Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

26 de nov. de 2007

L'appuntamento - Ornella Vanoni

Ouvi esta canção pela primeira vez na Alemanha, mais precisamente em Leipzig, cantada por uma estudante argentina que se acompanhava à viola. Fiquei imediatamente apaixonado pela música, talvez também porque a cantora era linda e tinha uma excelente voz...

Mais tarde vim a conhecer a versão da Ornella Vanoni, que viria a ser incorporada na banda sonora do filme Ocean's Twelve e, recentemente, este vídeo que aqui deixo à vossa consideração.



Boa semana!

19 de nov. de 2007

Luz

Deixemos entrar a luz. Bocados de luz
que nos passam nas mãos, flutuam, enchem,
penetram, oscilam, sonham mesmo despertar
o deserto dos verbos. Películas de luz, lâminas
de puríssimo som que nos ficam nos olhos,
deles lentamente se apoderam, concretos blocos
de luz, como tijolos ou pedras de inacessível
transparência que

cada vez mais alto
nos falam
sem
nunca ultrapassarem a
maravilha do murmúrio.

A luz de um certo branco que fere, e no entanto.
A luz pálida mas forte, tantas vezes tímida
(ou nós).

Deixemos entrar a luz que nos deseja o corpo,
a luz espalhada à superfície da água, brilhante,
difusa, a luz de um solitário candeeiro aceso no
polo da insónia, a luz negra das palavras que das
páginas nos acariciam, nos sorriem,
a luz subtil do cubo de gelo no meio do álcool,
no fundo do copo, luz fria, de refrescante tacto,
a luz que se adivinha do outro lado da colina.

Tocamos a luz
com sede, uma
muito nítida sede,

tocamos a luz
com a secreta avidez
dos nervos.

Deixemos entrar a luz do anoitecer, a luz
distante, fugitiva, que transforma as casas,
como se as víssemos sempre pela primeira vez,
a luz longínqua dos barcos que atravessam a noite,
impossíveis navios em que viajamos, submersa
no ruído profundo dos oceanos, no confuso movimento
de todos os portos.

Fatias de luz que desesperados mordemos, que nos deixam
na boca uma espécie de espuma, uma aurora de sangue,
retalhos de luz que nos envolvem os membros,
nos amarram, delicadamente nos surpreendem, correntes
de luz.

Interroguemos a luz.
Interroguemo-nos.

10 de nov. de 2007

A cidade que teve sorte


Dedico este post à cidade japonesa de Kokura.


Situada na ilha de Kiushu, no Sul do Japão, foi integrada, em 1963, na nova cidade de Kitakyushu (cerca de um milhão de habitantes em 2005), resultante da fusão de cinco cidades da província de Fukuoka.



Kokura era o alvo secundário da bomba atómica lançada sobre Hiroshima a partir do avião que ficou conhecido como Enola Gay, a 6 de Agosto de 1945. Foi possível o lançamento sobre Hiroshima, por isso Kokura salvou-se.



Era também o alvo primário da bomba atómica que, três dias mais tarde, viria a ser lançada a partir do Bock's Car. O facto de Kokura se encontrar, na altura, obscurecida por nuvens, conduziu ao lançamento da bomba sobre o alvo secundário, a cidade de Nagasaki.

Assim, Kokura escapou por duas vezes à morte, à destruição, às sequelas físicas e psicológicas que todos conhecemos, e se vão prolongando ao longo das gerações em Hiroshima e Nagasaki.



De facto, uma cidade com sorte. A sorte que todas as cidades deveriam ter tido.

4 de nov. de 2007

O desafio da Rosalina

Recado para a Rosalina, a quem agradeço a passagem do desafio: Não, não é esse o livro que tinha mais à mão, mais perto:)

Sem qualquer batota, e porque, ao contrário do que acontece com a generalidade das "correntes", esta vale a pena, peguei efectivamente no livro que tinha mais próximo, e dele tirei a quinta frase completa da página 161, que reza assim:


"Apesar de levarmos aqui o registo e a fé das sentenças de cada um destes mal-aventurados, não é agora a ocasião para nos determos a tirá-las nem a lê-las. Chegue-se Vossa Mercê a eles e pergunte-lhes, que eles lhe dirão se quiserem. E quererão, sem dúvida, pois é gente que gosta de fazer e dizer velhacarias."

