Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

18 de mar. de 2009

Interlúdio muito simples

Momentos de um cidadão preocupado





Contemplo a crise que passa nas ruas

Por entre a chuva que bate às janelas:


- Se ao menos conseguisse acender a lareira...!


Ligo o aquecedor e a televisão,

Vou à cozinha em busca de um petisco:


- Se ao menos houvesse pão saloio e presunto...!


Volto com uma cerveja e azeitonas.

Nas notícias só há sangue e tragédias:


- Se ao menos desse o Dr. House ou o Seinfeld...!


Vou picando e bebendo devagar,

Sentado no sofá, já meio ausente:


- Se ao menos a Académica ganhasse hoje...!




8 de mar. de 2009

Epílogo do epílogo...

Afazeres inadiáveis impediram-me de mais cedo vos dar conta da sequência da minha conversa telefónica com Poirot. Procurei fazê-lo de forma clara e o mais sucinta possível, mas sem perda do colorido original. Agora que acabei a narrativa, constato que ficou muito mais longa do que desejaria. No entanto, resumir a história tirar-lhe-ia todo o sabor, toda a riqueza e pitoresco do conteúdo, proporcionados pelos protagonistas, entre os quais se contam as minhas comentadoras e os meus comentadores (golpe baixo!) e, evidentemente, a extraordinária personagem que é Hercule Poirot. Portanto, heróicos e hipotéticos leitores, não desistam! :)

* * *
Tinha acabado de tomar o meu café da manhã quando Poirot me bateu à porta. Foi direito ao assunto, apesar do seu reconhecido gosto pelos circunlóquios e explicações teatrais.

- Caro Alien, como lhe disse ontem à noite, o seu raciocínio foi realmente brilhante. Esqueceu-se, porém, da pista que lhe ofereci ao sublinhar a palavra início, associada à inscrição na pedra. Considerando a mensagem do larápio, início de quê? Vou explicar-lhe a forma como abordei a pedra quando a vi aqui em sua casa, no dia em que descobri o autor da façanha. Já agora, sempre acrescento que, dos seus três suspeitos não eliminados, rapidamente percebi qual correspondia perfeitamente ao perfil psicológico adequado à proeza e ao gesto de soberba materializado na gravação feita na pedra e deixada à sua atenção. Porém, isso não me bastava. Perguntei, portanto, a mim próprio se não existiria nesse gesto mais do que uma simples gabarolice, ou tentativa de o humilhar, ou sensação de impunidade... Enfim, se não existiria, digamos, uma prosápia dentro da prosápia. Ao ler o texto, pareceu-me ele um tanto estranho, um tanto forçado. Comecei, por isso, a olhá-lo de outra perspectiva, deixando de lado o sentido das palavras para as considerar em si mesmas, reparando na forma e na disposição. E foi assim que cheguei. E agora pergunto-lhe, referindo-me à pista que lhe deixei: Tendo em conta a inscrição, o que poderia
ser o início?


A primeira palavra? "Ruínas"? Nada nos diz. A primeira linha? Também não é conclusiva, e o mesmo se pode dizer das duas primeiras linhas. Mais do que isso já não pode ser considerado início, não é verdade?
- Concordo, Poirot! Também analisei a inscrição dessa forma, mas não me veio à ideia nada de útil!
- Deveria ter persistido, Alien! Se não se tratava da primeira palavra, nem da primeira linha ou linhas, não poderia ser a primeira letra de cada linha?

- Talvez se surpreenda, caro Poirot, mas também pensei nisso, e cheguei à "palavra" RFEVA. A mim, nada me disse. E a si?
- Também não, claro! E ficou por aí?
- Fiquei, Poirot, desisti, vencido pelo cansaço...
- Pois olhe que o mesmo não aconteceu com a sua amiga Prof! Veja o que ela escreveu num comentário:

"Rumo ao blog
fus
tigada pela curiosidade mas
foi
-se a esperança, lido
o
último post;
la
mento ter de esperar mais um dia. Nem na
dio isto acontecia. E fico à espera e nem
pio!"


E acontece, caro Alien, que Rufus era o meu eleito, e foi também a sua assinatura que encontrei na pedra, quando considerei as primeiras sílabas de cada linha! O resto veio por acréscimo. Conhecendo o mau carácter do General Rufus e a sua manifesta tendência para a charlatanice e para a batota, percebi que poderia muito bem não respeitar a regra das sílabas. Ou então, como afirmou o narrador, ou seja, a sua amiga Teresa, a fluência de Rufus na leitura é muito fraca! E não passa de um gabarola sem limites. Faço aqui uma pequena pausa para lhe lembrar que todas as pessoas que comentaram os seus posts acerca do roubo do prémio lhe deram ajudas preciosas e se inclinaram, de um modo geral, para a culpabilidade do General Rufus.

Poirot encheu o peito de ar e continuou:


Olhando atentamente para as linhas seguintes, eis o que vi (aqui Poirot sacou de um papelinho muito bem dobrado, abriu-o com todo o vagar e pôs-mo diante dos olhos):

"Ru ínas serão em breve o que deste blog restará, a começar pelo estandarte.
Fus
tigado pela cólera dos deuses, o impostor receberá o devido castigo.
Este prémio não é para qualquer ser vindo das profundas, um profano alienígena, um hereje!
Ve rde, ainda por cima! Como é doce o sabor da vingança, e justo ter nas mãos o que mereço!
Aqui o declaro, para quem venha testemunhar a razão da minha ira e rir-se do usurpador."

Estarrecido, considerei a claríssima assinatura do ladrão: "Rufus esteve aqui."

- É notável, Poirot, notável! Foi, então, Rufus...?
- Claro, mon ami, claro! Palavra de Hercule Poirot!


A princípio entusiamei-me com a revelação, mas em breve o meu cepticismo veio ao de cima:


- Mas, Poirot, não poderia ter outra pessoa feito a inscrição e deixado a pedra para incriminar Rufus?

- Ah, mon ami, mas quem, de entre os suspeitos que ficaram, poderia ter cometido tal acto? A Condessa? A sua amiga Teresa Durães? Acha mesmo possível...?
- Na verdade, Poirot, não acho... mas, mesmo assim, faltam aqui provas...


Poirot indignou-se e gesticulou, como que a apontar os alvos do seu desagrado:

- Ah, caro Alien, sempre as provas, os inúteis indiciozinhos materiais, as pontas de cigarro, os copos com restos de bebida e marcas de bâton... e as celulazinhas cinzentas, para que servem? Sim, para quê? - Poirot abriu os braços e prosseguiu: - Mas quer provas? Pois bem, Hercule Poirot lhe dará as provas que tanto aprecia, e ainda algo mais! Tem a sua nave por aqui estacionada?

- Tenho...
- Então vamos, que não há tempo a perder!


Levantámos voo sem demora, e fui seguindo as indicações de Poirot sobre o rumo a tomar.

- Desça aqui! - exclamou o meu amigo, depois de uma olhadela discreta ao relógio de bolso.

Aterrei e escondi a nave entre umas árvores que ali estavam mesmo a calhar. A uns trezentos metros, avistei uma construção de um só piso. Interroguei Poirot com o olhar, mas o meu companheiro de viagem não se descoseu. À medida que nos aproximávamos, cada vez mais estranhava o local, até que, já próximo do edifício, identifiquei nitidamente a placa de um restaurante.

