Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

16 de out de 2009

"Amanhã é sábado e a noite hoje pode ser longa!"

Por isso, agradecendo à Uf! a gentileza, começo já com o frango na púcara, iguaria cheia de ingredientes e requintes, que muito aprecio. A receita vai "tal e qual".

As quantidades são para 1 frango; depois, acrescenta-se, a olho, para mais convivas.

Ingredientes:
1 fio de azeite (uma espiral aberta no fundo do tacho)
1 frango partido aos bocados (eu tiro-lhe a pele)
150g de bacon aos cubinhos (ou rectangulozinhos)

8 a 12 cebolas pequeninas ou 1/4 da dose de cebolas grandes, cortadas em quartos

4 dentes de alho esmagados

1l de vinho tinto

5 paus de canela

1 embalagem de tâmaras, sem caroço e picadas grosseiramente

1 embalagem de passas pretas

100g de cogumelos às lâminas

100g de caju ou amendoim

2 colheres de chá de sementes de coentros em pó

1 colher de sopa de erva-doce em pó

2 colheres de chá de canela em pó

1 colher de café de tomilho em pó

1 colher de chá de cominhos em pó

4 grãos de pimenta preta moída

2,5dl de vinho do porto

2 colheres de sopa de mel de alfarrobeira

1 cálice de medronho ou de aguardente de figo

1/2 ramo de salsa fresca picada

qb. de sal
1 cravinho
2 folhas de louro
1 malagueta, se toda a gente gostar. (Eu prefiro ter tabasco e quem quer acrescenta)

1dl de natas (facultativo)

Espero não me ter esquecido de nada. (Era o que faltava, digo eu em aparte :)



Desenha-se a espiral de azeite, no fundo do tacho, e colocam-se por cima os bocados de frango, as cebolas (deixar uma para o fim), os alhos, as lâminas de cogumelos, os cubinhos de bacon, os amendoins ou cajus, as passas, as tâmaras, as folhas de louro, em metades (eu costumo tirar o veio e as pontas), e a malagueta. Rega-se com o vinho tinto (deve ficar praticamente coberto de líquido).
Numa malga, misturam-se o vinho de porto, meio cálice de aguardente (medronho ou figo), uma pitada pouca de sal (depende de quanto sal têm já o caju e o bacon) e as especiariais em pó. Verte-se sobre o restante preparado. Deixa-se correr o mel em fio (uma espiral por cima do preparado). Espeta-se um pau de canela nos 4 pontos cardeais e um no centro. Polvilha-se com a salsa picada, espeta-se um cravinho na cebolinha ou quarto de cebola e coloca-se por cima, de forma a encontrar facilmente no fim, para retirar o cravinho (eu não gosto de o encontrar no meio da comida). Tapa-se e deixa-se cozer em lume brando (para aí uma hora ou mais). Quando a carne já estiver cozida, destapa-se e deixa-se cozer mais um pouco, para apurar. Retira-se o cravinho, rega-se com o resto da aguardente e flambeia-se, dando 2 ou 3 voltas suaves com a colher de pau. Para quem goste e não esteja a dieta, pode acrescentar-se umas colheres de natas batidas e envolver delicadamente, para engrossar um pouco o molho. Serve-se acompanhado de arroz branco, feito pela Lizzie.

Mas há mais, e da mesma fonte, mesmo apenas em imagem comentada:

"Vou ali preparar uns rolinhos de sushi com camarão e outros vegetarianos, para o caso de a Emma Larbos aparecer por cá. Amanhã é sábado e a noite hoje pode ser longa!"


E ainda uma original sobremesa LIP (ver foto...), que também agradeço à Uf!:


Faz-se uma «cercadura» com chantilly light do Lidl; em lume brando, descongela-se uma porção de frutos vermelhos Adèlie, do Intermarché, com um pouco de açúcar amarelo e um pouco de água (também à venda em qualquer um destes supermercados); coloca-se um petit gâteau pingo doce (secção de congelados) no mw por 30''. Retira-se o bolo, coloca-se no meio da «cercadura» de chantilly e cobre-se tudo com os frutos vermelhos.

É o que se arranja, para já, e confessem que não é nada mau! Obrigado, Uf! E que mais virá? :)

Para já, pão e sopa. Confesso que gosto de ambas as coisas... Assim, com os meus agradecimentos à Uf! (pão) e ao Legível (sopa), aqui ficam:


SOPA SEM NOME

Para 10 pessoas:

- 4 batatas médias
- 1 fatia de abóbora
- 1 nabo pequeno (sem ramagem)
- 1 repolho pequeno
- 1 alho francês (compridote)
- 1 colher de sopa de azeite virgem (aditamento fundamental)

Descascam-se, lavam-se e cortam-se aos quartos as batatas e o nabo, metade do alho francês e metade do repolho.
Tudo para a panela de pressão, com os ingredientes cobertos de água e sal a gosto.
Depois da panela ter feito o seu trabalho (apitos da ordem incluidos), passam-se os ingredientes pelo passevite até a textura dos mesmos atingir o ponto cremoso.
Com esse novo visual, os ingredientes voltam à panela, adicionando-se-lhe água suficiente para tornar o creme mais líquido, juntando ao mesmo, as metades do alho francês e do repolho, cortados em pedacinhos pequenos que irão "enfeitar" o "caldinho".
Deixar ferver e quinze minutos depois, a coisa está pronta.

Observação do "contribuinte": "Baptizei esta sopa de "Sem nome" mas diz quem já a provou que não precisa de ser chamada: come-se e está a andar de mota..."