(Miguel de Cervantes, O Engenhoso Fidalgo D. Quixote de la Mancha, tomo 1)

Tenho que passar o desafio a cinco pessoas, pois é... Então vou passá-lo a

- Wind (WebClub)
- Mariatuché (Me, Myself and I)
- Belzebu (O Contrablog)
- Alien DS (Alien's Corner)
- Isabel (Piano)


E as regras são simples (calmamente copiadas do Carpe Diem da Rosalina):

1ª - Pegar num livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª - Abrir na página 161;
3ª - Procurar a 5ª frase completa;
4ª - Postar essa frase no seu blog;
5ª - Não escolher a melhor frase, nem o melhor livro;
6ª - Repassar para outros 5 blogs.



Neste caso concreto, tenho pena de não poder passar o desafio a mais pessoas, mas, como se trata de uma corrente, estou certo de que lá lhes chegará! E fico à espera.

29 de out. de 2007

Bucólica


Haverá mais manhãs.
Estaremos nelas poisados
como pedras dispersas,
nelas seremos
inesperadas plantas,
vaguíssimos
sons, sabores,
sombras aráveis.

22 de out. de 2007

BRAÇOS

Os teus braços vêm para mim como navios
a saír da bruma, oblíquos, ondulantes,
no rumo rigoroso sobre a planície de água:
navios longos, ainda ao largo do meu corpo...
Lembro-me das campinas azuis - ou verdes? - das espigas,
de um quadrado de céu no tecto original....
Ah, dizer o que não digo, o que não sei,
contar os minutos, todos os minutos como se
estivesse neles e fora deles enquanto são,
enquanto sou! Há palavras que abrem mundos,
que abrem crateras na textura dos nervos...
Amo os teus dedos, que já não são gaivotas,
nem mesmo estrelas ou algas ou raízes.
Amo a água quando sinto que tem sede.

12 de out. de 2007

Prémios...

À Gi,

Muito obrigado pelo Prémio Visitante que generosamente me atribuíu.

À Mariatuché e ao Mocho Falante,

Muito obrigado pelo prémio Blog Solidário que amavelmente me concederam.



Bem hajam pela vossa generosidade e por manterem viva a chama deste bloguezito. Qualquer destes prémios vos assenta igualmente bem, porque são excelentes visitantes e comentadores, e são inegavelmente solidários. Como, aliás, acontece com os autores dos blogues que constam da lista ali à direita, que são aqueles que mais visito e os únicos onde comento, salvo raras excepções.

Portanto, e no melhor estilo dos Óscares da Academia, faço questão de dividir estes prémios com TODOS :)

6 de out. de 2007

Um americano na Encanada (relato curto)

Conheci o Peter na Califórnia, tinha eu 21 anos e ele alguns mais. Logo após as primeiras conversas, descobrimos, para além de uma certa empatia, interesses comuns de ordem ideológica e cultural. O Peter escrevia, eu tentava escrever. Ele estava mais voltado para os contos, eu para a poesia.

Quando voltei a Portugal, passámos a corresponder-nos com alguma regularidade. De vez em quando ele mandava-me um conto novo, laboriosamente dactilografado. Ia-me falando da sua vida. Homem dos sete ofícios, tinha já sido motorista de táxi em S. Francisco, carpinteiro e cozinheiro. Mas, acima de tudo, escrevia.

Passaram-se alguns anos. Um dia recebi uma carta do Peter, em que me anunciava uma próxima viagem à Europa (tinha uma irmã a viver na Dinamarca). Obviamente, queria incluir Portugal no roteiro. Ofereci-lhe a minha casa, que por essa altura era no Porto.

E lá chegou o Peter, que o meu grupo de amigos mais chegados rapidamente iniciou nas noitadas portuenses, nos vinhos e petiscos, nos mistérios e na beleza da cidade. No trânsito também, o que deixava o americano com o credo na boca. Podia ter sido motorista de táxi em S. Francisco, mas nunca tinha visto conduzir como no Porto!

