Aliencake
Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.
20 de out. de 2008
FMI - Para ouvir com tempo e atenção...
SEGUNDA PARTE:
11 de out. de 2008
Republicação
NOTA SOBRE O SEGUNDO POST :
SEGUNDO POST (publicado em 9-03-2006): -----------------------------------------------------------------------
PETIÇÃO INICIAL
Dá-me um cavalo uma alma uma nave
Algo que voe ou galope ou navegue
E seja azul ou de outra cor mas leve
No seu vagar qualquer coisa que lave
Dá-me uma curva um espelho uma pausa
Algo que brilhe e demore e seduza
E se transforme ao ar em luz difusa
Ou nada ou coisa que não tenha causa
Dá-me um comboio um apito um berlinde
Algo que parta ou que role ou decida
E ao passar perto da hora perdida
Nos traga a rima precisa de brinde
Dá-me um baloiço um esquadro uma vez
Algo que meça que oscile que seja
Uma surpresa o gesto que se beija
A última loucura que se fez
Dá-me um segredo uma cor uma uva
Algo que importe ou se cheire ou escorregue
(Mas não tropece nem ceda nem negue)
Por entre dedos ou gotas de chuva
Dá-me uma febre um papel uma esquina
Algo que rasgue ou se dobre ou estremeça
E que se esconda e mais tarde apareça
Sombra de vulto subindo a colina
Dá-me um arco que seja íris
Dá-me um sonho que seja doce
Dá-me um porto que tenha barcos
Dá-me um barco que nunca fosse
Dá-me um remo
Dá-me um prado
Dá-me um reino
Dá-me um verso
Dá-me um cesto
Dá-me um cento
Dá-me só
Um universo
6 de out. de 2008
Dinis Machado deixou-nos no dia 3. O Dennis McShade dos policiais, o autor do inesquecível "O que diz Molero" :
a, acendeu-a um tio chamado Gustavo, a outra também branca, embora de outro tom, é a estrela de César, também chamada Boné de Neve ou Torrão de Alicante, vê aquela ali que tem um brilho alegre?, é a estrela James Corbett, um homem que dançava boxe, a outra é a estrela de um médico de aldeia chamado João-Semana, a outra, de cristal, é a Joaninha dos Olhos Verdes, aquela é a estrela dos Três Cow-boys, também chamada de Cooper, de Fonda ou de Wayne, é uma estrela de lata, de pôr ao peito, patrulha a cerca da constelação a que pertence, atenta aos movimentos de Xântila, a outra é a estrela do Mar, encontrou-a uma criança numa praia, olhou para ela e iluminou-a, aquela é a estrela Ray Bradbury, tem um cintilar muito dela, íntimo de vastidões, não lhe parece?, olhe ali, aquela é a estrela Mãe, lança uma luz pálida, casta, familiar, tem uma forma estranha de mão em rosto, não tem por acaso outro cigarrinho? (...)
mais uma estrela, tão próxima
da estrela do Rapaz
quanto as leis do Universo
o permitiram.
2 de out. de 2008
Porque nem tudo são desgraças... Bolo de chocolate da caneca (o mais rápido bolo de chocolate)! Talvez mesmo mais rápido que o Lucky Luke... e a ASAE!
4 c. sopa farinha
4 c. sopa açúcar
2 c. sopa chocolate em pó
1 ovo
3 c. sopa de leite
3 c. sopa de óleo
e 1 caneca (fundamental, digo eu!)
Nota de quem me enviou o email (que se assuma, se assim o entender :))) :
Eu reduzia o óleo para uma colher de sobremesa

25 de set. de 2008
Singela homenagem
- Aos gestores do Lehman Brothers, da AIG e do Merryl Lynch, que receberam prémios de milhões de dólares por "excelente desempenho" meses antes do que todos sabemos que aconteceu.
- Às firmas de regulação e auditoria que, na véspera da falência, classificavam o Lehman Brothers como "AA" - Double A.
- Ao sugestivo nome do Fundo de certo banco cá do sítio que contém títulos do Lehman e tinha (e tem) a designação de "(Nome do Banco) Prudente."
