Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

26 de nov. de 2006

Até sempre, Mário!



Morreu hoje, aos 83 anos, Mário Cesariny de Vasconcelos, o poeta, o pintor, o maior nome do surrealismo em Portugal. Da sua vasta e polifacetada obra, que abarcou mais que a literatura e a pintura, deixo dois exemplos, em homenagem ao Mestre.





You Are Welcome To Elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam

e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes

espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós

e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras noturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o
amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

22 de nov. de 2006

FRAGMENTOS: Cafés e afins por onde passei, convenientemente suspensos no tempo e no espaço para que possa visitá-los quando me apetecer.



CAFÉ MOÇAMBIQUE

O Santos, do café Moçambique, era baixote e gorducho, e pouco devia à inteligência. Dizia-se que baptizara o Café com esse nome porque Moçambique era a capital de Angola. A atestar a falta de cérebro do Santos contavam-se várias historietas e anedotas cuja origem era, no mínimo, duvidosa. A mim, venderam-mas, na altura, como originais e legítimas. Como aquela do cliente que pediu uma sandes de carne assada e o periódico. O empregado, recém-chegado das berças, coçou a cabeça, franziu o cenho e acabou por buscar socorro no Santos, que estava lá para os fundos do balcão.

- Você é mesmo ignorante - rosnou o patrão, enquanto se encaminhava para o freguês. Com um sorriso rasgado, perguntou:

- O amigo quer branco ou tinto?

Falava-se também do comensal que, depois de duas garfadas de um prego no prato, protestara alto e bom som que aquilo não se podia comer, que o bife era duro e o molho não prestava. Logo o Santos acorrera, meio espantado, meio indignado:

- Ouça lá, como é que isso pode ser? Ainda há pouco outro cliente acabou de comer um e disse que estava simplesmente execrável!!!

Mas verdadeira, verdadeira, é a que conto a seguir:

O Café Moçambique tinha agregada uma pensão, que funcionava no primeiro andar. Um belo dia lá se hospedaram duas jovens francesas, caso raro, por sinal. Ora, alguém tinha informado o Santos de que com francesas é que era, facturação garantida, tiro e queda, não deixe passar a oportunidade, homem!

De maneira que, por volta da meia noite, o Santos escapuliu-se, em pijama, do leito conjugal, e foi com passinhos de veludo bater à porta do quarto das francesas. O Santos não falava francês, mas deve ter-se feito entender claramente, porque as moças, que não eram de intrigas, desataram a cascar-lhe forte e feio, obrigando-o a uma retirada vergonhosa pelas escadas abaixo, até à rua. Levanta-se a mulher aos gritos, e participa na perseguição. O candidato a D. Juan já não sabia às quantas andava, acossado, humilhado, de pijama e chinelos de quarto no meio da rua. Só lhe faltava que aparecesse a polícia. E não é que apareceu?

Perante a queixa das francesas, a autoridade não teve outro remédio senão levar o Santos para a esquadra, onde foi forçado a pernoitar. E tudo acabou por se resolver, à boa maneira portuguesa.

Bem sabemos, porém, que notícias deste teor se espalham com a velocidade do vento. E foi assim que, passados uns dias, um amigo do Santos apareceu no Café e, sem mais prolegómenos, lhe atirou:

- Ó Santos, então você esteve preso, homem?

O visado nem pestanejou:

- Pois, é verdade... Políticas, meu amigo, políticas...!


O Café Moçambique aumentara substancialmente a clientela depois de a PIDE ter fechado a Associação Académica. Pouco povoado pela manhã, ia-se compondo a seguir ao almoço, graças aos grupos que iam à bica e ficavam depois para estudar. Com o passar dos meses, esses grupos quase sedimentaram, as mesmas pessoas nas mesas do costume, os rituais repetidos, a debandada geral pouco antes da hora do jantar e o regresso para a bica e a conversa da noite.

Era um café de estudo, o Moçambique. Digo-o eu, que muito li naquela mesa.

Certa tarde de princípio de Verão, conta-se que um rapaz, freguês habitual, se sentara à mesa do costume, com a mão por cima do ombro da namorada, como era uso dos parzinhos frequentadores do Café. Mas o Santos, nesse dia, estava do contra. Tinha lá uma espécie de parente recém-chegado da terrinha, e terá feito questão de ostentar o estabelecimento como casa de muito respeito, de maneira que, lá de trás do balcão, mandou o empregado de mesa dizer ao rapaz que aquilo não eram modos de se estar no Café dele, Santos. O empregado, discretamente, disse. O rapaz terá mandado responder ao Santos, pela mesma via, que se metesse na vida dele e não o chateasse. O empregado assim fez. O Santos levou a mal, pudera, tinha lá a espécie de parente... Apopléctico, desatou aos berros, que aquilo era uma casa decente, que não admitia poucas-vergonhas, que acabassem com a marmelada e fossem para a rua, já, imediatamente!

Ao rapaz, que não estaria nos seus melhores dias, passou-lhe qualquer coisa pela cabeça. Levantou-se de raiva, correu até ao balcão e vá de apertar os colarinhos ao Santos. Consta que o rapaz até era de seu normal pacífico e contido, com raras excepções, como naquela vez em que a polícia de choque entrara pela praça e pelo Tropical a malhar em tudo o que mexia, idosos e uma grávida incluídos, ou aquela outra em que a GNR enfiara os jipes com protecção dianteira de arame farpado pela mesma praça e atropelara e agredira à coronhada quem por lá estava em paz. Nessas ocasiões, diz-se que o rapaz se passara completamente, gritara que aquelas coisas só podiam acontecer naquele país de pides e de filhos da puta, e tivera de ser levado à força por colegas para a Associação, antes que fosse levado à força para outro sítio.

Mas adiante. Prontamente agarrado e imobilizado pelo Trajano, um empregado de balcão que fazia dois dele, o rapaz reparou que as pessoas começavam a levantar-se das mesas e a avançar para o matulão, que achou por bem largá-lo antes que a coisa desse para o torto. Sentou-se de novo à mesa. O Santos berrava que ia chamar a Polícia, e chamou mesmo.

