Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

20 de mai de 2009

Comparando...

Chico Buarque canta "Geni e o Zepelim", da peça teatral "Ópera do Malandro".

Lotte Lenya canta "Seeräuber Jenny" ("Jenny Pirata"), da "Ópera de Três Vinténs" (Dreigroschenoper"), de Bertolt Brecht e Kurt Weil - na qual a "Ópera do Malandro" foi nitidamente inspirada (e não o digo apenas por esta canção).

Prefiro outras versões alemãs, como a de Gisela May ou a de Hildegard Knepf, mas esta tem a vantagem de apresentar uma tradução para Inglês (não a adaptação de algumas versões, como a de Nina Simone, mas uma tradução mais conforme com a letra original).

A comparação é, no mínimo, interessante.

Em futuro post, talvez coloque frente a frente "Die Moritat von Mackie Messer", mais conhecida apenas por "Mackie Messer" (com várias versões em Inglês, incuindo a de Louis Armstrong), e a "Homenagem ao Malandro", de Chico Buarque, da peça que acima referi. Esta "homenagem" é a única canção da "Ópera..." não composta por Chico Buarque.