Um dia alguém aventou ser indispensável uma excursão a Ponte de Lima,



para que o Peter ficasse a conhecer o arroz de sarrabulho e o verde local. Aprovámos. O Peter era um amigo e um convidado de honra. Tinha que ser levado a Ponte de Lima, ao arroz de sarrabulho e ao verdinho.

Foi num sábado à noite que nos reunimos para combinar os pormenores do passeio, aprazado para o dia seguinte, a hora não demasiado matutina. Decididos a hora e o local de encontro para a partida (ainda seguiriam 3 ou 4 carros), o resto do serão foi dedicado à cavaqueira, devidamente regada com uns uísques. Chegado a este ponto, tenho que esclarecer que o meu amigo americano bebia bastante bem. E, nessa noite, estava particularmente sequioso. Assim a atirar para a esponja, para dizer a verdade. De modo que, com a ajuda de todos, o uísque desapareceu completamente da garrafeira dos amigos em casa de quem nos tínhamos reunido. Mas o Peter queria mais. Entrou então pelo vinho do Porto, pelos licores e pelo mais que havia, e que foi bebendo cerimoniosamente enquanto a conversa continuava.

Como é lógico, o serão prolongou-se muito para além do esperado, e foi com poucas horas de sono que na manhã seguinte saímos a caminho de Ponte de Lima para almoçarmos na Encanada, o restaurante escolhido pela excelência do arroz de sarrabulho




e pela qualidade de alguns verdes. Ninguém ficou desapontado. Comemos e bebemos à melhor maneira nortenha, e decidimos prosseguir o passeio rumo ainda mais a Norte, para espairecer e ajudar à digestão com uns cafezinhos e uns digestivos que íamos tomando pelo caminho que nos levou, com paragens estratégicas para apreciar a paisagem, até Valença. Uma excursão memorável, garanto-vos, que só terminaria lá pelas 7 da tarde-quase-noite, que foi mais ou menos a hora a que cheguei a casa.

Atingido este ponto do relato, e sendo notório que alguns estrangeiros têm por vezes uma certa dificuldade em apreciar os nossos petiscos, haverá talvez quem esteja interessado em saber o que achou o Peter do arroz de sarrabulho. Pois, isso também eu queria, mas não tive sorte nenhuma. Nem nessa altura, nem nunca: Quando entrei em casa, às tais 7 da tarde-quase-noite, ainda o Peter dormia a bom dormir, e mesmo a essa hora foi impossível arrancá-lo da cama.

De manhã, bem tínhamos tentado. Nem bulia. Uma autêntica rocha. De modo que só nos restou desistir do americano, que não da Encanada. E assim continuou o Peter a ignorar as delícias do arroz de sarrabulho. O verde sempre acabou por conhecer, mas isso seria outra história.

4 de out. de 2007

Free Burma


Assinar aqui a petição.

2 de out. de 2007

Uma sobremesa pouco calórica (acho...)

A pedido da MJF, aqui fica uma receita "dietética" de


SORVETE DE MELÃO



Ingredientes para 4 pessoas:
* 700 g de melão muito maduro
* 8 claras
* adoçante artificial
* um pouco de canela ou outra especiaria (facultativo)
* algumas gotas de sumo de limão


Preparação
1. Extraír a polpa do melão e passá-la por uma batedeira eléctrica ou uma liquidificadora. Triturá-la.
2. Misturar numa tigela o sumo de limão, o adoçante e a canela, caso goste do seu sabor. Adicionar o melão triturado.
3. Bater as claras em castelo firme, utilizando uma tigela grande.
4. Incorporar pouco a pouco, batendo com muita suavidade, o melão triturado.
5. Repartir a massa por taças individuais e metê-las no congelador durante cerca de 2 horas. O ponto de sorvete é cremoso, não duro.


Conteúdo em 100g de porção comestível
Calorias: 25 Kcal
Proteínas: 1 g
Hidratos de carbono: 5,3 g
Vitamina A: 1200 U.I.
Vitamina C: 30 mg


Bom apetite e poucas calorias!!!