Cinco minutos depois apareceu, de facto, um agente da PSP, que delicadamente pediu ao rapaz que saísse, ao que este respondeu, também com toda a cortesia, que não via qualquer motivo para saír. Retorquiu o guarda que ali o Sr. Santos se queixara de comportamentos menos próprios... O rapaz negou, convidando o agente da autoridade a arranjar uma testemunha, uma só que fosse, de tais acusações. Que, assim, sairia.

O polícia encabulou. Que eram todos amigos do rapaz, como iria conseguir testemunhas? E o rapaz que não, que a maioria dos presentes, apenas os conhecia de vista.

E o polícia saíu.

Os “presentes”, colegas de café e de hábitos, também elas e eles se abraçavam todos os dias, muito naturalmente, no Café Moçambique e em qualquer outro café, ou na rua, ou nos jardins, e também lhes repugnavam a imbecilidade e a prepotência dos moralistas de trazer por casa. E assim foi que, uma a uma, as mesas começaram a esvaziar-se e as pessoas a abandonarem o café. Algumas ainda foram ter com o rapaz, que se fosse embora, que ainda arranjava problemas, e um dos do grupo de caboverdianos perguntou-lhe em surdina se não achava que aquele Trajano merecia um correctivo... Que não, disse que não valia a pena, de resto o homem, se não tivesse obedecido ao patrão, às tantas era despedido, e o caboverdiano, muito sério, para o rapaz:

- Bom, se precisar de alguma coisa, estamos à disposição.

Caboverdiano que, diz-se, viria a encontrar o ex-rapaz muitos anos mais tarde, na Tabanca, o bar dos Tubarões, na cidade da Praia, onde a banda tocava e se dançava no pátio aberto. Era então ministro e, quando deu pelo antigo colega de aventuras, sentou-se à mesa dele, falaram daqueles tempos, riram e beberam, até que de repente os Tubarões atacaram uma coladera, ou talvez fosse um funaná, e o ministro se levantou e disse:

- Desculpe, amigo, mas agora tenho que ir dançar.

Naqueles tempos de que se falara na Tabanca, o rapaz e a rapariga tinham decidido teimosamente que seriam as últimas pessoas a saír do Café Moçambique. E parece que foram mesmo. A esmagadora maioria das pessoas que então abandonaram o café deixaram, pura e simplesmente, de frequentá-lo. Eu, por exemplo, só voltei a entrar no Café Moçambique anos mais tarde, já o Santos se retirara e o dono passara a ser o Sr. José, um antigo empregado de mesa simpático e de ar apalermado, de quem jamais suspeitaria que conseguisse sacar o café ao Santos. Como as pessoas se enganam!

17 de nov. de 2006

Em jeito de tapas, duas sugestões da Tuché,

A quem desde já agradeço a amabilidade.

Comecemos então por estes

Ovos mexidos com alheira


(Para 6 pessoas)

.1 alheira de aves
.4 ovos

. Tirar a pele da alheira e desfazê-la com as mãos e fritar em azeite durante 5 minutos em lume brando sem deixar queimar;
. Bater os ovos mas não adicionar sal, pois a alheira já é temperada;
. Juntar os ovos na alheira e mexer bem até ficarem cozidos;
. Servir com um raminho de salsa em cima.
. Pode servir pãozinho torrado para acompanhar.


Alternativa vegetariana:

Cogumelos recheados com coentros e queijo emmental:


(6 cogumelos por pessoa + ou -)

. Lavar muito bem os cogumelos e retirar o pé; no interior do cogumelo deitam-se os coentros picadinhos ( frescos ou congelados) e por cima completa-se com queijo emmental.
. Aquecer previamente o forno a 150 graus.
. Levar os cogumelos num tabuleiro para gratinar até ficar meio tostadinho.

Depois está pronto a servir.

Esta receita também fica bem com recheio de chouriço picado (os de Arganil são bons), sem os coentros, mas com o queijinho por cima.

Bom apetite com estes petiscos da Tuché.

E com a sugestão do Parrot para vinho: "Duas Quintas".

Mais café e digestivo à conta da Wind :)

12 de nov. de 2006

Cristina,

Acabei por encontrar uma musiquinha do Carlos Mejía Godoy que andava para te mostar há bastante tempo. Até já citei parte da letra no teu blog... a propósito de perfumes. Reza assim:

SON TUS PERJÚMENES

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjúmenes mujer.

Tus ojos son de colibrí ¡ay! cómo me aleteyan
¡ay! cómo me aleteyan tus ojos son de colibrí.

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjumenes mujer.

Tus labios pétalos de flor cómo me soripeyan
cómo me soripeyan tus labios pétalos de flor.

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjúmenes mujer.

Tus pechos cántaros de miel cómo reverbereyan
cómo reverbereyan tus pechos cántaros de miel.

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjúmenes mujer.

Tu cuerpo chúcaro mi bien ¡ay! cómo me almareya
¡ay! cómo me almareya tu cuerpo chúcaro mi bien.

Son tus perjúmenes mujer los que me sulibeyan
los que me sulibeyan son tus perjúmenes mujer.

Como bónus, apanhei no You Tube esta pérola, 3 minutos e meio de puro terror, a não perder :D
O rapazito faz-me lembrar o puto que imitava o Quim Barreiros, Saul, não era? E a "bailarina"... "Ay, ay, caramba, mamma mia, mir kocht der Blut!", como dizia um amigo meu alemão:)))

Depois de ouvir o Carlos Mejía Godoy, é só pôr o vídeo a andar e o dia está ganho :)


7 de nov. de 2006

Especialmente para a Wind,

Que perguntou para quando outro poema meu, aqui ficam estes versos, que escrevi há largos anos para uma amiga que estava a passar um mau bocado.

Um mau bocado estamos todos nós a passar nos tempos que correm. Por isso, a música do Zeca, uma balada muito antiga e muito actual, o "Coro dos Caídos", que fui descobrir na minha colecção de mp3...