- Poirot? Um restaurante? Aqui é que estão as provas?
- Mais non, mon ami, aqui não!
- Mas... não me disse que não havia tempo a perder?
- Não seja impaciente, Alien, não seja impaciente! Isto é tudo menos perder tempo! Há que respeitar o horário das refeições, e estamos na hora do almoço... e acontece que neste restaurante, perdido no meio de nada, servem o melhor prato de moules et frites que já provei fora da Bélgica!

Já vencido e convencido, confidenciei:

- Não sei se sabe, Poirot, que já tive ocasião de me banquetear com essa deliciosa especialidade, algures nos arredores de Antuérpia!
- Ah, Anvers, mon ami, Anvers! Que saudades!

Apesar de todas as pressas, saboreámos lentamente o petisco, regado por um excelente branco da casa, continuámos com uma fatia de cheesecake e rematámos com um caffè espresso que estava mesmo no ponto. Já mais bem disposto, encaminhei-me para a nave, com Poirot ainda a elogiar a refeição e o chef.

Conhecendo Poirot como conheço, não me dei ao trabalho de lhe perguntar onde me levava, limitando-me uma vez mais a seguir a sua orientação. Não tinham ainda decorrido duas horas de voo quando o meu amigo finalmente falou:

- Ali, Alien, poise o seu veículo ali naquela clareira!

Obedeci e, ao descer, apercebi-me de que nos aproximávamos de um bosque bastante denso. Da clareira partia um único trilho estreito que começámos a percorrer logo que abandonámos a nave. Andámos uns bons quinhentos metros até darmos com uma espécie de muralha - e digo espécie porque me pareceu muitíssimo sofisticada e ostentando grande profusão de elementos decorativos. Para além dela, nada se via. Acercámo-nos de um portão blindado onde se materializaram dois guardas, estranhamente equipados com espadas. Interroguei Poirot com o olhar.

- Caro Alien, eis o acampamento do General Rufus!

Confesso que, nesse momento, senti alguma apreensão, ao contrário da confiança que Poirot parecia revelar. Um dos guardas perguntou-nos quem éramos e ao que íamos. Poirot respondeu sem a mínima hesitação, em tom autoritário:

- Sou Hercule Poirot! Acompanha-me o meu amigo Alien, e pretendemos falar com o General Rufus!

Para minha surpresa, o guarda inclinou-se respeitosamente perante o meu companheiro. Em seguida dispensou-me igual tratamento, e não pude deixar de pensar que, em boa verdade, o nome e a fama de Hercule Poirot chegavam aos lugares mais recônditos e às pessoas menos prováveis...

O portão abriu-se silenciosamente, como se alguém tivesse, do interior, accionado um telecomando - e percebi que o sistema de vigilância não se limitava àqueles dois guardas...

Entrámos, e logo estaquei, mudo de espanto.

Desenho do "acampamento" do General Rufus que compus de memória

- Ac.... acampamento, Poirot? Chama a isto acampamento???

De facto, perante os nossos olhos estendia-se um lugar paradisíaco, um autêntico resort de luxo, com espaços verdes, lagos, pequenas quedas de água, construções de elegantíssima arquitectura, ruas pavimentadas a mármore ou a calçada lusitana - e nem um só elemento militar visível. Ao fundo, um mar sereno, de um azul espantoso. Mas não preciso de me alongar na descrição: A imagem diz tudo!

- Alien, não me surpreende que Rufus tenha trocado a vida austera dos acampamentos militares por este luxo, que creio ser rodeado da maior segurança. Afinal, as chacinas e os saques foram-no enriquecendo, fizeram-no almejar outro estilo de vida, acentuaram a sua natureza vil e corrupta - e aqui tem outro exemplo da sua megalomania... Ou o produto das pilhagens lhe permitiu construír do nada este domínio, ou simplesmente o conquistou pela força das armas. Ah, mas eu já lhas canto!

Mau grado o estado de tensão em que me encontrava, não pude deixar de sorrir perante a prosápia de Poirot e a sua escolha de palavras...

O guarda guiou-nos até àquela que parecia ser a maior construção, uma espécie de pequeno palacete, e pediu-nos que aguardássemos numa sala ricamente mobilada e decorada, onde ficámos a apreciar quadros dignos da melhor galeria de arte.

Decorridos poucos minutos, o General Rufus fez a sua entrada majestosa, acompanhado por um subalterno que imaginámos ser o seu braço-direito.

- Que o traz por cá, Monsieur Poirot?
- A Verdade, General! A Justiça! O castigo do criminoso e a reparação devida à vítima do crime! - declarou solenemente Poirot, com largos gestos à mistura.
- Ora essa, Monsieur! E que tenho eu a ver com isso? - perguntou Rufus em tom altivo.
- Tudo! - retorquiu secamente Poirot. Sei que roubou o Prémio do Melhor Blog Intergaláctico ao meu amigo Alien, aqui presente (só então Rufus se dignou deitar-me um olhar de soslaio) e venho, como lhe disse, clamar por justiça! Suponho que já conhece Monsieur Alien...?
- Ah... um dos Verdes - rosnou o general - ... tenho uma vaga ideia...
- Mais do que vaga, General! - acusou Poirot. - Na verdade, entrou ilegalmente no blog do meu amigo e roubou-lhe o galardão!

A cara de Rufus ficou vermelha de cólera.

- Como se atreve a acusar-me nos meus próprios domínios? Olhe que...

Mas Poirot não o deixou continuar.

- Olhe que, digo-lhe eu, Hercule Poirot nunca fala de cor! Acuso-o, sim, General, porque sei!
- Ah, e sabe como? - perguntou Rufus, cada vez mais encolerizado.

Pormenor da sala onde decorreu a conversa com o General Rufus

O meu amigo levou a mão à algibeira e, num gesto dramático, sacou da pedra gravada e do papelinho que me mostrara nessa mesma manhã, e colocou-os diante dos olhos do General Rufus.

- Foi assim que soube, General. E agora, que tem a dizer? Que se deu à basófia de assinar o roubo como quem assina um quadro? Que foi vencido pela sua vaidade? (A esta última interrogação achei alguma piada...)

A cara de Rufus começou a passar do vermelho ao branco. Gaguejou:

- R... Rufus es... esteve aqui???? -N... n... não ff... fui eu! Não fui eu!
- Foi! - excalmou peremptório o meu amigo. E não adianta negá-lo. O que lhe mostro é prova bastante!

Rufus ia-se recompondo, mas, apesar disso, a sua palidez acentuava-se.

- Monsieur, fala muito e fala de alto, mas não tem provas! Como sabe que algum vulgar bandido não deixou a inscrição com essa frase para me incriminar? Tenho, como sabe, muitos inimigos!

- Et pourtant, - proferiu enfaticamente Poirot - essa assinatura é mesmo sua! É própria da sua personalidade. Mas não percamos mais tempo. Quer provas? Pois saiba que vai dar-me a melhor das provas possíveis: a sua confissão!
- Ora, ora, Monsieur Poirot, por quem me toma? Crê mesmo que eu, General Rufus, confessaria tal acto, mesmo que o tivesse cometido?
- Ah, sim, creio... Sabe, General, é perigoso subestimar Hercule Poirot!

