Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

23 de fev de 2007

Zeca Afonso deixou-nos há 20 anos

Eu deixo-vos com as suas palavras, com a sua música e com a minha imensa saudade.




Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos
Polpas seus cabelos
Resíduos de lar
Nos degraus de Laura
A tinta caía
No móvel vazio
Convocando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas
A fúria crescia
Clamando vingança
Nos degraus de Laura
No quarto das danças
Na rua os meninos
Brincavam e Laura
Na sala de espera
Ainda o ar educa

18 de fev de 2007

A receita da semana

É, desta vez, algo de simples e sem problemas para vegetarianos que comam ovos... e presunto :)


Para quatro pessoas,
* 4 ovos grandes
* 4 fatias de pão de forma
* 80 g de manteiga (reparem no pormenor...)
* 100 g de queijo ralado
* 4 fatias de presunto do tamanho do pão
* 2 colheres de sopa de vinagre por litro de água
* sal




A coisa faz-se assim:

1. Pôr ao lume um recipiente fundo e de boca larga com 1 litro de água, sal e o vinagre correspondente.
2. Quando a água ferver, partir os ovos e deitá-los, um a um, na água; cozer em lume brando durante 3 minutos exactamente. Pode ser útil cozer só 2 ovos de cada vez... :)
3. À medida que se retiram os ovos, introduzi-los numa tijela com água fria; depois, colocá-los sobre um pano limpo, para que escorram a água retida.
4. Entretanto, tostar ligeiramente o pão na torradeira; barrar as fatias com manteiga enquanto ainda estão quentes.
5. Colocar as tostas em pratos individuais, cobri-las com as fatias de presunto e metade do queijo ralado; colocar depois um ovo sobre cada uma delas e cobrir com o resto do queijo.
6. Introduzir uns minutos no forno, previamente aquecido, até o queixo fundir.
7. Servir os ovos assim que saiam do forno.

E pronto. Resta-me desejar-vos BOM APETITE!