Aliencake
Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.
3 de jul. de 2008
Leo Ferré - La solitude e Carmen Amaya no filme Maria de la O, de 1939
Podes sempre ligar o Bowie, aqui ao lado:)
À Lizzie, agradeço a ideia que o texto no "...e, já agora..." me deu para acrescentar este segundo vídeo.
22 de jun. de 2008
Finalmente, uma receita...
* 200 g de peito de peru em bifes
* 150 g de cogumelos
* 1 cebola pequena
* 1 tomate maduro
* 1 dente de alho
* 1/2 colher de sopa de óleo
* 1/2 colher de sopa de margarina vegetal (ou manteiga)
* 1 colher de sopa de xerez seco
* orégãos, sal e pimenta

Preparação:
1. Lavar os cogumelos e cortá-los em lâminas finas. Descascar e picar a cebola, o tomate e o dente de alho.
2. Fritar os bifes no óleo; reservá-los quentes.
3. Juntar a manteiga ao óleo de fritar os bifes e refogar os cogumelos, a cebola e o alho. Quando estiverem dourados, juntar a colher de sopa de xerez e deixar evaporar um pouco. Deitar em seguida o tomate picado e orégãos.
4. Temperar com sal e pimenta e deixar cozer uns minutos.
5. Deitar o conteúdo da frigideira sobre os bifes.
6. Servir imediatamente.
E o mais importante:
7. Comer. Saborear. :)
Como sempre, aceito e agradeço sugestões de vinhos e sobremesas, alterações e opções vegetarianas...
Que vos saiba bem, pelo menos na foto!
Bom domingo!
--------------------- SUGESTÕES --------------------
Teresa Durães: Opção vegetariana: retirar o perú e seguir o resto da ementa ;)
Bettips: Só uma sugestão: haja companhia e divertimento para o deguste ser perfeito.
Mariatuché:
Porque estamos no Verão e sabe bem um vinhinho fresco eu deixo como sugestão um vinho verde da marca "Pingo Doce" portanto só se vende no Pingo Doce, é um vinho de 1 euro e 50 cêntimos aproximadamente, garanto-vos que bem fresco, na temperatura ideal bebe-se muito bem e é bem baratinho já que se fala tanto em "crise", na sobremesa e para alegria dos VEGAS e do pessoal a dieta que tal uma bela salada de fruta?? 1 papaia, 1 pêssego, abacaxi a gosto, 1 maçã, uvas. Regado com sumo de 1 limão para a fruta não oxidar e sumo de 1 ou 2 laranjas, frigorifico 1 hora antes de servir e voilá.
Lola: Como sugestão calórica, acompanhar com fettucinne al dente com azeite e alho. A opção de acrescentar queijo seco de Castelo Branco ralado fica bem. Sobremesa: um bom gelado para juntar à salada da Mariatuché.
Mar:
Tb sugiro gelado para a sobremesa.
Nnannarella:
(...) o video da Ana Moura, que, entre outras peças de diferentes géneros, poderia fazer parte da banda sonora do repasto que nos propões. Sobretudo, na altura em que se desenrolhasse uma bela garrafa de tinto!
Vanda:
Gelado de yogurte e mel, ao qual se adicciona pedaços de morango, pessego e meloa. Povilha-se de seguida de chocolate em pó e....bom apetite!!! :)
Muito obrigado a todas! Assim, a refeição fica mesmo melhorada, e é uma alegria para mim ter a vossa ajuda. E mais que venha, que também vai para o post!
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E bem merece que a felicitemos, esta mulher simples, simpática e generosa, que foi apenas uma das melhores, senão a melhor atleta portuguesa de todos os tempos. A salientar (via Wikipédia, link acima):

Maratona
- Campeã olímpica em Seul em 1988
- Medalha de bronze em Los Angeles em 1984
- Campeã do Mundo em Roma em 1987
- Quarta classificada no Campeonato do Mundo em Helsínquia em 1983
- Campeã da Europa em Atenas em 1982, em Estugarda em 1986 e em Split em 1990.
