Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

12 de dez. de 2008

Receita a pedido (não me esqueci...)

Arenques marinados

(Para 6 pessoas)


Ingredientes:

* 500 gramas de filetes de arenque fumado

* 6 fatias de pão de forma

* 2 cebolas em fatias

* pimenta-do-reino

* salsa q.b.

*1 copo de óleo de manteiga

*1 limão


Preparação:

Colocar os filetes de arenque, sobrepostos, numa travessa funda.

Sobre cada camada de arenques colocar rodelas de cebola crua, polvilhada com pimenta, regar com sumo de limão e óleo.

Juntar alguns raminhos de salsa na altura de servir.

Deixar marinar durante 24 horas antes de servir.

Torrar as fatias de pão de forma, barrá-las com manteiga fresca e servir com os arenques.


Sugestões? Complementos? Já sabem que agradeço!

Bom apetite!

***************************************************************

Para já, agradeço à Prof a lembrança: os arenques são mesmo fumados!

Sugestões de vinhos:

Prof: Riesling

Lizzie: Branco alentejano

(ambas me parecem excelentes, cada uma à sua maneira.)

Alternativas: Cabrito (pedido pela Teresa e "receitado" pela Lola)

Café (feito pela Prof):

"Café, aromatizado com canela (o pau de canela é moído juntamente com os grãos de café, que são torrados por mim, na hora)."

1 de dez. de 2008

O muro

Depois de jantar saía e sentava-se no muro que lhe limitava a casa, perto de uma tangerineira e de uma figueira de figos brancos. Certas noites havia culto na Igreja do Nazareno, mesmo em frente, e as orações e os hinos serviam-lhe de som de fundo. Quando a igreja estava fechada, a noite era mais escura e viam-se melhor as estrelas, para as quais olhava invariavelmente, por hábito e prazer, lembrando as explicações do pai acerca de constelações, distâncias, nomes de astros, procurando e encontrando os que lhe eram mais familiares, descobrindo por vezes, com algum espanto, os mais difíceis de localizar.

Na varanda do rés-do-chão do prédio que ficava mesmo à esquerda da sua casa, uma rapariga fazia-lhe silenciosamente companhia, durante horas a fio.


O que o movia, no entanto, era o transistor que ligava mal se sentava no muro, sintonizando-o na Estação B, que repetia as músicas do Hit Parade da semana, constituído por vinte canções que passavam na rádio ao domingo à noite, da vigésima até à primeira, para manter o suspense. Sabia os nomes e a ordem das canções no Hit Parade, de trás para a frente e vice-versa. Perguntavam-lhe às vezes que música tinha ficado em quinto lugar, ou em décimo primeiro, e acertava sempre na resposta.

O pensamento e a imaginação soltavam-se-lhe com frequência da música e corriam, voavam por entre estrelas, sons de pequenos animais, hinos e canções. Terá sido daí que lhe veio o fluir acelerado das ideias em noites de insónia, em que já não sabia se era o pensamento que o mantinha desperto, se a falta de sono que o obrigava a percorrer velozmente as rectas, curvas e contracurvas que lhe brotavam do cérebro. Perceberia mais tarde que cada um dos factores influenciava o outro. Tal conhecimento, porém, nunca viria a libertá-lo da insónia. Felizmente?

23 de nov. de 2008

Caril de camarão à moçambicana

Receita escolhida, adaptada e enviada pela Vanda (obrigado!), a partir daqui.

Ingredientes:
1 coco
250 gr. de coco ralado

1/2 colher de chá de pó de açafrão das Indias
1 colher de chá de caril

1/2 colher de chá de cominhos

1 colher de chá de coentros

6 dentes de alho
1 colher de sopa ou mais de malagueta moída com com água

3 cebolas

100 gr. de camarão descascado

1/2 ch'avena de água de tamarindo ou 1 colher de sopa de bom vinagre

1 pitada de açúcar

2 malaguetas verdes

sal q.b.
3 colheres de sopa de azeite (aprox.)



Preparação
Rala-se o coco. Tira-se o sumo grosso e deixa-se à parte. Quando se tira o sumo ralo adiciona-se nele o pó de caril, açafrão das Indias, os cominhos, o coentros e os alhos.

Descasca-se o camarão, tempera-se com um pouco de sal e fica uns 10 minutos assim. Corta-se a cebola em meia lua e põe-se a refogar no azeite com uma pitada de de açúcar e um pitada de sal.


Assim que a cebola fique loura, acrescenta-se a pasta da malagueta moída e mistura-se bem com uma colher de pau.

Quando a malagueta estiver tostada deita-se o sumo ralo e deixa-se cozer bem e engrossar, mas não demais.


Lava-se muito bem o camarão e escorre-se. Quando o caril já tiver engrossado um pouco, deita-se o camarão.