- Aos neoliberais que dizem que o neoliberalismo não existe.
- Ao "poder de regeneração" do capitalismo e aos "efeitos salutares da concorrência".

Dá-lhes, Jimi!
15 de set. de 2008
É desta que emigro...
- Poucos dias depois de a vice de McCain, Sarah Palin, ter respondido candidamente, com um sorriso nos lábios, a um repórter da TV que, caso a Geórgia entrasse para a NATO, as
tropas da NATO deveriam intervir e entrar em confronto com a Rússia, porque era para isso mesmo que a NATO servia, as sondagens apontam McCain como favorito na corrida à Casa Branca. Fui só eu que reparei na convocação da Terceira Guerra Mundial? Ouvi mal? Os americanos andam distraídos ou querem mesmo entrar em guerra com a Rússia (e a China e por aí adiante...) ? Arranjem-me um buraco onde me meta, por favor! O Obama também não ouviu? Não respondeu? Ou será que está de acordo com a senhora Palin? Nesse caso, quero um buraco mais fundo, por favor...
- (Do site da TVI: "Sarah Palin é a mulher do momento nos Estados Unidos. A candidata à
vice-presidência relançou a campanha dos republicanos, mas quinta-feira poderá ter falado demais à televisão ABC. Na primeira grande entrevista, a candidata à vice-presidência pelos republicanos deixou uma frase surpreendente. A governadora do Alasca admitiu a hipótese dos Estados Unidos declararem guerra à Rússia, caso esta insista em invadir a Geórgia.")
- Não inventei... e logo na primeira grande entrevista! Isto, para mim, deveria ser um suicídio político. Parece que não, antes pelo contrário...
- Entretanto, por cá, mais um touro morto na arena, desta vez em Reguengos, com uns indivíduos a taparem a coisa com um pano, para que se não visse o touro e não se identificasse o touricida... A GNR identificou os responsáveis pela corrida, e apenas esses. Será que não vai identificar, através das imagens que passaram na TV, os senhores do pano? Ou nunca ouviu falar em cumplicidade? E encobrimento, desta vez em sentido literal, além do metafórico... É que aquilo é um acto punido por lei.
- Decididamente, vou para eremita. Para bem longe desta treta toda.
- E os rapazitos mandados para a cabeça dos garraios, sujeitos a morrer apenas pelo impacto da cabeça do animal no peito, com uns fulanos maiores atrás a "apoiá-los"? Que lindo! Que bela tradição!OLÉ!
- Eu nem costumo fazer posts destes. Mas isto é demasiado. Excessivo, como gosto de ler no Eça. E ainda tenho por aqui mais uns adjectivos que me esforcei por não utilizar. Sim, é desta que emigro. Ou vou para artista de variedades, como aquele ali ao lado...
27 de ago. de 2008
Variações sobre o Pentagrama
Os cinco vértices foram também usados pelos neo-pitagorianos para representarem os cinco elementos
ύδωρ, Hydor, Água
Em Roma foi originalmente símbolo da deusa romana Vénus
O símbolo é encontrado na natureza, como a forma que o planeta Vénus faz durante a aparente retroacção de sua órbita (Vénus descreve um pentagrama quase perfeito com a sua rota pelo Zodíaco de 8 em 8 anos).
Também representava Lúcifer, que era Vénus na pele de Estrela da Manhã, aquele que trazia a luz e o conhecimento
O Pentagrama vê-se ainda figurado como fazendo parte de muitas construções Cristãs, como sejam o Templo Nauvoo de Illinois e o Templo de Salt Lake entre outros.
- Templo de Nauvoo -
Heinrich Cornelius Agrippa e outros perpetuaram a popularidade do pentagrama como símbolo de magia, mantendo os atributos dos cinco elementos originalmente decretados por Pitágoras.
