Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

10 de fev. de 2009

Um encontro inesperado

Descia eu a rua, preocupado com o mistério que me anda a ensombrar os dias, quando avistei ao longe um vulto familiar. Sobretudo impecável, cabeça em forma de ovo, bigode cujos floreados se tornavam mais definidos à medida que nos aproximávamos... só podia ser ele!

Como já o conhecia dos livros, não hesitei em abordá-lo. É que vinha mesmo a calhar!

- Hercule! Bons olhos o vejam!
- Alien, mon ami, como tem passado?
- Nada mal, à custa de uma nova tisana que ando a experimentar. Tem-me feito muito bem às celulazinhas cinzentas.
- Ah, oui?
- Assim é, meu caro. E, caso os seus afazeres o permitam, convido-o agora mesmo a experimentar essa tisana em minha casa.
Encontrara o isco certo. Poirot, entusiasmado, anuíu de imediato, e lá fomos.

Quero poupar-vos à descrição do encontro, por isso passo directamente ao que nos interessa. Exposto ao detective o caso do prémio roubado, o homenzinho foi dando pequenos goles na tisana, meneando a cabeça em sinal de aprovação e alisando cuidadosamente o bigode. Era evidente que, no meio da nossa conversa recheada de banalidades, Poirot pensava.

- Mon ami, escusado será dizer-lhe que todos os que tiveram acesso ao seu blog, e muito em especial à sua caixa de comentários, são suspeitos.

- Todos, Poirot???
- Mais oui, todos! Sabe perfeitamente que o criminoso tanto pode ser a pessoa mais provável como a mais improvável.
- Tem razão...
- Repare também que todos tiveram motivo, já que o galardão é muito cobiçado. E todos tiveram oportunidade. No entanto...
Poirot fez uma pequena pausa e bebeu mais uns goles de tisana.

- ... No entanto, se é certo que me guio pelo raciocínio, também não desprezo a intuição. Neste caso, a sua intuição, mon ami, quando afirma que crê ter o gatuno deixado a sua marca nos dizeres que gravou na pedra.
Poirot esboçou aquele sorrisinho do costume, e continuou:
- Não se entusiasme muito, que não é apenas da sua intuição que se trata. Sabe certamente que a minha aguda capacidade de avaliação do perfil psicológico das pessoas me tem levado a resolver mistérios que, sem Hercule Poirot, ficariam para sempre por desvendar! Ora, já lhe ocorreu perguntar a si mesmo quem, de entre os suspeitos, seria capaz de deixar um texto gravado em pedra, em vez de um simples lugar vazio? Já pensou no motivo dessa prosápia? No carácter de quem assim agiu? A mensagem, meu caro Alien, é um acto audaz, provocatório, próprio de quem se imagina impune e faz questão de se gabar do feito; de quem não se contentou em privá-lo do seu merecido prémio, juntando ao roubo a humilhação e a gargalhada sinistra. É evidente a megalomania do criminoso. Não lhe parece?
- De facto, agora que o diz...
- Dizem-no (aqui Poirot bateu repetidas vezes com o indicador direito na cabeça) as minhas celulazinhas cinzentas. Elementar, meu caro Alien!
- Elementar...? Mas essa deixa não era de Sherlock...?
- Será, mon ami? Será? Olhe que até Holmes aprendeu muito com o grande Hercule Poirot!
Calei-me, convencido de que a sua proverbial vaidade lançara Poirot numa total confusão quanto à cronologia.

O detective deitou um olhar penetrante à inscrição. Observou-a em silêncio durante alguns minutos. De repente, bateu na testa e exclamou, triunfante:

- Voilá, mon ami! A sua tisana é realmente eficaz!
- Então quer dizer que... que...
- Sim, Alien! Poirot sabe quem foi! Outro sorrisinho, e continuou:

- Mas não vou acrescentar nada ao que já disse. Ao fim e ao cabo, a sua excelente tisana haverá de iluminar-lhe o raciocínio, n’est-ce pas? Um conselho, caro Alien: Sirva esta tisana aos seus amigos comentadores. Pode ser que lhes estimule as celulazinhas cinzentas, como tem acontecido consigo!
Notei no olhar do meu amigo um brilho suspeito. Poirot apanhara-me com a história da tisana milagrosa. A infusão que eu lhe servira fora rapidamente identificada pelo seu paladar de connoisseur como uma vulgar mezinha para males de estômago, intestinos e afins.
- Hercule, ao menos uma pequena indicação... qualquer coisa...
- Pois bem, caro Alien, se assim o quer... Lembra-se de uma tal Teresa Durães, também conhecida por narrador, ter escrito, em princípio de comentário: "No início era o verbo. Mas o narrador nunca soube conjugá-los bem..." ?
Precipitei-me para o computador.
- Mais non, mon ami, mais non! Não precisa de procurar o comentário! O que citei já lhe basta: "No início (Poirot acentuou estas palavras) era o verbo...". Em seguida levantou-se, compôs o fato, ajeitou a gravata, vestiu meticulosamente o sobretudo, sacudiu um imaginário grão de poeira da lapela, despediu-se e saíu, sem dizer mais do que um irónico “Au revoir, mon ami!”.


E agora? Que me dizeis, mes amis? Vamos descobrir o culpado de uma vez por todas? Pelo sim, pelo não, aqui vos sirvo uma deliciosa tisana... e, seguindo o método de Poirot, convido -vos a considerar com atenção a personalidade dos suspeitos e a observar cuidadosamente a inscrição!







CONTIUAÇÃO

7 de fev. de 2009

Ainda o destino?

Sou uma pessoa pacífica e tolerante, e ai de quem diga o contrário!

Mas tudo tem os seus limites, e o que agora vos conto ultrapassa-os a todos, mas de largo.
Tenho que desabafar já: O Prémio, o meu tão precioso e justo prémio, desapareceu!
Parece-me óbvio que foi roubado: Nenhuma outra explicação se enquadra na única e singular pista que encontrei, ali ao lado direito, no lugar do galardão, da dedicatória e dos arautos com as suas trombetas, misteriosamente subtraídos à minha e, digamos, também à vossa contemplação.