- Vencedora das maratonas de Roterdão (1983), Chicago (1983 e 1984), Tóquio (1986), Boston (1987, 1988 e 1990), Osaca, (1990) e Londres (1991).
- Vencedora da São Silvestre de São Paulo seis vezes consecutivas (1981 a 1986).
Outros
- Vice campeã mundial de estrada (15 Km) em 1984 e 1986
- Ex-detentora do melhor tempo mundial de 20.000 metros em pista (1.06.55,5) em 1983
- Ex-recordista de Portugal dos 1000, 1500, 3000 e 5000 metros.
- Oito títulos de campeã de Portugal em corta-mato/cross-country
13 de jun. de 2008
Pessoa, Santana e a Beleza...

Estou inteiramente de acordo.
Claro que a Beleza terá forçosamente de ser representada pelo grande:) Vasco Santana!
4 de jun. de 2008
Pequeno post nocturno, modesto mas de inegável amplitude, muitos furos, quiçá buracos, acima do que se pratica no estrangeiro, na Europa e em Espanha!
HERÓI É O QUE NÃO TEVE TEMPO DE FUGIR!
(Millôr Fernandes)
São uns minutinhos que valem a pena. Espantoso o Amazing Grace, tocado com recurso frequente a harmónicas, e com afinação e reafinação de cordas em plena execução, a fim de ultrapassar as limitações da escala do baixo.
Divirtam-se!
29 de mai. de 2008
29 de Maio de 2008. Sem cubos. Sem tambores nem cornetas. Com dedicatória óbvia implícita. Com um beijo. Ou vários. Por seres.

COMO SE COME UM GORAZ (Oitava década do século XX)
Ainda que tenha forma de peixe,
e se coma à mesa, de garfo e faca e conforto,
mesmo assim indefeso, objecto consumível,
o goraz é mais que o peixe morto
que sobra ou não, conforme for
menos ou mais apetecível.
- Aquilo que te pedimos - e não dás,
aquilo que te pedimos - e nos dás.
estão os temperos, o mais que for preciso,
mas sobretudo os gestos que dele fazem
um produto acabado, pronto a ser comido,
mas sobretudo a vontade de dizeres:
Faço-vos o goraz. Aquilo em que pensaste
ao transformares matéria prima em alegria.
E convém não esquecer a força de trabalho:
Do processo de produção faz parte a simpatia,
o carinho posto em cada peça que juntaste,
o amor escondido num simples dente de alho.
(Perdoa-me o marxismo-leninismo,
heróica militante da cozinha!)
cada vez mais algo de ti que tu nos dás.
o mais recente país da tua criação,
olhar-nos-ias sorridente, e por certo nos darias
algo assim como um prémio
de consolação.
materialíssimo goraz. E ao comê-lo,
em cada pedaço que passa a ser-nos corpo
entra em nós algo de ti, dos gestos, das ideias,
das mãos com que, solene, o cozinhaste.
Sabê-lo
É saber que nós somos os outros,
que a química em ti, por interposto goraz, agora
é também a que, por exemplo, nos comove.
E olha: deixa que os gulosos de sempre comam mais...
Tudo isto te é, creio, familiar.
Vês? Um goraz nem sempre é um goraz:
Pode ser estrela, arco-íris ou país,
e pode mesmo ser mais eficaz.
É preciso, pois, merecer o teu sorriso,
devolver-te em pedaços de nós o que nos deste,
que a corrente dos corpos tem sempre dois sentidos,
e tu ganhaste o mar, a música e a cor.
Por isso, só por isso, deve o goraz ser comido
com garfo e faca, com vinho
e com amor.

SIGAMOS O GORAZ (Primeira década do século XXI)
Durasse tantos anos ou tão poucos.
Fomos tolos e agora
Somos loucos?
O tempero ganhou em qualidade,
Parece o vinho de que canta a lenda.
Já lá vão vinte e três,
Sem emenda!
A arte é dom de quem lhe espeta a faca,
O peixe é rei de quem lhe mete o dente:
Cuidado com o prato
Que está quente...
