Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

16/10/2009

"Amanhã é sábado e a noite hoje pode ser longa!"

Por isso, agradecendo à Uf! a gentileza, começo já com o frango na púcara, iguaria cheia de ingredientes e requintes, que muito aprecio. A receita vai "tal e qual".

As quantidades são para 1 frango; depois, acrescenta-se, a olho, para mais convivas.

Ingredientes:
1 fio de azeite (uma espiral aberta no fundo do tacho)
1 frango partido aos bocados (eu tiro-lhe a pele)
150g de bacon aos cubinhos (ou rectangulozinhos)

8 a 12 cebolas pequeninas ou 1/4 da dose de cebolas grandes, cortadas em quartos

4 dentes de alho esmagados

1l de vinho tinto

5 paus de canela

1 embalagem de tâmaras, sem caroço e picadas grosseiramente

1 embalagem de passas pretas

100g de cogumelos às lâminas

100g de caju ou amendoim

2 colheres de chá de sementes de coentros em pó

1 colher de sopa de erva-doce em pó

2 colheres de chá de canela em pó

1 colher de café de tomilho em pó

1 colher de chá de cominhos em pó

4 grãos de pimenta preta moída

2,5dl de vinho do porto

2 colheres de sopa de mel de alfarrobeira

1 cálice de medronho ou de aguardente de figo

1/2 ramo de salsa fresca picada

qb. de sal
1 cravinho
2 folhas de louro
1 malagueta, se toda a gente gostar. (Eu prefiro ter tabasco e quem quer acrescenta)

1dl de natas (facultativo)

Espero não me ter esquecido de nada. (Era o que faltava, digo eu em aparte :)



Desenha-se a espiral de azeite, no fundo do tacho, e colocam-se por cima os bocados de frango, as cebolas (deixar uma para o fim), os alhos, as lâminas de cogumelos, os cubinhos de bacon, os amendoins ou cajus, as passas, as tâmaras, as folhas de louro, em metades (eu costumo tirar o veio e as pontas), e a malagueta. Rega-se com o vinho tinto (deve ficar praticamente coberto de líquido).
Numa malga, misturam-se o vinho de porto, meio cálice de aguardente (medronho ou figo), uma pitada pouca de sal (depende de quanto sal têm já o caju e o bacon) e as especiariais em pó. Verte-se sobre o restante preparado. Deixa-se correr o mel em fio (uma espiral por cima do preparado). Espeta-se um pau de canela nos 4 pontos cardeais e um no centro. Polvilha-se com a salsa picada, espeta-se um cravinho na cebolinha ou quarto de cebola e coloca-se por cima, de forma a encontrar facilmente no fim, para retirar o cravinho (eu não gosto de o encontrar no meio da comida). Tapa-se e deixa-se cozer em lume brando (para aí uma hora ou mais). Quando a carne já estiver cozida, destapa-se e deixa-se cozer mais um pouco, para apurar. Retira-se o cravinho, rega-se com o resto da aguardente e flambeia-se, dando 2 ou 3 voltas suaves com a colher de pau. Para quem goste e não esteja a dieta, pode acrescentar-se umas colheres de natas batidas e envolver delicadamente, para engrossar um pouco o molho. Serve-se acompanhado de arroz branco, feito pela Lizzie.

Mas há mais, e da mesma fonte, mesmo apenas em imagem comentada:

"Vou ali preparar uns rolinhos de sushi com camarão e outros vegetarianos, para o caso de a Emma Larbos aparecer por cá. Amanhã é sábado e a noite hoje pode ser longa!"


E ainda uma original sobremesa LIP (ver foto...), que também agradeço à Uf!:


Faz-se uma «cercadura» com chantilly light do Lidl; em lume brando, descongela-se uma porção de frutos vermelhos Adèlie, do Intermarché, com um pouco de açúcar amarelo e um pouco de água (também à venda em qualquer um destes supermercados); coloca-se um petit gâteau pingo doce (secção de congelados) no mw por 30''. Retira-se o bolo, coloca-se no meio da «cercadura» de chantilly e cobre-se tudo com os frutos vermelhos.

É o que se arranja, para já, e confessem que não é nada mau! Obrigado, Uf! E que mais virá? :)

Para já, pão e sopa. Confesso que gosto de ambas as coisas... Assim, com os meus agradecimentos à Uf! (pão) e ao Legível (sopa), aqui ficam:


SOPA SEM NOME

Para 10 pessoas:

- 4 batatas médias
- 1 fatia de abóbora
- 1 nabo pequeno (sem ramagem)
- 1 repolho pequeno
- 1 alho francês (compridote)
- 1 colher de sopa de azeite virgem (aditamento fundamental)

Descascam-se, lavam-se e cortam-se aos quartos as batatas e o nabo, metade do alho francês e metade do repolho.
Tudo para a panela de pressão, com os ingredientes cobertos de água e sal a gosto.
Depois da panela ter feito o seu trabalho (apitos da ordem incluidos), passam-se os ingredientes pelo passevite até a textura dos mesmos atingir o ponto cremoso.
Com esse novo visual, os ingredientes voltam à panela, adicionando-se-lhe água suficiente para tornar o creme mais líquido, juntando ao mesmo, as metades do alho francês e do repolho, cortados em pedacinhos pequenos que irão "enfeitar" o "caldinho".
Deixar ferver e quinze minutos depois, a coisa está pronta.

Observação do "contribuinte": "Baptizei esta sopa de "Sem nome" mas diz quem já a provou que não precisa de ser chamada: come-se e está a andar de mota..."


137 comentários:

uf! disse...

:-)
não coloquei a receita dos rolinhos de sushi porque costumo tirar a receita base da net e depois faço uma variações no recheio.
O mais complicado, pela minha parte, é mesmo fazer os rolinhos direitinhos - sobretudo quando deixo o arroz na parte de fora e a alga por dentro.
Na próxima vez que faça rolinhos, tratarei de fazer a reportagem fotográfica completa e cá trarei a receita.
O segredo está nos ingredientes, sobretudo se usarmos sashimi, e numa boa faca. Eu tenho uma japonesa genuína que me foi oferecida (vendiam-se numa casa de produtos nipónicos em Cascais; há tempos apareceram umas à venda no LIDL (não, não tenho lá acções) e também são bastante aceitáveis.
Quanto ao resto dos ingredientes e artefactos, já se arranjam com facilidade no Jumbo, incluindo as esteiras para fazer os rolos e a loiça para servir.
Bom início de fim-de-semana :-)

uf! disse...

desculpem a confusão de parêntesis

Anônimo disse...

Uf, uf!!! Para a uf... Vê-se que a "erradicação da pobreza" pode ser feita suavizando os ingredientes ou escolhendo marcas brancas, um bom princípio. Gostei das escolhas.
Para Alien:

"Escreveria então
talvez a pena
de nunca te ter conhecido.
"Antes" é muito tempo!!!

Com um pingo de brincadeira
uma gota de amizade
raspas de compreensão
uma canção conhecida
um gato da casa
um gesto

se fariam alegrias
as que perduram no tempo
mesmo que breves."

Beijinhos a vós
da bettips

uf! disse...

Ora ainda bem que sobrou frango!
:-)
É que esta é uma das receitas que costumo confeccionar de véspera. De um dia para o outro, fica muito melhor.
Com o sushi também não há probelma porque não usei sashimi.

Bettips,

O ideal mesmo era mudar o perfil dos governantes e fazer a globalização da solidariedade mas, enquanto não chegamos lá, vamo-nos desenrascando assim :-)
Bom sábado!

wind disse...

Por mim fico só no frango na púcara e agradeço:)))
Beijos

uf! disse...

vinha trazer o pão para o chá, mas estou a ver que o pessoal foi todo para a praia
:-)

Arabica disse...

:) Bom, mas que grande farra gastronómica aqui anda! Uma desbunda de sabores!:)

uF! obrigada, tudo saborosíssimo!
E sim, cada vez mais os brancos nos cestos de compras.

Passo mais tarde para o frango na púcara de que também gosto muito!

:) Boa semana para todos.

Lizzie disse...

Para já faltam aqui o Modelo e o Continente para não falar no meu preferido, o Carrefour, que se mudou para Espanha e lá cresce como fuhgo feito cogumelo e por acaso tem o pecado de também vender amendoins e tiras de torresmos, redimindo-se comerciando amêndoas torradas com sal e piri-piri mais as pipas e o milho frito que sabem muito bem a quem costuma ficar na sala bebericando whisky (sem paz nem sossego), antes de me expulsar da cozinha depois de eu fazer o arroz.

Porque vou para a cozinha e berro:
-onde está o tacho do arroz?
(Shap, cataprum, plim)
-não o vejo!
(trrrrr, pum, sclapp)
-só vejo frigideiras! Para quê tanta frigideira? Já vi! Em que prateleira está o Uncle? Só vejo o Carolino!
(tchic, tchic, catrapum)
-Foi a ração da Imaculada que caiu! Credo a da Whiskas cheira menos a peixe podre. Ah, está aqui!
......

-Escusas de estar com essa cara que eu já arrumo tudo. A tua tia é que passou aqui um furacão. Já não faço mais nada...

Adorei algum sentido matemático- geográfico-mistico na receita como o "espeta-se um pau de canela nos 4 pontos cardeais e um no centro" a remeter directamente para as problemáticas solares e lunares de Stonehenge, para já não falar no Egipto.:))

Se eu morrer no meio de todo este trabalhoso manjar, por favor, enterrem-me com os pés para norte, juntamente com chá de hipericão não me vá eu sentir mal da vesícula por causa da aguardente. Mais uns maços de John Player Special Negro.

Recuso-me a lavar a loiça se cheirar a cravinho. E não tarda nada, alguém tem que levar o tacho para os Alcoólicos Anónimos:))

legivel disse...

... tenho reparado - com algum desgosto - que, por estes pantagruélicos lados, as entradas, os vinhos, os pratos da resistência, as sobremesas, cafés e digestivos, não faltam (graças aos deuses, acrescento) mas que para a portuguesíssima sopa, é um "dar sopa na dita" que é um ver se te avias.
Em jeito de preencher essa lacuna (não, não me agradeçam, que é de boa-vontade) e sem pretender deixar aqui uma receita exaustiva, que "na minha cozinha" funciona mais o "olhómetro"que a balança, que tal uma sopinha "modesta" mas reconfortante?

Para 10 pessoas:

- 4 batatas médias
- 1 fatia de abóbora
- 1 nabo pequeno (sem ramagem)
- 1 repolho pequeno
- 1 alho francês (compridote)

Descascam-se, lavam-se e cortam-se aos quartos as batatas e o nabo, metade do alho francês e metade do repolho.
Tudo para a panela de pressão, com os ingredientes cobertos de água e sal a gosto.
Depois da panela ter feito o seu trabalho (apitos da ordem incluidos), passam-se os ingredientes pelo passevite até a textura dos mesmos atingir o ponto cremoso.
Com esse novo visual, os ingredientes voltam à panela, adicionando-se-lhe água suficiente para tornar o creme mais líquido, juntando ao mesmo, as metades do alho francês e do repolho, cortados em pedacinhos pequenos que irão "enfeitar" o "caldinho".
Deixar ferver e quinze muinutos depois, a coisa está pronta.