Apesar de ter ficado em estado de choque, ainda tive discernimento suficiente para eliminar imediatamente as linhas provocatórias e insultuosas que o perpetrador (ou perpetradora?) ousou deixar no lugar do que maldosamente escamoteou. Ah, mas isto não fica assim!



Li, reli e voltei a reler este lamentável simulacro de texto, gravado em pedra marmoreada na fútil intenção de o tornar perene. Arranquei-o de um fôlego, com as últimas forças que me restavam antes que a verdadeira dimensão do acontecimento se abatesse sobre mim.

Mais calmo, considerei-o atentamente, reflecti, indaguei, investiguei, imaginei, desesperei. Nada!
A pista é críptica. E, no entanto, algo me diz que quem cometeu o crime deixou na pedra a sua marca. Talvez sem se aperceber, ou porventura com cínica intenção (quem o saberá?), mas sinto que a deixou, e que essa "assinatura" levará inevitavelmente à sua identificação e castigo.

Peço a vossa ajuda. A insanidade apodera-se da minha mente, não vejo senão letras dançando e rindo-se dos meus olhos cansados. Alguém aqui poderá ajudar-me a descobrir QUEM FOI o autor ou autora da façanha?

A vossa colaboração será, também o sinto, fundamental! Por favor, leiam, investiguem, aventem hipóteses, AJUDEM-ME!!! A caixa de comentários deste post é toda vossa. Eu... eu fico à espera de que alguém faça LUZ.

CONTINUAÇÃO

31 de jan. de 2009

O destino prega-nos cada partida!

É verdade. Quem leu os últimos comentários ao post anterior apercebeu-se certamente de que este blog foi rotulado de fraquinho, apontando-se como prova desse epíteto o facto de não exibir no lado direito um único prémio, acompanhado do competente estandarte.

Pois bem: coincidência ou justiça divina (provavelmente esta última, atendendo ao patrocinador...), eis que, do nada, me surge um prémio nunca visto na blogosfera. Um prémio, imagine-se, intergaláctico! A bem dizer, o prémio dos prémios, ou simplesmente O Prémio!

As regras estabelecidas são severas: nem passagens de galardão, nem agradecimentos. Porém, nada nelas estabelece que sou obrigado a aceitá-lo. Assim sendo, aqui declaro expressamente que, embora agradecendo a intenção e a honraria (que não o prémio!), não posso aceitar a distinção. De facto, a minha natural modéstia e o meu sentido de autocrítica obrigam-me a suspeitar de que devem existir, algures por aí, nalguma galáxia distante, um ou dois blogs melhores do que este.

Esclareço que apenas exponho o estandarte ali no lado direito por óbvio receio da ameaça de invasão bicadeira do temível exército de caturras. E quem não conhecer o Rufus que o compre, que eu já o topei muito bem!

E mais não digo. Tolhe-me as palavras a emoção. É para momentos destes que vivemos, são estes instantes de suprema felicidade que nos resgatam da humilhante prisão do dia-a-dia cinzento e inconsequente. Que quem tudo isto me proporcionou veja a distinção multiplicada e, se tiver blog, a ele atribuída... ah, mas não pode ser, é um prémio exclusivo. Paciência...!

CONTINUAÇÃO

20 de jan. de 2009

Réplica

Ora adeus, meus amigos, a poesia não é isso!
A poesia, a poesia...
A poesia é fazer versos com pena de não saber fazer versos
A poesia é fazer o

p
i
n
o

no local mais inesperado e
logo a seguir fazer o

o
n
i
p

onde toda a gente espera que o pino seja feito.

A poesia é fumar vinte cigarros seguidinhos
E desesperar-se por fumar tanto, mas desesperar-se
a sério. A poesia, meus amigos, é ser do contra:


Contrato contragosto contraído
contraste contrafeito contraluz
contrabaixo contra-senso contraponto
contracurva contravenção contramestre
contratempo contrabando contrário
contradança contradição contra-natura
contra-ataque contraposto contra-regra
contraplacado contrapeso contracto


com travo leve bravo amargo travo
de estar aqui ironicamente estar aqui
com um sorriso vermelho e o corpo vigilante
a beber a cerveja das madrugadas futuras
a lamber o ventre de hoje em cada gota que escorre
pelos nossos lábios brancos de espuma e desespero



(Escrito noutro tempo e noutro espaço em que ainda fumava...)



10 de jan. de 2009

Pois... 2 - The Sequel

- De modo que agora quem quiser comentar o post anterior tem que o fazer neste, não é?
- Nem mais. Isto não é propriamente a "Neverending Story".
- Cheira-me a grossa baralhada, mas tu lá sabes.
- "Lá" talvez saiba. Agora "cá"...? Bem dizia o MEC em "A Causa das Coisas".
- Ah, sim, a causa das coisas é f.....
- Isso é o amor, pá, o amor!
- Ups! Pois era. É.
- Pois... 2.

(11-01)

- O amor é a causa de muitas coisas, Mar...
- ..............
- Não é?
- ..............
- E também é aquilo que o MEC escreveu. Às vezes.


- Hoje não falas comigo?
- Desculpa, não me apetece. Só quero desejar uma boa semana a este pessoal que me atura. E dizer à Prof que "nozes" agradecemos e retribuímos, embora com irreparável atraso, que o domingo está a acabar.
- E a Arabica, fica sem resposta?
- Fica, hoje fica, que está realmente muito frio lá fora, mesmo sem aspas.
- Também gostava de saber como é que respondias àquela simples perguntinha: "Amor?"
- Eu não disse já que ela era a das perguntas difíceis? Mas leva na mesma os nossos beijos.
- Ora aí está uma bela resposta...
- Pois... 2.