Os versos são, obviamente, "datados". Apesar disso e do mais, apetece-me pô-los aqui hoje.

Para a Wind e para todos quantos queiram lê-los.








Arroz Doce, Amêndoa Amarga

Com as mãos que nos damos e os olhos perdidos no fumo
no vago da aurora nas ondas nas cores nos canais
construir calmamente criar num minuto num ano
numa vida de vida os caminhos abrir horizontes
com os olhos que damos e as mãos de fumo perdidas
Na pedra assinarmos um nome uma marca do corpo
e o silêncio que fica povoarmos de risos ou facas
ou tímidas aves ou cores ou canais de mãos dadas
nas sombras do espanto onde a líquida rosa desperta

com o corpo na pedra assinarmos o nome que marca
O dia que somos a data do amor a paisagem
dos frescos países onde as brisas se encontram a sós
onde os lábios se abrem ao ritmo do tempo das plantas
e nas veias as facas e os risos de novo se cruzam
na paisagem do dia que temos na data do amor
Descobrir que só somos se formos sem antes dizermos
como seremos ao sermos no devir das formas que
a cada instante se inventam à superfície do espelho
em que nos vemos ser vagos seres com plantas nos lábios
sem antes dizermos descoberto o descobrir que temos

Construir calmamente criar num minuto num ano
os caminhos do corpo as estradas de cada cabelo
com os dedos salgados tocando intranquilos as coisas
com os dedos nervosos formando o futuro da carne
e o que se diz alma à solta ao que há-de vir aos ventos
Incansável percurso de estrelas por dentro de estrelas
de rios por rios com estátuas de vidro nas margens
circulantes poeiras de luz vinhos de corpo espesso
e tudo bebermos com a ânsia dos outros de nós
e tudo em nós ser bálsamo ou sábio alimento

Criar a aventura o sabor dos mais antigos frutos
com as mãos que nos unem e os olhos de fumo que temos
pedra a pedra ir erguendo as cidades do amor impensável
no corpo a corpo em que o sangue silencia o eterno medo
rompe as muralhas e corre em direcção ao sol que dentro
De cada um teima em gritar e inesperado se acende
no canto vagabundo que recusa a solidão o nada
na invencível revolta na terna manhã das entranhas
no prazer da terra agora da terra vestida despida
no prazer da nudez absoluta serena de braços abertos


Viver sem fronteiras um hoje em que a luz nos beija o peito
ser o mar e a areia e os bosques e os barcos e os remos
sem guardar as palavras sem adiar a música dos gestos
viver como a líquida rosa que pouco a pouco se abre
e abrindo-se inteira se dá e em se dando desperta
Assim nos percorrermos nos cumprirmos assim sermos
com os olhos que damos perdidos nas mãos que esquecemos
corpo a nascer das águas vertical puro e molhado
e é preciso que hoje respire uma lágrima um beijo
braços abertos de amor que espera e dói - e tanto basta

31 de out. de 2006

À falta de música,

Deixo uma "letra". Ou várias.

Mais uma vez, o servidor de alojamento de páginas pessoais da Telepac, a quem pago para dispor de espaço de armazenamento na net, está "em baixo". Acontece com alguma frequência, e não se compreende. Nunca me descontaram nas facturas o tempo em que deixaram de me prestar este (e outros) serviços. Mas adiante, que não estou para lamentações.

A letra A de Alien8, para começar:



A letra H de Happy e de Halloween, já agora:



E uma "letra" de que gosto bastante, e que hoje me parece apropriada... :

Cantares de Andarilho

("letra" de António Quadros para música de José Afonso)





Já fiz recados às bruxas
do Caselho à Portelada
dei-lhes a minha inocência
elas não me deram nada.

Andei à giesta,
ao lírio maninho,
na Bouça da Fresta,
no Casal Velido.
Erva cidreira,
à erva veludo,
na Lomba regueira
no Pinhal do Mudo.

Andei ao licranço,
andei ao lacrau,
no Monte do Manso,
na Espera do Mau.
'Vib'ra, à carocha,
ao corujão cego,
na mata da Tocha,
no rio Lágedo.

Fui andarilho das bruxas,
moço de S. Cipriano,
já fui morto e inda vivo,
vendi a alma ao Dianho.

Era donzel e guardei-me
p´rás filhas da feiticeira.
Parti-me em metade à loira,
noutra metade à morena.


E daqui a nada é Dia de Todos os Santos. Gozem o feriado.

27 de out. de 2006

Sopa de coentros


da Teresa Durães,
que estava farta de ver o post anterior e nada de mudar, nada de mudar, isto aqui anda mesmo parado...

Sopa de coentros (que está ao lume, aqui já cheira e estou a ficar aguada...)

5 batatas, 2 cebolas, água a cobrir, sal q.b.. coze.
Passar com a varinha mágica. Juntar molho de coentros. 5 min máximo. Mais varinha mágica e já está. Quem quer junta natas para ficar mais espessa.

Simples, fácil de fazer, vegetarianíssima, a menos que façam como eu e lhe atirem com um bife à café por cima. Ou qualquer outro bife que seja bom :)

Obrigado, Teresa. Vês, não esqueci a tua receita!

20 de out. de 2006

Novidades do IRS

Todas as estações de Televisão anunciaram nos últimos dias, com o devido destaque, o fim da diferenciação entre solteiros e casados, para efeitos de dedução à colecta em razão do agregado familiar. Agora, casados e solteiros poderão deduzir a mesma percentagem do salário mínimo nacional (55%).

Certíssimo. Nada a objectar.

Houve, no entanto, outra alteração que não terá chegado ao conhecimento de algumas dessas emissoras, porque nelas não dei por qualquer notícia que se lhe referisse, e em outras foi apresentada â maneira das "letras pequeninas" que nos habituámos a ver em certos contratos.
Há uns anos, criou-se a distinção entre "contabilidade organizada" e "regime simplificado", sendo este aplicável a profissionais liberais e empresas cujos rendimentos não excedessem certo valor (cerca de 100 000 Euros para os profissionais liberais e cerca de 150 000 Euros para empresas). Ficou então estabelecido que, até à realização de estudos que fornecessem indicadores técnico-científicos para cada actividade, seria considerado como rendimento colectável dos profissionais liberais o valor resultante da aplicação do coeficiente de 65% ao seu rendimento. É apenas este coeficiente que agora interessa focar, precisamente porque foi o único a sofrer alteração no Orçamento de Estado para 2007.