Juntando o gesto às palavras, Poirot voltou a levar a mão ao bolso do sobretudo, e de lá extraíu algo de forma rectangular que não identifiquei, e que colocou frente aos olhos do General. Rufus examinou o objecto e a sua face começou então a adquirir um tom esverdeado - o que, admito, me preocupou um bocadinho...

- Então, General, reconhece alguém nesta fotografia? - perguntou Poirot, com um sorrisinho de triunfo.

Tratava-se, então, de uma fotografia! Rufus olhou-a e vacilou, cada vez mais verde.

- Eu... eu...

(No momento em que vos narro estes factos, tenho na minha posse uma cópia da foto, que Poirot entretanto me cedeu. Por muito que me agradasse publicá-la aqui como testemunho do ocorrido e para vosso divertimento, é evidente que o não posso fazer, sob pena de traír a confiança do meu amigo Poirot e a sua promessa ao General Rufus.)

Poirot prosseguiu, implacável:

- Quem é o sujeito que enverga essa estranha indumentária e, citando uma testemunha presencial, liga na perna, sentado em frente a uma garrafa de whisky quase vazia e, afirma outra testemunha presencial,
acompanhado de duas meninas esbeltas? Quem será, General? E o local, lembra-se do local? Será, e de novo recorro à palavra de quem tudo viu, uma casa de alterne onde passou tempos memoráveis? Então, General, confessa? Ou prefere ver a sua reputação para sempre arruinada, e os seus vícios alvo de chacota pública?

Poirot enfrenta Rufus com cara de poucos amigos

O meu amigo viera, afinal, fortemente armado... e a perturbação do general era evidente. No entanto, com um gesto brusco, arrancou a foto comprometedora das mãos de Poirot e rasgou-a em mil pedaços.

- E agora, Monsieur, que é feito da sua arma? Queria chantagear-me? Menosprezou Rufus - e isso, sim, é perigoso!
- Já vamos ver quem menosprezou quem, General. Saiba que, neste preciso momento, o meu amigo Capitão Hastings tem na sua posse uma dúzia de cópias da fotografia que destruiu, com instruções expressas para as enviar à Imprensa, a começar pelo Times, caso eu, Hercule Poirot, não me encontre com ele, são e salvo, dentro de duas horas, em local que combinámos! Saiba também que não tenho forma de comunicar com Hastings, pelo que seria inútil concretizar a ideia que passa neste instante pela sua torpe cabeça: Torturar-me!

Poirot pôs-se em bicos de pés.

- Confessa ou não?
- Eu... eu... Pronto, eu confesso! - sibilou Rufus, vencido. E agora saia dos meus domínios!
- Mais non, General! A sua confissão talvez baste ao meu amigo Alien, que tanto queria as provas (Poirot deitou-me um olhar de esguelha) - mas, para mim, não é suficiente!
- Que mais quer, então? - gritou Rufus, quase alucinado.
- Como lhe disse, vim aqui em busca da Verdade. Já a temos. Mas também o avisei de que vinha igualmente pela Justiça, pela reparação do dano causado ao meu amigo Alien e pelo castigo do criminoso. Assim sendo, exijo-lhe que, aqui e agora, devolva a Monsieur Alien o que lhe roubou! Ou isso ou a foto vai...
- Muito bem, Monsieur. Ganhou. Por agora.

O general dirigiu-se aio seu presumível braço-direito:

- Sem Nome, traz-me aquilo que te dei a guardar!

Sem Nome desapareceu nas entranhas do palacete. Após alguns segundos de hesitação, Rufus perguntou a Poirot:

- Como obteve essa fotografia?

- Ah, General, é bem certo que os pecados antigos projectam longas sombras! Acontece que este seu pecado nem sequer foi muito antigo. Eu explico-lhe - Poirot esfregou as mãos e lançou-se num discurso que me ia deixando cada vez mais atónito:

- Há apenas algumas semanas, um interessante grupo reuniu-se à volta de uma mesa do Mini Bar Boca de Pano
.

Dele faziam parte a Senhora Dona Teresa Durães, acompanhada pelo Sr. Narrador, por uma Caturra que lhe poisava no ombro, pela D. Ingrácia e marido e pela Senhora Condessa D'Aqui e D'Além; a Senhora Dona Lizzie, que não largava da mão um pato de plástico branco e conversava animadamente com a Senhora Dona Lili Malveira e com o Sr. Engº. Phil Collins da Conceição; o compadre Manel das Cabras Ruivas, que não largava da vista a Dona Lizete das limpezas e a copeira Ofélia, enquanto trocava pilhérias com o compadre Zé Zarolhe; a Professora Prof, em animada cavaqueira com a menina Andreia Vanessa e a Madame de La Palissa; a Senhora Dona Bettips, o Sr. Legível e a sua Ovelha Anónima, a Senhora Dona AlienDS; a Senhora Dona Wind, o Sr. Spartakus, a Senhora Dona Justine e o Sr. Mocho Falante; a Senhora Dona Emma Larbos, a Senhora Dona Mariatuché, a menina Beatriz, uma Senhora soit-disant Coxa e Marreca, a Professora Mar, a Professora Rosalina, a Senhora Dona Arabica Das Perguntas Difíceis e a E.T. Senhora Dona Lola; as poetisas Afonsa Lapa da Videira e Luísa dos Camiões, rodeadas pelo dramaturgo Gil Vicente e pelos poetas José Régio, Augusto Gil, Bocage, Fernando Pessoa, António Aleixo e Mário de Sá-Carneiro; os elementos de um grupo coral alentejano que volta e meia desatavam a cantar "Eu ouvi um passarinhôôôô..."; o gato Alá - e que me perdoe alguém que de momento não me ocorra. Lá do alto, velavam pelo estranho grupo Santa Lizzie (de evidente origem!) e S. Miguel Arcanjo, convocado pela já citada Senhora Dona Emma Larbos. A conversa ia animada, uns atiravam-se às minis e aos salgadinhos, outros ao vinho quente com canela, enfim, uma autêntica festa! Ora acontece que, paredes meias com o Mini Bar, funciona uma discreta casa de alterne, facto que - quero crer! - aquela distinta companhia ignorava... mas que se tornou evidente quando uma larga porta de comunicação, convenientemente disfarçada na parede, se abriu para deixar saír alguns fregueses da dita casa, apostados certamento em terminar a noite no Boca de Pano. Tendo a porta permanecido aberta, fosse por incúria ou por operação de marketing, os convivas tiveram ocasião de apreciar uma cena digna de registo: Um indivíduo manifestamente alcoolizado, envergando um traje esquisito e liga na perna, tentava cantar a Lusitana Paixão acompanhando uma máquina de Karaoke, enquanto ia escorregando pela mesa abaixo, apesar de amparado por duas belas funcionárias do estabelecimento. O grupo dividiu-se entre a estupefacção, o escândalo, a gargalhada e a curiosidade. Porém, duas das senhoras, que obviamente não vou nomear, General, para que não caia na tentação de sobre elas exercer furtivamente represálias, mantiveram um sangue-frio admirável e registaram a cena. Foi assim que...

Poirot calou-se quando viu reaparecer Sem Nome transportando uma pequena caixa que me era muito familiar, e da qual, emocionado, não tirei os olhos. Entregou-a ao General Rufus, que a abriu, perguntando a Poirot:

- Está tudo?

Hercule consultou-me com o olhar.

- Tudo, Poirot. O galardão, a dedicatória, o estandarte... não falta nada - respondi louco de alegria.

