Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

23 de nov de 2008

Caril de camarão à moçambicana

Receita escolhida, adaptada e enviada pela Vanda (obrigado!), a partir daqui.

Ingredientes:
1 coco
250 gr. de coco ralado

1/2 colher de chá de pó de açafrão das Indias
1 colher de chá de caril

1/2 colher de chá de cominhos

1 colher de chá de coentros

6 dentes de alho
1 colher de sopa ou mais de malagueta moída com com água

3 cebolas

100 gr. de camarão descascado

1/2 ch'avena de água de tamarindo ou 1 colher de sopa de bom vinagre

1 pitada de açúcar

2 malaguetas verdes

sal q.b.
3 colheres de sopa de azeite (aprox.)



Preparação
Rala-se o coco. Tira-se o sumo grosso e deixa-se à parte. Quando se tira o sumo ralo adiciona-se nele o pó de caril, açafrão das Indias, os cominhos, o coentros e os alhos.

Descasca-se o camarão, tempera-se com um pouco de sal e fica uns 10 minutos assim. Corta-se a cebola em meia lua e põe-se a refogar no azeite com uma pitada de de açúcar e um pitada de sal.


Assim que a cebola fique loura, acrescenta-se a pasta da malagueta moída e mistura-se bem com uma colher de pau.

Quando a malagueta estiver tostada deita-se o sumo ralo e deixa-se cozer bem e engrossar, mas não demais.


Lava-se muito bem o camarão e escorre-se. Quando o caril já tiver engrossado um pouco, deita-se o camarão.

Logo que o camarão e
steja cozido deita-se a água de tamarindo ou vinagre e deixa-se levantar duas fervuras.

Por último, deita-se o sumo grosso e uma ou d
uas malaguetas verdes cortadas ao comprido e bilimis também cortados ao comprido ou solans de manga.

Ferve bem.
Depois cozinha em lume brando até o azeite vir à superficie. O caril cozinha-se sempre em panela aberta e fica melhor se for confeccionado numa panela de barro...

Notas da Vanda:
1. Desconheço se em Portugal se vendem Bilimbis, fruto da árvore "Bilimbeiro" e que no Glossário Luso-asiático vêm descritos da seguinte forma: é estimado e tem melhor sorte que a caramboleira; rara será a casa que não possua o seu Blimbeiro e que o não regue. São os nossos tomates perennaes; do mesmo modo que estes na Europa, aqueles temperam na India as comidas.

2. Solans de Manga: talhadas de manga verde, secas e salgadas (in Etnografia da India); servem para condimentar o caril.


3. Para substituir o coco em fruto, julgo que poderemos utilizar 2 ou 3 garrafinhas de leite de coco.


Nota minha: Nota 20 para esta receita! É um caril delicioso, só isso.

Bom apetite! Aceitam-se, como sempre, sugestões de vinhos, entradas, sobremesas...

E aqui vai uma, cortesia da
Tia Adoptada, a quem agradeço a colaboração:

Pegue-se numa taça de gelado, coloque-se dentro uma generosa bola de sorbet de limão, regue-se com Vodka, polvilhe-se de hortelã picada e enfeite-se com bolacha de canudo. Mai nada!

Algumas sugestões da Lizzie (obrigado!), para complementar, aperitivar, o que queiram:

Rosquilhas de abóbora com calda de limão, queijo de cabra basco com pimenta verde mais umas garrafitas ou porrónes de tintol frutado, mais o quê?... Uns espargos salteados em vinagre, ervas e mais coisas que eu não sei, especialidade de Doña Rosa!

A propósito de queijos, e não só, o contributo da Prof, a quem igualmente agradeço:

1 e 2. Envolva um camembert inteiro em massa quebrada, corte os excessos, de forma a não haver sobreposição da massa, «cole» a junção e pique um pouco de uma das faces (do preparado, claro) com um garfo. Corte o resto da massa em pequenos quadrados, deite queijo emental ralado no centro, polvilhe com orégãos e «feche» formando um saquinho ou um travesseiro.
Leve ao forno, junto com o camembert, até a massa ficar cozida. (Provavelmente os «saquinhos» ficarão prontos antes do resto. Costumo colocar cada um dos elementos em bases de papel de alumínio, mas não é obrigatório; caso use o alumínio, não deve fechar completamente.

3. Coza massa fresca (esparguete) «al dente», espalhe num tabuleiro de ir ao forno e cubra metade com queijo emental ralado e outra metade com roquefort (ou misture ambos - depende do gosto dos convivas)
Leve ao forno, até o queijo fundir. Sirva acompanhado de salada de alface.

E ainda: queijo de cabra com batata doce cozida (ou assada), gratinados no forno e temperados com pimenta, azeite e orégãos, como a seguir se ilustra.


Ou: Cozem-se as batatas-doces no vapor, pelam-se, abrem-se ao meio e recheia-se com chèvre e/ou queijo fresco de cabra. Vai ao forno a gratinar.
Serve-se acompanhado de salada (no caso, mistura de alfaces, banana, uvas e papaia) tempera-se com orégãos, pimenta preta e azeite.


E a Arabica trata do café:)




Para a coisa se compor, chega-nos ainda a sugestão da Graça B., que tem mesmo de ser ilustrada, a partir do link que me deixou. Obrigado, Graça, por estes irresistíveis chocolates belgas!




E
a
Arabica
faz o favor
de nos oferecer

mais daquele
providencial café...
com arabescos até
na legenda!