Aliencake
Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.
19 de nov. de 2007
Luz
que nos passam nas mãos, flutuam, enchem,
penetram, oscilam, sonham mesmo despertar
o deserto dos verbos. Películas de luz, lâminas
de puríssimo som que nos ficam nos olhos,
deles lentamente se apoderam, concretos blocos
de luz, como tijolos ou pedras de inacessível
transparência que
cada vez mais alto
nos falam
sem
nunca ultrapassarem a
maravilha do murmúrio.
A luz de um certo branco que fere, e no entanto.
A luz pálida mas forte, tantas vezes tímida
(ou nós).
Deixemos entrar a luz que nos deseja o corpo,
a luz espalhada à superfície da água, brilhante,
difusa, a luz de um solitário candeeiro aceso no
polo da insónia, a luz negra das palavras que das
páginas nos acariciam, nos sorriem,
a luz subtil do cubo de gelo no meio do álcool,
no fundo do copo, luz fria, de refrescante tacto,
a luz que se adivinha do outro lado da colina.
Tocamos a luz
com sede, uma
muito nítida sede,
tocamos a luz
com a secreta avidez
dos nervos.
Deixemos entrar a luz do anoitecer, a luz
distante, fugitiva, que transforma as casas,
como se as víssemos sempre pela primeira vez,
a luz longínqua dos barcos que atravessam a noite,
impossíveis navios em que viajamos, submersa
no ruído profundo dos oceanos, no confuso movimento
de todos os portos.
Fatias de luz que desesperados mordemos, que nos deixam
na boca uma espécie de espuma, uma aurora de sangue,
retalhos de luz que nos envolvem os membros,
nos amarram, delicadamente nos surpreendem, correntes
de luz.
Interroguemos a luz.
Interroguemo-nos.
10 de nov. de 2007
A cidade que teve sorte

Dedico este post à cidade japonesa de Kokura.

Situada na ilha de Kiushu, no Sul do Japão, foi integrada, em 1963, na nova cidade de Kitakyushu (cerca de um milhão de habitantes em 2005), resultante da fusão de cinco cidades da província de Fukuoka.

Kokura era o alvo secundário da bomba atómica lançada sobre Hiroshima a partir do avião que ficou conhecido como Enola Gay, a 6 de Agosto de 1945. Foi possível o lançamento sobre Hiroshima, por isso Kokura salvou-se.

Era também o alvo primário da bomba atómica que, três dias mais tarde, viria a ser lançada a partir do Bock's Car. O facto de Kokura se encontrar, na altura, obscurecida por nuvens, conduziu ao lançamento da bomba sobre o alvo secundário, a cidade de Nagasaki.
Assim, Kokura escapou por duas vezes à morte, à destruição, às sequelas físicas e psicológicas que todos conhecemos, e se vão prolongando ao longo das gerações em Hiroshima e Nagasaki.

De facto, uma cidade com sorte. A sorte que todas as cidades deveriam ter tido.
4 de nov. de 2007
O desafio da Rosalina
Sem qualquer batota, e porque, ao contrário do que acontece com a generalidade das "correntes", esta vale a pena, peguei efectivamente no livro que tinha mais próximo, e dele tirei a quinta frase completa da página 161, que reza assim:
"Apesar de levarmos aqui o registo e a fé das sentenças de cada um destes mal-aventurados, não é agora a ocasião para nos determos a tirá-las nem a lê-las. Chegue-se Vossa Mercê a eles e pergunte-lhes, que eles lhe dirão se quiserem. E quererão, sem dúvida, pois é gente que gosta de fazer e dizer velhacarias."
(Miguel de Cervantes, O Engenhoso Fidalgo D. Quixote de la Mancha, tomo 1)
Tenho que passar o desafio a cinco pessoas, pois é... Então vou passá-lo a
- Wind (WebClub)
- Mariatuché (Me, Myself and I)
- Belzebu (O Contrablog)
- Alien DS (Alien's Corner)
- Isabel (Piano)
E as regras são simples (calmamente copiadas do Carpe Diem da Rosalina):
1ª - Pegar num livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª - Abrir na página 161;
3ª - Procurar a 5ª frase completa;
4ª - Postar essa frase no seu blog;
5ª - Não escolher a melhor frase, nem o melhor livro;
6ª - Repassar para outros 5 blogs.
Neste caso concreto, tenho pena de não poder passar o desafio a mais pessoas, mas, como se trata de uma corrente, estou certo de que lá lhes chegará! E fico à espera.
29 de out. de 2007
Bucólica
Estaremos nelas poisados
como pedras dispersas,
nelas seremos
inesperadas plantas,
vaguíssimos
sons, sabores,
sombras aráveis.
22 de out. de 2007
BRAÇOS
a saír da bruma, oblíquos, ondulantes,
no rumo rigoroso sobre a planície de água:
navios longos, ainda ao largo do meu corpo...
Lembro-me das campinas azuis - ou verdes? - das espigas,
de um quadrado de céu no tecto original....
Ah, dizer o que não digo, o que não sei,
contar os minutos, todos os minutos como se
estivesse neles e fora deles enquanto são,
enquanto sou! Há palavras que abrem mundos,
que abrem crateras na textura dos nervos...
Amo os teus dedos, que já não são gaivotas,
nem mesmo estrelas ou algas ou raízes.
Amo a água quando sinto que tem sede.
12 de out. de 2007
Prémios...
Muito obrigado pelo Prémio Visitante que generosamente me atribuíu.