Quem quiser seguir o cherne, faz favor,
Mas não lhe invejo a sorte. Sou capaz
De apostar no cavalo
Do goraz.
Em que assados o assado nos meteu
Só nós dois é que sabemos afinal.
Siga a marinha que ainda,
Por sinal,
Enverga farda de gala e coisa e tanto,
Que os anos pesam a quem só se atrasar
E a música e a neve
E o luar
Acompanham as caras com que rimos,
Apimentam iguarias inesperadas.
Ah goraz d’um carago,
Já marchavas!
Tudo isto é de um requinte absoluto,
De uma lei, mais que justificada, justa.
E às vezes, é verdade,
Também custa...
Isso que importa, se ao virar a esquina
Aparecem o rapaz e a menina?
E depois, surpresa das surpresas,
Para nossa inenarrável confusão,
O goraz ultrapassa
O camarão!
Porque, sabes, o camarão é simples:
Mais alho ou menos sal, frito ou grelhado,
Não encara o goraz,
Olha-o de lado...
Enquanto o peixe assado armadilha
Anos de culinária abandalhada,
Transforma em linhas garfos,
Abre a estrada,
Escroques croquetes, risonhos rissóis,
Pastéis palacianos, fios de ovos
Rebentam por ficarem
Como novos.
Mas dá-me vinho branco e aquelas coisas
Que ainda não me entraram no radar,
Vamos a ele, que é tempo
De explorar
Vinte e três anos e por isso apenas
Não me calava nem à lei da bala.
Mas quanto mais se escreve,
Mais se cala...
Devia assim mostrar a folha em branco,
P´ra te dar chances de interpretação.
Mas entretanto aprendi
A lição:
Há que ser sempre in finis positivo,
Há que ter sempre corda e ameaças,
Senão de que valiam
As cenaças?
Há quem invoque os deuses e os diabos,
Há quem aroma(n)tize à boticário.
Não farei nada disso,
P’lo contrário,
Quero uma data simbólica e real,
Quero um dia sem espinhas nem surpresa,
Além da que é forçoso
Pôr na mesa,
Com cuidado, que a porcelana é nova
E há muito campeonato p’ra jogar.
Por isso ainda podemos
Divagar
Devagar.
Refilar,
Regritar,
Penetrar
No lugar
Onde se diz, onde se vê, onde se faz,
“Com garfo e faca, com vinho e com amor”
O famoso goraz.
17 de mai. de 2008
Nomeações, prémios e companhia
Não sendo adepto dos (inúmeros) prémios que circulam pela blogosfera, reconheço, por outro lado, que eles representam muitas vezes demonstrações de amizade, que, quando me tocam, agradeço e de modo algum enjeito.Vem isto a propósito de uma nomeação que a GI me conferiu, e de uma "árvore" de que me servi, porque a estimo :)
A nomeação foi para o prémio BLOG DAS NUVENS. Nas palavras da GI, "Blog das Nuvens, o que se lê e ouve por aqui realmente de vez em quando leva-nos até elas :)" :))))))))
Obrigado, GI! Garanto-te que posso dizer o mesmo e ainda mais do teu blog.

E agradeço-te igualmente a oportunidade que me deste de recolher do teu blog a "Árvore da Felicidade".
Em qualquer dos casos, e como vem sendo meu hábito, passo a nomeação e a "árvore" a todos os autores dos blogs que tenho lincados. Esta é uma regra minha, que há anos adoptei, e da qual não me desvio, por muito que as regras dos prémios me convidem a isso.