(12-01)

- Tempus fugit, sed fama volat!
- ???
- É só para verem que também sei escrever em línguas estrangeiradas. E para benefício da Arabica, a das...
- Cala-te, pá! Olha que ela já não deve estar a achar graça nenhuma à brincadeira...
- Hmmmm.... no lo credo! E daqui lhe mando já meia dúzia de pastéis de Belém e um jarro de vinho quente. À cautela. Mas que perguntou "onde???", isso perguntou...
- E a Prof? Perguntou alguma coisa?
- Nah! Pôs para lá umas sinalefas, uns pontinhos, e depois sacou de uma citação em catalão! E olha que é pertinente. Até vou repeti-la aqui:

"Aquells que no he estimat,
aquells que ni tan sols he conegut
han de servar de mi la part més pura.
[...]
Miquel Martí i Pol

- Excelente! Por outro lado, falaste de patos e responderam-te com gansos!
- Quem?
- A Teresa, alias Caturra alias Criador. Até já o Criador visita o meu blog! Bem dizia a Arabica que a publicidade...
- É como o amor.
- Nem mais.
- E depois falam-me em línguas esquisitas. A Élis parece que passou dos diálogos bilingues aos trilingues.
- A Lizzie é que passou. Quero dizer, passou-se... Queles vergoñes! Tadinhos dos nens!
- Olha lá, desculpa que te diga, mas és um bocadito estúpido. Então ainda não percebeste que a Élis/Lizzie é uma trindade de duas pessoas?
- E a pomba?
- Hmmm... acho que é um pato. Mas não faz parte da trindade.
- E é santíssima?
- Sim, como quando a gente diz: "Mãe santíssima!..."
- Compreendo.
- Não compreendes nada. Olha a gargalhada do Mocho Falante. Não está mesmo a lembrar-nos de que não passamos de marionetas manipuladas pela autora do romance?
- Boooommm... eu prefiro a ideia do Woody Alien, perdão, Allen, que a trindade ainda há dias escreveu sobre ele.
- Qual das ideias?
- Aquela de não termos existência real, de provavelmente não passarmos do sonho de alguém. "E nesse caso," - concluiu - "paguei demasiado pela alcatifa que comprei ontem!".
- Bem visto. Ainda bem que não tenho ido às compras...
- Sabes que mais? Esta coisada está a ficar parecida com a Conversa da Treta. Não fosse a riqueza dos comentários e já tinhas falido.
- Há pior que a Conversa da Treta, muito pior. Quer-se dizer, há conversas da treta que só servem para enganar os otários, tás a topar?
- Pois...2.

APEDEITE:
"Título Qualquer Serve": Blog visitado e patrocinado pelo Criador.

- Obrigado, Wind, talvez acabe por me lembrar, ou encontrar...
-..................
- Mana AlienDS, é mesmo de família :)
- .................
- Arabica, tiraste-me as palavras da boca!!!
-.................
- Teresa, se tu não sabes... como hei-de eu saber? Afinal, és o Criador, não?
- ...............
- élis/lizzie, essa fome de cenouras é de caír o Carmo e a Trindade. Não sei porque estou a dizer isto... O teu diálogo é apetecível, mas nem por isso te revelarei os meus pa(c)tos secretos. E eu a dar-lhe! Ah, o IRS da transcendência... mas que grande invenção! Vénia! Bilingue, claro.
-................
- Lizzie, he's a distinguished member of another trinity. Try and find out which :)
-................
- Arabica, eu é que me perdi. Filme de fantasmas? Manta? Pintado de fresco? Moi???
E pronto, atingiste-me com um dardo, e tenho que o atirar a todos os meus visitantes, sem excepção. Sou mesmo assim, um mãos largas... :) A propósito, com o dardo vai também a bota.
- ..............

(Dardo Em Pequenas Doses
para quem quiser vê-lo.
Comunicamos nozes
Que é um dardo e um selo.)


Impõe-se um especial agradecimento a todos os participantes nesta charada, ou chachada, conforme os pontos de vista. VEXAS têm cá uma paciência! E agora sim, o post é mesmo Tobi as It is.




7 de jan. de 2009

Pois...

- Good vibrations, good vibrations... Não seria já tempo de fazeres outro post, ó preguiçoso?
- Olha, acho que vou fazê-lo aos bocadinhos. Amanhã ou depois haverá mais. Sem comezainas. Hoje fico por aqui. Nem fotos, nem vídeos.
- Bem... se calhar estás a inventar uma maneira nova de postar...
- Pois...

(8-01)

- Teresa, patinar até nem é mau, dependendo do tipo de patinagem... a que dá direito a balda devia ganhar medalha de mérito, não achas?

- ........................

- Mar, isso tudo, isso tudo, ou mais ou menos.

- .........................

- Se calhar pensavas que te respondiam! Não andas bom da cabeça, não...
- Eu sou um crente, pá! Vais ver que ainda me respondem. E não achas bonito falar com as pessoas aqui, em vez de naquela estúpida caixa de comentários?
- Hmmm.... olha, se as pessoas pudessem escrever aí, talvez concordasse. Mas não podem, sabias?
- És sempre o mesmo desmancha-prazeres! Queres uma imagenzita, queres?
- Era uma ideia...
- Pois então fica com a ideia. Isto é, IMAGINA!
- Bah!
- Pois...

(to be continued).

(9-01) - Revisto e melhorado (ahem!) já em 10-01.