- Faça-se então Justiça! - exclamou Poirot encarando Rufus, que, manifestamente contrariado, me entregou a caixa. Segurei-a com mãos trémulas, e o meu amigo concluiu:

- General, foi feita Justiça e o dano reparado. Falta o castigo do criminoso. Vou ser benevolente... por esta vez. Conservarei na minha posse as cópias da fotografia, e ai de si se alguma vez voltar a cometer proeza semelhante! Ai de si se tentar vingar-se de alguma das pessoas que mencionei, e que são absolutamente inocentes! A cólera de Hercule Poirot abater-se-à sobre a sua cabeça, General! Lembre-se das minhas palavras!

Retirámo-nos, acompanhados pelo mesmo guarda que nos facultara a entrada. Cerrado o portão, enveredámos pelo trilho de regresso à clareira. Não me cansei de agradecer a Poirot e de lhe tecer merecidos louvoures. Recebeu-os com naturalidade, alisando significativamente o bigode e sorrindo, satisfeito.

- Caro Poirot, compreendo perfeitamente que não tenha querido revelar ao General Rufus quem imortalizou a cena da casa de alterne, mas... não mo dirá a mim, Alien?
- Mais oui, mon ami, claro que lhe digo! A sua amiga Arabica registou-a com o auxílio de um aparelho a que chamam câmara digital; e a sua amiga Lizzie gravou-a através de um engenho conhecido por memória fotográfica. Aí tem!
- Bom, confesso que não fico surpreendido...

Durante o voo de regresso, ofereci:

- Poirot, sei que não é agradecimento bastante, mas estamos na hora do chá e, como muito bem disse, é necessário respeitar o horário das refeições. Convido-o, com todo o gosto, a beber em minha casa uma nova tisana que tenho andado a experimentar!

Pelo olhar de Poirot perpassou - pareceu-me! - um lampejo de ironia...

- Mon ami, sinto-me muito honrado, mas, como sabe, tenho de me encontrar com o Capitão Hastings dentro do prazo acordado... A palavra de Hercule Poirot é sagrada!
- Seja, então, Poirot. Ficará talvez para outro dia...

O local combinado era, afinal, a residência de Hastings. Estávamos já perto quando a pergunta me ocorreu de súbito:

- Poirot, desculpe a minha curiosidade... bem sei que contou a Rufus as circunstâncias em que a sua comprometedora visita à casa de alterne foi fixada, e até me disse há pouco por quem... mas... parece-me que não chegou a revelar como obteve as fotografias...?

- Ah, mon ami... achará certamente natural que, no dia seguinte ao da reunião no Mini Bar, já algumas cópias da foto e da memória fotográfica andassem de mão em mão entre as pessoas de que falei. Decerto calculará que, na minha breve investigação, tive ocasião de ler atentamente as suas caixas de comentários, que se revelaram um auxílio precioso. Finalmente, haverá de imaginar que contactei algumas das testemunhas... mas sabe, caro Alien, quando estão em causa les dames, um cavalheiro tem que ser discreto... compreende, não é verdade, mon ami?


Compreendi perfeitamente. Saíra-me fresco, este Poirot! Chegados ao ponto de encontro, despedi-me, demonstrando efusivamente a minha gratidão, e segui viagem, contemplando com satisfação e orgulho o meu galardão, e jurando que nunca mais o exporia no blog, desprotegido e sujeito à cobiça de qualquer patife. Porque, é bem verdade, Rufus há muitos! Rufus há muitos!


25 de fev. de 2009

Epílogo

Ontem à noite telefonei a Poirot. Farto de dar voltas à cabeça e de, em vão, esperar ajuda na descoberta do autor do roubo do prémio, não resisti a dar-me por vencido. O meu amigo atendeu-me com afabilidade, manifestamente bem disposto. Teria certamente acabado de beber o seu precioso cacau quente.



- Então, caro Alien, não chegou a conclusão nenhuma a partir das pistas que lhe dei? Não excluiu sequer alguns dos suspeitos, considerando a vertente dos perfis psicológicos?
- Excluí, sim, claro que excluí! Aliás, a minha grande tentação foi a de os eliminar a todos, por não acreditar que os meus comenta
dores e amigos fossem capazes de invejar, cobiçar e roubar o meu galardão. Depois pensei melhor...
- E...?
- E mantive como suspeitos a Caturra, a Santa Lizzie, a Condessa, o General Rufus e a Teresa Durães.
- Ah, e porquê, mon ami?
- Bem... os quatro primeiros por não os conhecer suficientemente bem - e, no caso da Santa Lizzie, ainda havia a agravante de ter semi-usurpado a identidade da Lizzie, que já lhe expliquei ser um dos elementos de uma trindade de duas.
- E a última?

- A Teresa Durães... enfim, pedia-me o coração que a excluísse, mas não mo permitiu a razão. É um facto que se fez passar por Criador - e aqui temos a megalomania de que me falou! Além disso, também assumiu o papel de narrador e fez uma alusão ao facto de não passarmos de marionetas manipuladas por um autor qualquer...
- Bien, bien, e desses...?
- Desses, acabei por não considerar a Caturra, por entender que não fazia sentido ter-me dado o prémio para logo mo tirar. Não é uma ave assim tão maléfica! Além disso, alguém me apontou a impossibilidade de a Caturra gravar a inscrição na pedra com o bico. Para ser justo, Poirot, usei todas as indicações que os meus comentadores e amigos me foram dando. Se alguma c
oisa consegui, o mérito não é só meu!


- Também reparei no interesse e na preciosa colaboração das suas amigas e amigos, Alien. Épatant! Olhe que poucos se podem gabar de ter amigos assim! E não ilibou mais ninguém?
- Tive que ilibar a Santa Lizzie. Afinal, é Santa, c'os
diabos, se me permite a expressão!
- Ficaram então a Condessa, o General e a sua amiga Teresa Durães...
- Exactamente. Apesar do que lhe disse sobre a Teresa, e não obstante a Condessa me ter parecido uma senhora de bem, refinada e de elevadíssima educação...
e até de me ter apoiado contra algumas pérfidas insinuações. E, finalmente, mesmo tendo em conta o meu apreço pelo General Rufus, que, é justo dizê-lo, ficou um pouco ensombrado depois de certas atitudes que tomou...
- Sei ao que se refere, caro Alien. E felicito-o pelo raciocínio. Foi quase brilhante!
- Ah, muito obrigado, caríssimo Poirot, mas não mereço! E há sempre o quase...
- E a inscrição na pedra, Alien? Lembra-se de lhe ter dito que a chave do mistério estaria também na sua intuição, que lhe segredava conter o texto gravado a "assinatura" do criminoso ou criminosa? E de ter sublinhado a expressão "no início"?
- Claro, Poirot... mas, por mais que olhasse para a pedra, nada de decisivo me vinha à ideia. E continua a não vir. Desespero, caro amigo, desespero!
- Mais non, mais non! Hercule Poirot sabe e vai ajudá-lo! Durma descansado. Amanhã de manhã passarei por sua casa, se mo permitir, e juntos resolveremos o enigma.

Despedimo-nos.

E temos assim que o Epílogo, afinal, ainda o não foi... Daí mais uma...


