Quem diria que, nesta altura do campeonato - e esta é uma das pouquíssimas vezes em que uso a expressão no sentido literal -,
Portugal ainda estaria de pé, e o
Brasil fora da carroça!
Se o futebol se jogasse com a boca, as coisas teriam sido ao contrário. O Brasil só temia o Gana e a Argentina: a isto chamo falta de noção, e um certo menosprezo pelas selecções europeias. A verdade é que são da Europa as quatro selecções semifinalistas. O resto é conversa.

A selecção da
Inglaterra bateu-se muito bem, ao contrário de certos jornalistas ingleses. Aguentou-se com dez, não cedeu até ao fim. Portugal controlou o jogo a partir do meio da segunda parte, e de forma muito clara no prolongamento. Mereceu, por isso, ganhar. Os nossos jogadores estiveram impecáveis, incluindo os que
Scolari (muito bem) colocou a substituir Pauleta, Tiago (porventura o menos feliz) e Figo (que "deu o litro"). O seleccionador voltou a tomar as opções certas, e fez um excelente trabalho, quer de preparação quer no decurso do jogo. Eu nem sequer gosto do homem, mas há que reconhecer o mérito que teve.
Teremos, mais uma vez, a
França pela frente. Com os ingleses, ganhámos sempre. Com os franceses, temos perdido.
Será desta que se quebra a tradição? Não vai ser fácil, porque a França melhorou imenso, depois de um começo fraquinho, e está agora altamente moralizada pela vitória sobre os ainda campeões do mundo. Tem a ligeira vantagem de não ter sofrido o desgaste do prolongamento e dos
penalties. Não vamos contar com Petit, por causa de mais um amarelo. Não há-de ser por isso, já que também não tivemos Deco e Costinha na partida de hoje, e lá nos safámos.

Independentemente de qual venha a ser o resultado,
há que salientar a proeza da presença nas meias-finais, o que não acontecia desde 1966, com Eusébio a valer por vários.
Espero que a selecção consiga chegar à final. Creio que o merece. Na próxima quarta-feira saberemos. E lá estaremos quase todos, às 8 da noite, a sofrer mais um bocado - mas também a ter algumas alegrias, como até agora.
E talvez a grande alegria...