Logo que o camarão e
steja cozido deita-se a água de tamarindo ou vinagre e deixa-se levantar duas fervuras.

Por último, deita-se o sumo grosso e uma ou d
uas malaguetas verdes cortadas ao comprido e bilimis também cortados ao comprido ou solans de manga.

Ferve bem.
Depois cozinha em lume brando até o azeite vir à superficie. O caril cozinha-se sempre em panela aberta e fica melhor se for confeccionado numa panela de barro...

Notas da Vanda:
1. Desconheço se em Portugal se vendem Bilimbis, fruto da árvore "Bilimbeiro" e que no Glossário Luso-asiático vêm descritos da seguinte forma: é estimado e tem melhor sorte que a caramboleira; rara será a casa que não possua o seu Blimbeiro e que o não regue. São os nossos tomates perennaes; do mesmo modo que estes na Europa, aqueles temperam na India as comidas.

2. Solans de Manga: talhadas de manga verde, secas e salgadas (in Etnografia da India); servem para condimentar o caril.


3. Para substituir o coco em fruto, julgo que poderemos utilizar 2 ou 3 garrafinhas de leite de coco.


Nota minha: Nota 20 para esta receita! É um caril delicioso, só isso.

Bom apetite! Aceitam-se, como sempre, sugestões de vinhos, entradas, sobremesas...

E aqui vai uma, cortesia da
Tia Adoptada, a quem agradeço a colaboração:

Pegue-se numa taça de gelado, coloque-se dentro uma generosa bola de sorbet de limão, regue-se com Vodka, polvilhe-se de hortelã picada e enfeite-se com bolacha de canudo. Mai nada!

Algumas sugestões da Lizzie (obrigado!), para complementar, aperitivar, o que queiram:

Rosquilhas de abóbora com calda de limão, queijo de cabra basco com pimenta verde mais umas garrafitas ou porrónes de tintol frutado, mais o quê?... Uns espargos salteados em vinagre, ervas e mais coisas que eu não sei, especialidade de Doña Rosa!

A propósito de queijos, e não só, o contributo da Prof, a quem igualmente agradeço:

1 e 2. Envolva um camembert inteiro em massa quebrada, corte os excessos, de forma a não haver sobreposição da massa, «cole» a junção e pique um pouco de uma das faces (do preparado, claro) com um garfo. Corte o resto da massa em pequenos quadrados, deite queijo emental ralado no centro, polvilhe com orégãos e «feche» formando um saquinho ou um travesseiro.
Leve ao forno, junto com o camembert, até a massa ficar cozida. (Provavelmente os «saquinhos» ficarão prontos antes do resto. Costumo colocar cada um dos elementos em bases de papel de alumínio, mas não é obrigatório; caso use o alumínio, não deve fechar completamente.

3. Coza massa fresca (esparguete) «al dente», espalhe num tabuleiro de ir ao forno e cubra metade com queijo emental ralado e outra metade com roquefort (ou misture ambos - depende do gosto dos convivas)
Leve ao forno, até o queijo fundir. Sirva acompanhado de salada de alface.

E ainda: queijo de cabra com batata doce cozida (ou assada), gratinados no forno e temperados com pimenta, azeite e orégãos, como a seguir se ilustra.


Ou: Cozem-se as batatas-doces no vapor, pelam-se, abrem-se ao meio e recheia-se com chèvre e/ou queijo fresco de cabra. Vai ao forno a gratinar.
Serve-se acompanhado de salada (no caso, mistura de alfaces, banana, uvas e papaia) tempera-se com orégãos, pimenta preta e azeite.


E a Arabica trata do café:)




Para a coisa se compor, chega-nos ainda a sugestão da Graça B., que tem mesmo de ser ilustrada, a partir do link que me deixou. Obrigado, Graça, por estes irresistíveis chocolates belgas!




E
a
Arabica
faz o favor
de nos oferecer

mais daquele
providencial café...
com arabescos até
na legenda!





11 de nov. de 2008

Anel




Palavras para ti que fui escrevendo

Nos dias de papel que atravessámos

Ténues vestígios do que construímos

De olhos dados no mundo que inventámos

Do sonho em que calados descobrimos

Novas palavras para te ir escrevendo


31 de out. de 2008

E cá vai mais uma receita...

BACALHAU COM MOLHO DOURADO
(Para 4 pessoas)


INGREDIENTES:
. 4 postas de bacalhau já demolhado
. 2 carcaças
. 2 cenouras
. 2 cebolas
. 3 dentes de alho
. 3 dl de leite
. 2 dl de azeite
. 1 colher (sopa) de manteiga
. sal e pimenta

Para o molho:

. 3 colheres (sopa) de farinha
. 2 colheres (sopa) de margarina
. 5 dl de leite
. 3 gemas
. noz moscada
. sal, pimenta



PREPARAÇÃO:
Numa picadora, comece por picar o bacalhau, limpo de peles e espinhas, as cebolas, os dentes de alho e as cenouras.
Ponha o pão de molho no leite a ferver.