À Mariatuché e ao Mocho Falante,
Muito obrigado pelo prémio Blog Solidário que amavelmente me concederam.

Bem hajam pela vossa generosidade e por manterem viva a chama deste bloguezito. Qualquer destes prémios vos assenta igualmente bem, porque são excelentes visitantes e comentadores, e são inegavelmente solidários. Como, aliás, acontece com os autores dos blogues que constam da lista ali à direita, que são aqueles que mais visito e os únicos onde comento, salvo raras excepções.
Portanto, e no melhor estilo dos Óscares da Academia, faço questão de dividir estes prémios com TODOS :)
6 de out. de 2007
Um americano na Encanada (relato curto)
Quando voltei a Portugal, passámos a corresponder-nos com alguma regularidade. De vez em quando ele mandava-me um conto novo, laboriosamente dactilografado. Ia-me falando da sua vida. Homem dos sete ofícios, tinha já sido motorista de táxi em S. Francisco, carpinteiro e cozinheiro. Mas, acima de tudo, escrevia.
Passaram-se alguns anos. Um dia recebi uma carta do Peter, em que me anunciava uma próxima viagem à Europa (tinha uma irmã a viver na Dinamarca). Obviamente, queria incluir Portugal no roteiro. Ofereci-lhe a minha casa, que por essa altura era no Porto.
E lá chegou o Peter, que o meu grupo de amigos mais chegados rapidamente iniciou nas noitadas portuenses, nos vinhos e petiscos, nos mistérios e na beleza da cidade. No trânsito também, o que deixava o americano com o credo na boca. Podia ter sido motorista de táxi em S. Francisco, mas nunca tinha visto conduzir como no Porto!
Um dia alguém aventou ser indispensável uma excursão a Ponte de Lima,

para que o Peter ficasse a conhecer o arroz de sarrabulho e o verde local. Aprovámos. O Peter era um amigo e um convidado de honra. Tinha que ser levado a Ponte de Lima, ao arroz de sarrabulho e ao verdinho.
Foi num sábado à noite que nos reunimos para combinar os pormenores do passeio, aprazado para o dia seguinte, a hora não demasiado matutina. Decididos a hora e o local de encontro para a partida (ainda seguiriam 3 ou 4 carros), o resto do serão foi dedicado à cavaqueira, devidamente regada com uns uísques. Chegado a este ponto, tenho que esclarecer que o meu amigo americano bebia bastante bem. E, nessa noite, estava particularmente sequioso. Assim a atirar para a esponja, para dizer a verdade. De modo que, com a ajuda de todos, o uísque desapareceu completamente da garrafeira dos amigos em casa de quem nos tínhamos reunido. Mas o Peter queria mais. Entrou então pelo vinho do Porto, pelos licores e pelo mais que havia, e que foi bebendo cerimoniosamente enquanto a conversa continuava.
Como é lógico, o serão prolongou-se muito para além do esperado, e foi com poucas horas de sono que na manhã seguinte saímos a caminho de Ponte de Lima para almoçarmos na Encanada, o restaurante escolhido pela excelência do arroz de sarrabulho

e pela qualidade de alguns verdes. Ninguém ficou desapontado. Comemos e bebemos à melhor maneira nortenha, e decidimos prosseguir o passeio rumo ainda mais a Norte, para espairecer e ajudar à digestão com uns cafezinhos e uns digestivos que íamos tomando pelo caminho que nos levou, com paragens estratégicas para apreciar a paisagem, até Valença. Uma excursão memorável, garanto-vos, que só terminaria lá pelas 7 da tarde-quase-noite, que foi mais ou menos a hora a que cheguei a casa.
Atingido este ponto do relato, e sendo notório que alguns estrangeiros têm por vezes uma certa dificuldade em apreciar os nossos petiscos, haverá talvez quem esteja interessado em saber o que achou o Peter do arroz de sarrabulho. Pois, isso também eu queria, mas não tive sorte nenhuma. Nem nessa altura, nem nunca: Quando entrei em casa, às tais 7 da tarde-quase-noite, ainda o Peter dormia a bom dormir, e mesmo a essa hora foi impossível arrancá-lo da cama.
De manhã, bem tínhamos tentado. Nem bulia. Uma autêntica rocha. De modo que só nos restou desistir do americano, que não da Encanada. E assim continuou o Peter a ignorar as delícias do arroz de sarrabulho. O verde sempre acabou por conhecer, mas isso seria outra história.
4 de out. de 2007
2 de out. de 2007
Uma sobremesa pouco calórica (acho...)