- Tenho que dizer à Wind que isto é a originalidade da preguiça...
- O que tu queres dizer é que a preguiça dá frutos. Malandro, e com a mania da esperteza!
- Dá, dá pessegadas.
- Ou alternativas eleitorais proporcionadas pela Prof. É que, sabes, fui eu que pedi a outra hipótese.
- Claro, claro, e saberás dizer à AlienDS o que vai saír daqui?
- Hmmm.... deixa-me pensar... não!
- E saberás dizer à Teresa se este diálogo é feito ao espelho?
- Diálogo? Ah, isto é um diálogo! Hmm, está bem. Tinha a vaga ideia de que era um solilóquio...
- Estás a confundir com um post gâmbico da Lizzie, a dos diálogos bilingues.
- É, a moda agora pegou. Mas em Português e Castelhano, enfim, gente fina é outra coisa!
- Ah, e então em Catalão?
- Li um texto, sim. No regresso da tia.
- E onde fica isso?
- No Google. Links aqui, jamé!
- E a Teresa?
- Que fique com a teoria da patinagem em três pontos, principalmente a parte em que aconselha "nem tentar". E com a Alice.
- Do outro lado...
- Isso.
- E então, como se traduz o vento em palavras?
- Isso parece da Arabica, a das perguntas difíceis.
- E é. Respondes?
- Claro! Wind. Vent. Wind que se lê Vind. Viento. Vento que se diz com as mãos. Queres mais?
- Olha, nem por isso. Só se fosse em Chinês.
- Por acaso até sei, mas não tenho aqui os caracteres. Mas é assim como que uma onomatopeia: Uuuuuh... Uuuuhuuuuh.....
- Sim, estou a ver. E se dissesses qualquer coisa de jeito?
- "Quem poderá domar os cavalos do vento?" Ora aí tens outra pergunta difícil.
- Ah, o vento anda a cavalo?
- Anda, pois. A caballo, coño de 8neilA verdito con ojos rojos.
- Quê????
- Esquece. O Legível que vá para a tropa, que é para aprender a não deixar de postar...
- E a não contar as palavras.
- E fica condenado a ouvir o Universal Soldier pela Buffy Sainte-Marie, pelo Donovan e pelo outro gajo.
- Há pior...
- Bem sei. Como aparecerem-me diálogos na caixa dos comentários, e eu não saber o que fazer com eles. Então quando inventam un gatito escreviente... estou tramado!
- Olha, fica com os soldadinhos de chumbo, a ver se te defendem...
- Ah, e também são universais?
- Mas haverá coisa mais universal que os soldadinhos de chumbo?
- Há, sim! Os patos brancos de plástico com bico amarelo. (Ou seria laranja? Pato com laranja, hmmm.... bolas, eu prometi que não haveria comezainas. Caracteres chineses, pato à Pequim, cala-te boca! E fecha-te!)
- Não me digas. E falam?
- Alguns, sim. Dizem agrandate niña e outros mimos que não ficariam bem aqui, que isto é uma casa séria.
- Bom, disto tudo, com que ficas?
- Com o vento, claro. Mais as hipóteses eleitorais. E os beijinhos alienígenas. O jeito natural para a patinagem. Los locos simétricos y bilaterales. A medalha por escrever menos.
- Essa já não levas. Olha só o que para aí vai de escrevinhações!
- Levo tudo. Como o vento viento vent wind mai-los seus camelos.
- Cavalos, pá, cavalos!
- Ou isso.
- Já perdeste o fio à meada, não?
- Pois...

(to be DIScontinued).

(10-01)

- Surrealista. Espectacular. Comício...
- E bebício, não te esqueças do vinho quente!
- Claro. Está na hora de montar no tapete voador e zarpar deste post. Digo eu.
- Vou nessa.
- Pois...


19 de dez. de 2008

Para um Bom Natal...








... dão bastante jeito alguns pratos daqueles que ajudam à festa.

Por isso, com os meus votos de Feliz Natal para todos, aqui deixo uma sugestão de ementa composta por dois pratos que a Lola e a Arabica fizeram o favor de me enviar, e que são, sem dúvida, deliciosos.

Sobremesas e vinhos serão convosco.

Comecemos então com uma "entrada" da Arabica:

Ameijoas com Chouriço:

Ingredientes:
2 Kg de ameijoas pretas

6 colheres de sopa de azeite ou um pouco mais

5 dentes de alho

3 cebolas

200 g de chouriço de carne

vinho branco

2 limões

piri-piri q.b.
coentros ou salsa picada q.b.


Confecção
: Depois de bem lavadas, deixe as ameijoas de molho durante 1 hora +/-, bem cobertas de água com um pouco de sal, a fim de perderem a areia. Numa caçarola larga, leve ao lume o azeite e os alhos pisados. Quando estes alourarem mas não queimarem, junte-lhes as cebolas descascadas e picadas. Refogue em lume muito brando. Quando a cebola ficar translúcida, junte-lhe o chouriço cortado em rodelas grossas. Tempere com sal e piri-piri e vá adicionando pequenas porções de vinho branco, deixando refogar até o chouriço cozer. Adicione as ameijoas lavadas e escorridas, tape a caçarola e cozinhe até abrirem, agitando várias vezes a caçarola. Rejeite as ameijoas que ficarem fechadas. Já fora do lume, regue com um pouco de sumo de limão, polvilhe com coentros ou salsa picados e sirva de imediato, com pedaços de limão. Nota: não esquecer torrar pão para acompanhar :)

Sigamos com a receita da Lola:

Cabrito assado:


Ingredientes (para 6 a 8 pessoas)
* 1 cabrito de 3 a 3,5 kg (sem a fressura) ;
* 5 dentes de alho ;
* 1 colher de sopa de colorau ;
* 1 folha de louro ;
* 5 colheres de sopa de azeite ;
* 3 colheres de sopa de banha ;
* 0,5 litro de vinho branco ;
* sal grosso

Para acompanhamento:
* 2 kg de batatas;
* azeite q.b.;
* 1 dente de alho;

Confecção:
Depois de limpo e de se lhe ter retirado a fressura, barra-se o cabrito interior e exteriormente com uma papa feita com os alhos esmagados, sal grosso, o colorau, o louro, o azeite e a banha. O cabrito deverá ficar assim temperado de um dia para o outro.
Coloca-se então numa assadeira de barro e leva-se a assar em forno bem quente. Quando o cabrito se apresentar meio assado, começa a regar-se com o vinho branco (de vez em quando). O cabrito deve ficar bem tostado.

Acompanha com batatinhas que se cozinham do seguinte modo: Depois de lavadas, cozem-se com a pele 2 kg de batatinhas pequenas. Pelam-se e alouram-se depois num pouco de azeite onde previamente se alourou um dente de alho. Juntam-se ao cabrito quando estiverem bem louras.

Chegou a primeira sobremesa, da responsabilidade da Lola. Rabanadas, nem mais! :)

Ingredientes:
* 1 cacete de véspera
* 3 dl de leite
* 4 ovos
* 300 g de açúcar
* canela
* 1 casca de limão
* óleo para fritar



Confecção:
Leva-se o leite a ferver com duas colheres de sopa de açúcar e a casca de limão.
Batem-se os ovos muito bem, de modo que a clara fique imperceptível.
Corta-se o pão em fatias com cerca de 1,5 cm e passam-se primeiro pelo leite e depois pelos ovos.
Fritam-se em óleo bem quente e escorrem-se sobre papel absorvente ou sobre um pano.
Servem-se polvilhadas com açúcar e canela ou com calda de açúcar.