6 de mai. de 2008
Für Teresa
Komm in mein Boot
ein Sturm kommt auf
und es wird Nacht
Wo willst du hin
so ganz allein
treibst du davon
Wer hält deine Hand
wenn es dich
nach unten zieht
Wo willst du hin
so uferlos
die kalte See
Komm in mein Boot
der Herbstwind hält
die Segel straff
Jetzt stehst du da an der Laterne
mit Tränen im Gesicht
das Tageslicht fällt auf die Seite
der Herbstwind fegt die Straße leer
Jetzt stehst du da an der Laterne
hast Tränen im Gesicht
das Abendlicht verjagt die Schatten
die Zeit steht still und es wird Herbst
Komm in mein Boot
die Sehnsucht wird
der Steuermann
Komm in mein Boot
der beste Seemann
war doch ich
Jetzt stehst du da an der Laterne
hast Tränen im Gesicht
das Feuer nimmst du von der Kerze
die Zeit steht still und es wird Herbst
Sie sprachen nur von deiner Mutter
so gnadenlos ist nur die Nacht
am Ende bleib ich doch alleine
die Zeit steht still
und mir ist kalt
kalt kalt kalt kalt
Vem
para o meu barco
Levanta-se uma tempestade
e anoitece
Aonde queres ir
que assim tão só
andas à deriva
Quem te agarra a mão
quando és puxado(a)
para o fundo
Aonde queres ir
tão infinito
o frio mar
Vem para o meu barco
O vento outonal mantém
a vela firme
E eis-te agora junto à lanterna
com lágrimas na face
A luz do dia desaparece
O vento outonal varre e limpa a rua
E aqui estás junto à lanterna
tens lágrimas na face
A luz crepuscular persegue as sombras
o tempo pára e chega o Outono
Vem para o meu barco
a busca será
o homem do leme
Vem para o meu barco
o melhor marinheiro
era afinal eu
E eis-te agora junto à lanterna
com lágrimas na face
Recolhes o fogo do castiçal
o tempo pára e chega o Outono
Falaram só da tua mãe
Apenas a noite é tão cruel
No final permaneço só
O tempo pára
e tenho frio
frio frio frio frio
Espero que gostem. Especialmente a Teresa, claro! :)))
5 de mai. de 2008
Prémios...
Muito obrigado, Lola! Espero merecê-los.
Fica o link para os "blogueiros que sabem comentar", conforme regra do prémio.

http://blogueirosquesabemcomentar.blogspot.com/
Especial para mim é a amizade de TODOS os que visito e me visitam, cujos blogs estão indicados ali à direita. Como habitualmente, é para TODOS ELES que passo os prémios.
1 de mai. de 2008
Um bom Dia do Trabalhador para todos!
25 de abr. de 2008
25 de Abril - 34 anos depois
Podem chamar-lhe golpe de Estado, Revolução, golpe de Estado que passou a Revolução, Revolução incompleta ou traída, o que quiserem – os factos serão sempre os mesmos.
Chega de perguntas. De acordo com a reflexão de cada um, que cada um actue para conseguir a mudança que achar conveniente. Que actue muito, pouco, o que puder e quiser, se o achar necessário. Que o faça pelas inúmeras formas possíveis.
Por mim, estou convencido de duas coisas essenciais:
- A mudança é necessária e urgente.
A todos, um bom 25 de Abril.
14 de abr. de 2008
Regressando devagar...
Boa semana!
27 de mar. de 2008
A Mancha Azul (outra versão)
A mancha azul
- Ó Bráulio...
- Sim?
Altamiro hesitou.
- Nada, não é nada. Deixa estar...
O colega desapareceu pela porta, com um sorriso que lhe pareceu de piedade. Ou talvez escarninho. Altamiro respirou fundo, esperou cinco segundos e seguiu-o, passou pela secretária, confirmando que deixara tudo em ordem para o dia seguinte, e correu pelas escadas abaixo, evitando o espelho do elevador. Lá fora chovia a cântaros, e foi um Altamiro bastante molhado que entrou no 46, agora em sentido inverso, rumo ao conforto da casa.