27 de set. de 2007

Continuando...

Apenas duas pessoas ousaram responder ao DESAFIO AO LEITOR do post anterior. Até agora, e dou por encerrado o desafio. Por ordem de chegada, a LOLA sugeriu:

Os filetes :
Entrar discretamente na área de congelados de qualquer bom supermercado e procurar a embalagem de "filetes caseiros", não vou


dizer a marca para não me comprometer.
Em casa disfarçar e preparar a salada , enquanto se fritam os benditos filetes...

O arroz:
Pode ser feito na Bimbi, ou no microondas, coisa para demorar aí uns 8 minutos, se a família não for muito grande...
Servir com requinte.

*

Obrigado,
Lola! Notem, por favor, o requinte, a discrição e o disfarce. E já nem falo da benção... :) Como disse no comentário, a Lola, cá para mim, tem pinta de boa cozinheira. Será? :D

*

E agora, a autora da receita ela-mesma, a Teresa Durães!

Arroz:
Fazer o estrugido. Uma de arroz para duas de água. até o arroz cozer (e não coser que não há agulhas). Se quiseres de tomate, colocas o tomate no estrugido. Põe um pouco de água (quase nada) para não dar cabo da saúde. Não fica tão 'puxado' mas até os diabéticos podem comer.


Estrugido= refugado mas à norte, carago!!



O peixinho
é simples. Congelado é mais barato. Fresquinho sabe melhor. Pegas no bicho (morto), nada de fritos que isso faz colesterol. Colocas num pirex com sal, coentros e tomate (desmancha-o, um inteiro podia ficar bonito mas não é prático).
Se o peixe não prestar, coloca uma pinga de água para não pegar ehehhe

Impinges à família e pronto. Se não gostarem chamas o homem da pizza e vão te adorar!!!


Ao cozinhar, acompanhas uma música tipo System of a Down, Spliknot para ver se não te aborreces tanto. Metallica também é opção ou os Funk Audioslave, Incubus...

*

Obrigado, Teresa! Com explicações sobre o cozer e o coser, o estrugido, carago! , sugestões alternativas não vá o Diabo tecê-las, e BOA música para acompanhar a confecção, que mais se pode pedir a uma veg que cozinha peixe? E que tem uma reputação a defender? E que é de ciências exactas (sem raminhos de salsa)?

E, como alguém escreveu, voilà la!

24 de set. de 2007

Cumpro, sim!

Alguém insinuou por aí que eu prometo e não cumpro. É preciso desmentir a atoarda, e já. E da pior maneira possível para quem lançou a calúnia :)

Assim sendo, passemos à prática. Prometi uma receita. Vou publicar duas, ambas indecentemente roubadas, e por ordem inversa de aparição nos comentários ao meu post anterior...


A primeira receita foi amavelmente oferecida pela GI, e parece-me muito interessante:

LAGOSTA FINGIDA


Red-fish, tomate maduro, ovos, sal, pimenta.
Cozer as postas de red-fish e água com bastante sal.
Depois lascar e reservar (lascas pequenas quase desfiado).

Por cada posta um tomate maduro e um ovo.
Triturar o tomate e misturar os ovos , pode ser tudo posto na misturadora.
Depois juntar as lascas do peixe e temperar com pimenta . Levar ao forno, tabuleito untado com manteiga (pouca).
Deixar cozer bem (não sei o tempo, vou vendo com o palito) . Se puseres em forma redonda cortas como se fosse pizza. Prefiro por num rectangular e cortar no fim aos quadradinhos e servir com alface ripada.
É melho comer frio. com maionese ao lado de preferência.
(o red fish é melhor se congelado, se as postas forem pequenas tem que se ter cuidado com a quantidade de ovos que se colocam).
Isto é 5 estrelas ***** e truque para fazer prato que parece muito sofisticado sem o ser. Bom para festas com muita gente mas óptimo para um final de trata quando até a preguiça para comer é grande.

MUITO OBRIGADO, GI!