Baptizei esta sopa de "Sem nome" mas diz quem já a provou que não precisa de ser chamada: come-se e está a andar de mota...

Abraço.

Lizzie disse...

Ó Alien, posso perguntar ao Legível, se ele não se zanga se eu botar, no meu prato de sopa, claro, duas ou três gotinhas de vinagre de sidra (ou cidra?)?

É cá um hábito estrangeiro que tenho desde miúda. Aliás é um uso, curioso e ancestral, de dois estrangeiros. E posso comer a sopa no fim? Antes da sobremesa?

Ou então a meio da noite. Antes de morrer por causa da aguardente. Ao menos o fígado vai bem vitaminado:))

Agradecida

Justine disse...

Ai, que uma pessoa entra neste blog e fica logo com mais meio quilo, pelo menos!!!
Mas a receita do franganito, essa hei-de experimentá-la:))

legivel disse...

Ó Lizzie!
Podes (e deves) perguntar-me directamente que o Alien não se zanga. Acho eu, pelo que sei do administrador deste sítio: pessoa bem-formada, dialogante, amigo do seu amigo e... um belo garfo!
Duas ou três gotinhas de vinagre?! Depois da sopa sair da panela, ela é tua, podes (e deves) fazer dela o que quiseres! Embora não seja apreciador, sei desse hábito, também tido por alguns portugueses mais entradotes na vida e em experiência culinárias.
E ainda bem que citas o vinagre, porque me esqueci completamente de um toque importantíssimo na sopa da minha autoria: uma colher de sopa de azeite... virgem. Do outro não. Quanto mais virgem, menos receio o azeite tem de entrar numa panela de sopa a ferver.
Comer a sopa antes da sobremesa? Porque não? Conheço gente que se julga cheia de sorte por comer um prato de sopa. Apenas.

Cumprimentos.

Lizzie disse...

O computador anda-me a obrigar à dieta porque às vezes venho aqui e não me deixa entrar. Mas não é mais teimoso que eu.

Ó Legível, não sabia que essa do vinagre também era uso português. Só sabia das gotas de vinho. Isso vi botar quando ia de férias ao Alentejo.

Quanto a azeites, deste-me alembradura de um entretém que muito se faz em Madrid para as noites de trabalho, ou seja, aquelas em que se vêem vídeos ou DVDs: vai-se comendo para o estomago acompanhar o espírito crítico dos olhos, do cérebro e dos ouvidos.
Consta de grão frito (la garbanzada, assim lhe chamamos)em azeite. Quem o frita também exige azeite virgem.
Uma vez lembrei-me de experimentar a proeza, toda afoita, e devo ter usado azeite escorpião, carneiro, sagitário, touro que, ai Legível, aquilo era grão a saltar como bala em metrelhadora esquizofrénica. Ainda levei com um na testa e lá fui a correr pôr um pacho (ou paxo?) de vinagre que aquilo era lesão com mau aspecto. Assim uma espécie de unicórnio.
Sabia lá que era preciso pôr a tampa? Ninguém nasce ensinado e a minha intuição culinária não chega a tanto!

Quanto ao ET, estamos de acordo.
E,quando a pessoas que apenas têm sopa quando teriam vontade de mais, também. Infelizmente. E em vários países e continentes.

Cumprimentos

(não escrever cOmprimentos, para uma disléxica ensonada já é muito bom. Grande progresso!)

uf! disse...

Legível,
Ainda bem que não falámos de sopa, para o levarmos a deixar-nos esta receita.Faz de conta que fizemos de propósito.
:-)
A receita vai ser testada no fim-de-semana, pela parte que me toca. Tenho a confessar uma coisa: geralmente a sopa não é feita por mim. Cá em casa, a sopa, o arroz branco, os camarões cozidos, as massas (folhada e quebrada), as iscas e as compotas e marmelada são feitas por outra pessoa.Votos de uma boa semana (que a metereorologia prevê que seja «enSOPADA» :-)))

Arabica disse...

Beeeeeeem :))

Eu vinha para o frango :)) mas agora também tenho que depenicar na sopinha!! :))

Tenho uma dúvida, esses legumes são susceptíveis de se zangarem se em vez de passevite (palavra afrancesada) utilizar uma varinha mágica? :))

Confesso que o meu passevite de quase trinta anos, não resistiu à ultima mudança de casa e foi para o lixo.

Lembras-nos bem, Legível: tantos que, com uma simples sopa, poderiam sobreviver!

Quanto a ti, nuestra hermana estrangeira Lizzie, concluio sermos do mesmo clube: o que te aconteceu com gravanzos, aconteceu-me com as guisantes! :)
Era míuda, a minha mãe estava de cama com uma pneumonia e a mim deu-me para fazer ervilhas salteadas.
Foram mesmo. :))

Bom, e que dvd vimos esta noite? :))





A

Arabica disse...

Fogo :) não é vimos :) é vemos :)

uf! disse...

Fogo? Onde? Onde? Tenho aqui o extintor!
;-)

uf! disse...

se eu vos disser que quando tinha para aí uns 8 anos fui a casa de uns amigos americanos que me deram pipocas e disseram que era muito fácil de fazer e me ofereceram um punhado de milho miúdo (na altura creio que não se vendia daquele em Portugal) e me disseram que bastava deitar um fiozinho de nada de azeite no tacho, acrescentar as pipocas e esperar que ficassem todas abertas mas se esqueceram de me dizer para tapar a o tacho e que eu resolvi fazer as ditas às escondidas da minha mãe e fiquei à espera para ver quando é que estavam os grãos todos abertos, mas só vi abrirem os primeiros porque apanhei um cagaço e fui para um canto e fiquei a ver as ditas a saltarem para fora do tacho... aceitam-me no vosso clube?
:-)))

uf! disse...

Lizzie,
Quanto ao Continente e ao Modelo e ao Carrefour, não é que eu tenha alguma coisa contra os hiper, que por acaso até tenho, mas é que eu vivo numa aldeia e aqui só há uma mercearia por isso vou às comprar à vila mas na vila só há lidle, pingo doce e intermarché, o que até já é bom para uma vila Portuguesa e foi assim que me acostumei a cozinhar com as coisas da horta, mailas da mercearia, mailas dos 3 supra-citados
:-(

Alien8 disse...

Eu respondo-vos logo que possa, tive um pequeno acidente de percurso que me impediu de aqui vir. Agora vou dar prioridade às sugestões para "completar" o delicioso frango na púcara!.

Um abraço a todos.

Lizzie disse...

E um abraço para ti.
Espero que o acidente de percurso seja mesmo pequeno, ou seja, nada de grave.

E, já agora, explico que o meu erro em transformar grão em pipocas foi, segundo detective especialista neste tipo de azelhices, o de ter posto o dito em azeite já incendiário. Não abriu, mas saltou pelo inferno da temperatura.
Parece que para sair obra jeitosa, o lume tem de estar no mínimo dos mínimos, bamboleando em circulo a frigideira, o que por acaso dá jeito para algumas danças a dar para o tropical: roda a anca e o braço.
Para o flamenco é que não. Credo, onde é que já se viu?
Tive boa intenção mas faltou-me a paciência da técnica.

Com as coisas que tenho para ver e, eventualmente, opinar,nem cinco quilos de grão chegávam:))

Ao pé da minha morada também existe uma mercearia-aviário-drogaria-taberna-farmácia-café-notícia oral-tv sete dias da telenovela-revista caras do jet set das couves, muito útil como centro social para as velhotas de idade ou de cabeça. Pelo menos coversam e distraem-se.

Para o ritmo de vida de uma urbana dá mais jeito o hiper. Nunca nenhuma pessoa me puxou pela manga do casaco e
-atão tarbalha muito lá (muito longe:)) em Lisboa! O meu filho, aquele que trabalha na...casado com a...que vai passar a ferro na casa do dótor juiz,aquele que a mulher lhe pôs os cornos (desculpem) com médico que era casado com a professora maluca do cu à mostra (desculpem outra vez),viu-a passar no carro às três da manhã ontem e no outro dia era uma...!

ora,o tempo que se perde para comprar um esquecido pacote de farinha.))

Tinha tempo de vir a Lisboa e voltar. Convenhamos:)

uf! disse...

Pois, só que quando EU vou ao hiper comprar uns iogurtes, batatas, alguma fruta e uma garrafa de tinto... Olha, esta marca não conheço! Vou experimentar. Ah! já têm outra vez do que levei no mês passado e que estava muito bom. Vou levar também umas garrafas. Ah, já agora vou ver o que é que têm de cerveja importada. Boa! Há muito que não aparecia desta. Bem, vou buscar uns tremocitos para acompanhar. Aproveito e levo também caju e nozes. Por acaso, está a apetecer-me uma sandeseca de «prusunto». Vou ver se têm daquele fatiado fininho. Bem, o melhor é levar outro pão, que o que lá tenho não vai muito bem. Olha, este era o pão que eu comprava para comer com o caprice des dieux! Vou levar e vou levar um queijito desses, que há muito que não como. Bem, vou comprar as maçãs. hmmm, estes abacates têm bom aspecto. E estão no ponto para serem comidos! Já agora, levo os nachos e a mistura para o guacamole. E uma cervejita sole, claro... Há muito tempo que não bebo uma margarita... será que ainda tenho tequilla? O melhor é levar. Olha, aproveito e levo uma de cardhu, que o Sicrano quase me acabou com a garrafa. Vou ver se... Ai, é verdade, não comprei a visão. Já agora, vou espreitar o que é que têm de livros. Ah, este é capaz de ter piada. Será que têm alguns cds novos? Boa! este é antigo mas é o que o Fulano andava a querer comprar. Vou levar-lho. Às tantas, podia fazer uma cópia para mim. Não sei se ainda tenho cds virgens, já agora levo uma caixa. Hmm, que pen gira. Finalmente arranjaram uma solução para as pessoas que, como eu, estão sempre a perder a tampinha... vou levar também uma para a Beltrana, também estava a protestar contra as tampas que... ah, é verdade, vou aproveitar e compro uma s cassetes para a câmara de vídeo. E umas pilhas, também...
Resumindo: muitas horas passadas e euros gastos, regresso a casa e fico furiosa por ter de tirar tanto saco do carro...
:-(((

Arabica disse...

...ah :) o clube alarga-se :)

e ainda devem existir outras tantas como nós :))

Por acaso, embora viva a uma escassa meia duzia de kms de um hiper, também desisti de fazer lá compras. Além do que se traz, sem alguma vez se ter pensado levar, há a agravante do espaço comercial adjacente que me parece grande demais. É tudo muito xxl.
Aqui na minha aldeia tenho o minipreço onde se encontram as pessoas que demoram muito tempo a fazer compras :)e a drogaria que vende vasos e camarões de parede e quando a minha gula pede mais que um minipreço, à esquina da rua principal da minha aldeia :) passa a "carreira" directa para o pingo doce.
De aldeia em aldeia faço as compras. Quando quero um livro apanho a "carreira" :) que vai directa três aldeias à frente.
Tudo tamanho "M".