Leontino abriu os olhos, desligou o televisor com um gesto de enfado, acendeu um cigarro e estendeu a mão direita para o copo de uísque convenientemente colocado na mesinha de apoio ao sofá. Verificou que ainda tinha gelo suficiente. Essa agora! Um filme sobre um idiota com o estranho nome de Altamiro, que até metia manchas azuis que sorriam e falavam!? Ou ter-se-ia deixado vencer momentaneamente pelo sono, e sonhara tudo aquilo? Ou teria sonhado o filme? Fosse como fosse, não iria perder mais tempo com disparates! Sacudiu as dúvidas e a cinza do cigarro com o mesmo gesto decidido, bebeu um bom gole e encetou a agradável tarefa de escolher o restaurante onde jantaria nessa noite. Enquanto pesava prós e contras, no gostoso exercício de antecipar iguarias e vinhos de boas colheitas, ergueu o copo contra a lâmpada do candeeiro, deliciando-se, como sempre, com o pequeno e cintilante espectáculo dos cubos de gelo no meio do líquido dourado, num contra-luz esbatido pelo fumo do cigarro, que nunca se cansava de admirar. Pareceu-lhe notar, no meio de um dos cubos de gelo, um reflexo azulado. Sem pensar duas vezes, Leontino engoliu de um trago o resto da bebida, apagou o cigarro, levantou-se e caminhou apressadamente em direcção à casa de banho, a fim de dar os últimos retoques ao visual.
19 de mar. de 2008
Dia do Pai
Querido Pai:
Decidimos repetir a graça e deixar-te esta pequena surpresa no teu Blog.
Pelas tuas mãos continuamos a descobrir o Mundo...
Dia a dia... passo a passo... música a música...
Muitos beijinhos dos teus filhos,
Luis e Renata.
14 de mar. de 2008
11 de mar. de 2008
Socrática
Sócrates, o filósofo que nada sabia: "Só sei que nada sei".Sócrates, o engenheiro que tudo sabe: "O que me convence não é a força dos números, é a força da razão."
Esta frase grandiloquente do Primeiro-Ministro poderá até ter passado, perante os mais desprevenidos, por uma boa resposta à manifestação de professores contra a política educativa do Governo realizada em Lisboa no passado dia 8. É sempre bonito argumentar com a força da razão.
Fico, porém, com três pequenas dúvidas:
1. Quando de futuro José Sócrates ou qualquer membro do seu Governo vierem atirar-nos, como é hábito, com NÚMEROS sobre o crescimento económico, o défice, os impostos, a Função Pública, o Orçamento, a Saúde, a Educação, o investimento, o emprego ou o desemprego... e por aí adiante..., QUE CREDIBILIDADE PODERÃO TER? Afinal, são apenas números...

2. Estiveram cerca de 100 000 professores na manifestação. Pessoas, creio... Será que o Primeiro-Ministro confunde pessoas com números, ou com um número? Será que as pessoas, os cidadãos, no exercício do seu direito constitucional de se manifestarem, nada lhe dizem?
3. E se os professores que estiveram na manifestação, como os professores em geral, tiverem também a força da razão? É sempre uma hipótese, que um Primeiro-Ministro de Portugal não deveria sacudir de forma tão leviana... ou deveria?
P.S.: Segundo as últimas notícias, as negociações entre a FENPROF e a Ministra da Educação já recomeçaram... Afinal, parece que a força dos números convenceu... ou terá sido a força da razão? Ou ambas? :)
7 de mar. de 2008
A mancha azul a várias mãos
Eis o resultado das respostas ao desafio, sendo que o texto pode considerar-se concluído, mas pode igualmente considerar-se aberto a novas continuações. Quem colaborou teve esse mérito.
A mancha azul
Iam sendo horas. Altamiro colocou a carteira e as chaves nos bolsos do costume e saíu. Desceu os dois lanços de escadas que o separavam da rua e percorreu distraído os cento e vinte metros até ao café. Como sempre, sentou-se ao balcão e pediu uma bica cheia. Enquanto a beberricava, arriscou uma olhadela furtiva ao espelho atrás do balcão. A mancha lá continuava. Azul. Voltou a fixar-se na camisa. Branca. Só branca. Pediu um copo de água e, quando o empregado o trouxe, perguntou-lhe se lhe notava algo estranho na camisa. Que não, respondeu o Lázaro.