A segunda receita tem que se lhe diga. Para começar, é obra da Teresa Durães, nem mais nem menos que a nossa escritora veg de serviço :)))
Tem o indiscitível mérito de ser simples e concisa. Lapidar, diria mesmo. Ei-la:



"Vá, filetes com tomate, coentros e vai ao forno. Eu cá acompanho com arroz que não gosto de batatas. mas cada um sabe de si. Prático, os miudos comem peixe e voilá la."

MUITO OBRIGADO, TERESA! Porém...

Sendo esta receita um autêntico concentrado, impõe-se fazer aqui algo, como diria a patroa do Ambrósio. Algo como o que aparece nos policiais antigos do Ellery Queen. Concretamente, o

DESAFIO AO LEITOR

Chegado a este ponto da narrativa, o leitor tem já na sua posse todos os elementos para descobrir a identidade do criminoso... perdão, deixei-me levar..., o desenvolvimento da receita. Assim, desafio os leitores a publicarem em comentário os seus palpites sobre:

- Os ingredientes e a confecção dos filetes com tomate;
- Os ingredientes e a confecção do arroz.



E pronto. Cumpro ou não cumpro? :)

Resta-me desejar-vos Bom Apetite e Boa Semana.

P.S.: Teresa, os contos, pois é, que maçada... ainda não é desta, mas de barriga vazia não pode ser nada hehehe!

14 de set. de 2007

All about nothing

Sim, já vai sendo tempo de fazer um novo post. Já era tempo há vários dias, eu sei. Nem é bem uma questão de tempo... é mais a disposição que não ajuda. A falta de vontade, pois. Nem sempre apetece.

Claro que posso recorrer às maravilhas do You Tube, para que quem me visite não encontre invariavelmente a mesma treta, a prefigurar um blog meio morto. Posso, mas não quero abusar dessa espécie de solução demasiado fácil. E, no entanto, talvez devesse utilizá-la mais: afinal sempre muda a cara do blog, e pode dar a conhecer coisas interessantes a quem porventura ainda as não tenha visto.

Falar do Scolari? Não, decididamente não. Este blog há muito que se afastou da discussão dos temas do nosso portuguesíssimo quotidiano, político ou não. Já há por aí muita gente a opinar, uns bem, outros menos bem. Não é esse o meu caminho, embora possa sempre haver uma ou outra excepção. Qual é então o meu caminho, perguntará quem ler. Espero encontrar uma resposta...

Podia ir buscar umas imagens bonitas e refrescar a vista de quem por aqui passa. Demasiado fácil? Bom, mais fácil, reconheço, é não fazer nada.

À medida que escrevo, tento decidir se espeto aqui uma imagem a acompanhar o arrazoado, ou mesmo um vídeo sacado do You Tube. Anda não me decidi. Caramba, isto é uma espécie de "blog em movimento", com o hipotético leitor a acompanhar em directo e quase ao vivo as também hipotéticas intenções de quem publica! E esta, hein?



Lá está a tal foto. Por acaso não caíu do nada: tratando-se de uma rua no centro de Cascais, vai acompanhar um texto que escrevi há uns anos:


Avenida de Sintra

Em direcção ao centro de Cascais,
Pura abstracção em cada movimento,
Só a guitarra diz aonde vais,
Só o baixo te guia o pensamento.

Passa o jipinho preto de uma tia,
Mais o BM novo em cinza prata,
Mas tu só vês o som da bateria
Marcando a tarde na medida exacta.

Mesmo ao teu lado arranca a carripana
Recheada de corpos sem contrato,
Teclado obreiro sem fins-de-semana
Entre o dó sustenido e o sol barato.

A voz é de um cristal já meio rouco,
Quase a partir ou, quem sabe, a chegar,
E em qualquer árvore há sempre um ramo louco
Que te apetece ser, mais que alcançar.

Ainda é cedo p’rá hora de ponta,
Quando o trânsito dói e desatina.
No teu andar a música desponta
Como uma brisa azul, quase divina.

Na Avenida de Sintra a tarde avança
Vestida de silêncio, e tu lá vais
A conduzir o discman da esperança
Em direcção ao centro de Cascais.


Bom fim de semana!
Discman? Hmmm... isto tem mesmo uns anitos...