E há mais, muito mais :))) Mas escolhi só algumas imagens que achei interessantes. O texto não passa de legendagem.
|
16 de ago. de 2008
Lombo bem "tempurado"
Comecemos pela Tempura, e vamos lá ver em que consiste:
A tempura foi introduzida no Japão por missionários portugueses e espanhóis, durante o século XVI. A palavra tempura poderia ter sido derivada tanto da palavra portuguesa "tempero" (ou do verbo temperar) como de "têmporas", nome que designa os períodos de jejum realizados no catolicismo, tais como a Quaresma (chamada em latim de quadragesima tempora), onde tradicionalmente os fiéis se abstinham do consumo de carnes, preferindo comer vegetais e peixes.
Hoje em dia ainda existe um prato em Portugal muito semelhante à tempura, denominado peixinhos da horta, que consiste de pedaços de feijão-verde fritos envoltos num polme geralmente mais espesso que o da tempura. " Peixinhos da horta, quem diria :))) E que delícia!

Ingredientes para 2 pessoas:
4 camarões tigre
1/2 courgete
4 feijões verdes
1/2 beringela
1/2 pimento encarnado
Óleo para fritar
Para o polme:
330 gr de farinha
1/2 l de água
6 gr de fermento instantâneo
8 gr de açúcar
8 gr de sal
Preparação:
1. Cortar os legumes em tiras da grossura de um dedo e retirar a casca do camarão deixando apenas a cabeça e o rabo.
2. Misturar com a varinha mágica todos os ingredientes do polme e deixar repousar durante 30 minutos.
3. Passar os legumes pelo polme e fritar em oleo bem quente.
A farinheira... vem de farinha, embora também possa ser feita com pão. "Sempre à base das carnes entremeadas do porco, as farinheiras podem incluir pão ou farinha, e os temperos de colorau, massa de pimentão, vinho e sumo de laranja." Quanto ao lombo de porco, de onde virá? :) Talvez do talho...
Ingredientes:
1 lombo de porco
1 farinheira
sal qb
azeite qb
paprika (só uns pós)
alho (6 ou 7 dentes)
Louro (1 folha)
Salsa - dois ou três pés
Mel (uma colher de sopa bem cheia)
Malagueta - 1 (para os apreciadores)
Vinagre Balsâmico (muito, pois que é dele que se fará o molho!!!!)
Modo de preparação:
Dar dois golpes (em cruz) no centro do lombo a todo o comprimento do mesmo, para que se possa introduzir no seu interior a farinheira...
Já com a farinheira "arrumadinha no lombo" (ao comprarem o lombo ter atenção à altura e comprimento do mesmo), polvilhar de paprika, sal e adiccionar os alhos, o louro, a malagueta, a salsa.
Cobrir o lombo com mel e regar com vinagre balsâmico.
Deitar o azeite (podem ainda e também acresentar uma colher de sobremesa de banha ou de margarina) e deixar ficar a tomar gosto algumas horas.
- À parte da receita: num copo, deitar um bom Favaios e dar ínicio ao ritual :) que se segue:
Levar ao forno a 175º (ter atenção para que o lombo não cozinhe demais e não fique seco) e caso seja necessário vai-se acrescentando um pouco de água, mexendo o fundo do tabuleiro para que o vinagre e os condimentos não sequem ou caramelizem. Talvez 40 minutos sejam suficientes, ou talvez uma hora, depende da largura do lombo e do calor do forno :)
Lembrança à ultima da hora: Também já experimentei utilizar cachaça em vez do vinagre balsâmico e ficou uma delícia :)
Como sempre, aceitam-se sugestões e adições.
Como esta sobremesa, que também agradeço à Lola.

Tiramisù
Ingredientes:
4 ovos
8 colheres de sopa de açúcar
2 folhas de gelatina
400 gr de queijo Mascarpone
1 dl de rum
12 palitos La Reine
2 dl de café forte
2 colheres de sopa de chocolate em pó
Modo de Preparação:
Junte as gemas com 4 colheres de sopa de açúcar. Leve ao lume mexendo sempre, até ficar bem espesso.
Demolhe as folhas de gelatina em água fria.
Retire o creme de gemas do lume e junte-lhe a gelatina, depois de bem escorrida. Deixe arrefecer.