CONTINUAÇÃO

23 de fev. de 2009

José Afonso - 2/08/1929 - 23/02/1987

Hoje haverá certamente muitos blogs com música e vídeos do Zeca Afonso. Ainda bem!

Eu também me associo à homenagem, e não conheço melhor tributo à memória do Zeca Afonso do que ouvir e dar a ouvir as suas canções. Para que nunca ninguém esqueça as palavras, a música, a voz e a luta por um mundo melhor. Também a Lola, neste momento a trabalhar, faz parte deste post e desta homenagem.

Hoje, como sempre, "O que faz falta é avisar a malta...". Deixo-vos essa, e mais uma canção que me é particularmente querida: "Era um redondo vocábulo" - acompanhada de uma animação em 3D de Eurico Coelho que considero notável.








10 de fev. de 2009

Um encontro inesperado

Descia eu a rua, preocupado com o mistério que me anda a ensombrar os dias, quando avistei ao longe um vulto familiar. Sobretudo impecável, cabeça em forma de ovo, bigode cujos floreados se tornavam mais definidos à medida que nos aproximávamos... só podia ser ele!

Como já o conhecia dos livros, não hesitei em abordá-lo. É que vinha mesmo a calhar!

- Hercule! Bons olhos o vejam!
- Alien, mon ami, como tem passado?
- Nada mal, à custa de uma nova tisana que ando a experimentar. Tem-me feito muito bem às celulazinhas cinzentas.
- Ah, oui?
- Assim é, meu caro. E, caso os seus afazeres o permitam, convido-o agora mesmo a experimentar essa tisana em minha casa.
Encontrara o isco certo. Poirot, entusiasmado, anuíu de imediato, e lá fomos.

Quero poupar-vos à descrição do encontro, por isso passo directamente ao que nos interessa. Exposto ao detective o caso do prémio roubado, o homenzinho foi dando pequenos goles na tisana, meneando a cabeça em sinal de aprovação e alisando cuidadosamente o bigode. Era evidente que, no meio da nossa conversa recheada de banalidades, Poirot pensava.

- Mon ami, escusado será dizer-lhe que todos os que tiveram acesso ao seu blog, e muito em especial à sua caixa de comentários, são suspeitos.

- Todos, Poirot???
- Mais oui, todos! Sabe perfeitamente que o criminoso tanto pode ser a pessoa mais provável como a mais improvável.
- Tem razão...
- Repare também que todos tiveram motivo, já que o galardão é muito cobiçado. E todos tiveram oportunidade. No entanto...
Poirot fez uma pequena pausa e bebeu mais uns goles de tisana.

- ... No entanto, se é certo que me guio pelo raciocínio, também não desprezo a intuição. Neste caso, a sua intuição, mon ami, quando afirma que crê ter o gatuno deixado a sua marca nos dizeres que gravou na pedra.
Poirot esboçou aquele sorrisinho do costume, e continuou:
- Não se entusiasme muito, que não é apenas da sua intuição que se trata. Sabe certamente que a minha aguda capacidade de avaliação do perfil psicológico das pessoas me tem levado a resolver mistérios que, sem Hercule Poirot, ficariam para sempre por desvendar! Ora, já lhe ocorreu perguntar a si mesmo quem, de entre os suspeitos, seria capaz de deixar um texto gravado em pedra, em vez de um simples lugar vazio? Já pensou no motivo dessa prosápia? No carácter de quem assim agiu? A mensagem, meu caro Alien, é um acto audaz, provocatório, próprio de quem se imagina impune e faz questão de se gabar do feito; de quem não se contentou em privá-lo do seu merecido prémio, juntando ao roubo a humilhação e a gargalhada sinistra. É evidente a megalomania do criminoso. Não lhe parece?
- De facto, agora que o diz...
- Dizem-no (aqui Poirot bateu repetidas vezes com o indicador direito na cabeça) as minhas celulazinhas cinzentas. Elementar, meu caro Alien!
- Elementar...? Mas essa deixa não era de Sherlock...?
- Será, mon ami? Será? Olhe que até Holmes aprendeu muito com o grande Hercule Poirot!
Calei-me, convencido de que a sua proverbial vaidade lançara Poirot numa total confusão quanto à cronologia.

O detective deitou um olhar penetrante à inscrição. Observou-a em silêncio durante alguns minutos. De repente, bateu na testa e exclamou, triunfante:

- Voilá, mon ami! A sua tisana é realmente eficaz!
- Então quer dizer que... que...
- Sim, Alien! Poirot sabe quem foi! Outro sorrisinho, e continuou:

- Mas não vou acrescentar nada ao que já disse. Ao fim e ao cabo, a sua excelente tisana haverá de iluminar-lhe o raciocínio, n’est-ce pas? Um conselho, caro Alien: Sirva esta tisana aos seus amigos comentadores. Pode ser que lhes estimule as celulazinhas cinzentas, como tem acontecido consigo!
Notei no olhar do meu amigo um brilho suspeito. Poirot apanhara-me com a história da tisana milagrosa. A infusão que eu lhe servira fora rapidamente identificada pelo seu paladar de connoisseur como uma vulgar mezinha para males de estômago, intestinos e afins.
- Hercule, ao menos uma pequena indicação... qualquer coisa...
- Pois bem, caro Alien, se assim o quer... Lembra-se de uma tal Teresa Durães, também conhecida por narrador, ter escrito, em princípio de comentário: "No início era o verbo. Mas o narrador nunca soube conjugá-los bem..." ?
Precipitei-me para o computador.
- Mais non, mon ami, mais non! Não precisa de procurar o comentário! O que citei já lhe basta: "No início (Poirot acentuou estas palavras) era o verbo...". Em seguida levantou-se, compôs o fato, ajeitou a gravata, vestiu meticulosamente o sobretudo, sacudiu um imaginário grão de poeira da lapela, despediu-se e saíu, sem dizer mais do que um irónico “Au revoir, mon ami!”.


E agora? Que me dizeis, mes amis? Vamos descobrir o culpado de uma vez por todas? Pelo sim, pelo não, aqui vos sirvo uma deliciosa tisana... e, seguindo o método de Poirot, convido -vos a considerar com atenção a personalidade dos suspeitos e a observar cuidadosamente a inscrição!







CONTIUAÇÃO

7 de fev. de 2009

Ainda o destino?

Sou uma pessoa pacífica e tolerante, e ai de quem diga o contrário!

Mas tudo tem os seus limites, e o que agora vos conto ultrapassa-os a todos, mas de largo.
Tenho que desabafar já: O Prémio, o meu tão precioso e justo prémio, desapareceu!
Parece-me óbvio que foi roubado: Nenhuma outra explicação se enquadra na única e singular pista que encontrei, ali ao lado direito, no lugar do galardão, da dedicatória e dos arautos com as suas trombetas, misteriosamente subtraídos à minha e, digamos, também à vossa contemplação.

Apesar de ter ficado em estado de choque, ainda tive discernimento suficiente para eliminar imediatamente as linhas provocatórias e insultuosas que o perpetrador (ou perpetradora?) ousou deixar no lugar do que maldosamente escamoteou. Ah, mas isto não fica assim!



Li, reli e voltei a reler este lamentável simulacro de texto, gravado em pedra marmoreada na fútil intenção de o tornar perene. Arranquei-o de um fôlego, com as últimas forças que me restavam antes que a verdadeira dimensão do acontecimento se abatesse sobre mim.