Ingredientes para 4 pessoas:
* 700 g de melão muito maduro
* 8 claras
* adoçante artificial
* um pouco de canela ou outra especiaria (facultativo)
* algumas gotas de sumo de limão
Preparação
1. Extraír a polpa do melão e passá-la por uma batedeira eléctrica ou uma liquidificadora. Triturá-la.
2. Misturar numa tigela o sumo de limão, o adoçante e a canela, caso goste do seu sabor. Adicionar o melão triturado.
3. Bater as claras em castelo firme, utilizando uma tigela grande.
4. Incorporar pouco a pouco, batendo com muita suavidade, o melão triturado.
5. Repartir a massa por taças individuais e metê-las no congelador durante cerca de 2 horas. O ponto de sorvete é cremoso, não duro.
Conteúdo em 100g de porção comestível
Calorias: 25 Kcal
Proteínas: 1 g
Hidratos de carbono: 5,3 g
Vitamina A: 1200 U.I.
Vitamina C: 30 mg
Bom apetite e poucas calorias!!!
27 de set. de 2007
Continuando...
Os filetes :
Entrar discretamente na área de congelados de qualquer bom supermercado e procurar a embalagem de "filetes caseiros", não vou
dizer a marca para não me comprometer. Em casa disfarçar e preparar a salada , enquanto se fritam os benditos filetes...
O arroz:
Pode ser feito na Bimbi, ou no microondas, coisa para demorar aí uns 8 minutos, se a família não for muito grande... Servir com requinte.
Obrigado, Lola! Notem, por favor, o requinte, a discrição e o disfarce. E já nem falo da benção... :) Como disse no comentário, a Lola, cá para mim, tem pinta de boa cozinheira. Será? :D
E agora, a autora da receita ela-mesma, a Teresa Durães!
Arroz:
Fazer o estrugido. Uma de arroz para duas de água. até o arroz cozer (e não coser que não há agulhas). Se quiseres de tomate, colocas o tomate no estrugido. Põe um pouco de água (quase nada) para não dar cabo da saúde. Não fica tão 'puxado' mas até os diabéticos podem comer.
Estrugido= refugado mas à norte, carago!!
O peixinho
é simples. Congelado é mais barato. Fresquinho sabe melhor. Pegas no bicho (morto), nada de fritos que isso faz colesterol. Colocas num pirex com sal, coentros e tomate (desmancha-o, um inteiro podia ficar bonito mas não é prático). Se o peixe não prestar, coloca uma pinga de água para não pegar ehehhe
Impinges à família e pronto. Se não gostarem chamas o homem da pizza e vão te adorar!!!

Ao cozinhar, acompanhas uma música tipo System of a Down, Spliknot para ver se não te aborreces tanto. Metallica também é opção ou os Funk Audioslave, Incubus...
Obrigado, Teresa! Com explicações sobre o cozer e o coser, o estrugido, carago! , sugestões alternativas não vá o Diabo tecê-las, e BOA música para acompanhar a confecção, que mais se pode pedir a uma veg que cozinha peixe? E que tem uma reputação a defender? E que é de ciências exactas (sem raminhos de salsa)?
E, como alguém escreveu, voilà la!
24 de set. de 2007
Cumpro, sim!
Assim sendo, passemos à prática. Prometi uma receita. Vou publicar duas, ambas indecentemente roubadas, e por ordem inversa de aparição nos comentários ao meu post anterior...
A primeira receita foi amavelmente oferecida pela GI, e parece-me muito interessante:

Red-fish, tomate maduro, ovos, sal, pimenta.
Cozer as postas de red-fish e água com bastante sal.
Depois lascar e reservar (lascas pequenas quase desfiado).
Por cada posta um tomate maduro e um ovo. Triturar o tomate e misturar os ovos , pode ser tudo posto na misturadora.
Depois juntar as lascas do peixe e temperar com pimenta . Levar ao forno, tabuleito untado com manteiga (pouca).
Deixar cozer bem (não sei o tempo, vou vendo com o palito) . Se puseres em forma redonda cortas como se fosse pizza. Prefiro por num rectangular e cortar no fim aos quadradinhos e servir com alface ripada.
É melho comer frio. com maionese ao lado de preferência. (o red fish é melhor se congelado, se as postas forem pequenas tem que se ter cuidado com a quantidade de ovos que se colocam).
Isto é 5 estrelas ***** e truque para fazer prato que parece muito sofisticado sem o ser. Bom para festas com muita gente mas óptimo para um final de trata quando até a preguiça para comer é grande.
MUITO OBRIGADO, GI!
A segunda receita tem que se lhe diga. Para começar, é obra da Teresa Durães, nem mais nem menos que a nossa escritora veg de serviço :)))
Tem o indiscitível mérito de ser simples e concisa. Lapidar, diria mesmo. Ei-la:

"Vá, filetes com tomate, coentros e vai ao forno. Eu cá acompanho com arroz que não gosto de batatas. mas cada um sabe de si. Prático, os miudos comem peixe e voilá la."
MUITO OBRIGADO, TERESA! Porém...
Sendo esta receita um autêntico concentrado, impõe-se fazer aqui algo, como diria a patroa do Ambrósio. Algo como o que aparece nos policiais antigos do Ellery Queen. Concretamente, o
Chegado a este ponto da narrativa, o leitor tem já na sua posse todos os elementos para descobrir a identidade do criminoso... perdão, deixei-me levar..., o desenvolvimento da receita. Assim, desafio os leitores a publicarem em comentário os seus palpites sobre:
- Os ingredientes e a confecção dos filetes com tomate;
- Os ingredientes e a confecção do arroz.
E pronto. Cumpro ou não cumpro? :)
Resta-me desejar-vos Bom Apetite e Boa Semana.
P.S.: Teresa, os contos, pois é, que maçada... ainda não é desta, mas de barriga vazia não pode ser nada hehehe!
14 de set. de 2007
All about nothing
Claro que posso recorrer às maravilhas do You Tube, para que quem me visite não encontre invariavelmente a mesma treta, a prefigurar um blog meio morto. Posso, mas não quero abusar dessa espécie de solução demasiado fácil. E, no entanto, talvez devesse utilizá-la mais: afinal sempre muda a cara do blog, e pode dar a conhecer coisas interessantes a quem porventura ainda as não tenha visto.
Falar do Scolari? Não, decididamente não. Este blog há muito que se afastou da discussão dos temas do nosso portuguesíssimo quotidiano, político ou não. Já há por aí muita gente a opinar, uns bem, outros menos bem. Não é esse o meu caminho, embora possa sempre haver uma ou outra excepção. Qual é então o meu caminho, perguntará quem ler. Espero encontrar uma resposta...
Podia ir buscar umas imagens bonitas e refrescar a vista de quem por aqui passa. Demasiado fácil? Bom, mais fácil, reconheço, é não fazer nada.
À medida que escrevo, tento decidir se espeto aqui uma imagem a acompanhar o arrazoado, ou mesmo um vídeo sacado do You Tube. Anda não me decidi. Caramba, isto é uma espécie de "blog em movimento", com o hipotético leitor a acompanhar em directo e quase ao vivo as também hipotéticas intenções de quem publica! E esta, hein?