À parte bata o queijo com duas colheres de sopa de açúcar. Bata as claras em castelo, juntando-lhes as duas colheres de sopa de açúcar que faltam.
Misture o queijo com o preparado das gemas, em seguida o rum e por último envolva as claras.
Mergulhe o palitos La Reine no café, e disponha-os numa travessa, alternando com o creme (comece e acabe com o creme).
Leve ao frigorífico, entre seis a oito horas.
Sirva o Tiramisù bem fresco e polvilhado com chocolate em pó
BOM APETITE!
7 de ago. de 2008
Uma Maya que vale a pena...
30 de jul. de 2008
O crepúsculo dos verbos
Rosa também, como as outras, pela vereda ladeada de silvas, urzes, matagal, uma ou outra flor dispersa, pontos inusitados de cor que não o verde, os vários tons de verde. Trilho acima, no crepúsculo do dia, no crepúsculo de Rosa, à hora do cansaço maior, os pés descalços, gretados, o alguidar da roupa lavada à cabeça, o dia perto do fim, o caminho até à pequena aldeia pendurada no monte, quase no cimo, as casas de granito espesso, frio, o chamamento de Rosa e a recolha das roupas, Rosa enfim de regresso ao lar.
Em breve a sopa pronta, a panela fumegante, o odor inconfundível, o marido já à mesa tosca, à espera, cansado, gasto pela terra, muitos anos, muitos anos nas rugas no rosto de Rosa, nos gestos da preparação da sopa, as batatas, a hortaliça, um pouco de chouriço às vezes, mais por causa do gosto, o jantar solitário, os filhos há muito na cidade, sem tempo, sem tempo.
De manhã bem cedo o percurso inverso, a descida do trilho, a roupa suja, os olhos ainda atentos a uma ou outra flor, por vezes mesmo no Inverno, e nesse caso o frio por dentro da roupa e do xaile quase sempre negros, quase sempre o orvalho matinal nas ervas de ambos os lados do atalho, Rosa, como as outras, caminho abaixo até ao ribeiro, a roupa na pedra da margem, as mãos diligentes, o sabão, a roupa na água, a roupa batida, novamente na água limpa, lavada.
Todos os dias menos ao domingo, tempo de pouco descanso, de missa, de lida da casa, de limpeza, do almoço do marido cansado, de Rosa ao fogão, um cozido simples, sempre as batatas, a couve, um pouco de carne, um naco de chouriço, o sol no Verão, o degrau da porta, dois dedos de conversa às vezes, Rosa como as outras.
Nos domingos de festa, Rosa com a mesma roupa, no adro da igreja sem gambiarras de luz, apenas dois holofotes de circunstância e uma aparelhagem rudimentar, cortesia do showman, fornecedor habitual de romarias e festividades avulsas das aldeias, a carrinha cheia de festas e música e mistérios equipada com um altifalante adequado à função, os foguetes antes do som da aparelhagem do showman por cima do toque dos sinos da pequena igreja, e depois o baile também já com músicos e cantores, o velho Cardoso do violino, desde sempre o artista local, uma viola-baixo eléctrica um tanto surpreendente a par do harmónio e da viola beiroa, os imprescindíveis ferrinhos, guitarras de vários tamanhos e formatos, um bombo e uma tarola, e demais instrumentos avulsos e variáveis, as vozes e, durante o descanso da banda, novamente a música da aparelhagem sonora, mas sempre, sempre o baile.
Rosa como as outras, mas diferente, desde miúda com todo o corpo ao sabor da dança, agora com a saia escura ao vento, os pés gretados mas velozes, o ritmo exacto, os movimentos de uma elegância aparentemente inesperada naquela idade, os braços sonhadores, as pernas ainda fortes, ágeis, incansáveis, Rosa imparável até ao fim do baile, a dança no sangue até ao fim da noite.