As velas foram amavelmente cedidas pela Arabica,


que também enviou esta sobremesa tradicional:

Aletria com Ovos
Ingredientes (para 10 pessoas)
100g de aletria
4 dl de leite
150g de acúcar
50g de manteiga
3 gemas
casca de limão
canela

Preparação
Coze-se a aletria em água durante 5 minutos e escorre-se.
Em seguida, leva-se o leite ao lume, juntamente com a casca de limão, açúcar e a aletria e deixa-se cozer. Depois de a aletria estar cozida, junta-se a manteiga e, fora do lume, misturam-se as gemas, previamente batidas.
Leva-se ao lume apenas para que as gemas cozam ligeiramente. Serve-se a aletria polvilhada com canela.

Outra excelente sobremesa, que agradeço à Graça B. :

FARÓFIAS ... com ou sem canela!

Ingredientes: 175 g de açúcar; 4 ovos muito frescos; 1 colher de sobremesa de maizena; 7,5 dl de leite; 1 casca de limão; canela Separam-se as gemas das claras. Batem-se as claras em castelo e quando estiverem bem firmes junta-se 50g de açúcar, continuando a bater até se obter um preparado bem espesso e seco. Entretanto, leva-se o leite ao lume num tacho com o restante açúcar e a casca de limão. Quando ferver, reduz-se o calor para manter apenas uma fervura suave. Deitam-se dentro colheradas do preparado de claras e açúcar. Deixam-se cozer rapidamente, voltando-as. Retiram-se as farófias com uma escumadeira e colocam-se num passador para escorrer. O leite que vai escorrendo das farófias junta-se ao do tacho. Depois dispõem-se no prato ou travessa de serviço fundos. Deixa-se arrefecer o leite em que as farófias cozeram e adiciona-se a maizena desfeita num pouco de leite ou de água frios e as gemas. Leva-se ao lume, mexendo sem parar para cozer e engrossar. Rectifica-se o açúcar se for necessário. Cobrem-se as farófias com o molho e polvilham-se com canela. Servem-se mornas ou frias.

A secção de bebidas começa, nem mais nem menos, com o néctar dos deuses, sugestão da Prof (obrigado!).


Prossigamos com mais duas contribuições da Arabica:

Vinho do Porto Quente
Ingredientes
0,5l de vinho do Porto de boa qualidade
1/2 cálice de aguardente velha
1 colher de sopa de mel
1 chávena de café de passas
1 chávena de café de corintos
1 pau de canela
Preparação
Deite o vinho do Porto num tacho. Em seguida, leve-o ao lume e vá adicionando os ingredientes pela ordem acima referida. Mexa muito bem até levantar fervura e sirva.



Ponche de Natal
Ingredientes (para seis pessoas)
2 doses de rum branco, vodka ou gim
2 doses de licor de pessego ou laranja
1 garrafa de vinho branco, gelado
1 garrafa de 300 ml de guaraná, gelado
açucar a gosto
1/2 mamão ou papaia
2 laranjas picadas em pequenos pedaços
1/2 abacaxi
12 cerejas (cristalizadas)
2 Kiwis
1/2 manga

Preparação
Corte as frutas em cubos.
Coloque numa poncheira (ou saladeira) todos os ingredientes, pela ordem em que aparecem na receita.

E mais uma que desencantei algures, para quem a prefira à do vinho do Porto:

Vinho quente
Ingredientes:
açúcar a gosto
casca de 1 laranja média
3 colheres (sopa) de sumo de limão
1 chávena (chá) de sumo de laranja
5 cravos-da-índia
1 litro de vinho tinto seco
2 pedaços de canela em pau



BOAS FESTAS

PARA TODOS




Preparação:

Numa panela grande, coloque o vinho, a casca e o sumo de laranja, o sumo de limão, a canela e os cravos e leve ao lume. Assim que levantar fervura, acrescente o açúcar; deixe por mais 5 minutos e retire do lume. Deixe o vinho quente descansar por 1 hora num recipiente tapado. No momento de servir, aqueça-o novamente.





14 de dez. de 2008


PARABÉNS, LOLA!!!


Para ti, hoje, um documento histórico :)
Que o teu dia de aniversário seja ainda mais feliz!
Com um beijo. aqui te reofereço a Song for the Asking e a


TRAVESSIA

Éramos a força de nos darmos as mãos. De nos olharmos bem nos olhos, com a firmeza invulgar dos primitivos anjos, dos heróis lendários (que são, afinal, os únicos heróis) ou dos velhos, dos muito velhos amigos.

Dizer quantos, ou quem éramos, seria desnecessário, absurdo mesmo. Deixemos apenas entrever que, juntos, iniciámos de certo modo uma viagem, que a imaginámos, que lentamente a fomos construindo e que, sem nos darmos talvez conta disso, começámos a vivê-la quando apenas pensávamos sonhá-la. Como se a força do sonho dentro de nós tivesse posto em inexorável marcha os motores da realidade para, sobre o nosso ainda inocente espanto, o real se transformar em companheiro e mentor dos nossos sonhos.


Não olharemos nunca - nunca! - os nossos dezoito anos com desprezo, com a sobranceira suficiência de quem já ultrapassou, à força de duros golpes ou simplesmente da soma dos dias, os gritos espontâneos, a impulsiva generosidade, as noites enfeitadas de poemas, a ingenuidade dos cartazes e das flores roubadas - de preferência - aos jardins aburguesados, a ternura violenta, o ódio às pantufas, as lágrimas fáceis mas sinceras, o amor a quase tudo, mas sobretudo à vida.
Não os olharemos sequer com a condescendência de pessoas formadas e experientes, capazes já da saudade e da ironia. Nem mesmo com o sorriso compreensivo dos velhos marinheiros.



Tínhamos à nossa frente um oceano - e, como estátuas de um cristal indestrutível, esperávamos o embate das vagas na nossa pura transparência, ansiosos da dor e do sal, tão ansiosos que

- Sabes - dizia-me no silêncio da noite uma das tuas tranças - a que ponto é comovente rever o instante sublime em que os nossos corpos de vidro começaram a transmutar-se até que, sendo já carne, pudemos compreender que éramos carne, e ganhámos o movimento e a graça, e velozes corremos em direcção ao oceano, querendo penetrá-lo como se ainda fôssemos cristal, e o sol, ao atingir-nos no ângulo mais favorável, se dispersou em milhões de gotas de água, em milhões de pedras de sal que no espaço prolongaram a transparência quase imaterial dos nossos corpos?