Para large e xxl, gosto mesmo é do rio e do mar. :))


Alien, cá te esperamos para começarmos a comer, sendo assim.

:)) beijos

Alien8 disse...

Uf!

O sushi há-de ter a sua vez... mas não agora, como diria Santo Agostinho :)

O pão para o chá... já lá está.

Quanto à polémica Hipermercados vs Mercearias, devo dizer que vou a todo o lado, mas com mais frequência aos hipermercados. Também faço algumas compritas na mercearia da aldeia, tenho um Minipreço perto de casa, frequento o Lidl e, mais raramente, por razões de logística, o Pingo Doce. Intermarché não, que é longe demais.

Não me deixo levar pelo entusiasmo de comprar mais isto e aquilo (bem, talvez só um bocadito de vez em quando...), talvez por já estar habituado aos hipers.

A sua descrição da ida ao hiper é, no entanto, hilariante - e um bocado assustadora :)))

Voltando ao frango, de um dia para o outro fica realmente melhor, como acontece com alguns outros pratos. A quantidade de ingredientes desta receita assusta-me um pouco, mas quero experimentá-la!

Obrigadíssimo e um abraço.

Alien8 disse...

Bettips,

Muito, muito lindo, o que aqui me deixaste! E também muito acertado.

Muito obrigado. Senta-te e serve-te, e bom apetite!

Um beijo.

Alien8 disse...

Wind,

Não tens que agradecer :)

Beijinho.

Alien8 disse...

Arabica,

Uma chatice, realmente, ter que comer isto tudo :)

O que vale é que ainda somos bastantes, e a maioria parece ter alguma "apetitência" em relação a estes pratos nada macrobióticos...

Acerca dos hipers e etc., já deves ter lido a minha resposta à verdadeira autora deste post :)

O acidente de percurso não foi grave, de maneira alguma, e já lá vai. Obrigado pelo teu cuidado.

Um abraço.

Alien8 disse...

Lizzie,

Torresmos, amêndoas torradas, pipas, milho frito... bom, aqui o Carrefour foi-se, pelo menos aquele onde eu ia algumas (raras) vezes - não ficava lá muito à mão. Mas há tudo, excepto talvez as pipas, nos hipers a que vou. Há, que eu bem sei :)

Está também explicada a problemática do arroz e das expulsões da cozinha. E a garbanzada parece-me bem. A propósito, quando vivia num dos estrangeiros onde vivi, tinha um amigo espanhol que levou algum tempo a fazer-me perceber qual era o, segundo ele dizia, prato típico das Astúrias (ele era de lá). Nem eu sabia o que eram garbanzos, nem ele conseguia fazer-me perceber. Até que um dia se fez luz! Para comemorar, arranjámos garbanzos e tratámos de cozinhar o tal prato, que afinal é uma espécie de rancho, mas sem massa nem feijão :))) Outra curiosidade, que li há anos numa reportagem de um jornalista que andou pelo Médio-Oriente: Quiseram à viva força dar-lhe a provar um prato típico árabe, e não é que lhe saíu bacalhau com grão-de-bico, precisamente a "nossa" meia-desfeita???

Particularmente bem observada a problemática de Stonehenge, numa audaz demonstração de que comer frango na púcara não é tão simples como parece à primeira vista - pelo menos com esta receita da Uf!!!!

Agradeço também o teu cuidado, foi coisa sem importância e já passou, o tal acidente de percurso.

P.S.: A que mercearia é que vais? :)

Um abraço.

Alien8 disse...

Legível,

Obrigadíssimo pela receita de sopa, muito bem lembrada e que me parece "a não perder", ou a not loose, como se diz em amaricano.

Já por aqui houve sopas, mas pouquitas, que me lembre. E é justíssimo dar-lhes mais relevo (e às nossas barrigas igualmente...).

Vinagre não diria, mas azeite em certas sopas é obrigatório. Virgem, evidentemente! Vou já acrescentá-lo à sopa sem nome. Fiquei só com uma dúvida: é no prato ou na panela? Eu poria no prato, mas como falas do receio do azeite em entrar na panela de sopa a ferver...

Também agradeço o "resto". Realmente, não sou mau garfo :)

Um abraço!

Alien8 disse...

Justine,

Meio quilo, com sorte! :)

Estou em crer que a experiência valerá a pena. Ainda por cima carregada de misticismo e brumas célticas ou coisa assim, só faltava mesmo porem uma pedrita de Stonehenge na sopa e já podiam baptizá-la, em vez de ficar sem nome. Sopa da pedra, que tal? Original, não? :)

Bom resto de semana e bom apetite no fim da dita!

Alien8 disse...

Uf!,

Duas notinhas que esqueci:

"(...) não é que eu tenha alguma coisa contra os hiper, que por acaso até tenho (...)" ROTFL!

A outra tem a ver com a aprendizagem da confecção de pipocas... é o que dá fazer as coisas às escondidas da mãe! :)

Houve estragos permanentes? Traumas? Ou vão umas pipocazitas com o DVD?

Lizzie disse...

Fartei-me de rir com a descrição HIPERrealista da Uf.:)

A minha mercearia preferida é mesmo o Carrefour. Quando venho de carro trago coisas que cá não há,e que mesmo havendo lá são metade do preço, correndo o risco de andar a fugir à frente da zanga da balança.
E vou sobretudo porque tem sempre promoções de "leve três pelo preço de um" (à volta de 5 euros), em discos e livros,embrulhados em papel aderente.

É assim que tenho não sei quantas repetições de livros do Saramago e do Lobo Antunes.
Às vezes também há películas aderentes em revistas que me interessam.

Cá, a sete km da minha morada, vou ao Modelo porque as pessoas são muito simpáticas e já sabem que eu tiro Coca-Cola do frigorífico e bebo e depois levo a lata vazia para a caixa e pago, assim género, bebida a crédito.
E foi lá que tive um desgosto porque trabalha lá uma rapariga que tem cara de renascença e imaginei-a logo a fazer de modelo para um amigo meu. Fomos lá os dois, o meu amigo ficou fascinado, e ela ficou muito entusiasmada, embora fosse dizendo que era feia e baixa para tal função.
Mesmo com estadia em Madrid para duas pessoas com pensão completa, o marido não deixou porque não conhece aqueles ambientes que lhe parecem muito esquisitos.

Se eu soubesse nunca lhe teria dito nada porque agora ficou com um sonho encravado no olhar.

Ao Pingo Doce vou buscar cogumelos, batatas fritas light e sobretudo camarão.

Evito ir ao Lidl, embora tenha os meus yogurtes preferidos, cheira a morango em forma de liquído desodorizante, como as lojas dos chineses.
Se cheirasse a banana ou a amendoim é que não ia em circunstãncia alguma.

Quando echo de menos a España y me vuelvo coño de morbosa e pasmarota y con mala pata, ahí me voy de compras de recuerdos a El Corte Inglés, que a lo mejor siempre tiene algo que me hace gracia. Ya lo vés, no? porsupuesto que sí!

Essa história do rancho é mais ou menos como a canja e o cozido:))

Agora vou ver se escrevo num instantinho um post novo só para veres o que fui,fomos, obrigadas a comer logo ao romper da aurora.:))
Ser estrangeira nem sempre é fácil:)

Ainda bem que o pequeno acidente já passou.

uf! disse...

Esqueci-me de sublinhar um pormenor: tirados os sacos do carro e as coisas dos sacos, verifico que me esqueci de comprar as batatas e os iogurtes, que tinham sido o motivo principal pelo qual fora às compras...

Lizzie disse...

Eu tenho vocação para me esquecer do sal!

Agora apetecia-me uma tapa que fazemos muito no chamado dinner tv: figos secos com pedacinhos de presunto e um cebolinho apickeleado lá dentro, mais umas anchovas com alcaparras em cima de queijo manchego tendo como suporte pão espalmado e crocante,oco, com raspas de azeitona,assim em forma de bolacha mal feita.

E uns suculentos corações de alcachofra, que se vendem em grandes sacos e que aqui nunca encontrei.
E, no fim, uma tijela de sopa de tomate com pimento desfeito,com oregãos e um ovo náufrago, coitadinho.

Até pode ser isto tudo acompanhado de uma das dez variedades de cerveja da marca Carrefour desde a light que não engorda tanto até à outra que tem 17º de graduação alcoólica e tem um sabor estranho e um cheiro a folha molhada de outono. Mais ou menos.

E, na cozinha, há coisa em que sou mestre: ovos estrelados com um muito ligeiro toque de pimenta verde quase em pó na gema. Ficam publicitários na estética.

bettips disse...

Não sei não... até tive de o gravar depois de o escrever! Há imensas coisas que escrevo directas da gana de; e nem sei delas.
Saiu assim.
Penso - logo existe! - que será de vozes de almas e ouvidos de espírito
(embora eu não o tenha muito "afiado", sou mais para a soda, não a do visky, a cáustica).
A V. deve saber why & because nos conhece a ambos!
Sento-me à mesa convosco.
Bjinho

uf! disse...

Lizzie,
Socoooorro
es-tou-a-ba-bar-me!!!
Isso não vale!
:-)))
nunca me tinha lembrado de misturar figos secos com presunto - mas faz todo o sentido, já que gosto do dito com tâmaras e também com figos frescos. Com figuinho secos deve ser uma síntese...
desculpem mas aconteceu-me agora a mesmíssima coisa que me acontecia quando lia os livros dos cinco, da E. Blyton... tenho de ir prepara um baita lanche!

Alien8 disse...

Lizzie,

Camarão do Pingo Doce, conheço :)

Abrir a lata ou a garrafa, beber e pagar na caixa, também conheço :)

Iogurtes do Lidl, são os melhores, de longe. Mas há outras coisas que valem a pena. Enchidos, conservas, espargos (também de conserva)... para só falar na parte da comidinha.

Com o presunto, prefiro as tâmaras, ou nada. Nada, além do cebolinho, alcaparras e C&. Não sou grande adepto de figos secos.

Então foste ao Modelo e encontraste um(a) modelo? Boa! :)

Esquecer o que se foi comprar, hmmm... pois... já me aconteceu. Com o sal também. Não estás sozinha :)

Last - but not least - esses ovos estrelados devem merecer alguma atenção!

Cá vai à nossa!

Alien8 disse...

Uf!,

Esses esquecimentos são-me familiares...

Também me dava fome quando lia livros dos "Cinco" e apareciam aqueles lanches opíparos... nessas alturas críticas, abria o frigorífico e tirava de lá tudo o que me apetecia comer. Punha em cima da mesa, e era menino p'ara comer mesmo de tudo... :)

À nossa também!

Alien8 disse...

Bettips,

Posso tê-lo lido no teu blog e fixado. Ou não. Posso tê-lo "reconhecido", como acontece com certos textos que nunca lemos e, no entanto... sabes o que quero dizer!

O importante é que gostei muito, é, repito, lindíssimo.

À nossa!

Arabica disse...

Bettips

E tenho muito prazer! :)
Por alguma razão, é um facto, aqui nos sentamos todos: o anfitreão tem fama (além da de bom garfo e com fomes sem horas certas) de ser uma pessoa muito especial, daquelas que me apetece dizer (embora não deva haver grande diferença real na idade) quero ser assim quando for grande. :))

E de petisco em petisco lá vamos, a caminho das origens da gula: as tb minhas célebres gulas oriundas das empadas de carne dos 5 :))

Nada como uma ementa destas para retemperar qualquer acidente de percurso, não é Alien?