Durante anos, considerou-se que os restantes 35% seriam verbas necessárias à formação dos rendimentos, e como tal não englobáveis. Os prometidos estudos ficaram, como sempre, por fazer.

Mas eis que, de repente, no meio da confusão, o Sr. Ministro das Finanças e o Governo em geral resolveram saír-se com um estudo a que só poderei chamar simplex, para não lhe chamar nadex ou nomes bastante piores que não param de me martelar o crânio. Estou a imaginar o "seminário":

- Ó pá, e se a gente pusesse 70% em vez dos 65% nos gajos liberais, hem? - Olha que é capaz de ser boa ideia, caramba! Ganhávamos aí uma batelada! - Mas então e os estudos...? - Os estudos que se lixem, pá. Ainda por cima, essa malta farta-se de fugir ao Fisco... - Ó pá, mas isto vai é apanhar os que não fogem... - Ai vai? Pois é... mas dá jeito, não? - Lá isso dá... - Então está feito. São 70% e não se fala mais nisso. E discrição nas notícias, pá, ok?

E pronto. De um momento para o outro, os profissionais liberais que deram pela coisa na Televisão ficaram a saber que só precisam de gastar 30% do rendimento para terem rendimento. Aquilo dos 35% era treta.

Tudo boas notícias. E assim se faz política neste país. Assim funciona a Comunicação Social.
Assim se ultrapassam as crises. Que, parece, já não há... ahahahahahahahahah!

P.S. : Não estranhem a fotografia. É que o outro também ia baixar os impostos.

16 de out. de 2006

A gata



De volta a estas lides, nada melhor que cumprir eventuais promessas e, na passada, mostrar as habilidades de uma das gatas da casa. Está longe de ser a única com apetência por teclados e monitores, o que demonstra que os Gatos e a Informática têm ligações misteriosas.




A música também é outra. "Penny Lane", dos Beatles, uma das minhas canções de referência de outros tempos, e que continuo a gostar de ouvir.

"In Penny Lane there is a barber showing photographs
Of every head he's had the pleasure to know..."

"In Penny Lane there is a fireman with an hourglass
And in his pocket is a portrait of the Queen.
He likes to keep his fire engine clean,
It's a clean machine..."

A ironia. Os ruídos do centro da cidade. Comboios. E a subida de Fá para Sol. Notável.

10 de out. de 2006

Barcos


Hoje deu-me para pôr aqui uns barquitos, só para descontraír, porque preciso e me apetece.
Sempre me parece melhor do que escrever "Intervalo" e folgar uns dias.

4 de out. de 2006

A opção vegetariana (receita da Vanda)


Sopa de Agrião para a Teresa :))

(e mais quem queira, acrescento eu :)

Em meia panela de água, adicionar:

Três batatas
Uma cebola
Um alho frances
Uma porção de abobora
6 cenouras
um fio de azeite
sal qb

Deixar cozer e triturar com a varinha mágica...

Adicionar ao creme, um molho bem fresco e viçoso de agriões, ja devidamente arranjados e limpos de caules :)

Deixar cozer aproximadamente mais 6 a 7 minutos e .....bom apetite!!

Obrigado, Vanda :)))

E também por esta entrada:

Entrada fria de tomate, para a Isa :) à falta de tomate na sopa :)


Num prato, dispor várias rodelas de tomate no ponto (nem verde nem demasiado maduro), depois cortar várias fatias de queijo mozarella fresco, que vão acamar no tomate...

Polvilhar com óregãos, pimenta e sal refinado e no momento de servir, temperar com azeite virgem :))

Variante Teresa Durães: usar queijo fresco.

30 de set. de 2006

A receita da semana

A receita desta semana foi-me enviada pela Maloud, a quem agradeço a amabilidade.

É uma criação do Dr. Fouad Felfeli, médico libanês.


POULET AU CITRON ET L’AIL LIBANAIS


(Os tempos referem-se a um frango-galinha.)

Ligar o forno a 200º.

Partir um frango do campo aos bocados e retirar-lhe a pele.

Retirar do frasco 5 rodelas de "citron confit" (1) e parti-las em cubinhos.

Pôr num pyrex o frango temperado com pimenta moída na altura e regá-lo com o azeite que excede o limão, que restou no frasco. Meter no forno durante meia hora.

A seguir colocar por cima do frango os cubinhos de limão e 3 dentes de alho picados.

Deixar no forno mais 10 minutos. Regá-lo com o molho e rectificar de sal.

Ao fim de mais 20 minutos, deverá estar pronto.

Servir com um arroz branco feito não com manteiga, mas com azeite.

À parte, uma salada de pepino, tomate e cubos de queijo de cabra marinados em azeite, orégãos e tomilho-limão.


(1) CITRON CONFIT: (receita daqui: http://mercotte.canalblog.com/archives/2006/04/09/1630917.html)

Pelo menos dois dias antes da utilização, cortar alguns limões não tratados, bem lavados e limpos, às rodelas de 1 cm de espessura. Salgá-los em sal grosso durante 24 horas.

carrot_cake___citrons___l_huile_003

No dia seguinte, lavar e secar as rodelas, guardá-las num frasco e cobri-las simplesmente de azeite. Este preparado conserva-se à temperatura ambiente durante vários meses.


Bom apetite!