Sei que compreendeste por que não te respondi, a não ser, creio, com um vago sorriso que as sombras não poderiam ter escondido da tua perspicácia: Nenhum de nós ignora a maravilhosa propriedade das lágrimas que, depois da transmutação, se soltam da carne para voltarem, orgulhosas, ao cristal. Nenhum de nós ignora - e, por isso mesmo, porquê tê-lo dito? - que no rasto da tua pergunta atravessaram as sombras da noite, daquela noite, dois corpúsculos brilhantes que, ao encontrarem-se com outros dois, recém-nascidos dos meus olhos, produziram uma singular sonoridade musical, determinando no espaço aberto o exacto ponto de comoção.

(Porto, há uns anitos...)

12 de dez. de 2008

Receita a pedido (não me esqueci...)

Arenques marinados

(Para 6 pessoas)


Ingredientes:

* 500 gramas de filetes de arenque fumado

* 6 fatias de pão de forma

* 2 cebolas em fatias

* pimenta-do-reino

* salsa q.b.

*1 copo de óleo de manteiga

*1 limão


Preparação:

Colocar os filetes de arenque, sobrepostos, numa travessa funda.

Sobre cada camada de arenques colocar rodelas de cebola crua, polvilhada com pimenta, regar com sumo de limão e óleo.

Juntar alguns raminhos de salsa na altura de servir.

Deixar marinar durante 24 horas antes de servir.

Torrar as fatias de pão de forma, barrá-las com manteiga fresca e servir com os arenques.


Sugestões? Complementos? Já sabem que agradeço!

Bom apetite!

***************************************************************

Para já, agradeço à Prof a lembrança: os arenques são mesmo fumados!

Sugestões de vinhos:

Prof: Riesling

Lizzie: Branco alentejano

(ambas me parecem excelentes, cada uma à sua maneira.)

Alternativas: Cabrito (pedido pela Teresa e "receitado" pela Lola)

Café (feito pela Prof):

"Café, aromatizado com canela (o pau de canela é moído juntamente com os grãos de café, que são torrados por mim, na hora)."

1 de dez. de 2008

O muro

Depois de jantar saía e sentava-se no muro que lhe limitava a casa, perto de uma tangerineira e de uma figueira de figos brancos. Certas noites havia culto na Igreja do Nazareno, mesmo em frente, e as orações e os hinos serviam-lhe de som de fundo. Quando a igreja estava fechada, a noite era mais escura e viam-se melhor as estrelas, para as quais olhava invariavelmente, por hábito e prazer, lembrando as explicações do pai acerca de constelações, distâncias, nomes de astros, procurando e encontrando os que lhe eram mais familiares, descobrindo por vezes, com algum espanto, os mais difíceis de localizar.

Na varanda do rés-do-chão do prédio que ficava mesmo à esquerda da sua casa, uma rapariga fazia-lhe silenciosamente companhia, durante horas a fio.


O que o movia, no entanto, era o transistor que ligava mal se sentava no muro, sintonizando-o na Estação B, que repetia as músicas do Hit Parade da semana, constituído por vinte canções que passavam na rádio ao domingo à noite, da vigésima até à primeira, para manter o suspense. Sabia os nomes e a ordem das canções no Hit Parade, de trás para a frente e vice-versa. Perguntavam-lhe às vezes que música tinha ficado em quinto lugar, ou em décimo primeiro, e acertava sempre na resposta.

O pensamento e a imaginação soltavam-se-lhe com frequência da música e corriam, voavam por entre estrelas, sons de pequenos animais, hinos e canções. Terá sido daí que lhe veio o fluir acelerado das ideias em noites de insónia, em que já não sabia se era o pensamento que o mantinha desperto, se a falta de sono que o obrigava a percorrer velozmente as rectas, curvas e contracurvas que lhe brotavam do cérebro. Perceberia mais tarde que cada um dos factores influenciava o outro. Tal conhecimento, porém, nunca viria a libertá-lo da insónia. Felizmente?

23 de nov. de 2008

Caril de camarão à moçambicana

Receita escolhida, adaptada e enviada pela Vanda (obrigado!), a partir daqui.

Ingredientes:
1 coco
250 gr. de coco ralado

1/2 colher de chá de pó de açafrão das Indias
1 colher de chá de caril

1/2 colher de chá de cominhos

1 colher de chá de coentros

6 dentes de alho
1 colher de sopa ou mais de malagueta moída com com água

3 cebolas

100 gr. de camarão descascado

1/2 ch'avena de água de tamarindo ou 1 colher de sopa de bom vinagre

1 pitada de açúcar

2 malaguetas verdes

sal q.b.
3 colheres de sopa de azeite (aprox.)



Preparação
Rala-se o coco. Tira-se o sumo grosso e deixa-se à parte. Quando se tira o sumo ralo adiciona-se nele o pó de caril, açafrão das Indias, os cominhos, o coentros e os alhos.

Descasca-se o camarão, tempera-se com um pouco de sal e fica uns 10 minutos assim. Corta-se a cebola em meia lua e põe-se a refogar no azeite com uma pitada de de açúcar e um pitada de sal.


Assim que a cebola fique loura, acrescenta-se a pasta da malagueta moída e mistura-se bem com uma colher de pau.

Quando a malagueta estiver tostada deita-se o sumo ralo e deixa-se cozer bem e engrossar, mas não demais.


Lava-se muito bem o camarão e escorre-se. Quando o caril já tiver engrossado um pouco, deita-se o camarão.

Logo que o camarão e
steja cozido deita-se a água de tamarindo ou vinagre e deixa-se levantar duas fervuras.

Por último, deita-se o sumo grosso e uma ou d
uas malaguetas verdes cortadas ao comprido e bilimis também cortados ao comprido ou solans de manga.

Ferve bem.
Depois cozinha em lume brando até o azeite vir à superficie. O caril cozinha-se sempre em panela aberta e fica melhor se for confeccionado numa panela de barro...