Abraços

Alien8 disse...

Arabica,

Pronto, estou feito! Não há nada melhor que ter fama :)))

Ah, as empadas de carne! Admito que agora comia uma. Até mesmo com um sumito. Tudo isso retempera que se farta.

E, pela parte que me toca, o prazer é mútuo :)

Para variar, à nossa!

Lizzie disse...

What? Empadas de carne?
Prefiro as de Frango e,ai que não há como as da bomba de gasolina a seguir ao Couço, no sentido de Mora, ou então as de Montemor, isto tudo no Alentejo.
Para não falar nas de outra bomba, mas esta perto de Toledo.

Não têm aquele creme nanhoso, que pessoalmente não gosto e são tão frango que até se encontra um ossinho ou outro.

E chouriços, humm, práticamente a única carne de porco que como é o presunto negro, ou seja, com 100 anos de cura.:)) Seco.
E um chouriço que não tem gordura e a bem dizer é uma espécie de presunto em forma de salsicha, temperado com pimento e picante.
É dotado de grande versatilidade culinária.

E, apesar da hora, beberia agora um creme de espargos com ervas do Médio Oriente (aquela mistura que os judeus usam muito) a boiar.
Tenho quem faça a dita embora refile por serem ervas "de la tierra de los camellos":))

Também não desdenharia uma omolete de espargos com anchovas acompanhada de um vinho branco manchego e uns "picos".

Por acaso, em Espanha, tantos os espargos frescos como as anchovas são baratíssimos.

O que compro muito de conserva são os baked beans para acompanhar com o tal presunto e, well, some toasts, whith juice or tea.

Nós os estrangeiros somos viciados nos baked beans e nos teas:))

Arabica disse...

Ai desculpa,Lizzie mas quem conhece as célebres empadas de frango da bomba de gasolina a seguir ao Couço a caminho de Mora, não pode ser estrangeiro! Pena que não gostes de bifanas, porque já agora e já que estamos a caminho, parávamos mesmo em Mora (pode ser na tasca cá de baixo ou na cervejaria que a subir fica numa esquina à direita) e "aviávamos" uma saborosa bifana :)) com uma imperial geladinha. Uiiii foi durante uns anos paragem obrigatória antes e depois dos desportos náuticos e campismo selvagem na Barragem de Montargil! :))

E que fome se trazia depois de um fim de semana daqueles!

:)

Lizzie disse...

Se eu gostasse de bifanas também as podia ir comer a Vendas Novas, naquele arremesso de café com azulejos ASAE, em frente ao quartel.

E mais ainda, podia ir comer migas com entrecosto na Pousada de Elvas.

Excelentes sítios para uma estrangeira comer um peixito mais pão com "zêtonas" e queijo primo do de Nisa, enquanto os outros, portugueses e espanhóis, lambem os "beços".

Quanto muito fico-me pela sopa de cação no Vimieiro, naquela espécie mulata entre a tasca e o restaurante que fica junto à rotunda e tem um dono que está sempre vagamente acordado e ligeiramente a dormir.

(e sopa de cação nunca comi tão boa como a feita pela minha mãe)´

Também não rejeito o frango assado (se comer com os olhos fechados para não olhar para toureiros e forcados) no restaurante que fica na 2ª ponte em Coruche.

Nem a feijoada de choco na Ericeira...

agora bifanas, miudezas, extremidades e partes pudendas de qualquer bicho é que não!

Há sítios estrangeiros onde as crianças não são habituadas a comer tais coisas e assim estrangeiro se fica para a vida toda.

Vá lá que o vinho e a cerveja são universais.))

As amêndoas, por acaso, também.

E as nozes...

pena que o cação bem temperado e frito não seja: que chatice, uma estrangeira ter que se deslocar ao Alentejo ou a San Diego ou a Seattle...assim como assim, Boston fica mais a direito:)

uf! disse...

na zambujeira do mar faziam uma bela lampreia frita...

uf! disse...

há já uns anos resolvi fazer sopa de cação com champagne em vez do vinagre (ou vinho branco) e com farinha de milho. Por acaso, acho que até ficou agradável.

uf! disse...

Bem, passo só para vos desejar um bom fim-de-semana e boa audição do músicos portugueses (o trio ou o solo, que eu cá vou de mala e cuia para a capital :-)

Alien8 disse...

Lizzie, Arabica, Uf!,

Não há hipótese de respostas individuais, já que o tema é sempre o das iguarias, e vou fazendo discretamente uma colectânea de pratos e locais, para memória futura, como agora se diz.

Mas também contribuo, em defesa das boas gentes nortenhas, com uma ou outra sugestão.

Por exemplo, arroz de lampreia e lampreia à bordalesa da Foz do Sousa. Ou cabidela do mesmo local.

Ou - já aqui falei nisso - arroz de sarrabulho, ou sarrabulho apenas, de Ponte de Lima.
Ou açorda seca transmontana. Ou, da mesma região, uma boa posta mirandesa, feita como deve ser e, para os apreciadores de castanhas, acompanhada pelas ditas (eu dispenso).

Ou enchidos diversos e variados de Mirandela, Chaves, Miranda do Douro e arredores, a começar por alheiras de caça, das autênticas.

Ou - nem sei como me esquecia - a salada de bacalhau que muito se usa no Porto, embora lhe dêem outro nome, que de momento não me ocorre... :)

Descendo um pouco, chanfana da zona de Coimbra, leitão da Bairrada (muuuuito melhor que o de Negrais!) ou enguias fritas ou ensopadas de Montemor-O-Velho.

Ou ainda peixinhos fritos do Rio na Ilha do Picoto, perto de Avô.

Ou, para alargar os horizontes e saír do Norte-Centro, alcatra da Terceira, Açores. Ou arroz de lapas.

Tudo regado com os vinhos das regiões, incluindo, em Trás-os-Montes, o "vinho dos mortos". E com um queijinho da Serra, também dos autênticos, para abrir ou fechar, conforme os gostos.

Satisfeitas? Palpita-me que não... :)

É uma questão de passarem no Pompeu dos Frangos, na Malaposta, onde os costoletões são devidamente expostos e escolhidos à vontade do freguês - e o frango de churrasco também não é nada mau!

Bom fim de semana a todos e boa viagem para quem se fizer à estrada (ou à linha:)

Um abraço esfomeado!

Arabica disse...

Ai!!!! :))

Por onde começar? :)

Agradecida pelos votos de bom concerto, de bom fim de semana e agora, já em tempo "passado" deixar aqui registado que também desejo que o vosso tivesse sido tão bom e tão bem preenchido como a ementa que o nosso anfitrião nos deixou, a tempo útil!! (e eu com tres dias de atraso)

Alien, não sei por onde escolher.
Não o faço. Na dúvida e perante a água na boca que me nasceu à leitura desenvolta dos pratos, fico com todos, quero-os saborear...em pequenas doses! :))


Bom, se um destes dias me apetecer ir de férias, acho que me posso guiar pela fantasia gastronómica :))

Um abraço a todos e que esta seja uma boa semana!

Alien8 disse...

Arabica,

Também por cá se comeu bem no fim de semana, com aniversário de amiga e tudo.

Em pequenas doses... talvez não te faça mal a mistura :)

E sim, a gastronomia acaba também por ser um belo roteiro de férias... eu já fiz umas assim!

Uma semana excelente e um abraço!

Lizzie disse...

Aconteceu-me tomar banho no mar zangado mas...quente.

É o que dá ir-lhe roubar água, uma vez para a caldeirada, outra para o arroz.

Aproveitei e... mergulho!

E fim de semana apeixado e mariscado todo ele. Seria um desperdício se assim não fosse.
Peixe acabado de pescar.

(Claro que não o fui comprar porque também seria um desperdício levantar-me cedo:))

E foi comer e conversar tempo fora a gozar o ar macio do entardecer.
E a luz espantosa de outono.

Enfim...

Tenho uma amiga portuguesa que vive há muito tempo em Madrid e que adora turismo gastronómico espontãneo:
- apetecia-me comer não sei o quê não sei onde.
-pena ficar a duzentos km!
-chega-se lá num instante...
-então vamos!

Nos fins de semana, uma pessoa precisa de falar com ela e atende o telefone a muita distãncia porque lhe apeteceram umas ameijoas, ou um queijo, ou um vinho da pipa:))

e é magríssima e chama-me enjoadinha:)))

Foi com ela que descobri um restaurante tosco e lindíssimo metido no meio da Serra d´Ossa. Comeram javali. Credo, que me atirei aos jaquinzinhos. Eu? Javali?Na, na!

Boa semana para vecemeceses!

mar disse...

Mas tu és um verdadeiro "gourmet".

Parabéns :)******

Alien8 disse...

Lizzie,

Um fim de semana cheio de água... e seus produtos. Um dia hás-de ensinar-me como se consegue que o peixe acabado de pescar venha ter connosco... :)

Pois, esses arranques espontâneos, também já me aconteceram. O mais anedótico talvez tenha sido vir de Coimbra a Lisboa para comer um bife na Trindade... no tempo em que o bife valia a pena. Mas houve outras...

Essa tua amiga é de força!

Cá por mim, confesso que também não aprecio muito o javali. Mas é provável que alguém venha aqui dizer-nos onde se come um javali à maneira, nada daqueles que são criados como os porcos, cozinhado com todos os matadores. A ver vamos...

Boa semana para ti... enjoadinha! :)

Alien8 disse...

Mar,


Gourmet, gourmand... eu cá não sou esquisito! :)

Obrigado, boa semana e beijinhos.

Teresa Durães disse...

uma sopinha de alho francês, batata e cebola onde no fim se junta natas e queijo! uma receita alemã maravilhosa!!

olá!

Lizzie disse...

Alien:

ainda vão havendo uns barquitos "caseiros" que vão à pesca. Depois os pescadores vendem-no num pequeno e discreto porto. Sempre fazem algum dnheiro para além da reforma.

Depois há umas pessoas muito perguiçosas de manhã e que, mesmo quando estão acordadas, só dizem hum para fingirem que estão em sono profundo. Que matreiras são...
e os estratagemas que arranjam para ficar a ver os raios de sol a entrar pela janela e irem bater nas fotografias e quadros da parede em frente. Como são manhosas, se não houver sol, viram-se para o nevoeiro quando não ficam a ouvir a chuva a cair das goteiras e no telhado.

Por artes mágicas, quando estão a tomar o pequeno almoço, com ar de idiotas,vêem chegar um carro e de dentro do porta bagagens, saem sacos com coisas lá dentro como peixes, maças cheirosas com bicho, alfaces e couves rijas com lagartas e outros artigos.

Ainda com cara de idiotas, mas generosas e adeptas de desportos radicais, penduram-se numa rocha para apanharem água do mar para a comida que os escravos hão-de fazer.

Às vezer fazem a figura ridícula de se despir e entrar em triste figura, mar dentro, com um garrafão vazio. Voltam com ele cheio. O que já não é insensato de todo.