Aguardo, como sempre, as vossas considerações sobre a receita, vinhos e sobremesas.
A minha sugestão para os vegetarianos: Legumes ao vapor :)


E aqui estão elas, as vossas SUGESTÕES, que muito agradeço! E algo mais :)

Teresa Durães:
ai... adoro vinho tinto!!!! Esporão? hum!!!! ahhhhhhhhh
Monte Velho?
pois, legumes ao vapor , já agora acompanhado de um arroz no forno, s.f.f
não estou para passar fome. E que tal uma sopinha de agrião?
e para finalizar, dado a escassez de fruta de época... não sei...
uma tarte de amêndoa?
......................................................
Ah! E ao lado.... o vegetariano ou faço birra :P

Mercotte:
Tiens tiens , ne serais ce pas ma recette et la photo de mes citrons confits !!

Cila:
Quanto as sobremesas recomendava algo tipo peras bebadas temperadas com licor de poejos.... acompanhada com uma bola de gelado e decorado com pauzinhos de canela ;):).

Isabel:
A...não terás tu uma receita para respirar melhor???? mas com limão???

Touché:
A minha sugestão de vinho vai para um tinto da casa Santar, sei que não são vinhos baratos mas a minha sugestão é o Casa de Santar Reserva.
Já agora a pimenta moída que seja da preta que é mais saudável :)

Maloud: (a grande responsável desta receita, incluindo o famoso citron confit :) . Obrigado, Maloud!
Eu aceito e aconselho a sugestão do escanção Touché. Não esqueçam que decorrem as feiras dos vinhos em tudo quanto é sítio, portanto é aproveitar.

27 de set. de 2006

Caldeiradas de não saber

Com
esta
toalha
se
pode
ornamentar
a
mesa
com

na
marinhagem.


Depois, escolhe-se o barco
de papel,
que em breve será certo
e rumará
connosco onde quisermos.


Na
banheira
teríamos
o
clássico.
Procuremos,
porém,
outros
horizontes,
mais
propícios
às
propostas


tentadoras
que
em
alto
mar
se
consumam,
se
consomem,
sob o
olhar
agudo
da ave
a quem
a Vanda
prometeu
legumes
ao vapor e veio.





"_______________continuando a não saber sei que todo o entretanto já valeu a pena.
como se a viagem nunca iniciada fosse o prenome que afixo no vento." - escreveu A rasar o céu.

E eu, pedindo licença, subscrevo.


Se sabemos que não sabemos, que deixámos de saber, sabemos talvez que nunca mais saberemos.

Em todo o caso, algo sabemos. E o que não sabemos faz parte da viagem; não o sabemos precisamente porque algo já soubemos.

O que era nunca pode passar a talvez. Poderá o
que era talvez passar a nunca?

Como saber? Como deixar de saber?



Pode bem acontecer que, como li algures, tenhamos saído num qualquer apeadeiro.

Mas o comboio continua em viagem. Importará muito sabermos para onde?

Não, enquanto soubermos ________________________ afixar prenomes no vento.

22 de set. de 2006

Foi o Sabr que pediu um post? Então, com um abraço...

Jah Wobble em "Samsara"








15 de set. de 2006

As vossas sugestões

Alterações à receita:

Teresa Durães:
substituir o bacalhau por espinafres.
Lola: Substituir o bacalhau por nozes, pinhões e espinafres [em atenção à Teresa e demais vegetarianas(os)].
Maloud: Raminhos de funcho em vez de raminhos de salsa.

Vinhos:

Teresa Durães: verde Ponte de Lima (apoiado pela Cristina e pelo Parrot)








Sobremesas:
Rosalina:
Tarte de natas, de que transcrevo a receita amavelmente colocada em comentário:

TARTE DE NATAS


Ingredientes

* 1 lata de leite condensado;
* 5 folhas de gelatina;
* 2 claras;
* 250 gr. de bolacha Maria (ralada);
* Óleo para untar.

Preparação

- Colocar a gelatina de molho e depois escorrê-la.
- Num tachinho levá-la ao lume com 1 colher (sopa) de água até derreter e retirá-la.

- Numa tigela, bater as natas e juntar-lhes o leite condensado, a gelatina e, por fim, as claras batidas em castelo.

- Forrar com papel vegetal uma forma de tarde, untá-la com óleo e polvilhá-la com metade da bolacha ralada. Deitar na forma o preparado e polvilhar com a restante bolacha.

- Levar ao frigorífico.


*quando a faço "em cima do acontecimento" ponho-a, primeiro, no congelador. convém ser servida bem fresquinha.

Espero não me ter esquecido de nenhuma sugestão... mas posso sempre ser chamado à pedra:)

As sugestões da Nnannarella, ipsis verbis, sic e tvi:

- canetas de tinta permanente para escrever bilhetinhos impermanentes durante o repasto, untados de tinta;
- vinho do douro trasmontano, tinto, é claro, tipo "Bons Ares", cheios de aromas outonais e cascas de carvalho;
- broa de milho que faça lembrar o bacalhau com broa que se faz lá bem em cima, em Castro Laboreiro;
- lareira, já acesa, com tapete, para depois;
- cigarrilha cubana ou charro de boa origem para fumar no varandim, que é do melhor para consumir em noites de ventos a olhar os socalcos com entremeada tardia de beijos, antes da queda em leito de alhos durienses...

(continuo amanhã)


Ficamos à espera da continuação, que isto promete... :)


Não tendo ainda chegado qualquer continuação vinda da Nannarella, temos no entanto as sugestões da Cila:

"Olha lá e o cafezito a seguir nao tem direito a uns docitos assim tipo biscoitinhos caseiros ou entao uns "carabineiros como eu chamo aos brigadeiros"...lol
é que eu sou gulosa.
E aqueles senhores que depois gostam de um bom armagnac/aguardente velha/whisky não têm direito tb a um acompanhamento que so gelo e charuto nao dá."