(A continuação da Lola)
Olhou para a montra, à sua esquerda, mas não viu os modelos que se alinhavam nas poses estranhas, habituais. Ficou petrificado a olhar para a mancha azul a sorrir-lhe descarada. Experimentou deslocar-se, mas a mancha, teimosa, movia-se com ele. Perturbado, acelerou o passo, a afastar-se o mais possível da imagem provocadora.
Entrou no Banco 3 minutos depois das 08.00h e enfrentou o olhar surpreendido dos colegas: Era sempre o primeiro a chegar. Dirigiu-se, cabisbaixo, à secretária e ligou o computador: Já temia encontar a mancha azul à sua espera e ela não o desiludiu.
Procurou a caneta Mont Blanc modelo Greta Garbo de que tanto gostava, e finalmente descobriu: a imagem sorridente, azulada, era o reflexo da pérola na ponta do clip que segura a caneta, que, inadvertidamente, guardara no lugar do lenço...
(A continuação da Nnannarella)
Àquela hora, projectava-se sobre a gigantesca vidraça o halo luminoso de um sol a crescer. Percurso breve, pois que os prédios em frente cedo cerceariam o reflexo da estrela.
Apercebeu-se do burburinho em volta, cochichos, olhares de soslaio, clientes que se dirigiam à saída olhando constrangidos para trás, para ele, estático, dorso aprumado, olhos fixos na glacial solidão de um ecrã onde dali a pouco se reflectiriam as gigantescas memórias de um computador.
(A continuação da Vanda)
... Digitou a password e enquanto distraído, olhava para o programa informático onde lançava os cheques sem provisão, repentinamente percebeu que enquanto acreditou estar a ser alvo de uma mancha azul, a vida lhe tinha parecido bem mais surpreendente e vibrante!
Agora que o mistério tinha sido desmitificado...o dia parecia-lhe mais pobre...
Até o sol já cerceado pelos prédios, o tinha abandonado...
Suspirou, introduziu mais um código e pensou: dê lá por onde der, preciso de um novo azul na minha vida...
Na véspera, já tarde, tinha estado num chat e alguém usava o nick "azul infinito"... sorriu.
Muito obrigado por terem aceite o desafio que, repito, continua em vigor...
2 de mar. de 2008
Desafios (continuação)
Houve, surpreendentemente, quem respondesse a ambos os desafios que passei, apesar de eu próprio não lhes ter respondido da forma habitual...
Reconheço mesmo que a minha resposta ao desafio da MJF foi demasiado críptica, e vou emendar isso neste mesmo post, talvez agora, talvez em aditamento - o tempo é que manda.
Entretanto, já destaquei no texto apresentado no post anterior DOZE PALAVRAS DE QUE GOSTO. Não posso dizer que sejam as minhas palavras favoritas, porque não tenho doze palavras preferidas, nem mesmo uma: tudo depende do texto, do contexto, do momento, da disposição, enfim, de muitos pequenos pormenores e factores, e creio que o mesmo se passará com toda a gente. Porém, naquele texto, a Nnann Arella Musashi quase acertou nas doze palavras de que mais gosto, daí que onze das palavras que escolheu façam parte das que assinalei.
O meu muito obrigado a quem respondeu aos desafios e, já agora, atenção a este interessante desafio inventado pela LOLA, que passo a transcrever:
(..... O teu texto está.....) Cheio de potencialidades e de desafios à nossa imaginação...
Sugiro que o abras á participação dos Amigos(as) que por cá passam e vejamos todos o resultado.
E eis como transformo o teu desafio noutro...:)))
E agora? Quem pega neste desafio???? Eu vou pegar... :) Mas convido todos a tentarem dar uma sequência ao texto, ou ideias para a dita.