Mesmo assim,ouvem então dizer que não regulam bem.

Depois, descascam batatas, roubam ingredientes, acendem carvão. São mestres na arte de bem abanar. Faça-se justiça.
Também dizem coisas que não se sabe como começaram e ainda menos como vão acabar: estava a pensar naquela sonata do Schubert, isto hoje ainda vai chover. Por exemplo.


E, agora, mesmo estando à porta da Trindade, não me desloco para o interior. Nem que me levem ao colo.

Um abraço:)

Lizzie disse...

Errata:

como é que alguém pode ir de manhã cedo comprar peixe artesanal e outros produtos genuínamente rústicos e autênticos, se às 10:23 de um dia trabalhoso de semana,quando o sol já vai alto, se esquece de botar letras, pôe letras a mais e etc, como no comentário aqui de cima?

Se fosse eu, exterior a mim, a ler, acho que não percebia metade!:)


Naquela tasca da Serra d´Ossa (sei lá se escreve assim)tanto o javali como o veado e outros cornudos são caçados numa reserva.
Tal coisa faz-me confusão: ver os bichos a atravessar a estrada, lá na sua vida, todos contentes e saber que pum pum mais à frente ou em outro dia.
Em matadouros, nem me fales que fico com vontade de virar vegetariana.

Só por curiosidade, essa minha amiga, como muitos espanhóis, tem um furão doméstico. Divertidíssimo. Já foi apanhado algumas vezes dentro do frigorífico a roubar acepipes.
Fica a saber, para o caso de teres dúvidas, que isso nunca consegui fazer: ficar fechada lá dentro.
Agora nas gambas, ai nisso, cada um com os seus métodos, somos cúmplices. E nos boquerones? Carne crua é que despenso...

Alien8 disse...

Teresa,

Oláaaaaa! Então e a receita da sopinha? Venha ela! Ou é só atirar c'as coisas p'ra panela?

Alien8 disse...

Lizzie,

Explicados o mistério do peixe e a arte de bem abanar, resta saber como ficam as iguarias cozinhadas na água do mar, tão trabalhosa de colher :)

Essa caça aos javalis também não me agrada.

Por mim, percebo muito bem o que escreves, e é por isso que também gosto de gambas. Fez sentido? :)

Um beijo.

Lizzie disse...

Alien:

a comida com água do mar fica absolutamente genuína, deliciosa, só não percebo é porque está tanto calor nos fins de outubro.

À água do mar vi juntar umas algas secas, que depois ficam molhadas e macias, assim do género daquelas chinesas que eles servem.
Fica uma caldeirada excelente e ontem cheguei tão tarde que nem vi o noticiário da 2 e estou para aqui a puxar pela cabeça para ver se me lembro do nome do peixe que comi frito, ai que aquilo enche logo qualquer depósito do estomago por mais camião TIR que seja..))

Sei que é venenoso mas os pescadores tiram-lhe o feitiço e pronto. Há quem goste de o comer deglutindo simultaneamente uma folhinha de coentros.

Quando me lembrar digo.

Abraços que hoje estou virada para o Chopin em sandes de Wagner mas sem manteiga:))

Arabica disse...

Nock nock Alien, dás-me licença? :)Não pude deixar de petiscar Wagner enquanto a memória tentava pescar o nome do peixe venenoso, salvo erro, da familia dos peixes-gato: será baiacu?

Agora que falas de sandes, lIZZIE, dá-me saudades de umas sandes de chaputa bem fritinha. Já provaste? Não sei se existe no teu mar, era peixe que comia sazonalmente em Sesimbra, na minha infância e também oferecido pelos pescadores, aos que de fora, lá iam passar o mês de férias. Saudades da lota, em chão de areia e à boca do mar, 10-9-8-7-6-5-4-3-2-1-arrematado!

E aqui ficam abraços em grandes doses, prontos a serem arrematados por vocês :)

Alien8 disse...

Lizzie,

Por acaso, prefiro com manteiga :)

Tenho que experimentar essa "salgalhada", decididamente tenho. O peixe venenoso não sei... mas fico à espera do nome da rosa...

Beijos!

Alien8 disse...

Arabica,

Toda a licença :)

Também comi bastante xaputa, mas cozida (!), lá para os lados de Ovar.

Com batatinhas e grelos, até é um belo prato.

Já arrematei alguns, não quero tudo para mim...

A lota do Furadouro implicava contagem crescente. Na Figueira da Foz era decrescente, e o arrematar era anunciado por qualquer coisa como choi!

Beijos.

Lizzie disse...

Ainda não me consegui lembrar do nome do bicho, mas não é esse, não senhores.

E por lotas, estou-me a lembrar de uma que vi no Alaska. Não porque me tivesse levantado cedo mas porque não tinha (tinhamos) dormido de todo. A ver algumas pinturas improvisadas no céu com reflexos na água.

Curiosamente, ali, ninguém contava em crescente ou decrescente, pelo menos que se visse. Era tudo muito gestual e com uns sons indefinidos.
Uma autêntica dança.

E num dos sítios mais bonitos em cor e transparência que vi em toda a minha vida.

O restaurante onde fomos, além de ser uma "cabana" de madeira, tinha a particularidade de ter fregueses acompanhados dos seus cães e gatos.

E, ai, toda a comida tinha limão e um fruto que não faço ideia como se chama em português. Também ácido.E também não sei como se chama o moon fish.
E a cerveja quente também tinha um certo travo.
E, lembro-me de ter comido não grelos, mas uma espécie de algas com folha parecida com a couve penca. Ligeiro sabor a berbigão.

E lá tive que explicar a um "indigena" que o bacalhau com batatas e etc é prato quase oficial cá do burgo.

Mas, ó duras penas, ninguém pôde encher a pança nem de sólidos nem de liquidos porque daí a horas ia haver salada bem temperada com Shostakovich, Copland e Tchaikovsy.

E aquela gente, tão afável, a botar-nos as iguarias à frente, assim à boa moda alentejana: atão na sai daqui sên comere! Atão agora, ó, ó, ó, tal é a porra!:)


Atão tu, mais ela, toma lá um abraço e na trabalhem muto no fim de semana!
Tal é a mania de trabalháre. Ainda se fazem velhos...

Teresa Durães disse...

lol
vou treinar para casa e depois desenho bem desenhadinha a receita!

uf! disse...

Ó Alien, nunca mais é sábado?!....

Alien8 disse...

Lizzie,

Atão o Alaska é assim a modos que um Alentejo com muito gelo, han? :)

Onde é que tu NÃO estiveste???

Por acaso, costumava ver as duas séries de TV passadas no Alaska, e sempre me pareceu que aquela gente era um bocado marada da corneta, no bom sentido... que me dizes?

A paisagem, essa, deve ser realmente um espectáculo, e então com Shostakovich, Copland e Tchaikovsy, nem falar :)

Conseguiste convertê-los ao bacalhau com batatinhas, ovo cozido e grelos? Com natas? À Gomes de Sá? Espiritual? À Espanhola? À Braz? Em salada? À Narcisa? Assado na brasa? Etc.? Olha que uma vez falei com dois noruegueses, rapazes de vinte e tais, e juro que me disseram que só conheciam uma maneira de cozinhar bacalhau: Tudo para dentro da panela, e já está!

Um abraço e uma excelente semana!

P.S.: Moonfish é o famoso peixe-lua, atã nã se está mesmo a veri?

Alien8 disse...

Teresa,

Esguardemos... olha que levanteste grandes expectativas, e vais fazer concorrência ao Legível! :)

Uma óptima semana!

Alien8 disse...

Uf!,

Pois... tem razão... Acho que foi ontem, mas que se há-de fazer? Já sei, obrigá-lo a voltar! Talvez dentro de seis dias, mais coisa menos coisa :)

Um abraço e uma bela semana!

Lizzie disse...

Alien:

pois que fiquei com impressão que aquela gente Alaskiana é muito hospitaleira, sem grandes pressas para coisa nenhuma, mas muito divertida e completamente doida e muito bebida. É preciso aquecer:))

Vimos uma grande misturada de gente, mas tudo na maior das pazes e tolerâncias.

Não me lembro quantos dias lá estivemos, foi pouco, mas chegou para ver um velhinho cantar, numa esplanada de chão aquecido, para a sua amada que tinha a nossa idade. Grande canção de amor:))
E que desafinado que era...:))

Houve outro que me ofereceu flores de estufa e me garantiu que me seguiria para qualquer sítio menos para a China, Vietman e Índia:))

Por acaso têm bacalhau parecido com o à Brás e outro com fatias de queijo de bisonta despenteada derretido.

E fui a muitos sítios, porque olha...ele há trabalhos de salta-possinhas. Muitas saladas comemos.:)

A gente tinha um poiso fixo e depois aparecia uma criatura a dizer dia tantos para aqui, depois acoli. Havia sítios que só de pensar, ai Alien, até tremiam as pernas de medo que há públicos que vêem tudinho à lupa:)
Qualquer deslize é quase tão grave como sofrer, ou não marcar, golos.

Uma vez, na Europa, uma senhora, no fim, virou-se para um colega e aconselhou-o a mudar de profissão.
Nem um garrafão de 5 lts do melhor Dão o animaria. Imagina o que é, coño.


Boa semana para vocêzes.

Arabica disse...

Alien,

julgo que cozida nunca comi, mas deve ser bem bom, porque é um peixe muito branquinho.
Eu gostava muito das sandes, porque era tipo o fruto proibido :) a que eu só conseguia chegar porque estavamos de férias.
A minha mãe, para lanches, gostava mais de me obrigar a comer um yogurte natural (ai como eu me arrepiava do azedo), uma peça de fruta e assim coisas a modo que insipidas. :)) Felizmente, amigos dos meus pais, também de férias lá levavam para a praia as tais sandes e quando ofereciam eu aceitava sempre! :)

Já não me lembro do som do arrematado e não sabia que noutros sitios era por ordem crescente.
A última vez que fui assitir à venda do peixe acabado de chegar, foi em Sagres, tudo muito bem acondicionado, os números a aparecerem em grandes mostradores na parede e os compradores, sentados em bancadas. Fez-me lembrar um pequeno estádio e não achei graça nenhuma. Assim sendo, preferível ir para o cais e assistir ao descarregar das caixas onde vão os peixes divididos por familias.

Já lá vai o sábado, o domingo e a segunda...é impressão minha ou o tempo voa? Um grande abraço e muitos beijinhso para a Lola.

uf! disse...

passei por aqui, a caminho do próximo sábado :-)
como não há mais nada que se coma, lá vou ter de ir à tasca aqui do lado, que hoje não dá para almoçar em casa...

Lizzie disse...

Alien:

Faz de conta que és o meu confessor!

Ai, que desde a semana passada que passo num sítio que tem barracas de farturas.

Passo no carro, olho, levo o apetite à consciência, a consciência prende-o e...acelero!

Ontem, não sei o que deu na tal consciência para ter adormecido daquela maneira.

Ainda acelerei mas cheguei à rotunda e voltei para a zona das barracas. Fatal inversão de marcha.

Não só comi duas farturas, como bebi uma ginginha. Eu, Alien, que nem gosto de bebidas adocicadas e licorosas. Mas a tentação foi mais forte.