12 de set. de 2006

A receita da semana

Após merecidas férias, ei-la que volta, a receita da semana, e sem sequer esperar por sexta-feira: é que a fome é muita.
Para hoje, escolhi (que imaginação!) o bacalhau. Fresco, para variar. Um prato simples, fácil de cozinhar, agradável e quase leve :) Vamos então ao

BACALHAU FRESCO NO FORNO


Ingredientes para 4 pessoas:
. 4 postas de bacalhau fresco de 200 g cada
. 2 maçãs reinetas
. 4 alhos-franceses
. 2 limões
. 30 g de margarina vegetal
. um pouco de óleo
. salsa
. funcho
. sal

Preparação:
1.
Aquecer o forno a temperatura média.
2. Untar com um pouco de óleo o fundo de um tabuleiro refractário.
3. Lavar os alhos-franceses, cortá-los em rodelas fimas e distribuí-las no fundo do tabuleiro.
4. Descascar as maçãs e cortá-las em rodelas finas, dispondo-as sobre o leito de alhos-franceses e regando-as com o sumo dos limões. Cobrir com um pouco de funcho picado e polvilhar com sal.
5. Levar o tabuleiro ao forno quente; cozinhar durante 30 minutos.
6. Passado esse tempo, colocar as postas de bacalhau sobre as verduras; temperar com sal e distribuir por cima nozinhas de margarina vegetal. Voltar a introduzir o tabuleiro no forno durante mais dez minutos.
7. Servir quando estiver pronto, polvilhando o peixe com salsa picada.

E pronto. Espero que vos agrade. Sugestões? Vinhos? Sobremesas? Fico à espera e

BOM APETITE!


7 de set. de 2006

Natureza viva

1 de set. de 2006

Uma flor para a Cristina.



Porque sim.

28 de ago. de 2006

Para onde foi a Ave?


Há já alguns dias que a Ave levantou voo e desapareceu da nossa vista. Ficámos sem as belas histórias, sem os Lusitanos e a deusa Ataégina, sem o Rufus e outra malandragem, sem as fotos e os poemas, e etc., e etc....
Isso não se faz, Ave. Se voares por estas paragens e deres com este post, lembra-te de que temos saudades tuas. Eu tenho, isso é certo.
Em qualquer caso, que os novos voos sejam bem sucedidos.

21 de ago. de 2006

Poeira


Antigamente forjavam-se
ramos por dentro das coisas e
cada ramo era barco e partia – ia
e.

Eram orientes de todas as cores
astrolábios abraços salgados
fermentavam as linhas as cartas
o percurso da água os segredos.

Pelas tardes cresciam heras silêncios
o fumo de um cigarro o copo na mesa
na mão na memória dos lábios
a espuma.

Recorriam sons agarrados aos dedos
que tocassem as coisas os ramos
as tardes
os barcos por dentro os silêncios.

Na parede gelada sofriam
as formas o capricho do olhar
espirais ocultas nas sombras
marcas de nomes o
hoje.

12 de ago. de 2006

Quadras


Duas, apenas. Salvo erro, de Francisco Menano, que também lhes juntou a música para um fado de Coimbra, interpretado pelo próprio e por Adriano Correia de Oliveira (na foto), entre outros.

Fiz uma cova na areia
Para enterrar minha mágoa:

Passou por ela o mar todo,
Não encheu a cova de água.

Ninguém conhece no rosto
O que a nossa alma inspira.

A vida é gosto e desgosto,

Mentira, tudo mentira.

4 de ago. de 2006

O post de todos os posts...

... que ficaram "no tinteiro".


Quem nunca disse para si mesmo:

- "Eh pá, boa ideia, vou pôr isto no blog um dia destes!" Ou
- "Olha, vou registar para não me esquecer. Isto vai dar um post. Talvez ainda hoje." Ou
- "Só falta arranjar uma foto, e esta coisa vai direitinha para o meu bloguito."

Mas nem registo, nem memória, nem post, nem nada. Algumas ideias ainda acabam por ser recuperadas, mais ou menos de acordo com o esquema original. Outras perdem-se para sempre.
Este post é para essas. É o post de todos esses posts, vossos e meus. Um grande post, portanto.

30 de jul. de 2006

Regresso com Recuerdos de Alhambra

No fim de tudo, o que são as palavras? Pedaços de espuma que nos secam na boca, restos de poeira atravessando a luz criada por uma janela entreaberta no fio da manhã. Imagens de braços que nos chamam e não podemos já alcançar, abraços proibidos. De olhos que de longe nos sorriem, de cada vez mais longe. Partículas de sonho desenhando um rosto que com o tempo se irá diluindo na memória. "Avec le temps, tout s'évanouit", canta-nos Ferré. Recordações, como as de Alhambra, ou quaisquer outras que nos enterneçam e arrepiem. Lágrimas. No fim de nós, os que vamos ficando, o que são as palavras?

20 de jul. de 2006

Até breve!

Amigas e Amigos,
Por motivos pessoais, não tenho tido tempo nem disposição para aparecer por aqui. Voltarei logo que possível (dentro de uns dias). Um abraço a todos.

16 de jul. de 2006

Atenção aos níveis do ozono,


Praticamente não divulgados na comunicação social, mas que a Contra Capa, sempre atenta, não deixou escapar. Vale a pena ler este alerta da Cristina. O assunto é demasiado importante para ficar ao cuidado das estações de televisão, mais interessadas em saber se o freguês gostou das sardinhas que comeu no cruzeiro pelas praias dos algarves.
Dêem lá um salto, que vale bem a pena. E protejam-se!

14 de jul. de 2006

A receita da semana

Já que a Itália ganhou o Mundial, vou sugerir uma refeição italiana mais ou menos completa.

ANTIPASTO (veneziano)
Carpaccio


Pode comprar-se no supermercado do Corte Inglês (4,88€/Kg, mas um Kg dá para muitas pessoas).
Tempera-se com um azeite suave (de Trás-os-Montes, por exemplo) e umas gotas de sumo de limão, acrescentam-se umas alcaparras e parmesão lascado, e está feito.
Sugestão da Cila: acrescentar rucola, vinagre de vinho e um pouco de pimenta preta.

Sugestão do Zeca, noutra onda, e fora da cozinha italiana: um gaspacho, por causa do calor.

PRIMO
"Penne" com noz e alho.