Mais calmo, considerei-o atentamente, reflecti, indaguei, investiguei, imaginei, desesperei. Nada!
A pista é críptica. E, no entanto, algo me diz que quem cometeu o crime deixou na pedra a sua marca. Talvez sem se aperceber, ou porventura com cínica intenção (quem o saberá?), mas sinto que a deixou, e que essa "assinatura" levará inevitavelmente à sua identificação e castigo.

Peço a vossa ajuda. A insanidade apodera-se da minha mente, não vejo senão letras dançando e rindo-se dos meus olhos cansados. Alguém aqui poderá ajudar-me a descobrir QUEM FOI o autor ou autora da façanha?

A vossa colaboração será, também o sinto, fundamental! Por favor, leiam, investiguem, aventem hipóteses, AJUDEM-ME!!! A caixa de comentários deste post é toda vossa. Eu... eu fico à espera de que alguém faça LUZ.

CONTINUAÇÃO

31 de jan. de 2009

O destino prega-nos cada partida!

É verdade. Quem leu os últimos comentários ao post anterior apercebeu-se certamente de que este blog foi rotulado de fraquinho, apontando-se como prova desse epíteto o facto de não exibir no lado direito um único prémio, acompanhado do competente estandarte.

Pois bem: coincidência ou justiça divina (provavelmente esta última, atendendo ao patrocinador...), eis que, do nada, me surge um prémio nunca visto na blogosfera. Um prémio, imagine-se, intergaláctico! A bem dizer, o prémio dos prémios, ou simplesmente O Prémio!

As regras estabelecidas são severas: nem passagens de galardão, nem agradecimentos. Porém, nada nelas estabelece que sou obrigado a aceitá-lo. Assim sendo, aqui declaro expressamente que, embora agradecendo a intenção e a honraria (que não o prémio!), não posso aceitar a distinção. De facto, a minha natural modéstia e o meu sentido de autocrítica obrigam-me a suspeitar de que devem existir, algures por aí, nalguma galáxia distante, um ou dois blogs melhores do que este.

Esclareço que apenas exponho o estandarte ali no lado direito por óbvio receio da ameaça de invasão bicadeira do temível exército de caturras. E quem não conhecer o Rufus que o compre, que eu já o topei muito bem!

E mais não digo. Tolhe-me as palavras a emoção. É para momentos destes que vivemos, são estes instantes de suprema felicidade que nos resgatam da humilhante prisão do dia-a-dia cinzento e inconsequente. Que quem tudo isto me proporcionou veja a distinção multiplicada e, se tiver blog, a ele atribuída... ah, mas não pode ser, é um prémio exclusivo. Paciência...!

CONTINUAÇÃO

20 de jan. de 2009

Réplica

Ora adeus, meus amigos, a poesia não é isso!
A poesia, a poesia...
A poesia é fazer versos com pena de não saber fazer versos
A poesia é fazer o

p
i
n
o

no local mais inesperado e
logo a seguir fazer o

o
n
i
p

onde toda a gente espera que o pino seja feito.

A poesia é fumar vinte cigarros seguidinhos
E desesperar-se por fumar tanto, mas desesperar-se
a sério. A poesia, meus amigos, é ser do contra:


Contrato contragosto contraído
contraste contrafeito contraluz
contrabaixo contra-senso contraponto
contracurva contravenção contramestre
contratempo contrabando contrário
contradança contradição contra-natura
contra-ataque contraposto contra-regra
contraplacado contrapeso contracto


com travo leve bravo amargo travo
de estar aqui ironicamente estar aqui
com um sorriso vermelho e o corpo vigilante
a beber a cerveja das madrugadas futuras
a lamber o ventre de hoje em cada gota que escorre
pelos nossos lábios brancos de espuma e desespero



(Escrito noutro tempo e noutro espaço em que ainda fumava...)



10 de jan. de 2009

Pois... 2 - The Sequel

- De modo que agora quem quiser comentar o post anterior tem que o fazer neste, não é?
- Nem mais. Isto não é propriamente a "Neverending Story".
- Cheira-me a grossa baralhada, mas tu lá sabes.
- "Lá" talvez saiba. Agora "cá"...? Bem dizia o MEC em "A Causa das Coisas".
- Ah, sim, a causa das coisas é f.....
- Isso é o amor, pá, o amor!
- Ups! Pois era. É.
- Pois... 2.

(11-01)

- O amor é a causa de muitas coisas, Mar...
- ..............
- Não é?
- ..............
- E também é aquilo que o MEC escreveu. Às vezes.


- Hoje não falas comigo?
- Desculpa, não me apetece. Só quero desejar uma boa semana a este pessoal que me atura. E dizer à Prof que "nozes" agradecemos e retribuímos, embora com irreparável atraso, que o domingo está a acabar.
- E a Arabica, fica sem resposta?
- Fica, hoje fica, que está realmente muito frio lá fora, mesmo sem aspas.
- Também gostava de saber como é que respondias àquela simples perguntinha: "Amor?"
- Eu não disse já que ela era a das perguntas difíceis? Mas leva na mesma os nossos beijos.
- Ora aí está uma bela resposta...
- Pois... 2.

(12-01)

- Tempus fugit, sed fama volat!
- ???
- É só para verem que também sei escrever em línguas estrangeiradas. E para benefício da Arabica, a das...
- Cala-te, pá! Olha que ela já não deve estar a achar graça nenhuma à brincadeira...
- Hmmmm.... no lo credo! E daqui lhe mando já meia dúzia de pastéis de Belém e um jarro de vinho quente. À cautela. Mas que perguntou "onde???", isso perguntou...
- E a Prof? Perguntou alguma coisa?
- Nah! Pôs para lá umas sinalefas, uns pontinhos, e depois sacou de uma citação em catalão! E olha que é pertinente. Até vou repeti-la aqui:

"Aquells que no he estimat,
aquells que ni tan sols he conegut
han de servar de mi la part més pura.
[...]
Miquel Martí i Pol

- Excelente! Por outro lado, falaste de patos e responderam-te com gansos!
- Quem?
- A Teresa, alias Caturra alias Criador. Até já o Criador visita o meu blog! Bem dizia a Arabica que a publicidade...
- É como o amor.
- Nem mais.
- E depois falam-me em línguas esquisitas. A Élis parece que passou dos diálogos bilingues aos trilingues.
- A Lizzie é que passou. Quero dizer, passou-se... Queles vergoñes! Tadinhos dos nens!
- Olha lá, desculpa que te diga, mas és um bocadito estúpido. Então ainda não percebeste que a Élis/Lizzie é uma trindade de duas pessoas?
- E a pomba?
- Hmmm... acho que é um pato. Mas não faz parte da trindade.
- E é santíssima?
- Sim, como quando a gente diz: "Mãe santíssima!..."
- Compreendo.
- Não compreendes nada. Olha a gargalhada do Mocho Falante. Não está mesmo a lembrar-nos de que não passamos de marionetas manipuladas pela autora do romance?
- Boooommm... eu prefiro a ideia do Woody Alien, perdão, Allen, que a trindade ainda há dias escreveu sobre ele.
- Qual das ideias?
- Aquela de não termos existência real, de provavelmente não passarmos do sonho de alguém. "E nesse caso," - concluiu - "paguei demasiado pela alcatifa que comprei ontem!".
- Bem visto. Ainda bem que não tenho ido às compras...
- Sabes que mais? Esta coisada está a ficar parecida com a Conversa da Treta. Não fosse a riqueza dos comentários e já tinhas falido.
- Há pior que a Conversa da Treta, muito pior. Quer-se dizer, há conversas da treta que só servem para enganar os otários, tás a topar?
- Pois...2.

