
Sofremos muito, é verdade. Mas merecemos ganhar. E, de certa forma, também merecemos sofrer...
Agora venha lá a Inglaterra, que já fizemos bastante, mas um bastante que já não basta... :)))
Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.














I
Viemos devagar como quem longamente se interroga. Sugerimo-nos a espuma, e o que ficou foi sombra.
Ao sabor dos ventos procurámos os planos secretos da paisagem. Respondeu-nos o frio de muralhas erguidas em pedra antiga, orgulhosas, serenas, quase transparentes. No vértice da luz semeámos uma pátria inconsolável, uma pátria de estrelas e cantigas e automóveis deitados em círculo na relva. Subimos os degraus e não havia escada. Havia sede. Lá mais acima o céu ria-se, quem sabe se de nós. Olhámos em volta, e novamente em volta. As coisas giravam, parecia. As coisas sempre eram coisas, e tinham cores e cheiros.
E, de repente, o mar.
II
O mar surpreendeu-nos, secreto e silencioso. Desprendendo-nos de nós, procurámos os sons que nos situassem, o onde, o como, o se.
- Está frio...
A voz surgiu de súbito, talvez do mar, talvez do nada.
- Está frio.
A minha voz, único som aparente na estranheza da tarde, no divergir da luz. Ou seria a tua? Agarrámo-nos à voz, âncora de um inesperado crepúsculo rodeado de muralhas cada vez menos transparentes.
Lá em baixo, os automóveis levantavam-se. Comiam a relva, tranquilos, cerimoniosos, em círculo, sempre em círculo. A pátria inconsolável levantou a manta do piquenique e dobrou-a com cuidado, já a pensar na próxima vez.
Era tempo. Começámos a descer as coisas que sempre eram coisas, a escada que não havia, a ponte da tarde, os cheiros e as cores.
- Está frio.
- Desconfio que a democracia não resulta. Juntam-se astronautas, bodes, camponeses, galinhas, matemáticos e virgens loucas e dão-se a todos os mesmos direitos. Isso parece-me um erro cósmico. Desculpa.

Obrigado pelas sugestões!
Lombo 3 sabores 

Da Constituição da República Portuguesa
Artigo 58.º
(Direito ao trabalho)
1. Todos têm direito ao trabalho.
2. Para assegurar o direito ao trabalho, incumbe ao Estado promover:
a) A execução de políticas de pleno emprego;
b) A igualdade de oportunidades na escolha da profissão ou género de trabalho e condições para que não seja vedado ou limitado, em função do sexo, o acesso a quaisquer cargos, trabalho ou categorias profissionais;
c) A formação cultural e técnica e a valorização profissional dos trabalhadores.











el viejo canto con tierra y amores,
paz para la ciudad en la mañana
cuando despierta el pan, paz para el río
Mississippi, río de las raíces:
paz para la camisa de mi hermano,
paz en el libro como un sello de aire,
paz para el gran koljós de Kíev,
paz para las cenizas de estos muertos
y de estos otros muertos, paz para el hierro
negro de Brooklyn, paz para el cartero
de casa en casa como el dia,
paz para el coreógrafo que grita
con un embudo a las enredaderas,
paz para mi mano derecha,
que sólo quiere escribir Rosario:
paz para el boliviano secreto
como una piedra de estaño, paz
para que tú te cases, paz para todos
los aserraderos de Bío Bío,
paz para el corazón desgarrado
de España guerrillera:
paz para el pequeño Museo de Wyoming
en donde lo más dulce
es una almohada con un corazón bordado,
paz para el panadero y sus amores
y paz para la harina: paz
para todo el trigo que debe nacer,
para todo el amor que buscará follaje,
paz para todos los que viven: paz
para todas las tierras y las aguas.
Yo aquí me despido, vuelvo
a mi casa, en mis sueños,
vuelvo a la Patagonia en donde
el viento golpea los establos
y salpica hielo el Océano.
Soy nada más que un poeta: os amo a todos,
ando errante por el mundo que amo:
en mi patria encarcelan mineros
y los soldados mandan a los jueces.
Pero yo amo hasta las raíces
de mi pequeño país frío.
Si tuviera que morir mil veces
allí quiero morir:
si tuviera que nacer mil veces
allí quiero nacer,
cerca de la araucaria salvaje,
del vendaval del viento sur,
de las campanas recién compradas.
Que nadie piense en mí.
Pensemos en toda la tierra,
golpeando con amor en la mesa.
No quiero que vuelva la sangre
a empapar el pan, los frijoles,
la música: quiero que venga
conmigo el minero, la niña,
el abogado, el marinero,
el fabricante de muñecas,
que entremos al cine y salgamos
a beber el vino más rojo.
Yo no vengo a resolver nada.
Yo vine aquí para cantar
y para que cantes conmigo.
4 bife(s) de vaca