De regresso a casa, a carrinha do showman aos solavancos na estrada coleante, as luzes ainda visíveis nos altos e baixos, a carrinha com a festa lá dentro, embrulhada, silenciosa, à espera de outro dia, de outra noite, de outra aldeia, Rosa finalmente presa do cansaço, de um cansaço agradável, feliz, não o da subida do caminho com a carga de roupa lavada, e o degrau da porta ali mesmo a jeito, o marido já com um bom par de horas de cama, Rosa de olhos fechados no degrau de pedra, de olhos lentamente abertos em direcção a um céu de lua nova, de estrelas nítidas, a Ursa Maior, sete vezes a direito a distância entre as guardas e eis a Estrela Polar, última estrela da cauda da Ursa Menor, e ainda as Três Marias de Orion, o W da Cassiopeia, os olhos líquidos de Rosa no percurso do acastelamento de constelações, do acasalamento de galáxias, ou apenas de anónimos pontos luminosos, lá muito em cima, brilhantes, brilhantes como o olhar de Rosa antes de amanhã.
22 de jul. de 2008
The Underground Railroad ou os blues da liberdade
No OVERandOUT, com data de 20 de Julho, está um excelente post sobre a história dos BLUES.
Como introdução ao que se vai seguir, recomendo vivamente a leitura desse texto, já que este post é uma espécie de sequência.
Já leram? Então posso prosseguir.
Ao lê-lo, lembrei-me de ter aprendido há tempos que muitas das canções entoadas pelos escravos trazidos de África nas plantações de algodão e outras explorações agrícolas, ou ao longo das vias férreas em construção, se destinavam a orientar e ajudar os que, tentando escapar à escravidão, fugiam em direcção ao Norte e à liberdade. Nas suas letras escondiam-se conselhos, nomes, locais, indicações preciosas para quem empreendia a fuga e queria chegar ao fim.
Procurei na net documentação, e obtive alguns resultados.
É imprescindível referir, a este propósito, a organização que ficou conhecida como The Underground Railroad, formada por pessoas de várias origens, e destinada a proteger e facilitar a fuga dos escravos.
Sobre essa organização, há um bom texto AQUI (em Inglês, mas curto e claro) e uma definição neste local da Wikipédia.
Podemos fazer, no site da National Geographic, uma interessante viagem rumo à liberdade, talvez iniciada com a ajuda de Harriet Tubman (nome de código Moses), e ao longo da qual outras figuras destacadas do movimento abolicionista vão surgindo.
Mas voltemos aos blues.
Entre as músicas cantadas pelos escravos, “Follow the Drinking Gourd” foi seguramente a mais conhecida, desde logo pela extrema clareza da letra.
Senão, vejamos:
When the sun comes back,
and the first quail calls,
Follow the drinking gourd,
For the old man is waiting
for to carry you to freedom
If you follow the drinking gourd.
Chorus:
Follow the drinking gourd,
Follow the drinking gourd,
For the old man is waiting
for to carry you to freedom
If you follow the drinking gourd.
The riverbank will make a very good road,
The dead trees show you the way.
Left foot, peg foot travelling on,
Following the drinking gourd.
The river ends between two hills,
Follow the drinking gourd,
There's another river on the other side,
Follow the drinking gourd.
When the great big river meets the little river,
Follow the drinking gourd.
For the old man is waiting
for to carry you to freedom
If you follow the drinking gourd.
A partir deste esclarecedor vídeo do You Tube, podemos encontrar outras interpretações da canção, a maior parte delas por coros escolares. Parece que a música ficou.
E ficou também a evidente associação dos BLUES à liberdade.
Os blues provêm, alegadamente, das «working songs». Estas eram cantadas na língua materna dos escravos, lingua(s) essa(s) que era(m) desconhecidas) dos capatazes e outros colonizadores. Como sabemos, (e os donos de escravos também sabiam), a aculturação é uma forma de dominação bastante eficaz. Como se explica, então, que permitissem que os escravos entoassem as SUAS melodias, nas SUAS línguas?! A resposta é simples: as work songs faziam aumentar o ritmo do trabalho e impediam muitos acidentes laborais. (Por exemplo, se estavam a cavar, não haveria o perigo de um baixar a enxada quando o outro a estava a erguer, porque cavavam ao ritmo da música).