APEDEITE:
"Título Qualquer Serve": Blog visitado e patrocinado pelo Criador.

- Obrigado, Wind, talvez acabe por me lembrar, ou encontrar...
-..................
- Mana AlienDS, é mesmo de família :)
- .................
- Arabica, tiraste-me as palavras da boca!!!
-.................
- Teresa, se tu não sabes... como hei-de eu saber? Afinal, és o Criador, não?
- ...............
- élis/lizzie, essa fome de cenouras é de caír o Carmo e a Trindade. Não sei porque estou a dizer isto... O teu diálogo é apetecível, mas nem por isso te revelarei os meus pa(c)tos secretos. E eu a dar-lhe! Ah, o IRS da transcendência... mas que grande invenção! Vénia! Bilingue, claro.
-................
- Lizzie, he's a distinguished member of another trinity. Try and find out which :)
-................
- Arabica, eu é que me perdi. Filme de fantasmas? Manta? Pintado de fresco? Moi???
E pronto, atingiste-me com um dardo, e tenho que o atirar a todos os meus visitantes, sem excepção. Sou mesmo assim, um mãos largas... :) A propósito, com o dardo vai também a bota.
- ..............

(Dardo Em Pequenas Doses
para quem quiser vê-lo.
Comunicamos nozes
Que é um dardo e um selo.)


Impõe-se um especial agradecimento a todos os participantes nesta charada, ou chachada, conforme os pontos de vista. VEXAS têm cá uma paciência! E agora sim, o post é mesmo Tobi as It is.




7 de jan. de 2009

Pois...

- Good vibrations, good vibrations... Não seria já tempo de fazeres outro post, ó preguiçoso?
- Olha, acho que vou fazê-lo aos bocadinhos. Amanhã ou depois haverá mais. Sem comezainas. Hoje fico por aqui. Nem fotos, nem vídeos.
- Bem... se calhar estás a inventar uma maneira nova de postar...
- Pois...

(8-01)

- Teresa, patinar até nem é mau, dependendo do tipo de patinagem... a que dá direito a balda devia ganhar medalha de mérito, não achas?

- ........................

- Mar, isso tudo, isso tudo, ou mais ou menos.

- .........................

- Se calhar pensavas que te respondiam! Não andas bom da cabeça, não...
- Eu sou um crente, pá! Vais ver que ainda me respondem. E não achas bonito falar com as pessoas aqui, em vez de naquela estúpida caixa de comentários?
- Hmmm.... olha, se as pessoas pudessem escrever aí, talvez concordasse. Mas não podem, sabias?
- És sempre o mesmo desmancha-prazeres! Queres uma imagenzita, queres?
- Era uma ideia...
- Pois então fica com a ideia. Isto é, IMAGINA!
- Bah!
- Pois...

(to be continued).

(9-01) - Revisto e melhorado (ahem!) já em 10-01.

- Tenho que dizer à Wind que isto é a originalidade da preguiça...
- O que tu queres dizer é que a preguiça dá frutos. Malandro, e com a mania da esperteza!
- Dá, dá pessegadas.
- Ou alternativas eleitorais proporcionadas pela Prof. É que, sabes, fui eu que pedi a outra hipótese.
- Claro, claro, e saberás dizer à AlienDS o que vai saír daqui?
- Hmmm.... deixa-me pensar... não!
- E saberás dizer à Teresa se este diálogo é feito ao espelho?
- Diálogo? Ah, isto é um diálogo! Hmm, está bem. Tinha a vaga ideia de que era um solilóquio...
- Estás a confundir com um post gâmbico da Lizzie, a dos diálogos bilingues.
- É, a moda agora pegou. Mas em Português e Castelhano, enfim, gente fina é outra coisa!
- Ah, e então em Catalão?
- Li um texto, sim. No regresso da tia.
- E onde fica isso?
- No Google. Links aqui, jamé!
- E a Teresa?
- Que fique com a teoria da patinagem em três pontos, principalmente a parte em que aconselha "nem tentar". E com a Alice.
- Do outro lado...
- Isso.
- E então, como se traduz o vento em palavras?
- Isso parece da Arabica, a das perguntas difíceis.
- E é. Respondes?
- Claro! Wind. Vent. Wind que se lê Vind. Viento. Vento que se diz com as mãos. Queres mais?
- Olha, nem por isso. Só se fosse em Chinês.
- Por acaso até sei, mas não tenho aqui os caracteres. Mas é assim como que uma onomatopeia: Uuuuuh... Uuuuhuuuuh.....
- Sim, estou a ver. E se dissesses qualquer coisa de jeito?
- "Quem poderá domar os cavalos do vento?" Ora aí tens outra pergunta difícil.
- Ah, o vento anda a cavalo?
- Anda, pois. A caballo, coño de 8neilA verdito con ojos rojos.
- Quê????
- Esquece. O Legível que vá para a tropa, que é para aprender a não deixar de postar...
- E a não contar as palavras.
- E fica condenado a ouvir o Universal Soldier pela Buffy Sainte-Marie, pelo Donovan e pelo outro gajo.
- Há pior...
- Bem sei. Como aparecerem-me diálogos na caixa dos comentários, e eu não saber o que fazer com eles. Então quando inventam un gatito escreviente... estou tramado!
- Olha, fica com os soldadinhos de chumbo, a ver se te defendem...
- Ah, e também são universais?
- Mas haverá coisa mais universal que os soldadinhos de chumbo?
- Há, sim! Os patos brancos de plástico com bico amarelo. (Ou seria laranja? Pato com laranja, hmmm.... bolas, eu prometi que não haveria comezainas. Caracteres chineses, pato à Pequim, cala-te boca! E fecha-te!)
- Não me digas. E falam?
- Alguns, sim. Dizem agrandate niña e outros mimos que não ficariam bem aqui, que isto é uma casa séria.
- Bom, disto tudo, com que ficas?
- Com o vento, claro. Mais as hipóteses eleitorais. E os beijinhos alienígenas. O jeito natural para a patinagem. Los locos simétricos y bilaterales. A medalha por escrever menos.
- Essa já não levas. Olha só o que para aí vai de escrevinhações!
- Levo tudo. Como o vento viento vent wind mai-los seus camelos.
- Cavalos, pá, cavalos!
- Ou isso.
- Já perdeste o fio à meada, não?
- Pois...

(to be DIScontinued).

(10-01)

- Surrealista. Espectacular. Comício...
- E bebício, não te esqueças do vinho quente!
- Claro. Está na hora de montar no tapete voador e zarpar deste post. Digo eu.
- Vou nessa.
- Pois...


19 de dez. de 2008

Para um Bom Natal...








... dão bastante jeito alguns pratos daqueles que ajudam à festa.

Por isso, com os meus votos de Feliz Natal para todos, aqui deixo uma sugestão de ementa composta por dois pratos que a Lola e a Arabica fizeram o favor de me enviar, e que são, sem dúvida, deliciosos.

Sobremesas e vinhos serão convosco.