Aqueça o azeite e a margarina num tacho e introduza as cebolas, o alho e as cenouras picadas.
Mexa e deixe cozinhar sobre lume brando durante 5 minutos.
Acrescente então o bacalhau picado e o pão amolecido e espremido.
Tempere com sal e pimenta e deixe cozer suavemente, mexendo ocasionalmente.

À parte, vá preparando o molho. Derreta a margarina, polvilhe com farinha e mexa.
Regue com o leite frio e mexa com uma vara de arames.
Deixe engrossar sobre lume brando, mexendo de vez em quando.

Retire do lume e junte as gemas desfeitas, misturando bem com a vara de arames.
Tempere com sal, pimenta e noz moscada.

Cubra o fundo de um tabuleiro de forno, que vá também à mesa, com um pouco de molho.
Por cima disponha o preparado de bacalhau e cubra
com o restante molho.
Leve ao forno, que deve estar quente, para gratinar.
Enfeite com azeitonas pretas e acompanhe com uma salada de legumes crus.


E pronto. Bom apetite! Sugestões? Sobremesa? Vinhos?
Qualquer contribuição será, como sempre, bem-vinda.

Ah, só mais um pormenor: Vale bem a pena ouvir os saudosos Elizeth Cardoso ("A Divina") e Jacob do Bandolim, nesta interpretação ao vivo do "Barracão"!


CONTRIBUIÇÕES QUE AGRADEÇO:

Secção de vinhos:
Lizzie e Vanda: Monsaraz branco ou um tal da Mancha com 19º à sombra.
Tia adoptada: Pera Manca branco.






Secção de sobremesas:
Vanda: Fruta (Ananás, manga, kiwi e laranja).







Secção de saladas:

Lola: Salada de Endívias, Tomate cereja e Espargos

Ingredientes:
Para 4 pessoas

* 2 endívias
* 1 chávena tomate cereja
* 1 molhinho de espargos verdes
* 4 colheres de sopa de pistácios picados grosseiramente
* 1 colher de sopa cheia de funcho fresco picado

Para a vinagreta

* 1/4 chávena de vinagre
* 1/2 de chávena de azeite
* 1 colher de sopa de mel
* 1 colher de sopa de mostarda
* sal q.b.
* pimenta branca moída na altura q.b.

Confecção:
Lave os tomates e as endivias, secando-as bem.
Passe os espargos por água a ferver temperada de sal durante 4 minutos, retire-os e refresque-os em água fria.
Com uma faca, corte um bocado de 4 cm desde o extremo inferior do talo.
Para servir, disponha em cada prato individual uma camada de folhas de endívias, os espargos, os tomates cortados ao meio e os pistácios.
Polvilhe com o funcho fresco.
Tempere com a vinagreta.

Secção de entradas:
Tia Adoptada: Salada alienígena (! :) Vão ver aqui, por favor. (Mesmo que a autora diga que não é para combinar com o bacalhau!)
Ou aqui mesmo, já que a foto desperta logo o apetite!

espinafres macios
tomates
mozzarella de búfala
mel de rosmaninho

Não tem nada que saber. É só cortar o tomate, os espinafres e o queijo e regar com o mel.


E para o fim:
Legível : Moscatel de Setúbal.




20 de out. de 2008

11 de out. de 2008

Republicação

Do segundo post deste blog, tendo o primeiro sido apenas o anúncio da inauguração. Porquê? Para já, porque me deu para isso. E depois, porque este post teve, ao todo, um comentário, e provavelmente também apenas uma visita. Blog recém-nascido... ou seja, este post "não valeu". Confesso que não ligo muito a dias internacionais disto e daquilo. De resto, já existem tantos que me perco nesse labirinto, e creio que os ditos também acabam por perder o sentido. Mas ao 8 de Março estou atento, não só pela questão da igualdade de direitos (sim, todos os dias são dias de luta... mas é sempre bom que uma data em especial lembre as grandes causas que vamos porventura esquecendo no dia-a-dia), mas sobretudo porque esse dia se transforma num pretexto para me abstraír dos afazeres do quotidiano e me concentrar em pessoas importantes na minha vida, num pretexto até para escrever uns versos para essas pessoas e oferecer-lhos, coisa que, evidentemente, não posso fazer todos os dias. Pessoas muito importantes na minha vida, para quem escrevi a "Petição", são a Lola e a minha filha Renata, ao tempo com 16 anos. E este post é de novo para elas, fora de qualquer data comemorativa e a propósito de nada em especial e de tudo em particular. Elas saberão.


