Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

19 de mar de 2007

Feliz Dia, Pai!

Tomámos por assalto o blog do nosso pai!

Viemos aqui deixar um grande beijo e um grande abraço neste dia especial, e lembrar uma música que crescemos a ouvir, conhecendo-a apenas pela voz do nosso pai.

Tal como tantas outras músicas que ele nos deu a conhecer, e que nos ensinou ao longo da nossa infância, influenciou a nossa maneira de ser e sobretudo a nossa ligação à música.

Ouvir e tocar música foi algo que desde muito cedo teve um significado especial para nós, em grande parte graças a tantos serões passados na tua companhia, Pai.

Por isso e por tudo o que nos tens trazido ao longo da nossa vida,


Obrigado!

de: Luis e Renata

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Chico Buarque - A banda

Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem

A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela

A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor

Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou

E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor...

6 comentários:

wind disse...

Luís e Renata vocês são lindos:)))
Beijos para os dois*

isabel mendes ferreira disse...

excelente assalto....é assim mesmo.


pais assim merecem filhos ASSIM.


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BEIJOS.

Alien8 disse...

Wind,

Beijos para ti do Luis e da Renata, que agradecem :)

Alien8 disse...

Isabel,

Tanto o pai como os filhos agradecem :)))

Beijos.

Teresa Durães disse...

:))

ena, que filhos giros esses!!!

esta música é bem gira
o dia do pai já passou por isso dou os meus parabéns...aos filhos!!!

Alien8 disse...

E os filhos agradecem :)