Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

11 de abr. de 2006

Das pizzas e das francesinhas

Pizza de ananás, a pedido da Pérola, aka nãosoueuéaoutra. Que tal? Caso não esteja ao teu gosto, tenho ainda esta, de banana e coco.















Passemos às francesinhas, por indicação
da maloud....

Esta não parece má. No entanto, dizem que a clássica leva dois ovos estrelados em cima. Aqui está ela também.





E porque não rematar a refeição com uma inovadora pizza banana split, que poderá agradar a outros clientes?


Bom apetite. Ah, por favor não se lembrem de fazer mais pedidos, que aqui o restaurante fechou, excepto para algumas... hmmm... excepções :)

Uma pizza para a Cristina
















Já que gostas de pizza, não seja por isso, faz o favor de te servires, e sê feliz :)

Gostas desta marca? Eu não conhecia lolololol.

9 de abr. de 2006

A insustentável falta de pachorra num domingo como outro qualquer

Dragão em grande!





Tenho uma série de ideias para posts, lá isso tenho. Mais do que ideias, até.
Estão quase feitos, na minha cabeça ou coisa assim. Mas não me apetece publicá-los. Estou sem pachorra. Há dias assim. Por isso, limito-me a desejar a todos uma boa semana, e aproveito para dar os parabéns aos adeptos do FCP, que ganhou o jogo com o Sporting, e quase com certeza o campeonato.


8 de abr. de 2006

Hoje, vá-se lá saber porquê, apetece-me pôr aqui o princípio do Manifesto Anti-Dantas...



MANIFESTO ANTI-DANTAS E POR EXTENSO

por José de Almada-Negreiros

POETA D'ORPHEU, FUTURISTA e TUDO



Basta pum basta!!!

Uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

Abaixo a geração!

Morra o Dantas, morra! Mão.jpg (2277 bytes)Pim!

Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!

Uma geração com um Dantas ao leme é uma canoa em seco!

O Dantas é um cigano!

O Dantas é meio cigano!

O Dantas saberá gramática, saberá sintaxe, saberá medicina, saberá fazer ceias pra cardeais, saberá tudo menos escrever que é a única coisa que ele faz!

O Dantas pesca tanto de poesia que até faz sonetos com ligas de duquesas!

O Dantas é um habilidoso!

O Dantas veste-se mal!

O Dantas usa ceroulas de malha!

O Dantas especula e inocula os concubinos!

O Dantas é Dantas!

O Dantas é Júlio!

Morra o Dantas, morra! Mão.jpg (2277 bytes)Pim!

................ ................... ...................

6 de abr. de 2006

Mais uma canção de Kurt Weil

Para os apreciadores, Lotte Lenya canta mais uma vez Kurt Weil, agora a Bilbao Song.
Daqui a uns dias será tempo de mudar a música, pois claro.


5 de abr. de 2006

Lá se foi o Benfica

Lá, marcam-se penalties (e ficam cantos por marcar). Cá, não. O Simão falha. O Eto'o não. E assim se faz a história. Será que o Barça precisava destas abébias? Talvez não, mas teve-as. E mais algumas oferecidas por jogadores do Benfica em noite menos inspirada. Enfim.... Espero que a Cristina, a Caracolinha e mais benfiquistas não estejam muito tristes. Para o ano haverá mais - acho eu.
Quanto aos catalães, fico com a lembrança de Manuel Vásquez Montalbán, um catalão que considera ("As Termas") que os seus conterrâneos afirmam ser os únicos que trabalham a sério, sendo que a norte da Catalunha são todos madraços e a Sul são todos bandidos. Ou vice-versa, não me lembro bem :)

3 de abr. de 2006

Moçambique em 5000 palavras

1. Chitas, algures no Parque da Gorongoza
2. Baía de Pemba
3. Miúdos de Pemba
4. Baixa de Maputo
5. Pôr do sol em Maputo







Prova de que hoje fiz um post / é este poema de Robert Frost

The Road Not Taken

TWO roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that, the passing there
Had worn them really about the same,
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I-
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.

31 de mar. de 2006

Última hora! OPA sobre a Contra Capa!