NOTA SOBRE O SEGUNDO POST :
O título destes versos tem para mim um significado algo irónico, por razões que não vêm ao caso. Portanto, o título foi escrito também em meu benefício. O resto não.

SEGUNDO POST
(publicado em 9-03-2006): -----------------------------------------------------------------------


PETIÇÃO INICIAL

Dá-me um cavalo uma alma uma nave
Algo que voe ou galope ou navegue
E seja azul ou de outra cor mas leve
No seu vagar qualquer coisa que lave

Dá-me uma curva um espelho uma pausa
Algo que brilhe e demore e seduza
E se transforme ao ar em luz difusa
Ou nada ou coisa que não tenha causa

Dá-me um comboio um apito um berlinde
Algo que parta ou que role ou decida
E ao passar perto da hora perdida
Nos traga a rima precisa de brinde

Dá-me um baloiço um esquadro uma vez
Algo que meça que oscile que seja
Uma surpresa o gesto que se beija
A última loucura que se fez

Dá-me um segredo uma cor uma uva
Algo que importe ou se cheire ou escorregue
(Mas não tropece nem ceda nem negue)
Por entre dedos ou gotas de chuva

Dá-me uma febre um papel uma esquina
Algo que rasgue ou se dobre ou estremeça
E que se esconda e mais tarde apareça
Sombra de vulto subindo a colina

Dá-me um arco que seja íris
Dá-me um sonho que seja doce
Dá-me um porto que tenha barcos
Dá-me um barco que nunca fosse

Dá-me um remo
Dá-me um prado
Dá-me um reino
Dá-me um verso

Dá-me um cesto
Dá-me um cento
Dá-me só
Um universo

6 de out. de 2008

Dinis Machado deixou-nos no dia 3. O Dennis McShade dos policiais, o autor do inesquecível "O que diz Molero" :

(...) veja todas estas estrelinhas, cada uma tem seu nome, aquela ali chama-se Miró, é a estrela de um homem que devasta pessoas com a tão manipulada inocência da paleta, aquela é a estrela Bigodes Piaçaba, também chamada de estrela de Pai de Todos, a outra, um pouco mais acima e à esquerda, chama-se Botão de Rosa, que é o nome de um trenó construído por um homem chamado Welles, aquela ali, de papel, chama-se Tom Sawyer, a outra ao lado, que lança uma luz branquíssima, é chamada de estrela dos Pombos, ou estrela de Pessoa, ou estrela de Pessanha, acendeu-a um tio chamado Gustavo, a outra também branca, embora de outro tom, é a estrela de César, também chamada Boné de Neve ou Torrão de Alicante, vê aquela ali que tem um brilho alegre?, é a estrela James Corbett, um homem que dançava boxe, a outra é a estrela de um médico de aldeia chamado João-Semana, a outra, de cristal, é a Joaninha dos Olhos Verdes, aquela é a estrela dos Três Cow-boys, também chamada de Cooper, de Fonda ou de Wayne, é uma estrela de lata, de pôr ao peito, patrulha a cerca da constelação a que pertence, atenta aos movimentos de Xântila, a outra é a estrela do Mar, encontrou-a uma criança numa praia, olhou para ela e iluminou-a, aquela é a estrela Ray Bradbury, tem um cintilar muito dela, íntimo de vastidões, não lhe parece?, olhe ali, aquela é a estrela Mãe, lança uma luz pálida, casta, familiar, tem uma forma estranha de mão em rosto, não tem por acaso outro cigarrinho? (...)









Na passada sexta-feira acendeu-se
mais uma estrela, tão próxima
da estrela do Rapaz
quanto as leis do Universo
o permitiram.

2 de out. de 2008

Porque nem tudo são desgraças... Bolo de chocolate da caneca (o mais rápido bolo de chocolate)! Talvez mesmo mais rápido que o Lucky Luke... e a ASAE!

Esta receita chegou-me por email. Achei piada, e resolvi espetá-la aqui, tal e qual a recebi (ou quase, enfim...)

Bolo de chocolate da caneca (5 minutos)

4 c. sopa farinha
4 c. sopa açúcar

2 c. sopa chocolate em pó
1 ovo

3 c. sopa de leite
3 c. sopa de óleo
e 1 caneca (fundamental, digo eu!)

Nota de quem me enviou o email (que se assuma, se assim o entender :))) :
Eu reduzia o óleo para uma colher de sobremesa


Numa caneca colocar a farinha, o açúcar e o chocolate em pó

mexer

juntar 1 ovo

mexer

juntar o leite e o óleo

(Aqui também deve dar jeito mexer, digo eu...)
levar 3 minutos ao micoondas na potência máxima (1000 watts)

Tchanananããããã!