E se por acaso tivessem brelhol? Na fraqueza sa minha carne, teria comido meia dúzia?

Ainda assim, também teria comido castanhas cozidas a acompanhar perú com ervas, ameixas e toque de vinagre de arroz, quando cheguei a casa?
Teria insuflado na balança mais cinco quilos?

Oh, que paralítica mas insurrecta é a vontade...

Alien8 disse...

Lizzie,

Estou farto de me rir, com o Alaska e suas gentes e comes e bebes, e agora também com as tuas confissões!!! :))) Como dizia o outro, que era da terra do teu avô muito estrangeiro, "Resisto a tudo menos à tentação." :)

Farturas, pois... também me é difícil ignorá-las... mas tu, vê lá bem essa dieta :)))))

Beijos.

Alien8 disse...

Arabica,

A mim, felizmente, davam-me sandes e outras coisas terríveis. Mas sempre gostei de iogurtes, especialmente dos caseiros.

A lota industrializada e talvez mesmo informatizada não tem realmente piada nenhuma. Mas ainda há das outras... e nalgumas sobe-se, como em leilão, "25 de duas bandas, 30 de três bandas, 35 de uma banda... 35 de uma banda... arrematado por 35!"

O tempo voa? A jacto! :)

Um abraço.

Alien8 disse...

Uf!,

Ainda não botei faladura, como o outro, mas já andei a visitar o seu blog e li muita coisa, que depois comentarei. Para já, fui ouvindo a sua maravilhosa música. "Bella Ciao" - um clássico, mas gosto muito de uma espécie de introdução que aparece, por exemplo, na versão dos Quilapayun.

Um abraço.

Lizzie disse...

Alien:

estou de penitência!

Ontem cheguei a casa e, malvada e inconsciente tentação, fui à taça do cajú, de torra caseira e picante e lá vai disto.

Logo senti, passado um bocadinho, manifestação (com megafones, cartazes e faixas) das minhas células hepático-vesiculares, fartas da política alarve, despótica e autista do Ministro do Apetite.

Veio a polícia da Brigada Especial Torrada com moderação do Chá de Gengibre. Serenaram os ãnimos. Houve bons resultados na concertação.

Ainda fui ver um filme do Fred Astaire, coisa que faço para me distrair, mas tinha demasiado movimento e pulos. A minha cabeça tinha tendência para pular com ele. Passei para um com o Edward G. Robinson, de cara quase tão feia como a do meu fígado.

Felizmente,durante a noite, Mister Liver,deve ter feito uma operação plástica porque está bem mais bonito e sem conflitos sociais:))

E sabes que comprei (muito barato) uma caixa com 3 cds dos Quilapayun no Carrefour?
E de outro que não me lembro o nome,de voz rouca e aveludada.Baladas.

Tanto o grupo como ele cantam uma canção que me caiu no gôto:

"duerme, duerme negrito/
que tú madre está en el campo....".

Comprei por ter músicas de que gosto e por serem documentos históricos.

Abraço para ti e para Patatita. (Mesmo quando não a menciono, está sempre.)

uf! disse...

num é da valta de comenthárioj no mnheu blogue que reclamo (desculpe, não gosto de falar com a boca cheia, mas estava ainda a acabar um punhado de m&ms): é da falta de «comida», aqui que me queixo . (com licença, vou ali buscar mais m&ms; ainda bem que comprei um pacote dos grandes... esta tarde estou uma lástima. Sabe quando vamos ver um filme de terror e não queremos ver mas não conseguimos tirar os olhos da tela? pois foi o que me aconteceu/está a acontecer, com a Tv e o debate governo/deputados). Resolvi vir aqui «espairecer», mas não os consigo calar... É que uma pessoa «nem s'acredita!»
...
quanto às múltiplas versões de Bella Ciao... Escolhi aquela versão, não pela parte vocal mas pelas imagens. A introdução que refere (dos Quilapayún) será o acréscimo de «Son cieco e mi vedete»?
Devo confessar que prefiro a versão incluída no «Nuovo canzoniere italiano» (http://www.youtube.com/watch?v=esDsw3Q79r4
Quanto ao «Bella Ciao», assim de repente, diria que a versão minha preferida é a de Giovanna Daffini(tive a felicidade de adquirir o cd na «Abril em Maio», para depois, num empréstimo, ficar sem o encarte - lá diz o povo que «quem empresta não melhora»; quer dizer, melhora a qualidade da vida de quem toma emprestado :-)
Mas isso agora não interessa nada...
(Credo, está a gritar o Negrão Belo, com voz de Salazar... Há pouco falava ele de corrupção... cala-te boca...)

Voltando a esta parte do cancioneiro italiano, muito dificilmente gosto de interpretações feitas por não italianos nem por «vozes educadas». No fundo, é o mesmo que acontece com o nosso cancioneiro. Quere-se nas bocas de mulheres com mãos calejadas e gretadas e rosto sulcado pelos anos - sem vergonha de já muito ter vivido.
Ai que já me alonguei... desculpe-me
Depois de amanhã já é sábado :-)
um abraço

Alien8 disse...

Lizzie,

Eu bem digo que andas a abusar :)
Felizmente, o sono resolveu a questão. Comigo, muitas vezes acontece o contrário...

"Duerme, duerme negrito"... lembra-me a Mercedes Sosa, o Atahulpa Yupanki (será este o que ouviste?), o Daniel Viglietti, o Victor Jara... a Uf! sabe do que estou a falar :))

Quanto ao Carrefour, pois... aqui já era. Mas também comprei CDs desses noutros sítios. Hipermercados, mesmo... :)

A Lola agradece e retribui. Eu deixo-te um abraço e uma taça de caju com sal e piri-piri...

Alien8 disse...

Uf!,

Antes do mais, é exactamente esse a versão - começando com o "Son cieco e mi vedete". Obrigado pelo link, que também dá para aceder à versão dos Quilapayún. Não tenho versão preferida, gosto muito de uma série delas, cantadas por italianos ou não. Coisa mesmo para vozes italianas será a tarantella que aparece no filme "1900", lembra-se?

Aceito a sua reclamação, mas estava convencido que a Teresa traria a receita da sopa... pelo visto não traz, e assim tenho que pensar noutro esquema... Entretanto, tem havido nos comentários algumas contribuições gastronómicas interessantes :)

Agradeço a amabilidade de compreender que não estou com muito tempo para comentários. O mesmo se aplica à Lizzie e à Arabica. Mas no sábado... :)))

Um abraço musical / gastronómico.

Lizzie disse...

Alien, tu tira-me o caju da frente:)

É esse mesmo: (vou copiar)Atahulpa Yupanki (tive que andar para cima e para baixo:))

Os outros de que falas, só conheço a Marcedes Sosa.
Lembrei-me dessa canção em versão mariachi, comprada num mercado de rua no México, em cassete, género daquelas que aqui, se compram nas bombas de gasolina.:))

Por acaso aquele mercado tinha imensas moscas no caju (extraórdinária decoração de pintas no fruto) e numa modalidade de pipocas feitas com uma castanha que parecia figo cruzado com noz (mais decoradas ainda).

Quanto a cancioneiros, provavelmente não estaremos a falar da mesma coisa, mas

existem modalidades, em todos os países, que exigiram e exigem, vozes educadas. As crianças, normalmente rapazes, eram escolhidos pelos dotes vocais e baléticos e "treinados" para potenciar os talentos.

"se do mal que me fazeis
contentamento me dais
tanto mor bem me fazeis
quanto mais forte mo dais"

lembrei-me desta ao acaso e que exige uns saltos de oitavas que, de facto, só mesmo com educação, tanto mais que tinha que estar de acordo com as virtudes do alaúde.


Bom fim de semana e beijinhos ao quadrado:)

Arabica disse...

Ufff :) digo eu que vocês fartam-se de escrever e de cederem a tentações e falar de músicas (umas não conheço pelo nome, mas deverei conhecer se as ouvir). Mercedes Sosa conheço e gosto muito. Aquela voz! Estarei errada se pensar que dificuilmente a morte trará o esquecimento?
Pois pela minha parte peço desculpa de não ter trazido acepipes e petiscos, mas confesso que andei de candeias às avessas com os tachos. Assim uma arrelia, um enfado. Ontem, morta de fome, lá decidi ir às compras. Vai uma jardineira de vitela com feijão verde? Este é o meu prato outono inverno. Acho que vou usar e abusar. Intercalado com o peixe cozido. E os M&Ms da Ufff que roubo às escondidas e os cajus da Lizzie que só lhe fazem mal!!! :))

Beijos de sábado com café da manhã.

Arabica disse...

um aparte: posso não comer nada aqui, mas encho sempre a barriguinha de riso: do alaska à barraca de farturas é um ver se te avias!! :)))

mar disse...

Só passei, para te desejar um bom fim de semana :)

Bjs

uf! disse...

sirva-se à vontade, Arábica. Já fui comprar mais para ter sempre de reserva para os amigos. Sirva-se à vontade mas continue a roubar às escondidas: sabem muito melhor!!! Tenho ouvido dizer que as plantas também pegam melhor quando roubadas - deve ser uma questão de adrenalina;-)

Ora já tinha saudades de umas trocas de acepipes.

uf! disse...

Mercedes Sosa é, indubitavelmente, a minha intérprete preferida. A pena que eu tenho de nunca ter assistido a um espectáculo ao vivo!
Estou completamente de acordo consigo, Arábica. Pelo menos pela minha parte, não a esquecerei e continuarei a necessitar de a ouvir (e «ouver» no youtube)

uf! disse...

ai que disparate o meu! Claro que têm de ser vozes educadas. O que queria dizer é que não são das educadas no conservatório: são educads nos campos, nos serões, nas ribeiras, nos lavadouros públicos.
Fiz uma recolha no norte do país que só de a referir me arrepio. Tia e sobrinha a cantar à capela a duas vozes canções tradicionais...cruz-credo, que bem me lembro como os olhos se me marejaram de lágrimas. E elas a acharem que aquilo não tinha valor - pois se elas nem tinham andado na escola!!!
Um dia ainda vou ter de digitalizar as cassetes, antes que o reprodutor das ditas se estrague.
- Agora já ninguém sabe contar histórias, já ninguém canta coisas destas, minha senhora. Com a maldita da televisão e as discotecas, é só tum-tum-tum.
- E à noite não há quem segure a malta nova - é só ouvilos a passar zunindo nas motas para as discotecas! Já não querem ficar em casa, à lareira.

Só tenho pena de não conseguir colocar aqui um bocadinho. Ah, mas espere, tenho algures uma recolha feita por não sei quem, em cd.
Quando encontrar, partilho.

Quando me referi «esta parte do cancioneiro italiano» estava a referir-me aos cantos revolucionários e de trabalho.
Pelos vistos, não fui muito «científica) na terminologia usada, mas eu não sou desta especialidade- a minha especialidade é gostar de muita coisa sem lhe saber dar nome
:-(

uf! disse...

Alien, do 1900 só me lembro desta :-(

Alien8 disse...