Lá está a tal foto. Por acaso não caíu do nada: tratando-se de uma rua no centro de Cascais, vai acompanhar um texto que escrevi há uns anos:
Avenida de Sintra
Em direcção ao centro de Cascais,
Pura abstracção em cada movimento,
Só a guitarra diz aonde vais,
Só o baixo te guia o pensamento.
Passa o jipinho preto de uma tia,
Mais o BM novo em cinza prata,
Mas tu só vês o som da bateria
Marcando a tarde na medida exacta.
Recheada de corpos sem contrato,
Teclado obreiro sem fins-de-semana
Entre o dó sustenido e o sol barato.
Quase a partir ou, quem sabe, a chegar,
E em qualquer árvore há sempre um ramo louco
Que te apetece ser, mais que alcançar.
Ainda é cedo p’rá hora de ponta,
Quando o trânsito dói e desatina.
No teu andar a música desponta
Como uma brisa azul, quase divina.
Vestida de silêncio, e tu lá vais
A conduzir o discman da esperança
Em direcção ao centro de Cascais.
Bom fim de semana!
31 de ago. de 2007
Bom fim de semana com Skunk Anansie - Tracy's Flaw, Live @ Pavarotti & Friends
Aditado em 6 de Setembro de 2007: Pavarotti deixou-nos. Ficam a sua voz, as suas canções, as suas interpretações em tantas e tantas óperas, o seu génio.
Fica, aqui ao lado, com Meatloaf, Torna a Sorrento.
14 de ago. de 2007
Tristeza
Pode também saber o que significa a perda de um animal a que nos afeiçoámos.
Perdi há dias a minha gatinha favorita, a Pretinha, uma gata (preta, como o nome indica) de tamanho pequeno, uma companheira inigualável, que era considerada e tratada como um membro da família. Viveu pouco mais de dois anos. É pouco. Foi pouco.
Não tenho disposição para blogues, nem para nada. Não sei quando voltarei a ter. Impôs-se-me hoje contar-vos isto.
Sobra apenas tristeza, uma infinita tristeza. E alguma raiva.
Não quero dizer mais. Não posso dizer mais.
6 de ago. de 2007
Foi há 62 anos
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada
Vinicius de Moraes
28 de jul. de 2007
Um doce fresquinho
Primeiro, faz-se um
Granizado de limão (para 4 pessoas)
* 4 limões grandes e sumarentos
* adoçante artificial
* água fria
Raspar um pouco da casca de limão (apenas a parte amarela) e espremer todos os limões.
Juntar ao sumo e às raspas um pouco de adoçante e água fria, para obter uma limonada de sabor intenso, tão doce quanto se desejar.
Deitar numa cuvete. Introduzir no congelador até ficar com a consistência de granizado.
E agora, o
Icebergue de frutas

Ingredientes para 8 pessoas:
* 1 Kg de fruta tão variada quanto possível
* 1 litro de granizado de limão
* 1 cálice de kirsch
* um pouco de natas batidas ou merengue para adornar (facultativo)
Preparação:
1. O granizado de limão, previamente preparado, retira-se do congelador para que descongele um pouco, mas apenas o necessário para poder ser trabalhado.
2. Descascar a fruta, extraír os caroços e cortá-la em pedaços pequenos. Se houver melão, ou melancia, fazer bolinhas com a colherzinha especial. Procurar obter contrastes de cores :)
3. Regar a fruta cortada com o kirsch.
4. Numa forma alta e estreita, ir colocando camadas alternadas de frutas (separadas por classes ou misturadas, conforme se preferir) e de granizado de limão, comprimindo um pouco para que não se movam (o granizado tem de ter uma consistência bem forte). Começar e acabar com uma camada de granizado.
5. Colocar a forma no congelador e deixar gelar por completo.
6. Para desenformar, passar rapidamente a forma por água morna e deitar sobre um prato de servir fundo.
7. Para servir, salpicar o icebergue com "flocos de neve" (nata batida com um pouco de açúcar e merengue, se se preferir).
Espero que seja suficientemente doce, suficientemente fresco, e do vosso agrado. Fora do vulgar não será muito, mas enfim... BOM APETITE!
19 de jul. de 2007
Para quem está de férias