Para 4 pessoas:
400 g de macarrão "penne"
60g de parmesão lascado ou ralado
60 g de miolo de noz
25 cl de nata espessa
3 dentes de alho
sal, pimenta moída na hora


Misturar os dentes de alho e o miolo de noz rapidamente, e em seguida acrescentar a nata e misturar de novo para obter um molho homogéneo.Deitar o molho numa saladeira grande e juntar o parmesão, sal, pimenta e misturar bem.Cozer a massa numa boa quantidade de água a ferver, mexendo de vez em quando para que não pegue. Escorrê-la. Misturar bem o penne com o molho e servir imediatamente.

SECONDO
Espetada
de lulas recheadas com camarão


Para 4 pessoas:
24 lulas pequenas
24 camarões grandes
sumo de 1 limão

20 cl de azeite
1,5 colher de sopa de salsa picada

Misturar numa tigela o azeite e o sumo de limão e pôr os camarões descascados a marinar nessa mistura durante 10 minutos. Rechear cada lula com um camarão e colocá-las em espetos. Contar seis lulas por pessoa.
Grelhar as espetadas durante 7 minutos de cada lado.

Servi-las enfeitadas com salsa picada, acompanhadas de azeitonas pretas e cobertas com o resto da marinada.

DOLCE
Pannacota


Para 6 pannacota
50 cl de nata
20 cl de leite
2 colheres de café de açúcar
1 vagem de baunilha
3 folhas de gelatina

Mergulhar as folhas de gelatina numa tigela de água fria durante dez minutos. Abrir a vagem de baunilha no sentido do comprimento. Aquecer numa caçarola a nata, o leite, o açúcar e a vagem de baunilha. (Recuperar os grãos raspando). Não deixar ferver: apagar o lume à primeira bolha. Deixar a baunilha em infusão enquanto o preparado amorna. Retirar a vagem.Comprimir bem as folhas de gelatina e incorporá-las no preparado.Deitar a mistura em formas individuais ou copos. (Se optar por formas, atenção: desenformar pode não ser fácil. Use uma faca para ajudar, e evite formas demasiado caneladas.)
Colocar no frio (frigorífico) durante 3 horas.

Sugestão de vinho (do Parrot): Alvarinho Abadia de San Campio (bem gelado).

E é tudo por hoje. Excepto as vossas sugestões. Boa refeição!


Créditos: Glória Fácil, Passe-moi ta recette, Péché de gourmandise, Station Gourmande




12 de jul. de 2006

Alpinismo

Quando o homem acordou, três montanhas o olhavam
e, olhando-o, já dentro dele o perseguiam.
A princípio mal desperto, apenas viu as sombras:
três sombras inexplicáveis que lhe saíam do sono
e lhe embebiam a carne afeita às rochas,
o corpo no acto penoso de acordar aflito.
Olhou-as, num torpor ainda fascinado
e, alongando o olhar no percurso das sombras,
sentiu chegar a lucidez, quase que em linha recta,
ergueu lentamente um ombro - e foi então que as viu:
altivas, determinadas, indesmentíveis montanhas
que pareciam avançar, que avançavam para si.
Foi já completamente consciente que gritou.
Quando o grito se tornou em maravilha, e cordas,
picaretas, botas, mochilas povoaram
os picos nevados, a memória de expedições antigas,
as montanhas iniciaram, tranquilas, a escalada.
Por um doloroso instante, o homem foi feliz.

(1981)

10 de jul. de 2006

O quadrado preto

Foi-me lançado um desafio pela Alien David Sousa.
É uma experiência, que já vinha de trás. Tenho todo o gosto em, colocando aqui este quadrado preto, deixar patente que acredito na possibilidade que (ainda) temos de mudar o Mundo, se nos unirmos. Como? Isso teremos de o pensar em conjunto. Para pensar, é preciso que haja vontade. Sou mesmo capaz de dizer que, da maneira como as coisas estão, não temos outra alternativa que não seja a de mudar o Mundo, antes que o Mundo nos transforme a nós em qualquer coisa da qual já nem saberemos ter consciência, quanto mais vergonha. Como todos os desafios, a ideia é alargar a experiência a quem de algum modo acredite na ideia. Fica, portanto, o convite a quem se quiser manifestar da mesma forma.



P.S. Agora que o quadrado já parece mais quadrado, é tempo de clarificar que não estou a falar de instituições nenhumas em particular, mas apenas a perguntar, a quem por acaso ler, se acredita ou não que, unidos, podemos mudar o Mundo, e se quer ou não manifestar essa crença.
Só isso.

9 de jul. de 2006

The man who sold the world, de David Bowie, na versão dos Nirvana

We passed upon the stairs, we spoke of was and when
Although I wasn't there, he said I was his friend
Which came as a surprise I spoke into his eyes
I thought you died alone, a long long time ago

Oh no, not me
I never lost control
You're face to face
With the man who sold the world

I laughed and shook his hand, and made my way back home
I searched for form and land, for years and years I roamed
I gazed a gazely stare at all the millions here
We must have died alone, a long long time ago

Who knows? Not me
We never lost control
You're face to face
With the man who sold the world

Who knows? Not me
We never lost control
You're face to face
With the man who sold the world

8 de jul. de 2006

Atendendo e considerando...

Logo às 20h, Portugal-Alemanha para discussão do terceiro lugar no Mundial. Amanhã, a final entre a Itália e a França. Por isso, e antes de tirar umas pequenas férias da culinária, decidi publicar uma entrada italiana e um prato alemão. Neste caso, escolhi um prato muito conhecido e simples, o eisbein, que aprecio bastante. O antipasto italiano consiste numa salada de courgettes com queijo ricotta, de comer e chorar por mais. A propósito de cozinha italiana, estou a preparar uma refeição completa que talvez ainda publique antes das tais férias. Vamos ao assunto:


Salada de courgettes e ricotta
Ingredientes (p/ 4 pessoas)
* 4 courgettes
* 200 gr de queijo ricotta
* 10 folhas de coentro
* 5 colheres de sopa de azeite
Preparação
Lavar as courgettes e raspá-las, depois de lhes ter cortado as pontas.
Colocar as courgettes raspadas numa frigideira com 4 colheres de sopa de azeite, durante 15 minutos, em fogo lento, com 5 folhas de coentro picadas. Juntar sal e pimenta.
Deitar o conteúdo da frigideira numa saladeira e deixar arrefecer, cobrir com película de cozinha e deixar 1 hora no frigorífico.
Misturar numa tigela o queijo ricotta com a colher de azeite sobrante e o resto dos coentros picados.
Na altura de servir, repartir a salada de courgettes por copos ou tacinhas e, utilizando duas colheres, fazer rolinhos de ricotta, que serão colocados por cima. Decorar com uma folha de coentro. O ricotta pode ser temperado com um pouco de sal e pimenta.