Notas da Vanda:
1. Desconheço se em Portugal se vendem Bilimbis, fruto da árvore "Bilimbeiro" e que no Glossário Luso-asiático vêm descritos da seguinte forma: é estimado e tem melhor sorte que a caramboleira; rara será a casa que não possua o seu Blimbeiro e que o não regue. São os nossos tomates perennaes; do mesmo modo que estes na Europa, aqueles temperam na India as comidas.

2. Solans de Manga: talhadas de manga verde, secas e salgadas (in Etnografia da India); servem para condimentar o caril.


3. Para substituir o coco em fruto, julgo que poderemos utilizar 2 ou 3 garrafinhas de leite de coco.


Nota minha: Nota 20 para esta receita! É um caril delicioso, só isso.

Bom apetite! Aceitam-se, como sempre, sugestões de vinhos, entradas, sobremesas...

E aqui vai uma, cortesia da
Tia Adoptada, a quem agradeço a colaboração:

Pegue-se numa taça de gelado, coloque-se dentro uma generosa bola de sorbet de limão, regue-se com Vodka, polvilhe-se de hortelã picada e enfeite-se com bolacha de canudo. Mai nada!

Algumas sugestões da Lizzie (obrigado!), para complementar, aperitivar, o que queiram:

Rosquilhas de abóbora com calda de limão, queijo de cabra basco com pimenta verde mais umas garrafitas ou porrónes de tintol frutado, mais o quê?... Uns espargos salteados em vinagre, ervas e mais coisas que eu não sei, especialidade de Doña Rosa!

A propósito de queijos, e não só, o contributo da Prof, a quem igualmente agradeço:

1 e 2. Envolva um camembert inteiro em massa quebrada, corte os excessos, de forma a não haver sobreposição da massa, «cole» a junção e pique um pouco de uma das faces (do preparado, claro) com um garfo. Corte o resto da massa em pequenos quadrados, deite queijo emental ralado no centro, polvilhe com orégãos e «feche» formando um saquinho ou um travesseiro.
Leve ao forno, junto com o camembert, até a massa ficar cozida. (Provavelmente os «saquinhos» ficarão prontos antes do resto. Costumo colocar cada um dos elementos em bases de papel de alumínio, mas não é obrigatório; caso use o alumínio, não deve fechar completamente.

3. Coza massa fresca (esparguete) «al dente», espalhe num tabuleiro de ir ao forno e cubra metade com queijo emental ralado e outra metade com roquefort (ou misture ambos - depende do gosto dos convivas)
Leve ao forno, até o queijo fundir. Sirva acompanhado de salada de alface.

E ainda: queijo de cabra com batata doce cozida (ou assada), gratinados no forno e temperados com pimenta, azeite e orégãos, como a seguir se ilustra.


Ou: Cozem-se as batatas-doces no vapor, pelam-se, abrem-se ao meio e recheia-se com chèvre e/ou queijo fresco de cabra. Vai ao forno a gratinar.
Serve-se acompanhado de salada (no caso, mistura de alfaces, banana, uvas e papaia) tempera-se com orégãos, pimenta preta e azeite.


E a Arabica trata do café:)




Para a coisa se compor, chega-nos ainda a sugestão da Graça B., que tem mesmo de ser ilustrada, a partir do link que me deixou. Obrigado, Graça, por estes irresistíveis chocolates belgas!




E
a
Arabica
faz o favor
de nos oferecer

mais daquele
providencial café...
com arabescos até
na legenda!





11 de nov. de 2008

Anel




Palavras para ti que fui escrevendo

Nos dias de papel que atravessámos

Ténues vestígios do que construímos

De olhos dados no mundo que inventámos

Do sonho em que calados descobrimos

Novas palavras para te ir escrevendo


31 de out. de 2008

E cá vai mais uma receita...

BACALHAU COM MOLHO DOURADO
(Para 4 pessoas)


INGREDIENTES:
. 4 postas de bacalhau já demolhado
. 2 carcaças
. 2 cenouras
. 2 cebolas
. 3 dentes de alho
. 3 dl de leite
. 2 dl de azeite
. 1 colher (sopa) de manteiga
. sal e pimenta

Para o molho:

. 3 colheres (sopa) de farinha
. 2 colheres (sopa) de margarina
. 5 dl de leite
. 3 gemas
. noz moscada
. sal, pimenta



PREPARAÇÃO:
Numa picadora, comece por picar o bacalhau, limpo de peles e espinhas, as cebolas, os dentes de alho e as cenouras.
Ponha o pão de molho no leite a ferver.

Aqueça o azeite e a margarina num tacho e introduza as cebolas, o alho e as cenouras picadas.
Mexa e deixe cozinhar sobre lume brando durante 5 minutos.
Acrescente então o bacalhau picado e o pão amolecido e espremido.
Tempere com sal e pimenta e deixe cozer suavemente, mexendo ocasionalmente.

À parte, vá preparando o molho. Derreta a margarina, polvilhe com farinha e mexa.
Regue com o leite frio e mexa com uma vara de arames.
Deixe engrossar sobre lume brando, mexendo de vez em quando.

Retire do lume e junte as gemas desfeitas, misturando bem com a vara de arames.
Tempere com sal, pimenta e noz moscada.

Cubra o fundo de um tabuleiro de forno, que vá também à mesa, com um pouco de molho.
Por cima disponha o preparado de bacalhau e cubra
com o restante molho.
Leve ao forno, que deve estar quente, para gratinar.
Enfeite com azeitonas pretas e acompanhe com uma salada de legumes crus.


E pronto. Bom apetite! Sugestões? Sobremesa? Vinhos?
Qualquer contribuição será, como sempre, bem-vinda.

Ah, só mais um pormenor: Vale bem a pena ouvir os saudosos Elizeth Cardoso ("A Divina") e Jacob do Bandolim, nesta interpretação ao vivo do "Barracão"!


CONTRIBUIÇÕES QUE AGRADEÇO:

Secção de vinhos:
Lizzie e Vanda: Monsaraz branco ou um tal da Mancha com 19º à sombra.
Tia adoptada: Pera Manca branco.






Secção de sobremesas:
Vanda: Fruta (Ananás, manga, kiwi e laranja).