Neste ou noutro cenário, e que importa é a boa companhia, uns petiscos, descanso, tempo para não fazer nada ou fazer o que se quer....
Para vocês que estão de férias...
7 de jul. de 2007
Mais maravilhas
A Dulce Pontes compôs um hino interessante e aguentou-se bem à bronca com o José Carreras. Gostei de os ouvir.
No outro lado, o LiveEarth faz os possíveis para nos lembrar da Terra que queremos deixar "To our children's children's children", como referia o título de um velho (já!...) álbum dos Moody Blues.
Palavras e factos sobre Portugal, no programa das Sete Maravilhas, que nos recordam o muito que temos de bom. Sim, temos. E tanto para aproveitar, melhorar, corrigir, criar, e tão pouca vontade, tão poucas condições, tão pouco tempo... Há quem possa e não faça. Há quem queira e se veja entalado num quotidiano onde não sobra tempo para nada. Há quem consiga libertar-se, à custa de horas de descanso, e aja. São poucos, para tanto que há a realizar.
O mesmo posso dizer sobre a Terra que os nossos filhos, e não já os nossos bisnetos, encontrarão daqui a uns anos.
E mais não digo. Mudemos de onda, mas continuando a falar de maravilhas.
É tempo delas. Há quem goste, há quem deteste. Não vou dar-vos uma receita de sardinhas assadas, isso toda a gente sabe fazer! Optei por estas

Ingredientes para 4 pessoas:
* 8 sardinhas grandes
* 2 cebolas
* 2 dentes de alho
* 2 tomates maduros
* 1/2 dl de azeite
* 1/2 copo de vinho branco seco
* bastante salsa
* um pouco de pão ralado
* umas gotas de vinagre
* 1 colher de sopa de ervas finas
* um pouco de pimentão doce
* 1 limão
Preparação:
1. Limpar as sardinhas, tirando-lhes ou não as cabeças, conforme se preferir. Temperá-las levemente com sal e pimenta e regá-las com limão.
2. Pelar os tomates, extraír-lhes as sementes e cortá-los em pedacinhos.
3. Descascar e picar as cebolas e os alhos; misturá-los com o tomate; juntar-lhes as ervas finas.
4. Cobrir com esta mistura o fundo de um prato de cerâmica ou vidro que possa ir ao forno; dispor por cima as sardinhas, sem que fiquem unidas.
5. Regar com o vinho e algumas gotas de vinagre.
6. Polvilhar com a salsa picada e o pão ralado; regar com o azeite.
7. Levar a forno suave durante cerca de 15 minutos, regando as sardinhas, de vez em quando, com o seu molho. Retirar quando a superfície estiver ligeiramente gratinada.
E está feito. Parece-vos bem? A mim, parece. Delicioso. Por isso,
BOM APETITE, ao som de Where Have All The Flowers Gone e de Pete Seeger.
30 de jun. de 2007
As ... maravilhas da blogosfera
Fico feliz e comovido por ver que o meu espaço é apreciado por alguém cujo blogue, que frequento regularmente, é uma das minhas referências na blogo.De acordo com o regulamento deste concurso, competir-me-ia deixar aqui as minhas sete nomeações. Não vou fazer nada disso, por absoluta impossibilidade de escolher apenas sete blogues. As minhas maravilhas da blogosfera são os espaços que visito e onde comento com regularidade e que, com as suas características próprias e o seu conteúdo diversificado, me ensinam coisas, me divertem, me contam histórias, me dão a ler prosa e poesia, me mostram belas imagens, me fazem ouvir excelente música, enfim, me mantêm preso à blogosfera numa espécie de ritual quase diário, do qual já não posso prescindir.
É desnecessário indicar os títulos desses blogues: estão bem à vista, ali na coluna da direita, sob a rubrica Outros Títulos. São todos eles uma maravilha, e espero que se mantenham vivos e de boa saúde, para minha satisfação.
25 de jun. de 2007
FRAGMENTOS: Cafés e afins por onde passei, convenientemente suspensos no tempo e no espaço para que possa visitá-los quando me apetecer.