Comecemos então com uma "entrada" da Arabica:

Ameijoas com Chouriço:

Ingredientes:
2 Kg de ameijoas pretas

6 colheres de sopa de azeite ou um pouco mais

5 dentes de alho

3 cebolas

200 g de chouriço de carne

vinho branco

2 limões

piri-piri q.b.
coentros ou salsa picada q.b.


Confecção
: Depois de bem lavadas, deixe as ameijoas de molho durante 1 hora +/-, bem cobertas de água com um pouco de sal, a fim de perderem a areia. Numa caçarola larga, leve ao lume o azeite e os alhos pisados. Quando estes alourarem mas não queimarem, junte-lhes as cebolas descascadas e picadas. Refogue em lume muito brando. Quando a cebola ficar translúcida, junte-lhe o chouriço cortado em rodelas grossas. Tempere com sal e piri-piri e vá adicionando pequenas porções de vinho branco, deixando refogar até o chouriço cozer. Adicione as ameijoas lavadas e escorridas, tape a caçarola e cozinhe até abrirem, agitando várias vezes a caçarola. Rejeite as ameijoas que ficarem fechadas. Já fora do lume, regue com um pouco de sumo de limão, polvilhe com coentros ou salsa picados e sirva de imediato, com pedaços de limão. Nota: não esquecer torrar pão para acompanhar :)

Sigamos com a receita da Lola:

Cabrito assado:


Ingredientes (para 6 a 8 pessoas)
* 1 cabrito de 3 a 3,5 kg (sem a fressura) ;
* 5 dentes de alho ;
* 1 colher de sopa de colorau ;
* 1 folha de louro ;
* 5 colheres de sopa de azeite ;
* 3 colheres de sopa de banha ;
* 0,5 litro de vinho branco ;
* sal grosso

Para acompanhamento:
* 2 kg de batatas;
* azeite q.b.;
* 1 dente de alho;

Confecção:
Depois de limpo e de se lhe ter retirado a fressura, barra-se o cabrito interior e exteriormente com uma papa feita com os alhos esmagados, sal grosso, o colorau, o louro, o azeite e a banha. O cabrito deverá ficar assim temperado de um dia para o outro.
Coloca-se então numa assadeira de barro e leva-se a assar em forno bem quente. Quando o cabrito se apresentar meio assado, começa a regar-se com o vinho branco (de vez em quando). O cabrito deve ficar bem tostado.

Acompanha com batatinhas que se cozinham do seguinte modo: Depois de lavadas, cozem-se com a pele 2 kg de batatinhas pequenas. Pelam-se e alouram-se depois num pouco de azeite onde previamente se alourou um dente de alho. Juntam-se ao cabrito quando estiverem bem louras.

Chegou a primeira sobremesa, da responsabilidade da Lola. Rabanadas, nem mais! :)

Ingredientes:
* 1 cacete de véspera
* 3 dl de leite
* 4 ovos
* 300 g de açúcar
* canela
* 1 casca de limão
* óleo para fritar



Confecção:
Leva-se o leite a ferver com duas colheres de sopa de açúcar e a casca de limão.
Batem-se os ovos muito bem, de modo que a clara fique imperceptível.
Corta-se o pão em fatias com cerca de 1,5 cm e passam-se primeiro pelo leite e depois pelos ovos.
Fritam-se em óleo bem quente e escorrem-se sobre papel absorvente ou sobre um pano.
Servem-se polvilhadas com açúcar e canela ou com calda de açúcar.



As velas foram amavelmente cedidas pela Arabica,


que também enviou esta sobremesa tradicional:

Aletria com Ovos
Ingredientes (para 10 pessoas)
100g de aletria
4 dl de leite
150g de acúcar
50g de manteiga
3 gemas
casca de limão
canela

Preparação
Coze-se a aletria em água durante 5 minutos e escorre-se.
Em seguida, leva-se o leite ao lume, juntamente com a casca de limão, açúcar e a aletria e deixa-se cozer. Depois de a aletria estar cozida, junta-se a manteiga e, fora do lume, misturam-se as gemas, previamente batidas.
Leva-se ao lume apenas para que as gemas cozam ligeiramente. Serve-se a aletria polvilhada com canela.

Outra excelente sobremesa, que agradeço à Graça B. :

FARÓFIAS ... com ou sem canela!

Ingredientes: 175 g de açúcar; 4 ovos muito frescos; 1 colher de sobremesa de maizena; 7,5 dl de leite; 1 casca de limão; canela Separam-se as gemas das claras. Batem-se as claras em castelo e quando estiverem bem firmes junta-se 50g de açúcar, continuando a bater até se obter um preparado bem espesso e seco. Entretanto, leva-se o leite ao lume num tacho com o restante açúcar e a casca de limão. Quando ferver, reduz-se o calor para manter apenas uma fervura suave. Deitam-se dentro colheradas do preparado de claras e açúcar. Deixam-se cozer rapidamente, voltando-as. Retiram-se as farófias com uma escumadeira e colocam-se num passador para escorrer. O leite que vai escorrendo das farófias junta-se ao do tacho. Depois dispõem-se no prato ou travessa de serviço fundos. Deixa-se arrefecer o leite em que as farófias cozeram e adiciona-se a maizena desfeita num pouco de leite ou de água frios e as gemas. Leva-se ao lume, mexendo sem parar para cozer e engrossar. Rectifica-se o açúcar se for necessário. Cobrem-se as farófias com o molho e polvilham-se com canela. Servem-se mornas ou frias.

A secção de bebidas começa, nem mais nem menos, com o néctar dos deuses, sugestão da Prof (obrigado!).


Prossigamos com mais duas contribuições da Arabica:

Vinho do Porto Quente
Ingredientes
0,5l de vinho do Porto de boa qualidade
1/2 cálice de aguardente velha
1 colher de sopa de mel
1 chávena de café de passas
1 chávena de café de corintos
1 pau de canela
Preparação
Deite o vinho do Porto num tacho. Em seguida, leve-o ao lume e vá adicionando os ingredientes pela ordem acima referida. Mexa muito bem até levantar fervura e sirva.



Ponche de Natal
Ingredientes (para seis pessoas)
2 doses de rum branco, vodka ou gim
2 doses de licor de pessego ou laranja
1 garrafa de vinho branco, gelado
1 garrafa de 300 ml de guaraná, gelado
açucar a gosto
1/2 mamão ou papaia
2 laranjas picadas em pequenos pedaços
1/2 abacaxi
12 cerejas (cristalizadas)
2 Kiwis
1/2 manga

Preparação
Corte as frutas em cubos.
Coloque numa poncheira (ou saladeira) todos os ingredientes, pela ordem em que aparecem na receita.

E mais uma que desencantei algures, para quem a prefira à do vinho do Porto:

Vinho quente
Ingredientes:
açúcar a gosto
casca de 1 laranja média
3 colheres (sopa) de sumo de limão
1 chávena (chá) de sumo de laranja
5 cravos-da-índia
1 litro de vinho tinto seco
2 pedaços de canela em pau



BOAS FESTAS

PARA TODOS




Preparação:

Numa panela grande, coloque o vinho, a casca e o sumo de laranja, o sumo de limão, a canela e os cravos e leve ao lume. Assim que levantar fervura, acrescente o açúcar; deixe por mais 5 minutos e retire do lume. Deixe o vinho quente descansar por 1 hora num recipiente tapado. No momento de servir, aqueça-o novamente.