Abril oferecendo uma ponte aos funcionários públicos, a quem aconselhou a aproveitarem o fim de semana prolongado para irem à praia em Porto Santo. Ao mesmo tempo que ensina aos madeirenses como devem aproveitar as mini-férias, J.J. proíbe as comemorações do 25 de Abril na região autónoma, justificando a sua decisão por não querer «partilhar sessões evocativas com cavernícolas políticos» sem «educação nem preparação cultural». O homem não tem espelhos em casa, é evidente.

A Assembleia Legislativa da Madeira não comemora solenemente este ano o 25 de Abril, por decisão da maioria social-democrata. O PSD "do continente" concorda, tendo sido o único partido a rejeitar dois votos de protesto contra a proibição, aprovados na Assembleia da República.

Comentários? Apenas um: são notícias adequadas ao 24 de Abril.

22 de abr. de 2006

Ainda o uso de palavrões

Ainda, não porque já me tenha referido ao assunto, mas por causa das diversas opiniões expendidas por essa rede fora, muitas delas considerando que o uso do palavrão avilta a língua, pelo que seria conveniente bani-lo.

Eu uso muito pouco o palavrão, por opção minha: entendo que o palavrão deve ser utilizado com moderação e, se possível, com respeito pelo bom gosto e pela unidade do texto em que aparece. O palavrão não avilta a língua, mas pode certamente, quando mal usado, maltratar o texto, aviltá-lo e traír-lhe as intenções. Ou seja, insultá-lo.

Por exemplo, se Fulano passa a vida a chamar filho da puta a toda a gente, a torto e a direito, no dia em quiser efectivamente chamar filho da puta a um filho da puta, ninguém lhe valoriza o qualificativo, passando o filho da puta nomeado impune, e com toda a calma. O mesmo se pode dizer de Sicrano, que constantemente manda pessoas à merda ou a outros locais que agora não cito, porque seria totalmente desnecessário: Quem está a ler sabe bem quais são.

Daí o meu apelo à parcimónia. Não se podem usar todas as jóias ao mesmo tempo. Seria de um tremendo mau gosto. Por outro lado, há jóias que não se adequam a certas ocasiões. Donde se segue que, além da parcimónia, é preciso critério. Bom gosto e bom senso, perdoem-me o lugar comum.

Como exemplo da utilização criteriosa e adequada do palavrão, não vou citar nenhum clássico, que sempre ficaria bem e daria uma óptima fatia de apoio moral. Não. Recuso essa facilidade, e remeto para uma anedota que, mesmo sendo velha e muito conhecida, não resisto a invocar em defesa do que venho post(ul)ando.

Numa campina do Ribatejo, um touro tresmalhou-se e provocou sérios danos na propriedade vizinha. A coisa deu para o torto, quer dizer, para o tribunal, e às tantas o maioral que deveria ter vigiado o turbulento bicho teve que prestar depoimento. Inquirido pelo juíz, entendeu colorir a explicação dos factos, para que nada escapasse à compreensão do meritíssimo. E assim falou:

"Senhor Doutor Juíz, vamos a um supônhamos. Vossa Incelência é boi. Anda pelo campo a pastar, desembesta-se, vem de lá da raíz da puta que o pariu, bate c'os cornos na cerca... e quem se fode é o maioral!?"

Não sei se me fiz entender...