CAFÉ TROPICAL
Logo pela manhã, já havia quem aparecesse para o pequeno-almoço e uma sessão de livralhada. Mais tarde, a sagrada hora da bica, a conversa em dia, o namoro. Claro que havia mesas ocupadas só por uma pessoa, ou por três ou quatro, mas era raro. Como disse, o Café Tropical fazia-se a dois. Meia de estudo, meia de conversa, galões e tostas mistas, e assim escorria a tarde e se despovoava temporariamente o café.
A alma do Tropical era o Sr. Mário, um empregado de mesa baixinho e de cabelo muito preto, do qual o Zé Manel dizia, com certeira crueldade, que tinha um tamanho de pé igual à distância que ia do dito pé ao joelho. O Sr. Mário, omnipresente, solícito, amável, talvez mesmo em demasia, com o tempo já conhecia as preferências de cada cliente, de modo que os comes e os bebes pareciam materializar-se nas mesas, como que por milagre, ainda antes de serem pedidos. De mesa em mesa, eclipsava completamente o vago casal de donos plantado atrás do balcão, ainda que este se situasse uns dois ou três degraus acima do plano onde repousavam as mesas. Um dia alguém descobriu que o Sr. Mário jogava futebol de salão. Inimaginável! Parece que era guarda-redes, e é tudo o que posso adiantar, já que nem sequer faço ideia de quem e como descobriu o segredo.
Sento-me numa noite de Verão na pequena esplanada, a mesa preenchida sobretudo por imperiais e garrafas de cola vazias, porque o Coutinho dissera adeus à cerveja e às outras bebidas alcoólicas, mas acompanhava garbosamente os bebedores atacando cola atrás de cola. O Coutinho mais velho, que parecia ter surgido do nada na esplanada do Tropical e era, evidentemente, irmão do Coutinho mais novo, um anarca que conseguia escandalizar até os menos impressionáveis, como quando interrompeu um discurso solene numa Assembleia, pouco depois do 25 de Abril. Dizia o orador que o país estava em festa, que a Assembleia estava em festa, e o Coutinho mais novo dispara:
- Então, Sr. Presidente, estamos em festa... e não se fode???
Era meio maluco, o Coutinho mais novo. Ou parecia.
Tanto cá fora como lá dentro, as mesas eram quase sempre ocupadas pelas mesmas pessoas. Uma espécie de lugares cativos, embora às mesas da esplanada abancassem grupos maiores, que era preciso fazer render o espaço. Ali mesmo ao lado da esplanada do Piolho, onde também havia habitués, tudo isto sem grande necessidade daquilo a que, anos mais tarde, se chamaria fidelizar a clientela...
Apareciam panfletos nas mesas. Comunicados e tarjetas, que não se sabia de onde vinham, mas surgiam sempre. E também se cozinhavam lá bastantes. Por isso, regularmente, o café recebia a visita de agentes e informadores da PIDE, que era suposto passarem despercebidos, mas que todos reconhecíamos, notas fortemente dissonantes naquele ambiente quase familiar. Por essas e por outras, nem todas as noites de Verão eram calmamente passadas na esplanada do Tropical. Como aquela em que fomos a uma manif contra a guerra colonial, lá para os lados do bairro do Marechal, “Abaixo a guerra colonial, abaixo a guerra colonial!”, e vem de lá o corpo de intervenção e começa a exercer a sua função de malhar a eito, e a manif dispersa para se reorganizar um pouco mais tarde e mais adiante, em correria encabeçada por um rapaz de bóina à Che Guevara, com estrela vermelha e tudo, que quanto mais fugia, mais gritava: “Recuar é ceder, recuar é ceder!”
De bóina também entrou o Colega Bento na aula de um catedrático de extrema-direita que “as massas” decidiram boicotar. Muitas vezes subimos o passeio em frente à Associação, em amena conversa, o Colega Bento e eu. Mas, naquela manhã, ao lente não lhe terá caído bem a bóina invasora, e assim começou a invectivar o prevaricador:
- Ó meu amigo Che Guevara! ...
Não teve tempo para mais, que logo o Colega Bento lhe atirou:
- Che Guevara fosse eu, que você já não estava aqui a dar aula nenhuma!
Foi expulso da faculdade, o Colega Bento. Pois. Fora da faculdade também andou o Veiga, que um belo dia apareceu no tribunal para assistir ao julgamento de meia dúzia de manifestantes apanhados à má fila vestindo, ele Veiga, blusão e calças Levi’s vermelho vivo, complementando a fatiota com óculos escuros e... bengala!
- Ó Veiga, mas que vestimenta é essa???
- Pá, a PIDE anda atrás de mim, isto é um disfarce, que te parece?
Pareceu-me que, minutos depois, um pide se chegou ao Veiga e, com um risinho trocista:
- Então, Sr. Veiga, por aqui?
“Audácia, meus senhores, sempre audácia!” – era o lema do Veiga. De facto...
O juiz que presidia a esse julgamento era já velhote e comia uma papa qualquer durante as audiências, para gáudio do público. Às tantas só deixavam entrar estudantes de Direito, e nunca se viram tantos cartões da respectiva faculdade na mão de tanta gente, passados de dentro da sala de audiências para fora numa espécie de multiplicação divina. Dizia um advogado de defesa: “Com este juiz tem que ser assim, vénia para a direita, vénia para a esquerda, coice para ambos os lados!” Também bebia uns copitos, o advogado, mas nunca perdia o norte, apesar de chamar sistematicamente chefe ao subchefe da PSP que lá estava a fazer número de testemunha de acusação.
- Chefe não, Sr. Dr., Subchefe...
- Sr. Chefe, eu sei porque o trato assim, e o senhor Chefe também...
Soube mais tarde que o Chefe tinha sido despromovido por se espetar ao volante de um 115, de modo que o advogado de defesa lá tinha, de facto, as suas razões...
Passados largos anos, voltei ao Tropical, e quem haveria de me atender? O Sr. Mário, evidentemente. Também ele parecia suspenso no tempo e no espaço, sem sinais de envelhecimento, o cabelo sempre muito preto - quem sabe se o pintava? Para meu espanto, chamou-me pelo nome. Tratou-me como se ainda ali tivesse estado no dia anterior. E foi exactamente o que me pareceu.
17 de jun. de 2007
Palavras...