Então os escravos começaram a aproveitar as work songs para enviar mensagens, ao longo dos campos e mesmo «nas barbas» dos patrões e capatazes» que, já nessa altura, não se davam ao trabalho de aprender outra língua que não fosse o rudimentar inglês KKKKKKK.
Podiam, por exemplo, estar a cantar, na frente do capataz, «digam à Maria que o marido conseguiu fugir e está à espera dela no celeiro da fazenda do irmão deste barrigudo deslavado»
Fascinante, não é?
Interessante, também, é a etimologia do jazz; esta música nasceu na rua das lanternas vermelhas, em New Orleans; eram «casas de meninas», onde os homens iam «to jazz»; a dada altura, a música tornou-se mais importante que a actividade sexual... :-)
Em ambos os casos, com os devidos agradecimentos.
17 de jul. de 2008
Caldeirada de chocos "mistério"
Ingredientes (para 4 pessoas)
2 cebolas
4 dentes de alho
1 malagueta
1 folha de louro
4 tomates maduros
4 tiras de pimento vermelho e 2 tiras de pimento verde
qb de azeite
qb sal
1 raminho de coentros
1 kg de choco congelado
8 Batatas -mas podem ser 10 ;)
Preparação
Coze-se o choco em água e sal (+/- 30 minutos).
Reserva-se a água da cozedura para a confecção posterior da caldeirada.
Preparam-se as cebolas em rodelas finas, o louro, a malagueta e os alhos, que devem ir a lume brando, com azeite, num recipiente suficientemente grande...
Logo que a cebola aloure e fique macia, acrescenta-se o tomate (previamente cortado em pedaços) e o pimento, deixando cozinhar sem água, apenas por breves momentos.
Acrescenta-se a água do choco, os coentros e as batatas em rodelas.
Acrescenta-se um pouco de sal.
Ao fim de 5 minutos de fervura, adicionamos o choco já partido em quadradinhos e ao fim de 10 minutos, apaga-se o lume.
(Para servir a crianças, não uso malagueta e acrescento um lombo de pescada.
Se aparece mais um, à ùltima hora, acrescento uns camarões e umas delicias do mar...)
Acompanhamento: salada de alface, rabanetes e agrião.
Vinho: Verde, gelado, Vilarinho se possivel :)
Bom apetite e, desde já, bom fim de semana para todos!
Quem quiser acompanhar com o sol do Bob Marley a brilhar, faça o favor de clicar na setinha :)


E aqui está a esperada sobremesa, oferecida pela Lola (obrigado!):
Uma mousse de manga bem fresquinha e fácil de fazer...
Ingredientes:
6 ovos
1 lata de 400 gr. de polpa de Manga
100 gr. de açúcar
6 folhas de gelatina
1 pacote e meio de natas

Preparação:
8 de jul. de 2008
Um post perfeitamente idiota. Por favor, considerem apenas o "perfeitamente"...
Passou-se o Natal, Alícia,

E tu sem natas nem netos,

Nem notas na tal estrelícia

Que vai dos chãozes aos tectos!
a) Para adeptos do "Acordo Ortográfico": " Que vai dos chãozes aos tetos!"
b) Para tias de Cascais: "Que vai dos chãozes aos têetos!"
c) Para puristas e ortodoxos que não gostaram da palavra "chãozes": "Que sobe dos chães aos tectos!"
Disse.
3 de jul. de 2008
Leo Ferré - La solitude e Carmen Amaya no filme Maria de la O, de 1939
Podes sempre ligar o Bowie, aqui ao lado:)
À Lizzie, agradeço a ideia que o texto no "...e, já agora..." me deu para acrescentar este segundo vídeo.
22 de jun. de 2008
Finalmente, uma receita...