E o tipo já fora da caneca

Bom apetite, que é como quem diz "Ora zumba na caneca!" :)


25 de set. de 2008

Singela homenagem

  • Aos gestores do Lehman Brothers, da AIG e do Merryl Lynch, que receberam prémios de milhões de dólares por "excelente desempenho" meses antes do que todos sabemos que aconteceu.
  • Às firmas de regulação e auditoria que, na véspera da falência, classificavam o Lehman Brothers como "AA" - Double A.
  • Ao sugestivo nome do Fundo de certo banco cá do sítio que contém títulos do Lehman e tinha (e tem) a designação de "(Nome do Banco) Prudente."
  • Aos neoliberais que dizem que o neoliberalismo não existe.
  • Ao "poder de regeneração" do capitalismo e aos "efeitos salutares da concorrência".



Pois claro...
Dá-lhes, Jimi!

15 de set. de 2008

É desta que emigro...

  • Poucos dias depois de a vice de McCain, Sarah Palin, ter respondido candidamente, com
    um sorriso nos lábios, a um repórter da TV que, caso a Geórgia entrasse para a NATO, as
    tropas da NATO deveriam intervir e entrar em confronto com a Rússia
    , porque
    era para is
    so mesmo que a NATO servia, as sondagens apontam McCain como
    favorito na corrida à Casa Branca
    . Fui só eu q
    ue reparei na convocação da Terceira
    Guerra Mundial? Ouvi mal? Os americanos andam distraídos ou querem mesmo entrar em
    guerra com a Rússia (e a China e por aí adiante...) ? Arranjem-me um buraco onde me
    meta, por favor!
    O Obama também não ouviu? Não respondeu? Ou será que está de
    acordo com a s
    enhora Palin? Nesse caso, quero um buraco mais fundo, por favor...
  • (Do site da TVI: "Sarah Palin é a mulher do momento nos Estados Unidos. A candidata à
    vice-presidência relançou a campanha dos republicanos, mas quinta-feira poderá ter falado demais à
    televisão ABC. Na primeira grande entrevista, a candidata à vice-presidência pelos republicanos deixou
    uma frase surpreendente. A governadora do Alasca admitiu
    a hipótese dos Estados Unidos declararem
    guerra à Rússia, caso esta insista em invadir a Geórgia.")
  • Não inventei... e logo na primeira grande entrevista! Isto, para mim, deveria
    ser um suicídio político. Parece que nã
    o, antes pelo contrário...


  • Entretanto, por cá, mais um touro morto na arena, desta vez em Reguengos, com uns
    indivíduos a taparem a coisa com um pa
    no, para que se não visse o touro e não se
    identificasse o touricida... A GNR identificou os responsáveis pela corrida, e apenas
    esses. Será que não vai identificar, através das imagens que passaram na TV, os senhores
    do pano? Ou nunca ouviu falar em cumplicidade? E encobrimento, desta vez
    em sentido literal, além do metafórico... É que
    aquilo é um acto punido por
    lei.
  • Decididamente, vou para eremita. Para bem longe desta treta toda.
  • E os rapazitos mandados para a cabeça dos garraios, sujeitos a morrer apenas pelo
    impacto da cabeça do animal no peito, com uns fulanos maiores atrás a "apoiá-los"? Que
    lindo! Que bela tradição!OLÉ!
  • Eu nem costumo fazer posts destes. Mas isto é demasiado. Excessivo, como
    gosto de ler no Eça.
    E ainda tenho por aqui mais uns adjectivos que me
    esforcei por não utilizar.
    Sim, é desta que emigro. Ou vou para artista de
    variedades, como aquele ali ao lado...

27 de ago. de 2008

Variações sobre o Pentagrama

Para a LOLA, a propósito deste post.

Um pentagrama (do grego antigo πεντάγραμμος) é uma estrela composta por cinco rectas e cinco pontas.

Os cinco vértices foram também usados pelos neo-pitagorianos para representarem os cinco elementos

ύδωρ, Hydor, Água
Γαια, Gaia, Terra
ίδέα, Idea ou ίερόν, Hieron, “a Partícula Divina”
έιλή, Heile, Fogo
άήρ, Aer, Ar

pentagrama 3



Em Roma foi originalmente símbolo da deusa romana Vénus
Vénus



O símbolo é encontrado na natureza, como a forma que o planeta Vénus faz durante a aparente retroacção de sua órbita (Vénus descreve um pentagrama quase perfeito com a sua rota pelo Zodíaco de 8 em 8 anos).

venus planeta



Também representava Lúcifer, que era Vénus na pele de Estrela da Manhã, aquele que trazia a luz e o conhecimento

manhã



O Pentagrama vê-se ainda figurado como fazendo parte de muitas construções Cristãs, como sejam o Templo Nauvoo de Illinois e o Templo de Salt Lake entre outros.