Lizzie,

Já tirei o caju: Comi-o :)

Em relação aos cancioneiros, creio que os populares, tradicionais, cantos de trabalho, de lazer, etc., não precisam, por definição, de vozes trabalhadas, educadas em conservatórios. Mas precisam de muito treino e boas vozes. Practice makes perfect :)

Por outro lado, as vozes educadas (por exemplo a do Zucchero) podem perfeitamente interpretar essas canções. Claro que também precisam de praticar, de trabalhar aquilo que, no canto popular, é espontâneo. O resultado sai naturalmente diferente, mas não necessariamnete negativo.

Ao quadrado para ti também, o nosso abraço. E um bom domingo.

Alien8 disse...

Arabica,

A Mercedes Sosa pertence realmente ao grupo, felizmente grande, daquelas (e daqueles) que nunca serão esquecidos. Pela voz, pela capacidade de interpretar, pela intenção, pela muita alegria e prazer que nos deu e continuará a dar.

Passando a outro assunto, sou apreciador de jardineira, sou mesmo. Vitela e feijão verde cozido ficam muito bem. Peixe cozido... enfim... não vou muito nisso, embora um bom cherne "com todos" seja excelente.

Não há quem não se ria aqui! É óptimo constatar o (bom) humor de quem aqui comenta. Já antes o disse, mas repito que é uma alegria para mim, boa disposição e anti-ácido garantidos :)

Para ti também um bom domingo, e beijos.

Alien8 disse...

Uf!,

Parte da resposta aos seus comentários ficou acima, na resposta aos da Lizzie e da Arabica.

O resto... Para já, aguardo a partilha que prometeu :)

"Donne": Gostei muito da interpretação! Bravo!

Mas a "tarantella" de que me lembro, e da qual não encontrei a música (tenho-a mais ou menos no ouvido) é esta (só a "letra").

Bom domingo e um abraço.

uf! disse...

Alien, obrigada pela referência. Não me consigo lembrar. Na altura, não pude ver o filme mas um grande amigo deu-mo gravado em vhs. Só que nunca mais usei o leitor de vídeo (nem de dvds, que se vão empilhando ao lado dos «livros para ler quando tiver tempo».
Aliás, foi por causa desse amigo que tentei encontrar os acordes para a donne. Infelizmente ele já não me pode ouvir e eu deixara de cantar esta porque ainda me dói a sua ausência.
Vou ver se descubro o 1900 em dvd - sempre será mais fácil encontrar a tarantela.
E já é domingo... que lhe corra bem.
Abraço
Quanto à questão das vozes... não me leve a mal mas eu (que tenho o gosto um bocado «avariado») não gosto das vozes de conservatório para essas canções, a não ser que tenham treinado muito, muito, para imitar os populares. Mas como não agrido os cantores, digamos que a minha loucura não é perigosa
:-)))

Tenho o privilégio de ser amiga dos membros do grupo que trabalha com os bonecos de Sto Aleixo e muito os admiro porque, apesar da sua formação académica e de conservatório, conseguem passar as vozes de antigamente. (Se eles foram a um teatro perto de si, não ouse perder :-)
Vou tentar não me esquecer da promessa. Eu até sei onde tenho esses cds, mas estão um bocadinho fora de mão. Provavelmente o Alien também os tem: foi uma edição do DN (dos bons velhos tempos).
Tenho também recolhas do michel giacometti, mas em vinil e cassete audio.

uf! disse...

queria dizer «se forem a um teatro perto de si»

Lizzie disse...

Alien,

agora é que a balança me bate.

estive num sítio de gente magra e muito magra.
Após função de magreza mais ou menos necessária, fomos para uma sala onde luziam várias travessas.

A mim, logo me seduziu uma. Deve ter sido pela cor: gambas encastradas numa bola cor pessego (não me lembro adonde se bota o acento), e no meio da curva da gamba, assim numa espécie de colo,bagos de romã gelada.

Provei uma. Depois outra para ver se sabia ao mesmo. Depois outra para confirmar. Depois outra para ver se não havia dúvidas. Aqui onde me lês, sou muito científica.

Soube tratar-se de massa de bolota cozida em caldo genuíno de marisco com pedacinhos dele. Tudo amassado.Consistente. Nem rijo nem mole. Apetecível.

Apesar do risco de me metamorfosear em suína,depois de saber que se tratava de bolota filha de chaparro, não resisti a comer mais uma. Que bem fica ali a romã...que frescura!

Que também liga com caldo verde e cogumelos. Apesar do risco de virar caprina, também provei duas garfadas.

O que não comi foi o pudim de amendôas à maneira conventual de Toledo. Quando soube que levava banha de porco e depois de ter comido bolota, achei que seria um acto de suínopofagia. Ou quase.

(que ninguém da Louisiana, me ouça em tal na analogia porcina, que não é minha intenção discriminar bípedes adeptos de bolotas)

Como compreenderás, um semi frio de coco e toranja é muito mais inocente. Sejamos comedidos.

Posto isto, vou continuar com a dieta até ao S. Martinho.

De jerupiga é que não gosto de todo.

Boa semana para vocês, desta que vos escreve de nariz já ligeiramente achatado.

Lizzie disse...

e, ainda cá volto porque me lembrei de um espectáculo de flamenco fusíon.

Foi aí que vi a Mercedes Sosa acompanhada por uma orquestra sinfónica e rodeada por dois ciganos:

"llego con tres heridas:
la de la vida,
la del amor,
la de la muerte;
con tres heridas llego:
la de la muerte,
la del amor,
la de la vida"

a ronda das vozes neste circulo e as suas semelhanças, com as cordas em contínuo surdo e baixo (não sei se os termos musicais estão certos em português) a elas, é qualquer coisa de magnífico.

Enfim, isto já foi cantado por um cantor des mines e dançado por quem ainda não comia bolotas, arrastando os pés sobre a areia derramada no palco. Microfone à escuta, que o acompanhamento da voz estava no shch....sch...

Inté que era bonito de se ver e ouvir.

Alien8 disse...

Uf!,

Obviamente, a sua loucura não é perigos. Deve ser um bocado como a minha :)

Os bonecos de Santo Aleixo! Claro que não ousarei. Sorte a sua!

Não tenho os cds do DN. As recolhas do Giacometti sim, mas em cassete... e confesso que não sei bem onde param. Mudanças...

O meu domingo correu bem, obrigado. Espero que o mesmo aconteça com a sua semana.

P.S.: (Salvo seja:) Na resposta que abaixo darei à Lizzie vou colocar uns links que talvez lhe interessem.

Alien8 disse...

Mar,

Obrigado! Um beijinho e uma boa semana para ti.

Alien8 disse...

Lizzie,

Não há como o rigor científico para testar certos e determinados quids :)

Verifico que andaste muito ocupada; realmente, a vida de cientista é dura e espinhosa (mas não no caso das gambas). Essa das bolotas filhas do chaparro é nova para mim, e não devo conseguir prová-la, perdão, testá-la.

Confesso que não me dou muito bem com os bagos de romã. Não faz mal, não se incluiriam e pronto. Por muito que o semi-frio de coco e toranja me atraia, pena foi que não tivesses ousado aquilatar (e nem seria necessário ingerir um quilo:) da qualidade do pudim de amêijoas. A mim não me escaparia, garanto-te! (Sou muito rigoroso nessas questões, também :)

Agora as Tres Heridas...! Também já não as verei assim dançadas sobre areia, mas sempre te deixo aqui uns links, daqueles preguiçosos (por extenso) para interpretações dessa magnífica canção de Miguel Hernandez e Joan Manuel Serrat:

http://antologiapoeticamultimedia.blogspot.com/2006/08/lleg-con-tres-heridas.html

(Neste encontras as versões do compositor e de Eliseo Parra).

http://www.youtube.com/watch?v=ZgTBjH2-Mr0

e neste a interpretação de Joan Baez. A partir dele, também podes ouvir a versão de Mercedes Sousa e Pata Negra. E ainda Joan Baez e Mercedes Sosa em "Gracias a la vida". Estão na lista de vídeos à direita, com mais umas coisas muito interessantes. A gente perde-se no You Tube... :)

Boa semana e um abraço.

uf! disse...

Boa noite, Alien.
É curioso falar nessa versão cantada por Baez e Sosa. A primeira vez que ouvi o gracias a la vida foi na voz de Joan Baez. Achei que a interpretação fazia todo o sentido, tendo em conta a letra.
Quando escutei a versão de Mercedes Sosa, arrepiei-me... e estranhei.
Se Violeta Parra se suicidou, como dizem, e tendo esta sido alegadamente a última canção que escreveu, parece-me que é a versão de Mercedes Sosa que faz mais sentido.
Se, por outro lado, Violeta «foi suicidada pela CIA», como também se diz, até se poderá aceitar a versão de Baez.
Dentro de mim, algo continua a dizer que, tenha ela morrido «de morte morrida ou de morte matada», a versão de Mercedes é a mais profunda.
Obrigada pela partilha.
Boa semana

Arabica disse...

ALien,


no meio dos feijões verdes encontrei dois abraços.

Ora aqui ficam. :))

Boa semana para ti e lola.

Alien8 disse...

Uf!,

Chegou a ouvir a versão das duas cantoras? O link exacto é:

http://www.youtube.com/watch?v=cTZSmuiIHPs&feature=related

Já agora, pode encontrar a versão original da Violeta Parra aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=PYEw3e5x5Es&feature=related

Tenho o maior gosto em partilhar.

Boa noite!

Alien8 disse...

Arabica,

No meio dos feijões verdes? :)))

Cá os recebi (os abraços, que dos feijões verdes nem sinal:).

Obrigado. E mais dois para ti.

Lizzie disse...

Alien,

agradecida pelos links!

Já fui ver e, numa abordagem científica, desde já te digo que a versão mais próxima que vi em concerto é a da Mercedes Sosa com os Pata Negra, claro. Gitanos son gitanos, no?
Francamente, não me lembro ni hóstia dos nomes dos ciganos que cantaram com ela no tal espectáculo.

A versão para a coreografia sem bolotas, era completamente diferente de qualquer das que vi aqui. Aliás foi feita com um objectivo específico. História complicada e controversa. Por acaso fui ver se estava no youtube, através de uma série de nomes chaves mas não está.

Lembro-me do cigano estar a cantar, seguia a dança e os guardas prisionais de olhos postos no palco. Olha que a sensação não é muito boa.:)

(É frequente, em Espanha, os cantores e bailaores, saírem da prisão, para espectáculos e perto de Sevilha há mesmo uma clausura com uma sala enorme. Se os presos não vão ao exterior, vai o exterior a eles. Normalmente, vale bem a pena.)

Quanto à Joan Baez, na altura, consideravamosia aparentada de hippie. Como outros. Portanto, não ouvíamos:))

A gente fugia deles e eles de nós. Credo, cruzes canhoto que nos pegavam as flores nos hairs, as roupas orientais e as calças à boca de sino e coisas do género:))


Abraço

uf! disse...

ui... então é isso....
uma das minhas almas é hippie...
ele eram sandálias e bolsas e cigarreiras de couro, feitas por mim,com pirogravuras e enceradas (nunca vendi, só fazia para mim e para oferecer); ele eram símbolos da paz em carneira e madeira... Ele eram vestidos às flores e as saias compridas, ele era a guitarra às costas... E muito amor. (era uma versão soft, não precisava de fumos nem de bebidas para ser feliz - e o sexo, na altura, era a parte menos importante do amar)

uf! disse...