* 200 g de peito de peru em bifes
* 150 g de cogumelos
* 1 cebola pequena
* 1 tomate maduro
* 1 dente de alho
* 1/2 colher de sopa de óleo
* 1/2 colher de sopa de margarina vegetal (ou manteiga)
* 1 colher de sopa de xerez seco
* orégãos, sal e pimenta

Preparação:
1. Lavar os cogumelos e cortá-los em lâminas finas. Descascar e picar a cebola, o tomate e o dente de alho.
2. Fritar os bifes no óleo; reservá-los quentes.
3. Juntar a manteiga ao óleo de fritar os bifes e refogar os cogumelos, a cebola e o alho. Quando estiverem dourados, juntar a colher de sopa de xerez e deixar evaporar um pouco. Deitar em seguida o tomate picado e orégãos.
4. Temperar com sal e pimenta e deixar cozer uns minutos.
5. Deitar o conteúdo da frigideira sobre os bifes.
6. Servir imediatamente.
E o mais importante:
7. Comer. Saborear. :)
Como sempre, aceito e agradeço sugestões de vinhos e sobremesas, alterações e opções vegetarianas...
Que vos saiba bem, pelo menos na foto!
Bom domingo!
--------------------- SUGESTÕES --------------------
Teresa Durães: Opção vegetariana: retirar o perú e seguir o resto da ementa ;)
Bettips: Só uma sugestão: haja companhia e divertimento para o deguste ser perfeito.
Mariatuché:
Porque estamos no Verão e sabe bem um vinhinho fresco eu deixo como sugestão um vinho verde da marca "Pingo Doce" portanto só se vende no Pingo Doce, é um vinho de 1 euro e 50 cêntimos aproximadamente, garanto-vos que bem fresco, na temperatura ideal bebe-se muito bem e é bem baratinho já que se fala tanto em "crise", na sobremesa e para alegria dos VEGAS e do pessoal a dieta que tal uma bela salada de fruta?? 1 papaia, 1 pêssego, abacaxi a gosto, 1 maçã, uvas. Regado com sumo de 1 limão para a fruta não oxidar e sumo de 1 ou 2 laranjas, frigorifico 1 hora antes de servir e voilá.
Lola: Como sugestão calórica, acompanhar com fettucinne al dente com azeite e alho. A opção de acrescentar queijo seco de Castelo Branco ralado fica bem. Sobremesa: um bom gelado para juntar à salada da Mariatuché.
Mar:
Tb sugiro gelado para a sobremesa.
Nnannarella:
(...) o video da Ana Moura, que, entre outras peças de diferentes géneros, poderia fazer parte da banda sonora do repasto que nos propões. Sobretudo, na altura em que se desenrolhasse uma bela garrafa de tinto!
Vanda:
Gelado de yogurte e mel, ao qual se adicciona pedaços de morango, pessego e meloa. Povilha-se de seguida de chocolate em pó e....bom apetite!!! :)
Muito obrigado a todas! Assim, a refeição fica mesmo melhorada, e é uma alegria para mim ter a vossa ajuda. E mais que venha, que também vai para o post!
-------------------------------------------------
E bem merece que a felicitemos, esta mulher simples, simpática e generosa, que foi apenas uma das melhores, senão a melhor atleta portuguesa de todos os tempos. A salientar (via Wikipédia, link acima):

Maratona
- Campeã olímpica em Seul em 1988
- Medalha de bronze em Los Angeles em 1984
- Campeã do Mundo em Roma em 1987
- Quarta classificada no Campeonato do Mundo em Helsínquia em 1983
- Campeã da Europa em Atenas em 1982, em Estugarda em 1986 e em Split em 1990.
- Vencedora das maratonas de Roterdão (1983), Chicago (1983 e 1984), Tóquio (1986), Boston (1987, 1988 e 1990), Osaca, (1990) e Londres (1991).
- Vencedora da São Silvestre de São Paulo seis vezes consecutivas (1981 a 1986).
Outros
- Vice campeã mundial de estrada (15 Km) em 1984 e 1986
- Ex-detentora do melhor tempo mundial de 20.000 metros em pista (1.06.55,5) em 1983
- Ex-recordista de Portugal dos 1000, 1500, 3000 e 5000 metros.
- Oito títulos de campeã de Portugal em corta-mato/cross-country



