Nauvoo

- Templo de Nauvoo -



Heinrich Cornelius Agrippa e outros perpetuaram a popularidade do pentagrama como símbolo de magia, mantendo os atributos dos cinco elementos originalmente decretados por Pitágoras.

elementos





E há mais, muito mais :))) Mas escolhi só algumas imagens que achei interessantes. O texto não passa de legendagem.


16 de ago. de 2008

Lombo bem "tempurado"

Com os meus agradecimentos à Lola, responsável pela entrada ou primeiro prato, como queiram, e à Vanda, que me ofereceu a receita do "prato forte".

Comecemos pela Tempura, e vamos lá ver em que consiste:

"Tempura é um prato clássico da culinária japonesa. Consiste de pedaços fritos de vegetais ou mariscos envoltos num polme fino. A fritura é realizada em óleo muito quente, durante apenas cerca de dois ou três minutos.
A tempura foi introduzida no Japão por missionários portugueses e espanhóis, durante o século XVI. A palavra tempura poderia ter sido derivada tanto da palavra portuguesa "tempero" (ou do verbo temperar) como de "têmporas", nome que designa os períodos de jejum realizados no catolicismo, tais como a Quaresma (chamada em latim de quadragesima tempora), onde tradicionalmente os fiéis se abstinham do consumo de carnes, preferindo comer vegetais e peixes.
Hoje em dia ainda existe um prato em Portugal muito semelhante à tempura, denominado peixinhos da horta, que consiste de pedaços de feijão-verde fritos envoltos num polme geralmente mais espesso que o da tempura. " Peixinhos da horta, quem diria :))) E que delícia!


Tempura de camarão tigre e legumes (Lola)


tempura de camarão tigre
Ingredientes para 2 pessoas:

4 camarões tigre
1/2 courgete

4 feijões verdes

1/2 beringela

1/2 pimento encarnado

Óleo para fritar

Para o polme:

330 gr de farinha
1/2 l de água

6 gr de fermento instantâneo

8 gr de açúcar
8 gr de sal


Preparação:


1. Cortar os legumes em tiras da grossura de um dedo e retirar a casca do camarão deixando apenas a cabeça e o rabo.
2. Misturar com a varinha mágica todos os ingredientes do polme e deixar repousar durante 30 minutos
.
3. Passar os legumes pelo polme e fritar em oleo bem quente.


A farinheira
... vem de farinha, embora também possa ser feita com pão. "Sempre à base das carnes entremeadas do porco, as farinheiras podem incluir pão ou farinha, e os temperos de colorau, massa de pimentão, vinho e sumo de laranja.
" Quanto ao lombo de porco, de onde virá? :) Talvez do talho...


Lombo de porco com farinheira (Vanda)


Ingredientes:

1 lombo de porco
1 farinheira

sal qb

azeite qb

paprika (só uns pós)
alho (6 ou 7 dentes)
Louro (1 folha)

Salsa - dois ou três pés

Mel (uma colher de sopa bem cheia)

Malagueta - 1 (para os apreciadores)

Vinagre Balsâmico (muito, pois que é dele que se fará o molho!!!!)


Modo de preparação:


Dar dois golpes (em cruz) no centro do lombo a todo o comprimento do mesmo, para que se possa introduzir no seu interior a farinheira...

Já com a farinheira "arrumadinha no lombo" (ao comprarem o lombo ter atenção à altura e comprimento do mesmo), polvilhar de paprika, sal e adiccionar os alhos, o louro, a malagueta, a salsa.


Cobrir o lombo com mel e regar com vinagre balsâmico.


Deitar o azeite (podem ainda e também acresentar uma colher de sobremesa de banha ou de margarina) e deixar ficar a tomar gosto algumas horas.


- À parte da receita: num copo, deitar um bom Favaios e dar ínicio ao ritual :) que se segue:


Levar ao forno a 175º (ter atenção para que o lombo não cozinhe demais e não fique seco) e caso seja necessário vai-se acrescentando um pouco de água, mexendo o fundo do tabuleiro para que o vinagre e os condimentos não sequem ou caramelizem.
Talvez 40 minutos sejam suficientes, ou talvez uma hora, depende da largura do lombo e do calor do forno :)

Lembrança à ultima da hora: Também já experimentei utilizar cachaça em vez do vinagre balsâmico e ficou uma delícia :)


Como sempre, aceitam-se sugestões e adições.

Como esta sobremesa, que também agradeço à Lola.

