Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

7 de fev de 2009

Ainda o destino?

Sou uma pessoa pacífica e tolerante, e ai de quem diga o contrário!

Mas tudo tem os seus limites, e o que agora vos conto ultrapassa-os a todos, mas de largo.
Tenho que desabafar já: O Prémio, o meu tão precioso e justo prémio, desapareceu!
Parece-me óbvio que foi roubado: Nenhuma outra explicação se enquadra na única e singular pista que encontrei, ali ao lado direito, no lugar do galardão, da dedicatória e dos arautos com as suas trombetas, misteriosamente subtraídos à minha e, digamos, também à vossa contemplação.

Apesar de ter ficado em estado de choque, ainda tive discernimento suficiente para eliminar imediatamente as linhas provocatórias e insultuosas que o perpetrador (ou perpetradora?) ousou deixar no lugar do que maldosamente escamoteou. Ah, mas isto não fica assim!



Li, reli e voltei a reler este lamentável simulacro de texto, gravado em pedra marmoreada na fútil intenção de o tornar perene. Arranquei-o de um fôlego, com as últimas forças que me restavam antes que a verdadeira dimensão do acontecimento se abatesse sobre mim.

Mais calmo, considerei-o atentamente, reflecti, indaguei, investiguei, imaginei, desesperei. Nada!
A pista é críptica. E, no entanto, algo me diz que quem cometeu o crime deixou na pedra a sua marca. Talvez sem se aperceber, ou porventura com cínica intenção (quem o saberá?), mas sinto que a deixou, e que essa "assinatura" levará inevitavelmente à sua identificação e castigo.

Peço a vossa ajuda. A insanidade apodera-se da minha mente, não vejo senão letras dançando e rindo-se dos meus olhos cansados. Alguém aqui poderá ajudar-me a descobrir QUEM FOI o autor ou autora da façanha?

A vossa colaboração será, também o sinto, fundamental! Por favor, leiam, investiguem, aventem hipóteses, AJUDEM-ME!!! A caixa de comentários deste post é toda vossa. Eu... eu fico à espera de que alguém faça LUZ.

CONTINUAÇÃO