Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

24 de mar de 2006

Memória de Tim Buckley

"The antique people are down in the dungeons
Run by machines and afraid of the tax
Their heads in the grave and their hands on their eyes
Hauling their hearts around circular tracks
Pretending forever their masquerade towers

Are not really riddled with widening cracks
And I wave goodbye to iron
And smile hello to the air"

Assim começa "Goodbye and Hello", de Tim Buckley. Numa composição de tom épico de mais de oito minutos, o cantor recusa a sociedade podre e gasta em que vive(mos) e procura a saída para um futuro livre e verdadeiro. Esta luta atravessa toda a obra do compositor, poeta e intérprete, falecido em 1975, aos 28 anos. Mas Tim Buckley foi também o trovador romântico, o "Knight-errant" em busca da sua dama ("Oh whither has my Lady wandered / I search until I know I´ve found her."). "Phantasmagoria in Two" e "Once I Was", a canção que hoje aqui deixo, são bons exemplos dessa outra busca. Foi o pai de Jeff Buckley, compositor e músico também já desaparecido, e porventura mais divulgado.


Once I was a soldier
And I fought on foreign sands for you
Once I was a hunter
And I brought home fresh meat for you
Once I was a lover
And I searched behind your eyes for you
And soon there'll be another
To tell you I was just a lie
And sometimes I wonder
Just for a while
Will you ever remember me


And though you have forgotten

All of our rubbish dreams
I find myself searching
Through the ashes of our ruins
For the days when we smiled
And the hours that ran wild
With the magic of our eyes
And the silence of our words

And sometimes I wonder
Just for a while
Will you ever remember me

22 de mar de 2006

Dia Mundial da Água


É sempre o Dia Mundial de Qualquer Coisa. Porque não o da água? Um dia destes ainda vamos
matar-nos por água, como hoje nos matamos por petróleo. Temos tendência a esquecer que a
água é um bem escasso, por isso usamos e abusamos do precioso líquido.
Não seja por isso! Para comemorar na devida forma a data, deixo aqui algumas sugestões que
vão porventura agradar a paladares diversos, e têm a indiscutível vantagem de poupar de alguma
forma a homenageada.


Um vinhito? Cerveja? Um sumo, para os abstémios? São horas de uma boa margarita?



Também há café ou um chazinho, para quem queira. Há de tudo, que aqui não custa nada. Um bom dia para todos, e que a água nunca vos falte.

21 de mar de 2006

Dia Mundial da Poesia


Para assinalar aqui a data, escolhi um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen. Este poema, como exemplo. Esta autora, como muitas outras e outros. Como escreveu Celaya, "La poesia es un arma cargada de futuro". Que a poesia nos ajude a construir esse futuro, apenas para que ele exista.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Fernando Gil deixou-nos há dois dias


O filósofo português Fernando Gil morreu este domingo em Paris, aos 69 anos de idade, vítima de doença prolongada. Com uma carreira dedicada ao ensino e à escrita, Fernando Gil foi galardoado com o Prémio Pessoa e com o título de Cavaleiro da Ordem das Palmas Académicas atribuído pelo governo francês. Um resumo da sua biografia, na sequência da notícia da TSF Online, pode encontrar-se AQUI

20 de mar de 2006

A festa...



Festa? Ah, ESTA FESTA para a qual todos estão convidados. Sentem-se, se quiserem, que sempre há uma tacinha de champanhe e uma fatia de bolo para cada conviva, além de outras iguarias-surpresa, claro :)))