Eisbein
Ingredientes:
1 joelho de porco
1 colher de chá de sal
1 colher de sopa de colorau
1 folha de louro
1/4 de colher de chá de pimenta-do-reino

2 colheres de sopa de salsinha picada
1 colher de sopa de cebolinha verde picada
1 cebola média cortada em 4
2 dentes de alho cortado em 2 pedaç
os

Coloque todos os ingredientes numa panela e cubra com água. Tape a panela e leve a lume forte até ferver. Baixe o lume e cozinhe até que a carne esteja macia. A carne deve ser mantida no caldo até à hora de servir, e nessa altura reaquecida. Sirva com choucroute e batatas pequenas cozidas com casca.


Bom apetite!


7 de jul. de 2006

Que


















Que silêncio me dás que eu já não tenha
Quebrado por palavras inquietas
Que resistem na meia-luz da ideia
Que se afirma cada vez mais lentamente
Que o devagar onde a vista se perde?


Que haja o dia de ser o eixo por
Que se movem em nós as mãos da água
Que definem as marcas arbitrárias
Questionadas na penumbra dos quartos
Que regressam, simplesmente regressam.


Que forma tem a transparência com
Que me envolves nos hemisférios em
Que não pergunto à voz da noite de
Que cores se tece a dimensão de um mar
Que por sombras e luzes anuncia
Que forma tem?

5 de jul. de 2006

Mesmo tendo perdido...

...Vamos comemorar, porque o merecemos. Mais um penalty duvidoso, mais uma segunda parte (da França) à grega, enfim, a treta do costume. Gostei da selecção. Faltaram mais remates, e quem os fizesse. No resto, nada a dizer. A sorte esteve com a França. E a Nossa Senhora das Grandes Penalidades.

4 de jul. de 2006

A receita da semana

Antecipada, por causa da meia-final do Mundial. Quer Portugal ganhe ou perca, acho que devemos celebrar. Assiste-nos esse direito, depois de a selecção ter chegado às meias-finais. Por todas as razões, e mais a de libertar a tensão acumulada ao fim de vários jogos feitos de nervos, sofrimento e alegria.

A Tuché enviou uma receita de sandes de salmão, que agradeço e reproduzo com todo o gosto. Devem ser deliciosas. Para quem não goste de salmão, sugere a Lola que o substitua por rodelas de tomate e/ou atum. A própria Tuché também aposta no atum (desfiado) como opção, recomendando que, nesse caso, se tirem os espargos. A Maloud sugere azeite em vez de maionese. E eu agradeço todas as amáveis sugestões. Vamos então às

Sandes de Salmão


-Pão de centeio ou Pão integral
(comprar o pão já fatiado de preferência, 3 fatias p/ cada sandes)
-Maionese (a gosto)
-Requeijão( 1 )
-Cebolinho( 2 pés )
-Salmão fumado ( 100 g )
-Espargos verdes ( 3 )

Barre as fatias de pão com maionese e reserve. Lave, escorra e pique o cebolinho. Retirar o requeijão da embalagem, colocar num prato e esmagar com um garfo e em seguida misturar bem o cebolinho picado.
Em cada fatia de pão barrar com requeijão e sobrepor outra fatia de pão com os espargos verdes e 1 ou 2 fatias de salmão por cima, junte mais 1 fatia de pão e será a última. Não esquecer que todas as partes interiores do pão devem ser barradas com maionese, para quem gosta, claro!!

E, sempre na senda do salmão, deixo uma receita francesa do Papilles et Pupilles:

Salmão gratinado


Para 4/6 pessoas
Preparação: 20 minutos
Cozedura: 20 minutos



Ingredientes
:


* 400 g de lombo de salmão sem peles nem espinhas
* 8 talos brancos de alho-porro (alho francês)
* 10 cl de leite
* 20 cl de nata líquida
* 4 ovos
* 1 colher de sopa de Maizena
* 3 colheres de sopa de azeite
* 20 g de manteiga
* noz-moscada, sal, pimenta

Aquecer o forno a 210°C.
Eliminar a parte verde dos alhos-porros. Lavar e cortar em rodelas grossas.
Aquecer o azeite numa frigideira com tampa, juntar as rodelas de alho-porro e cozinhar em lume vivo, mexendo sempre, durante 5 minutos. Acrescentar leite, sal, pimenta e noz-moscada. Deixar cozinhar durante 10 minutos, cobrindo a frigideira com a tampa. (Pode-se acrescentar também um pouco de vinho branco).
Untar com manteiga um tabuleiro de ir ao forno e colocar as rodelas de alho-porro e o salmão cortado em cubos com cerca de 3 cm.
Bater os ovos, incorporar a Maizena, a nata, o sal, a noz-moscada e a pimenta. Colocar sobre o salmão e o alho-porro, levar o tabuleiro ao forno previamente aquecido e deixar gratinar durante 15 minutos. Servir quente.


Venha a Itália...

Eu a querer que fosse a Alemanha, porque creio que a Itália é uma equipa mais difícil e complicada para Portugal, e sai mesmo a Itália. Isto, claro está, se amanhã ganharmos à França. Os italianos mereceram, pelo que fizeram na primeira parte. Tiveram aquela sorte que é fundamental, e na melhor altura. Se formos à final, resta-me desejar que a sorte se lhes tenha esgotado, e passe para o nosso lado.