Tiramisù

Ingredientes:

4 ovos
8 colheres de sopa de açúcar
2 folhas de gelatina
400 gr de queijo Mascarpone
1 dl de rum
12 palitos La Reine
2 dl de café forte
2 colheres de sopa de chocolate em pó

Modo de Preparação:
Junte as gemas com 4 colheres de sopa de açúcar. Leve ao lume mexendo sempre, até ficar bem espesso.
Demolhe as folhas de gelatina em água fria.
Retire o creme de gemas do lume e junte-lhe a gelatina, depois de bem escorrida. Deixe arrefecer.
À parte bata o queijo com duas colheres de sopa de açúcar. Bata as claras em castelo, juntando-lhes as duas colheres de sopa de açúcar que faltam.
Misture o queijo com o preparado das gemas, em seguida o rum e por último envolva as claras.
Mergulhe o palitos La Reine no café, e disponha-os numa travessa, alternando com o creme (comece e acabe com o creme).
Leve ao frigorífico, entre seis a oito horas.
Sirva o Tiramisù bem fresco e polvilhado com chocolate em pó

BOM APETITE!

7 de ago. de 2008

Uma Maya que vale a pena...

... tal como os links ali à direita, por cima das "Asturias", e a propósito de um deles.


Maya Plisetskaya dança o Solo de Odette no Lago dos Cisnes

30 de jul. de 2008

O crepúsculo dos verbos

Rosa também, como as outras, pela vereda ladeada de silvas, urzes, matagal, uma ou outra flor dispersa, pontos inusitados de cor que não o verde, os vários tons de verde. Trilho acima, no crepúsculo do dia, no crepúsculo de Rosa, à hora do cansaço maior, os pés descalços, gretados, o alguidar da roupa lavada à cabeça, o dia perto do fim, o caminho até à pequena aldeia pendurada no monte, quase no cimo, as casas de granito espesso, frio, o chamamento de Rosa e a recolha das roupas, Rosa enfim de regresso ao lar.


Em breve a sopa pronta, a panela fumegante, o odor inconfundível, o marido já à mesa tosca, à espera, cansado, gasto pela terra, muitos anos, muitos anos nas rugas no rosto de Rosa, nos gestos da preparação da sopa, as batatas, a hortaliça, um pouco de chouriço às vezes, mais por causa do gosto, o jantar solitário, os filhos há muito na cidade, sem tempo, sem tempo.


De manhã bem cedo o percurso inverso, a descida do trilho, a roupa suja, os olhos ainda atentos a uma ou outra flor, por vezes mesmo no Inverno, e nesse caso o frio por dentro da roupa e do xaile quase sempre negros, quase sempre o orvalho matinal nas ervas de ambos os lados do atalho, Rosa, como as outras, caminho abaixo até ao ribeiro, a roupa na pedra da margem, as mãos diligentes, o sabão, a roupa na água, a roupa batida, novamente na água limpa, lavada.


Todos os dias menos ao domingo, tempo de pouco descanso, de missa, de lida da casa, de limpeza, do almoço do marido cansado, de Rosa ao fogão, um cozido simples, sempre as batatas, a couve, um pouco de carne, um naco de chouriço, o sol no Verão, o degrau da porta, dois dedos de conversa às vezes, Rosa como as outras.


Nos domingos de festa, Rosa com a mesma roupa, no adro da igreja sem gambiarras de luz, apenas dois holofotes de circunstância e uma aparelhagem rudimentar, cortesia do showman, fornecedor habitual de romarias e festividades avulsas das aldeias, a carrinha cheia de festas e música e mistérios equipada com um altifalante adequado à função, os foguetes antes do som da aparelhagem do showman por cima do toque dos sinos da pequena igreja, e depois o baile também já com músicos e cantores, o velho Cardoso do violino, desde sempre o artista local, uma viola-baixo eléctrica um tanto surpreendente a par do harmónio e da viola beiroa, os imprescindíveis ferrinhos, guitarras de vários tamanhos e formatos, um bombo e uma tarola, e demais instrumentos avulsos e variáveis, as vozes e, durante o descanso da banda, novamente a música da aparelhagem sonora, mas sempre, sempre o baile.


Rosa como as outras, mas diferente, desde miúda com todo o corpo ao sabor da dança, agora com a saia escura ao vento, os pés gretados mas velozes, o ritmo exacto, os movimentos de uma elegância aparentemente inesperada naquela idade, os braços sonhadores, as pernas ainda fortes, ágeis, incansáveis, Rosa imparável até ao fim do baile, a dança no sangue até ao fim da noite.


De regresso a casa, a carrinha do showman aos solavancos na estrada coleante, as luzes ainda visíveis nos altos e baixos, a carrinha com a festa lá dentro, embrulhada, silenciosa, à espera de outro dia, de outra noite, de outra aldeia, Rosa finalmente presa do cansaço, de um cansaço agradável, feliz, não o da subida do caminho com a carga de roupa lavada, e o degrau da porta ali mesmo a jeito, o marido já com um bom par de horas de cama, Rosa de olhos fechados no degrau de pedra, de olhos lentamente abertos em direcção a um céu de lua nova, de estrelas nítidas, a Ursa Maior, sete vezes a direito a distância entre as guardas e eis a Estrela Polar, última estrela da cauda da Ursa Menor, e ainda as Três Marias de Orion, o W da Cassiopeia, os olhos líquidos de Rosa no percurso do acastelamento de constelações, do acasalamento de galáxias, ou apenas de anónimos pontos luminosos, lá muito em cima, brilhantes, brilhantes como o olhar de Rosa antes de amanhã.

