Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

2 de jun de 2010

Sai mais uma receita!

Pudim de pão (oferta da Gasolina, obrigado!)

  • Pão de véspera, o equivalente a duas carcaças (qq um serve) 
  • 1/2 lt de leite
  • 5 colheres de sopa de açúcar
  • 4 ovos inteiros
  • uma colher sopa rasa de canela
  • 1 colher de sobremesa de erva-doce
  • 1 maçã
  • um punhado de corintos, um outro de pinhões


Esboroa-se o pão e deita-se o açúcar, a canela e a erva-doce; por cima rega-se com o leite que ferveu. Deixa-se embeber até engrossar. Mexe-se para uniformizar os ingredientes e juntam-se-lhe os ovos previamente agitados. É a altura de adicionar a maçã em pequenos pedaços e os frutos secos.
Deita-se na forma que antes se forrou de um ponto caramelo (água com açúcar e um cherinho de vinho do Porto; não querendo este trabalho, serve o caramelo engarrafado comprado na mercearia da esquina).
Coze em banho-maria e tapado se for ao lume; Assa destapado se for ao forno (e sem banho-maria).

A mesma receita sem a maçã e os frutos secos, apenas acrescentada de um pouco de rum moreno, é deliciosa.

Bom apetite!


Demorei um bocadito (obrigado e desculpa, Lizzie), mas aqui está uma sugestão interessante:


Deve ser bom depois de umas gambas no forno, marinadas em cerveja, alho e muito picante, acompanhadas com um Paço de Alcaides branco que não arde no estômago e tem selo de garantia, modalidade bom e barato.