Secção de saladas:

Lola: Salada de Endívias, Tomate cereja e Espargos

Ingredientes:
Para 4 pessoas

* 2 endívias
* 1 chávena tomate cereja
* 1 molhinho de espargos verdes
* 4 colheres de sopa de pistácios picados grosseiramente
* 1 colher de sopa cheia de funcho fresco picado

Para a vinagreta

* 1/4 chávena de vinagre
* 1/2 de chávena de azeite
* 1 colher de sopa de mel
* 1 colher de sopa de mostarda
* sal q.b.
* pimenta branca moída na altura q.b.

Confecção:
Lave os tomates e as endivias, secando-as bem.
Passe os espargos por água a ferver temperada de sal durante 4 minutos, retire-os e refresque-os em água fria.
Com uma faca, corte um bocado de 4 cm desde o extremo inferior do talo.
Para servir, disponha em cada prato individual uma camada de folhas de endívias, os espargos, os tomates cortados ao meio e os pistácios.
Polvilhe com o funcho fresco.
Tempere com a vinagreta.

Secção de entradas:
Tia Adoptada: Salada alienígena (! :) Vão ver aqui, por favor. (Mesmo que a autora diga que não é para combinar com o bacalhau!)
Ou aqui mesmo, já que a foto desperta logo o apetite!

espinafres macios
tomates
mozzarella de búfala
mel de rosmaninho

Não tem nada que saber. É só cortar o tomate, os espinafres e o queijo e regar com o mel.


E para o fim:
Legível : Moscatel de Setúbal.




20 de out. de 2008

11 de out. de 2008

Republicação

Do segundo post deste blog, tendo o primeiro sido apenas o anúncio da inauguração. Porquê? Para já, porque me deu para isso. E depois, porque este post teve, ao todo, um comentário, e provavelmente também apenas uma visita. Blog recém-nascido... ou seja, este post "não valeu". Confesso que não ligo muito a dias internacionais disto e daquilo. De resto, já existem tantos que me perco nesse labirinto, e creio que os ditos também acabam por perder o sentido. Mas ao 8 de Março estou atento, não só pela questão da igualdade de direitos (sim, todos os dias são dias de luta... mas é sempre bom que uma data em especial lembre as grandes causas que vamos porventura esquecendo no dia-a-dia), mas sobretudo porque esse dia se transforma num pretexto para me abstraír dos afazeres do quotidiano e me concentrar em pessoas importantes na minha vida, num pretexto até para escrever uns versos para essas pessoas e oferecer-lhos, coisa que, evidentemente, não posso fazer todos os dias. Pessoas muito importantes na minha vida, para quem escrevi a "Petição", são a Lola e a minha filha Renata, ao tempo com 16 anos. E este post é de novo para elas, fora de qualquer data comemorativa e a propósito de nada em especial e de tudo em particular. Elas saberão.


NOTA SOBRE O SEGUNDO POST :
O título destes versos tem para mim um significado algo irónico, por razões que não vêm ao caso. Portanto, o título foi escrito também em meu benefício. O resto não.

SEGUNDO POST
(publicado em 9-03-2006): -----------------------------------------------------------------------


PETIÇÃO INICIAL

Dá-me um cavalo uma alma uma nave
Algo que voe ou galope ou navegue
E seja azul ou de outra cor mas leve
No seu vagar qualquer coisa que lave

Dá-me uma curva um espelho uma pausa
Algo que brilhe e demore e seduza
E se transforme ao ar em luz difusa
Ou nada ou coisa que não tenha causa

Dá-me um comboio um apito um berlinde
Algo que parta ou que role ou decida
E ao passar perto da hora perdida
Nos traga a rima precisa de brinde

Dá-me um baloiço um esquadro uma vez
Algo que meça que oscile que seja
Uma surpresa o gesto que se beija
A última loucura que se fez

Dá-me um segredo uma cor uma uva
Algo que importe ou se cheire ou escorregue
(Mas não tropece nem ceda nem negue)
Por entre dedos ou gotas de chuva

Dá-me uma febre um papel uma esquina
Algo que rasgue ou se dobre ou estremeça
E que se esconda e mais tarde apareça
Sombra de vulto subindo a colina

Dá-me um arco que seja íris
Dá-me um sonho que seja doce
Dá-me um porto que tenha barcos
Dá-me um barco que nunca fosse

Dá-me um remo
Dá-me um prado
Dá-me um reino
Dá-me um verso

Dá-me um cesto
Dá-me um cento
Dá-me só
Um universo

6 de out. de 2008

Dinis Machado deixou-nos no dia 3. O Dennis McShade dos policiais, o autor do inesquecível "O que diz Molero" :

(...) veja todas estas estrelinhas, cada uma tem seu nome, aquela ali chama-se Miró, é a estrela de um homem que devasta pessoas com a tão manipulada inocência da paleta, aquela é a estrela Bigodes Piaçaba, também chamada de estrela de Pai de Todos, a outra, um pouco mais acima e à esquerda, chama-se Botão de Rosa, que é o nome de um trenó construído por um homem chamado Welles, aquela ali, de papel, chama-se Tom Sawyer, a outra ao lado, que lança uma luz branquíssima, é chamada de estrela dos Pombos, ou estrela de Pessoa, ou estrela de Pessanha, acendeu-a um tio chamado Gustavo, a outra também branca, embora de outro tom, é a estrela de César, também chamada Boné de Neve ou Torrão de Alicante, vê aquela ali que tem um brilho alegre?, é a estrela James Corbett, um homem que dançava boxe, a outra é a estrela de um médico de aldeia chamado João-Semana, a outra, de cristal, é a Joaninha dos Olhos Verdes, aquela é a estrela dos Três Cow-boys, também chamada de Cooper, de Fonda ou de Wayne, é uma estrela de lata, de pôr ao peito, patrulha a cerca da constelação a que pertence, atenta aos movimentos de Xântila, a outra é a estrela do Mar, encontrou-a uma criança numa praia, olhou para ela e iluminou-a, aquela é a estrela Ray Bradbury, tem um cintilar muito dela, íntimo de vastidões, não lhe parece?, olhe ali, aquela é a estrela Mãe, lança uma luz pálida, casta, familiar, tem uma forma estranha de mão em rosto, não tem por acaso outro cigarrinho? (...)









Na passada sexta-feira acendeu-se
mais uma estrela, tão próxima
da estrela do Rapaz
quanto as leis do Universo
o permitiram.