22 de jul. de 2008

The Underground Railroad ou os blues da liberdade

No OVERandOUT, com data de 20 de Julho, está um excelente post sobre a história dos BLUES.


Como introdução ao que se vai seguir, recomendo vivamente a leitura desse texto, já que este post é uma espécie de sequência.


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Já leram? Então posso prosseguir.


Ao lê-lo, lembrei-me de ter aprendido há tempos que muitas das canções entoadas pelos escravos trazidos de África nas plantações de algodão e outras explorações agrícolas, ou ao longo das vias férreas em construção, se destinavam a orientar e ajudar os que, tentando escapar à escravidão, fugiam em direcção ao Norte e à liberdade. Nas suas letras escondiam-se conselhos, nomes, locais, indicações preciosas para quem empreendia a fuga e queria chegar ao fim.


Procurei na net documentação, e obtive alguns resultados.


É imprescindível referir, a este propósito, a organização que ficou conhecida como The Underground Railroad, formada por pessoas de várias origens, e destinada a proteger e facilitar a fuga dos escravos.


Sobre essa organização, há um bom texto AQUI (em Inglês, mas curto e claro) e uma definição neste local da Wikipédia.


Podemos fazer, no site da National Geographic, uma interessante viagem rumo à liberdade, talvez iniciada com a ajuda de Harriet Tubman (nome de código Moses), e ao longo da qual outras figuras destacadas do movimento abolicionista vão surgindo.


Mas voltemos aos blues.


Entre as músicas cantadas pelos escravos, “Follow the Drinking Gourd” foi seguramente a mais conhecida, desde logo pela extrema clareza da letra.

Senão, vejamos:




When the sun comes back,

and the first quail calls,

Follow the drinking gourd,

For the old man is waiting

for to carry you to freedom

If you follow the drinking gourd.

Chorus:

Follow the drinking gourd,

Follow the drinking gourd,

For the old man is waiting

for to carry you to freedom

If you follow the drinking gourd.

The riverbank will make a very good road,

The dead trees show you the way.

Left foot, peg foot travelling on,

Following the drinking gourd.

The river ends between two hills,

Follow the drinking gourd,

There's another river on the other side,

Follow the drinking gourd.

When the great big river meets the little river,

Follow the drinking gourd.

For the old man is waiting

for to carry you to freedom

If you follow the drinking gourd.


A partir deste esclarecedor vídeo do You Tube, podemos encontrar outras interpretações da canção, a maior parte delas por coros escolares. Parece que a música ficou.


E ficou também a evidente associação dos BLUES à liberdade.


ADITAMENTO (Sim, este post também tem um :)

Recomendo vivamente a leitura deste texto da Lizzie, a história atrapalhada do homem que mudou a cor no palco ou seja, Alvin Ailey

E passo a transcrever o comentário da Tia Adoptada, excelente complemento a este post:

Os blues provêm, alegadamente, das «working songs». Estas eram cantadas na língua materna dos escravos, lingua(s) essa(s) que era(m) desconhecidas) dos capatazes e outros colonizadores. Como sabemos, (e os donos de escravos também sabiam), a aculturação é uma forma de dominação bastante eficaz. Como se explica, então, que permitissem que os escravos entoassem as SUAS melodias, nas SUAS línguas?! A resposta é simples: as work songs faziam aumentar o ritmo do trabalho e impediam muitos acidentes laborais. (Por exemplo, se estavam a cavar, não haveria o perigo de um baixar a enxada quando o outro a estava a erguer, porque cavavam ao ritmo da música).
Então os escravos começaram a aproveitar as work songs para enviar mensagens, ao longo dos campos e mesmo «nas barbas» dos patrões e capatazes» que, já nessa altura, não se davam ao trabalho de aprender outra língua que não fosse o rudimentar inglês KKKKKKK.
Podiam, por exemplo, estar a cantar, na frente do capataz, «digam à Maria que o marido conseguiu fugir e está à espera dela no celeiro da fazenda do irmão deste barrigudo deslavado»
Fascinante, não é?

Interessante, também, é a etimologia do jazz; esta música nasceu na rua das lanternas vermelhas, em New Orleans; eram «casas de meninas», onde os homens iam «to jazz»; a dada altura, a música tornou-se mais importante que a actividade sexual... :-)

Em ambos os casos, com os devidos agradecimentos.