mais uma estrela, tão próxima
da estrela do Rapaz
quanto as leis do Universo
o permitiram.
Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.
16 comentários:
há anos que li "O que diz Molero". Não sabia que tinha morrido
Alien:
fabuloso, este excerto de escrita quase vagabunda. Faz-me lembrar a sabedoria dos loucos, aqueles que cheios de talento e vida, acabam a pedir cigarrinhos ou copinhos de três, numa qualquer esquina avulsa. A quem passa.
São tão universais e de cara tão incógnita para quem não tem arte de os ouvir.
Também li, sei lá há quantos anos. Salvo erro, antes de partir para longe da Lisboa do jornalista dos sete ofícios, ali do Bairro Alto. Era do Bairro Alto, não era?
Beijos
Ouvi a noticia no noticiário :(
E o nosso Pais à beira mar plantado ficou mais pobre :(
Bjs e boa semana
Não sabia que tinha morrido.
Dele só li há muitos anos "O que diz Molero"
Que RIP
Beijos
... vim através da amiga vanda e porque há uns dias tinha lido um comment teu (no dela) referindo o GAC. Disse cá para comigo "um dia destes vou lá espreitar o blog do homem que, salvo erro, cita pela primeira vez o colectivo que "foi" do Zé Mário, do Afonso Dias, do Eduardo Pais Mamede, e outros que a minha memória não é nenhum computador."
E prontos, foi assim. Vim numa má altura, é certo, que o Dinis Machado bem podia ter esperado mais um bom pedaço para andar lá em cima, também ele a cintilar como uma estrela. Mas por outro lado, quando ouvi os "Shadows", voltei atrás no tempo e retirei uns bons anos à minha existência...
Teresa,
É um livro ímpar, que se lê e relê e volta a ler... digo eu.
Um beijo
Lizzie,
É muito possível que Dinis Machado se tenha inspirado nos loucos de que falas e na sua sabedoria para compor a personagem do verificador de passaportes e emissor de guais para a Praia de Pensar Nisso. A tua intuição deve estar a funcionar em pleno.
Sabes que estive quase a referir-me ao autor, nas poucas linhas que escrevi, "homem dos sete ofícios"? Curiosa coincidência!
Era do Bairro Alto, sim. E do Bairro do Amor também.
Um beijo.
Mar,
Ficou. É sempre triste, mas pensemos na estrela que se acendeu.
Beijos.
Wind,
"Só"? Olha que esse livro chega bem!
Beijos.
Legível,
Vieste através da Vanda, o que quer dizer que és muito bem vindo, em qualquer altura. Agradeço a tua visita, que retribuirei em breve. Afinal, até sabes quem fazia parte do GAC...! E...
Citar o GAC (e outros grupos e cantores que têm caído no esquecimento) é, creio, cada vez mais importante, precisamente porque "a cantiga é uma arma", e é capaz de ser tempo de nos armarmos... se já não for tarde.
Os Shadows, pois, porque pensas que os pus a tocar? Fica-se logo mais novo. E a música continua a ser boa. Excelentes guitarras!
Até breve.
Boa noite Alien!
Ouvi a noticia. Pensei: foi cedo demais. Como se nós pudessemos decidir a subida das estrelas ao céu. às vezes tambem penso que eu propria nasci no tempo errado. Ando assim como que às voltas com o tempo.
Mas,já sabes como eu penso: o tempo esse vampiro...
Fiquemos com o olhar nas estrelas.
E um sorriso para o Alberto, que por fim, veio nock nock desaguar a ti. Sei que um destes dias, trocarão memórias, estrelas e sorrisos :) obrigada, Alien!
Beijos
Vanda,
É sempre cedo demais, nestes casos... o tempo, esse vampiro, enriquece-nos, mas também nos empobrece, a vários níveis e de diversas maneiras. Nada a fazer?
Veio um amigo teu ver como era o meu blog, a propósito do GAC, imagine-se :)
Será sempre bem vindo, e também já fui espreitar o blog dele, pois claro :)
Beijos para ti.
Alien,
Creio que o Diniz Machado estará na sua estrela brilhante e desalinhada no sistema solar a fazer rir e a maravilhar todos os ETs:)))
Beijos grandes
Alien........ fiquei com uma pulga atrás da orelha.......
passa lá pelo meu alpendre..
Bjs :)
Lola,
Pois está. Por mim falo:)
Beijinhos.
Mar,
Já lá vou ver essa pulga...
Beijos.
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