31 de ago. de 2007

Bom fim de semana com Skunk Anansie - Tracy's Flaw, Live @ Pavarotti & Friends





Aditado em 6 de Setembro de 2007: Pavarotti deixou-nos. Ficam a sua voz, as suas canções, as suas interpretações em tantas e tantas óperas, o seu génio.

Fica, aqui ao lado, com Meatloaf,
Torna a Sorrento.


14 de ago. de 2007

Tristeza

Quem tem animais de estimação sabe até que ponto nos podemos afeiçoar a eles. Sabe como eles se podem afeiçoar a nós. A dedicação, o carinho, a companhia, a brincadeira, os pequenos pormenores quotidianos, o riso, o temperar dos dias, o hábito da espera, da carícia, a certeza de que podemos contar com eles na alegria e na tristeza... tudo isto e muito mais.

Pode também saber o que significa a perda de um animal a que nos afeiçoámos.

Perdi há dias a minha gatinha favorita, a Pretinha, uma gata (preta, como o nome indica) de tamanho pequeno, uma companheira inigualável, que era considerada e tratada como um membro da família. Viveu pouco mais de dois anos. É pouco. Foi pouco.

Não tenho disposição para blogues, nem para nada. Não sei quando voltarei a ter. Impôs-se-me hoje contar-vos isto.

Sobra apenas tristeza, uma infinita tristeza. E alguma raiva.

Não quero dizer mais. Não posso dizer mais.

6 de ago. de 2007

Foi há 62 anos

A Rosa de Hiroxima

Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rotas alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas

Mas oh não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroshima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A anti-rosa atômica

Sem cor sem perfume

Sem rosa sem nada

Vinicius de Moraes

28 de jul. de 2007

Um doce fresquinho

Por sugestão da Gi, uma pequena receita adequada à época.

Primeiro, faz-se um

Granizado de limão (para 4 pessoas)

* 4 limões grandes e sumarentos
* adoçante artificial
* água fria

Raspar um pouco da casca de limão (apenas a parte amarela) e espremer todos os limões.
Juntar ao sumo e às raspas um pouco de adoçante e água fria, para obter uma limonada de sabor intenso, tão doce quanto se desejar.
Deitar numa cuvete. Introduzir no congelador até ficar com a consistência de granizado.

E agora, o

Icebergue de frutas



Ingredientes para 8 pessoas:
* 1 Kg de fruta tão variada quanto possível
* 1 litro de granizado de limão
* 1 cálice de kirsch
*
um pouco de natas batidas ou merengue para adornar (facultativo)

Preparação:
1.
O granizado de limão, previamente preparado, retira-se do congelador para que descongele um pouco, mas apenas o necessário para poder ser trabalhado.
2. Descascar a fruta, extraír os caroços e cortá-la em pedaços pequenos. Se houver melão, ou melancia, fazer bolinhas com a colherzinha especial. Procurar obter contrastes de cores :)
3. Regar a fruta cortada com o kirsch.
4. Numa forma alta e estreita, ir colocando camadas alternadas de frutas (separadas por classes ou misturadas, conforme se preferir) e de granizado de limão, comprimindo um pouco para que não se movam (o granizado tem de ter uma consistência bem forte). Começar e acabar com uma camada de granizado.
5.
Colocar a forma no congelador e deixar gelar por completo.
6. Para desenformar, passar rapidamente a forma por água morna e deitar sobre um prato de servir fundo.
7. Para servir, salpicar o icebergue com "flocos de neve" (nata batida com um pouco de açúcar e merengue, se se preferir).


Espero que seja suficientemente doce, suficientemente fresco, e do vosso agrado. Fora do vulgar não será muito, mas enfim... BOM APETITE!

19 de jul. de 2007

Para quem está de férias


Neste ou noutro cenário, e que importa é a boa companhia, uns petiscos, descanso, tempo para não fazer nada ou fazer o que se quer....

Para vocês que estão de férias...


BOAS FÉRIAS!

