"Despreza-se um homem que tem ciúmes da mulher, porque isso é testemunho de que ele não ama como deve ser, e de que tem má opinião de si próprio ou dela".
e de o ciúme ser uma coisa boa ou má, e de se ser ou não ciumento,
ocorreram-me várias frases, citações, pequenas histórias. A primeira citação deixei-a lá, no comentário, mas vou repeti-la aqui:

Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra!
(mais ou menos o que, de acordo com o Evangelho segundo S. João, Jesus Cristo terá dito, mas não acerca de ciúmes... )
Depois veio-me à ideia aquele célebre verso de Álvaro de Campos:
"Nunca conheci quem tivesse levado porrada."
Pois. Eu também nunca conheci quem se confessasse ciumento(a)...
Logo de seguida, duas daquelas deliciosas histórias curtas de Woody Allen, que cito de memória, sem qualquer preocupação de lhes conservar a forma, mas com total respeito pelo conteúdo.
A primeira refere-se ao medo do oculto, da solidão, do escuro, do desconhecido:

Quem de entre nós, sentado no sofá da sala, sozinho, a altas horas da noite, não sentiu já uma mão gelada poisar-se-lhe na nuca, arrepiando-o de pavor? Eu não, mas há quem tenha!
Porque me terá ocorrido esta história, a propósito de se ser ou não ciumento? Vá-se lá saber!...
A segunda já tem a ver com o curioso trecho da citação de Descartes que fala de amar como deve ser:

Que qualidades deve então ter um bom amante? Considera-se geralmente que um bom amante deve ser simultaneamente terno e forte. Mas forte até que ponto? Há quem defenda que deve ser capaz de levantar, pelo menos, um peso de cem quilos.
Assunto resolvido!
Termino a minha superior abordagem deste tema com a sabedoria popular plasmada nestes versos de uma canção do saudoso cómico brasileiro Grande Otelo (na foto, com muita pena de não ter conseguido encontrar o vídeo com a interpretação da canção):
A muié da gente

A muié da gente
É a muié da gente.
A gente briga por causa
Da muié da gente.
A gente briga por causa
Da muié dos outro também,
Mas a muié da gente
A gente não dá
P'ra ninguém.
Não dá, não!