À procura das palavras
I
Subi então até à raíz do poema
e aí encontrei uma flor petrificada.
Olhei em volta, à procura das palavras
que pudesse comprar a minha sede:
- Era um deserto de nervos
Com margens de sangue
A paisagem na raíz do poema - eu.
Murmurei vagamente uma oração antiga
E quase me desfiz em pó de tanto olhar
E me arder a vista atroz, incendiada, no crepúsculo
inigualável. Silêncio e mais silêncio.
II
A água corria, corria por entre as pedras,
levava no corpo destroços de cidades,
laranjas esquecidas na penumbra,
raparigas ironicamente vestidas, vestidas de verde,
raparigas-água impressionantes, sorridentes.
A água corria e era muita e era bela. Levava
A palavra procurada, a palavra do poema
algures no corpo, recatada e mansa, talvez adormecida.
Eu sabia apenas que entretanto amanhecera.
III
Tenho sede. Ergo-me de repente e abandono
o amável leito de todos os dias. Veloz como
o navio que sabe seguro o porto, ganho
o espaço ritual que me separa de mim.
Tenho sede. O meu pulso é algo de concreto e latejante,
assim me sinto e reconheço, à procura das palavras
na raíz incandescente do poema - eu.
São de pedra as cidades, são enormes e movem-se
no ritmo lógico em torno dos meus ombros.
A flor petrificada olha-me heroicamente, meigamente,
o seu espanto é de carne rigorosa. Tem cinco pétalas
azuis emocionadas, inscritas pouco a pouco nos meus olhos
maravilhosos de ironia, incrivelmente densos.
(1978)
12 de jun. de 2007
Parabéns, Luis!

Muitos, muitos beijos.
4 de jun. de 2007
Old Friends
Fiquem bem.
Boa semana!
29 de mai. de 2007
24 de mai. de 2007
Que farei com este blog?

Enquanto os dias cavalgam soletram se riem geometricamente colocados no centro da aparente voragem viagem imagem,
enquanto os traços permanecem oblíquos e no entanto se mudam reordenam ziguezagueiam e dançam,
enquanto as coordenadas simpatizam olham de soslaio os eixos os seixos os fechos e abrem e prometem e cercam e cerram,
enquanto as cores que há se multiplicam pelos nadas e as notas das inúmeras escalas se soltam e chamam e de tudo isso parece nascer um canto uma prece um sorriso,
enquanto as palavras discretas me fogem retiram cansadas quem sabe para que vãos para que dias para que sóis e os dedos se tornam vazios de espera e quase gritam de medo,
enquanto.
17 de mai. de 2007
A sobremesa sugerida e fabricada pela Tuche!
1 pacote de bolacha Maria
100 gramas de manteiga
1 pacote de natas frescas para bater
100 grs de frutos silvestres congelados (vendem-se em pacotes)
Picar a bolacha maria na 123, depois de picada juntar 100 gramas de manteiga ou margarina derretida( fica melhor com manteiga) misturar a manteiga com a bolacha e espalhar num prato a formar um monte mas alisar com as mãos.
Bater as natas até ficarem grossas e espalhar por cima da bolacha, levar ao frigorifico durantes 3 horas, depois desse tempo deitar por cima das natas os frutos silvestres previamente descongelados e voltar ao frigorifico mais 1 hora.

Limitei-me a transcrever para aqui o comentário da Tuche, a quem agradeço a receita, e a colocar uma foto. O mérito é todo dela. Tal como a Tuche, desejo-vos bom apetite, já que a tarte parece ser deliciosa.
11 de mai. de 2007
A receita desta semana...
Mais um fim de semana que se inicia, mais uma oportunidade, quando a há, de quebrar a rotina e passar talvez dois dias diferentes.
Por aqui também se vai quebrar a rotina de não postar (! :) e, ao mesmo tempo, uma outra: a de não publicar receitas. A última que aqui deixei já se perdeu na famosa noite dos tempos, por isso estará na altura de propor um petisco e aceitar sugestões complementares de sobremesas e vinhos.
Assim, e sem mais conversa, passemos à
PESCADA COM MOLHO DE PINHÕES
Ingredientes para 4 pessoas
* 4 postas de pescada de 150 g cada
* 2 dentes de alho
* 100 g de pinhões
* 2 tomates grandes maduros
* um pouco de azeite
* sal
* 1/2 folha de louro
* 1 limão
* salsa picada

Preparação
1. Assar sobre a chama os tomates e os alhos. Pelá-los.
2. Deitar os tomates, os alhos e os pinhões na batedeira. Triturá-los.
3. Num tacho de barro, deitar um pouco de azeite e o preparado anterior; temperar, aromatizar com a meia folha de louro e cozer em lume brando. Deixar reduzir um pouco o molho.
4. Regar com um pouco de água quente; introduzir as postas de pesacada e o sumo do limão. Colocar o tacho no forno, aquecido a temperatura média.
5. Manter no forno durante 10 minutos.
6. Ao retirar o tacho, polvilhá-lo com salsa picada e servir logo.
E é tudo. Resta-me desejar-vos bom apetite. E bom fim de semana também!
6 de mai. de 2007
1 de mai. de 2007
Primeiro de Maio

Noutra onda, mas com título coincidente, fiquem com os Bee Gees, numa de saudosismo :)
E apreciem as legendas :)
Para todos, um bom feriado. Um bom Primeiro de Maio.
25 de abr. de 2007
25 de Abril

Inútil definir este animal aflito.
Nem palavras,
nem cinzéis,
nem acordes,
nem pincéis
são gargantas deste grito.
Universo em expansão.
Pincelada de zarcão
desde mais infinito a menos infinito.
Deixo-vos com as palavras de António Gedeão, as pinceladas de espuma e os anéis de Saturno. Um bom feriado para todos. Um bom 25 de Abril para todos.17 de abr. de 2007
Ecos da Páscoa
Infelizmente, disponho apenas de dois temas, que tenho de ir alternando, já que as gravações que possuo dos restantes têm fraca qualidade de som e poderiam transmitir uma ideia errada do que é realmente a banda.
Sei que alguns dos visitantes deste Título apreciam os Neverend. Espero que a banda conquiste mais adeptos, e assim ganhe mais força para ultrapassar os obstáculos que têm impedido o seu reaparecimento.
Fiquem bem, fiquem com o tema "Rush".
6 de abr. de 2007
Páscoa Feliz

Para quem a celebra ou festeja, e para quem não a celebra nem festeja, o importante é que sejam mais uns dias felizes, umas pequenas férias se possível, o estar com a família e os amigos, sem a correria do quotidiano, sem preocupações de trabalho, com saúde e alegria.