7 de jul. de 2007

Mais maravilhas

Em dia de escolha das novas sete maravilhas, não da blogosfera mas do mundo, constato que há muito por onde escolher. Se fossem os horrores, infelizmente também haveria, mas deixemo-nos disso. E os vencedores são... ora, já todos sabem quem foram, não é? Só para contrariar, e para ilustrar como as escolhas são difíceis, aqui está uma que não foi eleita:


Castelo de Neuschwanstein, em Schwangau, Alemanha



A Dulce Pontes compôs um hino interessante e aguentou-se bem à bronca com o José Carreras. Gostei de os ouvir.

No outro lado, o LiveEarth faz os possíveis para nos lembrar da Terra que queremos deixar "To our children's children's children", como referia o título de um velho (já!...) álbum dos Moody Blues.

Palavras e factos sobre Portugal, no programa das Sete Maravilhas, que nos recordam o muito que temos de bom. Sim, temos. E tanto para aproveitar, melhorar, corrigir, criar, e tão pouca vontade, tão poucas condições, tão pouco tempo... Há quem possa e não faça. Há quem queira e se veja entalado num quotidiano onde não sobra tempo para nada. Há quem consiga libertar-se, à custa de horas de descanso, e aja. São poucos, para tanto que há a realizar.

O mesmo posso dizer sobre a Terra que os nossos filhos, e não já os nossos bisnetos, encontrarão daqui a uns anos.



E mais não digo. Mudemos de onda, mas continuando a falar de maravilhas.

É tempo delas. Há quem goste, há quem deteste. Não vou dar-vos uma receita de sardinhas assadas, isso toda a gente sabe fazer! Optei por estas


SARDINHAS NO FORNO


Ingredientes para 4 pessoas:

* 8 sardinhas grandes
* 2 cebolas
* 2 dentes de alho
* 2 tomates maduros
* 1/2 dl de azeite
* 1/2 copo de vinho branco seco
* bastante salsa
* um pouco de pão ralado
* umas gotas de vinagre
* 1 colher de sopa de ervas finas
* um pouco de pimentão doce
* 1 limão

Preparação:

1. Limpar as sardinhas, tirando-lhes ou não as cabeças, conforme se preferir. Temperá-las levemente com sal e pimenta e regá-las com limão.
2. Pelar os tomates, extraír-lhes as sementes e cortá-los em pedacinhos.
3. Descascar e picar as cebolas e os alhos; misturá-los com o tomate; juntar-lhes as ervas finas.
4. Cobrir com esta mistura o fundo de um prato de cerâmica ou vidro que possa ir ao forno; dispor por cima as sardinhas, sem que fiquem unidas.
5. Regar com o vinho e algumas gotas de vinagre.
6. Polvilhar com a salsa picada e o pão ralado; regar com o azeite.
7. Levar a forno suave durante cerca de 15 minutos, regando as sardinhas, de vez em quando, com o seu molho. Retirar quando a superfície estiver ligeiramente gratinada.

E está feito. Parece-vos bem? A mim, parece. Delicioso. Por isso,

BOM APETITE, ao som de Where Have All The Flowers Gone e de Pete Seeger.

30 de jun. de 2007

As ... maravilhas da blogosfera

Quero agradecer à minha amiga Capricórnia a amabilidade de ter nomeado o meu blog para as

Fico feliz e comovido por ver que o meu espaço é apreciado por alguém cujo blogue, que frequento regularmente, é uma das minhas referências na blogo.

De acordo com o regulamento deste concurso, competir-me-ia deixar aqui as minhas sete nomeações. Não vou fazer nada disso, por absoluta impossibilidade de escolher apenas sete blogues. As minhas maravilhas da blogosfera são os espaços que visito e onde comento com regularidade e que, com as suas características próprias e o seu conteúdo diversificado, me ensinam coisas, me divertem, me contam histórias, me dão a ler prosa e poesia, me mostram belas imagens, me fazem ouvir excelente música, enfim, me mantêm preso à blogosfera numa espécie de ritual quase diário, do qual já não posso prescindir.

É desnecessário indicar os títulos desses blogues: estão bem à vista, ali na coluna da direita, sob a rubrica Outros Títulos. São todos eles uma maravilha, e espero que se mantenham vivos e de boa saúde, para minha satisfação.