Até ao momento, a anunciada OPA sobre o blog Contra Capa, lançada pela Pêndulo SA, não parece ter recolhido apoio suficiente para se tornar credível. Fontes bem informadas confidenciaram que os accionistas do blog da Cristina estão dispostos a tudo para defenderem a sua dama. A contagem de espingardas prossegue minuto a minuto, embora a empresa pendular tenha sofrido uma baixa de vulto, já que uma das atracções oferecidas, o Sr. Zézé Camarinha, "teve que se ausentar de forma imprevista para resolver um assunto delicado", conforme revelaram outras fontes. Inquirido sobre a movimentação da Pêndulo SA, o Ministro das Finanças declarou, embora sob reserva, que a mesma revelava alguma oscilação, pelo que ainda seria cedo para comentar de forma mais concreta a operação. Já o Primeiro-Ministro apenas referiu que estava a preparar-se para ir a Barcelona ver o Benfica, e que não fazia quaisquer comentários, uma vez que o assunto lhe não dizia respeito. Não foi possível, até agora, localizar o Presidente da República. Diz-se que terá viajado por uns dias a S. Tomé e Príncipe, com o possível objectivo de elevar o país, na pessoa do seu Presidente, às altas esferas ou coisa similar. Outra forma de dizer que foi apanhar cocos, afiançam os críticos do costume.
Mesmo à hora do fecho desta notícia, fomos informados via SMS de que já muitos populares se encaminham para o Marquês, embora não estejam bem certos do que lá vão fazer. "Lá saberemos", comentou de fugida uma senhora que não quis identificar-se, pois apercebeu-se de que, afinal, não iria aparecer na televisão.
Dentro do espírito de isenção que sempre caracterizou este blog, não queremos deixar de (sem tomar partido, note-se!), referir que a Contra Capa é da Cristina e não será de mais ninguém, por muitas opas que venham e vão. E mai nada.

29 de mar. de 2006

Sobe, sobe, balão, sobe!


- O Governo prepara-se para aumentar o imposto sobre os combustíveis.
-Ah sim? Hmm...
-
Hmm?
- O que vale é que as nossas empresas estão bem e recomendam-se, por isso não há problema em aumentar o gasóleo mais uns cêntimos por litro...
- Ah estão? Hmm... Então e os automobilistas? Sabes, aquelas pessoas que vão todos os dias de carro para o trabalho...

- Pois, felizmente temos uma boa rede de transportes públicos, senão era capaz de ser chato.

- Ah temos? Hmm...

27 de mar. de 2006

Dia Mundial do Teatro

A Ópera de Três Vinténs (Threepenny Opera) em palco - Sydney, 1994
A Dreigroschenopera de Brecht e Kurt Weil conheceu várias versões, e é
nela que se
baseia a Ópera do Malandro, de Chico Buarque.


Um dia para recordar, por exemplo, Bertolt Brecht, uma figura da maior importância para o teatro contemporâneo. Mais sobre a vida e obra de Brecht aqui. Entretanto, fica a Balada (Moritat) de Mackie Messer, composta por Kurt Weil para a Ópera de Três Vinténs, aqui interpretada por Lotte Lenya, e as



Perguntas de Um Operário Letrado


Quem construiu Tebas, a das sete portas?

Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas

Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem

Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?

Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?


Tantas histórias,
Quantas perguntas.

(Bertolt Brecht)












Bertolt Brecht (segundo a contar da esquerda) tocando flauta numa banda de rua (1919).
Curiosidade: Ao centro, com o oboé, está o genial comediante Karl Valentim.

24 de mar. de 2006

Memória de Tim Buckley

"The antique people are down in the dungeons
Run by machines and afraid of the tax
Their heads in the grave and their hands on their eyes
Hauling their hearts around circular tracks
Pretending forever their masquerade towers

Are not really riddled with widening cracks
And I wave goodbye to iron
And smile hello to the air"

Assim começa "Goodbye and Hello", de Tim Buckley. Numa composição de tom épico de mais de oito minutos, o cantor recusa a sociedade podre e gasta em que vive(mos) e procura a saída para um futuro livre e verdadeiro. Esta luta atravessa toda a obra do compositor, poeta e intérprete, falecido em 1975, aos 28 anos. Mas Tim Buckley foi também o trovador romântico, o "Knight-errant" em busca da sua dama ("Oh whither has my Lady wandered / I search until I know I´ve found her."). "Phantasmagoria in Two" e "Once I Was", a canção que hoje aqui deixo, são bons exemplos dessa outra busca. Foi o pai de Jeff Buckley, compositor e músico também já desaparecido, e porventura mais divulgado.


Once I was a soldier
And I fought on foreign sands for you
Once I was a hunter
And I brought home fresh meat for you
Once I was a lover
And I searched behind your eyes for you
And soon there'll be another
To tell you I was just a lie
And sometimes I wonder
Just for a while
Will you ever remember me


And though you have forgotten

All of our rubbish dreams
I find myself searching
Through the ashes of our ruins
For the days when we smiled
And the hours that ran wild
With the magic of our eyes
And the silence of our words

And sometimes I wonder
Just for a while
Will you ever remember me

22 de mar. de 2006

Dia Mundial da Água


É sempre o Dia Mundial de Qualquer Coisa. Porque não o da água? Um dia destes ainda vamos
matar-nos por água, como hoje nos matamos por petróleo. Temos tendência a esquecer que a
água é um bem escasso, por isso usamos e abusamos do precioso líquido.
Não seja por isso! Para comemorar na devida forma a data, deixo aqui algumas sugestões que
vão porventura agradar a paladares diversos, e têm a indiscutível vantagem de poupar de alguma
forma a homenageada.