Amêndoas para todos! Fiquem, de novo, com os Neverend!
28 de mar. de 2007
The windmills of my mind...
A canção fez parte da música do filme "The Thomas Crown Affair" ("O Grande Mestre do Crime"), de 1968, realizado por Norman Jewison, com Steve McQueen e Faye Dunnaway. Em 1999, John McTiernan realizou um "remake" do filme, interpretado por Pierce Brosnan e Rene Russo.
A letra merece destaque, por isso também aqui fica:
The Windmills of your Mind
Round
Like a circle in a spiral
Like a wheel within a wheel
Never ending or beginning
On an ever-spinning reel
Like a snowball down a mountain
Or a carnival balloon
Like a carousel thats turning
Running rings around the moon
Like a clock whose hands are sweeping
Past the minutes of its face
And the world is like an apple
Whirling silently in space
Like the circles that you find
In the windmills of your mind
Like a tunnel that you follow
To a tunnel of its own
Down a hollow to a cavern
Where the sun has never shone
Like a door that keeps revolving
In a half-forgotten dream
Or the ripples from a pebble
Someone tosses in a stream
Like a clock whose hands are sweeping
Past the minutes of its face
And the world is like an apple
Whirling silently in space
Like the circles that you find
In the windmills of your mind
Keys that jingle in your pocket
Words that jangle in your head
Why did summer go so quickly?
Was it something that you said?
Lovers walk along a shore
And leave their footprints in the sand
Is the sound of distant drumming
Just the fingers of your hand?
Pictures hanging in a hallway
And the fragment of a song
Half-remembered names and faces
But to whom do they belong?
When you knew that it was over
You were suddenly aware
That the autumn leaves were turning
To the colour of her hair
(na versão de Nana Mouskouri)
(When you knew that it was over
In the autumn of goodbyes
For a moment you could not recall
The color of his eyes)
Like a circle in a spiral
Like a wheel within a wheel
Never ending or beginning
On an ever-spinning reel
As the images unwind
Like the circles that you find
In the windmills of your mind
Que a Primavera vos esteja a ser agradável!
19 de mar. de 2007
Para os meus filhos
Gostei imenso de todas as palavras. Digamos que é isso mesmo que um pai, ao fim destes anos, gostaria de ouvir (ou ler). A música também foi escolhida a dedo: de facto, muitas secas vos dei com "A Banda" (e outras, e muitas outras... :))) e espero continuar a dar, pois então. Como canta a outra, "até que a voz me doa" lololol.
Que a vossa música seja sempre a melhor, e a vossa vida como a vossa música, e que me vão aturando por muitos e bons, que amanhã... é outro dia ;)
Muitos beijos para os dois e... OBRIGADO!
Feliz Dia, Pai!
Viemos aqui deixar um grande beijo e um grande abraço neste dia especial, e lembrar uma música que crescemos a ouvir, conhecendo-a apenas pela voz do nosso pai.
Tal como tantas outras músicas que ele nos deu a conhecer, e que nos ensinou ao longo da nossa infância, influenciou a nossa maneira de ser e sobretudo a nossa ligação à música.
Ouvir e tocar música foi algo que desde muito cedo teve um significado especial para nós, em grande parte graças a tantos serões passados na tua companhia, Pai.
Por isso e por tudo o que nos tens trazido ao longo da nossa vida,
--
Chico Buarque - A banda
Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem
A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor
Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou
E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor...
13 de mar. de 2007
Para não dizer que não postei...
8 de mar. de 2007
8 de Março

Independentemente de ser ou não ser justificada e oportuna a celebração do Dia Internacional da Mulher, a verdade é que a data se comemora hoje, e não vejo nenhuma razão para não deixar aqui o meu beijo às amigas que me visitam. Uma flor para vocês, neste vosso dia. Uma flor para todas as mulheres.

E mais estas.

1 de mar. de 2007
Jeff Buckley

Como exemplo, embora um tanto diferente da sua linha habitual de composição, mas por isso mesmo, fica a canção Corpus Christi Carol, do álbum Grace.
He bear her off, he bear her down
He bear her into an orchard ground
Lu li lu lay lu li lu lay
The falcon hath bourne my mate away
And in this orchard there was a hold
That was hanged with purple and gold
And in that hold there was a bed
And it was hanged with gold so red
Lu li lu lay lu li lu lay
The falcon hath bourne my mate away
And on this bed there lyeth a knight
His wound is bleeding day and night
By his bedside kneeleth a maid
And she weepeth both night and day
Lu li lu lay lu li lu lay
The falcon hath bourne my mate away
By his bedside standeth a stone
Corpus christi written thereon