Segue-se uma resposta mais adequada ao desafio da MJF:
Se eu fosse um mês seria... Abril
Se eu fosse um dia da semana seria... sábado
Se eu fosse um número seria... de circo
Se eu fosse um planeta seria... distante
Se eu fosse uma direcção seria... Geral
Se eu fosse um móvel seria... uma escrevaninha
Se eu fosse um liquido seria... água
Se eu fosse um pecado seria... original
Se eu fosse uma pedra seria... leve
Se eu fosse um metal seria... prata
Se eu fosse uma árvore seria... uma micaia
Se eu fosse uma fruta seria... oferecido em cestas
Se eu fosse uma flor seria... um cravo
Se eu fosse um clima seria... de inquietação
Se eu fosse um instrumento musical seria... uma guitarra
Se eu fosse um elemento seria... perturbador
Se eu fosse uma cor seria... vermelho
Se eu fosse um animal seria um... um gato
Se eu fosse um som seria... o da guitarra de Jimi Hendrix ou de Paco de Lucia
Se eu fosse uma canção seria... Song for the asking
Se eu fosse um estilo de musica seria... difícil de escolher
Se eu fosse um perfume seria... discreto
Se eu fosse um sentimento seria... impossível
Se eu fosse um livro seria… um tratado
Se eu fosse um lugar seria ... imaginário
Se eu fosse um gosto seria... a sal
Se eu fosse um cheiro seria… a chuva
Se eu fosse uma palavra seria… palavra
Se eu fosse um verbo seria... no princípio
Se eu fosse um objecto seria… infeliz
Se eu fosse uma peça de roupa seria... sobretudo
Se eu fosse uma parte do corpo seria… as mãos
Se eu fosse uma expressão seria… algébrica
Se eu fosse um desenho animado seria… o Papa-Léguas
Se eu fosse um filme seria… de Fellini
Se eu fosse uma forma seria… a de juntar palavras
Se eu fosse uma estação seria… ferroviária
Se eu fosse uma frase seria… “O fortunatos nimium, sua si bona norint, agricolas!”, logo seguida por “Sabes tu, Gonçalo Nunes, de quem é este castelo?”
24 de fev. de 2008
Desafios...
O primeiro consiste em escrever um texto do qual constem as minhas 12 palavras favoritas (assumo que se trata das palavras em si, e não do seu significado, senão todos escolheríamos coisas como Amor, Paz, Liberdade, e etc..., e onde caberiam palavras como sobressaliência, gotícula ou até mesmo arco-íris?)
O segundo propõe-me dizer o que seria eu, se fosse... por exemplo, se eu fosse um mês, seria...
Para encurtar razões, os desafios e as respostas podem ser encontrados neste belo texto da GI, e nesta resposta muito interessante da MJF. Convido-vos a lerem ambos os posts, porque valem a pena, e para que a minha resposta faça algum sentido...
Resolvi simplesmente fintar estes desafios, mas de modo algum ignorá-los. Deixo aqui um texto que escrevi, o princípio de uma história ainda por acabar, e não é por acaso que o ponho aqui assim mesmo, mas porque não quero dar-vos uma história: apenas palavras, para que, em resposta ao desafio da GI, possam escolher as 12 que, pela sua colocação no texto, ou pelo que muito bem vos parecer, entendam que me agradam mais; e para que, respondendo ao desafio da MJF, descubram o que eu seria se fosse aquelas coisas todas que constam do post que acima referi...
Iam sendo horas. Altamiro colocou a carteira e as chaves nos bolsos do costume e saíu. Desceu os dois lanços de escadas que o separavam da rua e percorreu distraído os cento e vinte metros até ao café. Como sempre, sentou-se ao balcão e pediu uma bica cheia. Enquanto a beberricava, arriscou uma olhadela furtiva ao espelho atrás do balcão. A mancha lá continuava. Azul. Voltou a fixar-se na camisa. Branca. Só branca. Pediu um copo de água e, quando o empregado o trouxe, perguntou-lhe se lhe notava algo estranho na camisa. Que não, respondeu o Lázaro.
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À MJF e à GI: agradeço a amabilidade de me terem escolhido, e espero que a minha resposta esquisita vos não tenha desiludido demasiado...
A passagem dos desafios, pois... se os não aceito, também não os passo. No entanto, as primeiras ONZE pessoas que leiam este post e queiram escrever um texto com as suas 12 palavras preferidas, façam o favor... e as primeiras NOVE pessoas que queiram dizer o que seriam se fossem, idem aspas...