Um vinhito? Cerveja? Um sumo, para os abstémios? São horas de uma boa margarita?



Também há café ou um chazinho, para quem queira. Há de tudo, que aqui não custa nada. Um bom dia para todos, e que a água nunca vos falte.

21 de mar. de 2006

Dia Mundial da Poesia


Para assinalar aqui a data, escolhi um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen. Este poema, como exemplo. Esta autora, como muitas outras e outros. Como escreveu Celaya, "La poesia es un arma cargada de futuro". Que a poesia nos ajude a construir esse futuro, apenas para que ele exista.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Fernando Gil deixou-nos há dois dias


O filósofo português Fernando Gil morreu este domingo em Paris, aos 69 anos de idade, vítima de doença prolongada. Com uma carreira dedicada ao ensino e à escrita, Fernando Gil foi galardoado com o Prémio Pessoa e com o título de Cavaleiro da Ordem das Palmas Académicas atribuído pelo governo francês. Um resumo da sua biografia, na sequência da notícia da TSF Online, pode encontrar-se AQUI

20 de mar. de 2006

A festa...



Festa? Ah, ESTA FESTA para a qual todos estão convidados. Sentem-se, se quiserem, que sempre há uma tacinha de champanhe e uma fatia de bolo para cada conviva, além de outras iguarias-surpresa, claro :)))

18 de mar. de 2006

Chuva

CHUVA

Cai a chuva, ploc, ploc
corre a chuva ploc, ploc
como um cavalo a galope.

Enche a rua, plás, plás

esconde a lua, plás, plás
e leva as folhas atrás.

Risca os vidros, truz, truz
molha os gatos, truz, truz
e até apaga a luz.

Parte as flores, plim, plim
maça a gente plim, plim
parece não ter mais fim.

(Luísa Ducla Soares)




A CHUVA

A tarde bruscamente se aclarou,

porque já cai a chuva minuciosa.

Cai e caiu. A chuva é só uma coisa

que o passado por certo frequentou.
Quem a escuta cair já recobrou
o tempo em que a fortuna venturosa
uma flor lhe mostrou chamada rosa
e a cor bizarra do que cor tomou.
Esta chuva que treme s
obre os vidros
alegrará nuns arrabaldes idos
as negras uvas de uma parra em horto
que não existe mais. A humedecida
tarde me traz a voz, a voz querida
de meu pai que retorna e não é morto.

(Jorge Luis Borges)



TEMPO DE CHUVA

Continua a chover
sinto-me mal
não sei se é febre ou mãos vazias

continua a chover
e é natural
nestes dias iguais aos outros dias

Ah se chovesse fogo ou lava
se chovessem gritos e punhais
se chovesse um hino uma palavra
um cartaz a dizer que isto é de mais

Continua a chover
sinto-me mal
e não há rio que leve esta mágoa

não da febre não das dores
mas desta chuva que nem desperta as flores
inútil falsa triste água-só-água




17 de mar. de 2006

Cromos


"O Jornal de Notícias lançou uma caderneta de cromos dos Morangos com Açucar no passado dia 26 de Fevereiro, com oferta de uma caderneta e 1 poster. De Segunda a Domingo, grátis 3 cromos para completar a caderneta." (in Jornal de Notícias de hoje)

Ora aí está uma soberba aplicação da palavra cromos! Ainda existe imprensa criativa, apesar da caderneta...


16 de mar. de 2006

Opá! Chocolates! Upa, upa!




Cristina, minha amiga, é melhor apareceres depressa, antes que o produto esgote! Isto é o chamado post interactivo, corrigido, melhorado e aumentado.

Hoje não é o Dia do PI, mas...



“O Binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo. O que há é pouca gente para dar por isso.” (Álvaro de Campos)

Ora, nada como comparar. Vamos a votos, e nem é preciso enviar SMS a 0,60€ cada.

14 de mar. de 2006

Dia do PI






Não posso deixar de referir que hoje é o Dia do PI, apesar de ainda não ter descoberto como diabo se escreve o símbolo aqui no post, usando o teclado do costume. Por aqui se vê que não sou lá muito chegado às Matemáticas. Ou aos teclados. Passeando por referências ao célebre número irracional no ciberespaço, dei com esta interessante leitura, que vivamente recomendo:

http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/003838.html

Afinal acabei por descobrir, graças ao HTML: π

13 de mar. de 2006

Citação do dia












"O problema do jogging é que o gelo cai do copo."

(Martin Mull)

12 de mar. de 2006

O Islão


Tenho ouvido os principais ideólogos do Islão, alguns residentes em países ocidentais, qualificar o islamismo como um projecto revolucionário, que se pretende, portanto, implantar em todo o mundo, na perspectiva de que se deve viver segundo as regras de (e o respeito e culto a) Deus, sendo a política necessariamente inseparável da religião. Não estou a falar de teóricos do fundamentalismo, embora haja diversas tendências ideológicas dentro do Islão, algumas menos moderadas do que outras. Mas em todas permanece o essencial: um projecto revolucionário, político-religioso, que se pretende implantar. Face a isto, ocorrem-me diversas perguntas:

- Qual a infraestrutura económica subjacente ao projecto político e religioso (= ideológico) do Islão?

- Quais os meios considerados adequados para a divulgação e implantação do projecto em países ocidentais, de tradição cristã ou não?

- Será, por outro lado, o projecto "ocidental", a que vulgarmente chamamos democracia, inserida no sistema capitalista em que vivemos, também algo que se pretende implantar em todo o mundo, na convicção de que é o melhor para as pessoas?

- E, se assim for, quais os meios considerados adequados para a sua divulgação e implantação?

Fico por aqui. Gostaria de receber algumas ideias como respostas às perguntas que formulei. Penso que vai sendo mais do que tempo de debater (ou simplemente de pensar) a sério uma questão que cada vez mais parece pertinente, fundamental, inadiável.

11 de mar. de 2006

Título Qualquer Serve?

Este blog chama-se, talvez provisoriamente, Título Qualquer Serve. Por causa de Irene Lisboa, uma escritora infelizmente pouco falada - ou menos do que merece, creio. "Título qualquer serve para novelas e noveletas" - eis a obra a que roubei o actual título do blog. Sobre Irene Lisboa, podem ver, por exemplo:

http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Irene-Lisboa.htm

Fica aqui um poema, "Chuvoso Maio"

Deste lado oiço gotejar
sobre as pedras.
Som da cidade ...
Do outro via a chuva no ar.
Perpendicular, fina,
Tomava cor,
distinguia-se
contra o fundo das trepadeiras
do jardim.
No chão, quando caía,
abria círculos
nas pocinhas brilhantes,
já formadas?
Há lá coisa mais linda

que este bater de água
na outra água?
Um pingo cai
E forma uma rosa...
um movimento circular,
que se espraia.
Vem outro pingo
E nasce outra rosa...
e sempre assim!
Os nossos olhos desconsolados,
sem alegria nem tristeza,
tranquilamente
vão vendo formar-se as rosas,
brilhar
e mover-se a água...

10 de mar. de 2006

A propósito da Petição Inicial

A "Petição Inicial" que antecede não é, obviamente, uma forma de angariar clientes para este blog :) Escrevi-a em 8 de Março de 2003 para duas mulheres muito importantes na minha vida, e resolvi ontem publicá-la, a propósito de mais um Dia Internacional da Mulher. Um beijo para ambas, e que continuem a ter paciência para me aturar :)

9 de mar. de 2006

8 de Março: Dia Internacional da Mulher

PETIÇÃO INICIAL

Dá-me um cavalo uma alma uma nave
Algo que voe ou galope ou navegue
E seja azul ou de outra cor mas leve
No seu vagar qualquer coisa que lave

Dá-me uma curva um espelho uma pausa
Algo que brilhe e demore e seduza
E se transforme ao ar em luz difusa
Ou nada ou coisa que não tenha causa

Dá-me um comboio um apito um berlinde
Algo que parta ou que role ou decida
E ao passar perto da hora perdida
Nos traga a rima precisa de brinde

Dá-me um baloiço um esquadro uma vez
Algo que meça que oscile que seja
Uma surpresa o gesto que se beija
A última loucura que se fez

Dá-me um segredo uma cor uma uva
Algo que importe ou se cheire ou escorregue
(Mas não tropece nem ceda nem negue)
Por entre dedos ou gotas de chuva

Dá-me uma febre um papel uma esquina
Algo que rasgue ou se dobre ou estremeça
E que se esconda e mais tarde apareça
Sombra de vulto subindo a colina

Dá-me um arco que seja íris
Dá-me um sonho que seja doce
Dá-me um porto que tenha barcos
Dá-me um barco que nunca fosse

Dá-me um remo
Dá-me um prado
Dá-me um reino
Dá-me um verso

Dá-me um cesto
Dá-me um cento
Dá-me só
Um universo