Caro Alien.
Já conhecia essa gravação de ambas. E achei curioso que a Maercedes ora se deixe contagiar pela alegria leve de Baez ora retome o tom nostálgico - eu diria que o apelo deste último é mais forte)
Tenho um CD (duplo) da Violeta Parra; infelizmente, a minha versão não tem tão boa qualidade quanto esta do youtube (que presumo que já tenha tido o som «trabalhado»). Continuo a achar que o registo de Mercedes Sosa é mais próximo da versão de Violeta do que o de Joan Baez. Como explicarei... O da Joan Baez é a américa latina vista de fora e os da Violeta e da Mercedes são a américa latina vivida por dentro... digo eu, que nunca a vivi :-)
E este registo (nostálgico) repete-se na versão em que se juntam Ana Belén, Maria del Mar Bonet e... filha, neta e bisneta de Violeta Parra. Olhe que coisa mais linda ( claro que há falhas mas acho lindo na mesma).
http://www.youtube.com/watch?v=PTdiHrCX7WM&feature=related

uf! disse...

e aqui está ela com os Pata Negra:
http://www.youtube.com/watch?v=HxF5UxBSC6E

e olhem que quando ela sentia vontade de mexer...
http://www.youtube.com/watch?v=heeLHGVR8_g

Alien8 disse...

Lizzie,

Aparentada de hippie ou não (por acaso nem era), a Joan Baez era uma excelente intérprete e compositora de música folk, de intervenção ou não. É pena que, pelas razões que indicas, a não tivesses ouvido. Hoje certamente não procederias assim. Quantos (magníficos) livros eu teria deixado de ler se tivesse usado um critério semelhante... olha, todo o Jorge Luis Borges, por exemplo!

Quanto ao movimento hippie, não tendo sido praticante, as flores, as calças à boca de sino (que até usei e transcendiam largamente o movimento hippie), as roupas orientais e coisas do género, e o "Make love not war" não me incomodavam nada, antes pelo contrário. Incomodavam-me os que apoiavam ou se conformavam com a guerra do Vietname, que o movimento hippie, à sua maneira muito própria, ajudou a que acabasse. Baez, com Bob Dylan, Donovan, Joni Mitchell, Carole King, Richie Heavens, Jimi Hendrix, Miles Davies, Ornette Coleman, enfim, inúmeros compositores, cantores e músicos dos mais diversos quadrantes e estilos, que seria fastidioso citar, esteve na crista da onda de contestação à guerra. Também por isso a admirei. Era preciso ter coragem, como saberás.

Mas deixemos isto, para passarmos pelas performances dentro ou fora de muros de presídios, realidade interessante e, dadas as circunstâncias, imprescindível! E para a "coreografia das bolotas", a tal que já não verei, nem ao menos ouvirei, pelo que dizes. Fico com pena, isso fico.

Um abraço e... peace! :)))

Alien8 disse...

Uf!,

A versão com os Pata Negra já a tinha encontrado a partir de um dos links que acima coloquei. Também reparei na da Ana Belén e Etc., mas não tive tempo de ouvir. Assim, agradeço o link, que me levará ao vídeo um pouco mais tarde, e também o outro.

Concordo consigo quando fala de "vista de fora" e " vivida por dentro". Curiosamente, ainda ontem, reflectindo sobre as interpretações, me ocorreu algo muito semelhante: "Vivida de fora e vivida por dentro", que a Baez e e as outras e outros não se limitavam a ver, penso eu de que... :)

Do nada, vou fazer-lhe uma pergunta que talvez me ajude a encontrar algo que procuro:

"Alexandre da Macedónia era grande.
Mas quem fez a grandeza de Alexandre?"

Estou farto de procurar este poema. Não me lembro do autor, só me vêm à ideia o "Poema do fecho éclair" que Filipe II não tinha (Gedeão) e as "Perguntas de um operário letrado (ou leitor, consoante as traduções) de Brecht - e estes versos não pertencem a nenhum destes poemas.

Será que me pode ajudar? Ou a Lizzie? A Arabica? Ou mais quem aqui lê e escreve?

Um abraço. Peace! :)

uf! disse...

também só me ocorrem Brecht e Gedeão...
Vou consultar o travesseiro :-)
boa noite

uf! disse...

Ainda cá volto, antes de falar com o travesseiro. Há alguns anos descobri a misoginia de Vinícius, zanguei-me e escondi o operário em construção.Está algures, numa das filas detrás de uma das prateleiras de uma das estantes... Agora veio-me à memória; também podia ser lá, não?

Alien8 disse...

Uf!,

Obrigado pela ajuda, mas... não é do Operário em Construção. Os versos deste poema são mais curtos (redondilha maior, com algumas excepções, mas poucas, 8 sílabas que, com jeito, podem soar a sete:)

Quanto à misoginia do Vinícius, de que já em tempos falou, terá visto bem? Não me leve a mal, mas Vinícius, o homem, era tudo menos misógino. Desprezo/aversão às mulheres? O Vinícius? No lo credo! (Mas aceito provas, já que a dúvida é sempre saudável, tendo em conta, no entanto, que certos pedaços da obra podem muito bem não ter nada a ver com a personalidade do Autor).

Mesmo partindo da hipótese de que era misógino, digo-lhe o mesmo que acima disse à Lizzie acerca da Joan Baez e (no meu caso) do Jorge Luis Borges, que usei como exemplo (e que exemplo!)

Em todo o caso, zangou-se e escondeu o operário! Hihihi! Está excelente, essa! :)

Alien8 disse...

Uf!,

Só agora reparei bem nesta, mas também não está má:

"As quantidades são para 1 frango; depois, acrescenta-se, a olho, para mais convivas."

Acha mesmo que um frango poderia comer aquilo tudo? Creio bem que se veria obrigado a trazer alguns convivas galináceos... :)))))

Lizzie disse...

Pois que até tenho uma antologia da Joan Baez e da Janis Joplin.:))

Já não apanhei o fulgor do movimento hippie. Só alguns resquícios feridos de nostalgia.

Para além das concepções artisticas contraditórias com as nossas, o que nós víamos era uma colecção de meninos muito ricos, que não trabalhavam e, por acaso ou por isso, tratavam mal os negros e os latinos e os americanos "abaixo".

Nós éramos muito novinhos e trabalhavamos 7 dias por semana, não dependíamos dos pais e tínhamos a responsabilidade de termos sido escolhidos. Além do ordenado, volta e meia, tinhamos bolsas para isto ou aquilo.

Depois eles impunham (tentavam) as suas opções e a sua "cultura". Olha que é chato a pessoa estar a trabalhar, até de memória para não perturbar ninguém, Wagner, Bach p.ex. e levar com a Joan Baez,Dylan, Doors em altos berros.:))PORQUE ERA O QUE SE DEVIA OUVIR.O que se devia vestir. O que se devia pensar. Fora os comícios. E as drogas. E, para nós não tinha muita graça entrar nos balneários e deparar com certas cenas. Era embaraçoso.

Claro que os pais lhes pagavam o suposto ensino mas acabavam por ser expulsos ao fim de oito dias.
Alguns colegas que foram "seduzidos", acabaram muito mal.
E alguns desses hippies (mais velhos que eu),talvez por causa da irresponsabilidade e do divórcio da realidade, vieram a cultivar a falta de ética que vimos e vemos na gestão de empresas.

Por razões profissionais e de interesse, gostavamos mais de ir à fonte: música do sul, índia do norte, midwest,etc, com as respectivas "traduções" corporais mais os comos e os porquês da coisa.

Enfim, eram mundos, de facto, separados. Na altura éramos mais da vanguarda "clássica". Nem de direita, nem de esquerda, nem de centro. O que nos interessava era a liberdade criativa individual, com toda a gente a ter boa qualidade de vida e respeito merecido.
Nos sítios onde trabalhámos, ninguém perguntava, se se era rico ou pobre, qual era o nome de família. O fundamental era a responsabilidade, o trabalho e o talento.

E lá estou eu estrangeira outra vez:))

e Uf, na altura vestia-me à pós-moderna neo-romãntica:)) Nem à resquício de hippie nem à série Dallas e afins.:))

Abraços

Lizzie disse...

e ainda em relação ao Free Love, ora que coño, andávamos nós ali à frente uns com os outros, nuzinhos, sem ligar porque era hábito como nos balneários da tropa ou do futebol, com o maior dos respeitos, e vinham os hippies com assédios.
Ora lá nos começavamos a tapar todos. Muitos piss off e fuck yourself se ouviam:))

(ai desculpa Alien que agora além de estrangeira estou mal educada:))

uf! disse...

:-)))
Lizzie, por muito estranho que lhe possa parecer, «O que nos interessava era a liberdade criativa individual, com toda a gente a ter boa qualidade de vida e respeito merecido» aproxima-se muito do meu conceito de esquerda; só falta acrescentar-lhe a responsabilidade social.
(É que a direita tem um conceito de «todos» muito restrito).

Cada um com a sua cruz, cada um com o seu hippie... esses que retrata, felizmente nunca se aproximaram muito de mim...
E, no meu caso, hippie, ética e estética (da clássica à tradicional, dita popular)não eram incompatíveis, antes pelo contrário. Assim como não (me)foram incompatíveis o trabalho de solidariedade, o babysitting, o sucesso nos estudos e as respectivas bolsas de estudo (que, estupidamente, não eram dadas em função das necessidades mas em função dos resultados, o que criava uma pescadinha de rabo na boca; os estudantes economicamente mais necessitados tinham de trabalhar, para financiar os estudos, o que os levava a obter piores resultados,pelo que não tinham bolsa, o que fazia com que tivessem de trabalhar para financiar os estudos, pelo que...)
E também cedo comecei a «ganhar» os tostões para chocolates e cinema, não por necessidade económica mas por necessidades outras, que passavam pelo prazer do que fazia (baybysitter), pelo prazer de ter «os meus tostões», pelo prazer de me sentir útil...

uf! disse...

Caro Alien, claro que pode haver quem considere «misoginia» um termo muito «forte», mas isso dependerá da altura a que se coloca a fasquia do conceito de mulher.
Fiquei muito triste quando vi que Adriana Calcanhoto colocou o poeta aprendiz no seu Partipim, um espectáculo/disco para crianças.
(http://www.youtube.com/watch?v=OZ6H7PNYmnM&feature=related)- e a versão musicada ficou um pouco melhor do que o texto original (Também não gostei que lá tivesse colocado o LIg-Lig-Lig-Lé, mas nesse o problema é do anacronismo que pode criar um sentimento xenófobo - ou reforçar o que já existe, para além da confusão de estereótipos).

(Por acaso, o poema deu origem a um livro que consta do PNL... 7º ano... e eu pergunto-me como será ele trabalhado, em determinados contextos...)
Aqui lhe deixo algumas passagens:

O olhar verde gaio
Parecia um raio
Para tangerina
Pião ou menina
[...]
Amava era amar.
Amava sua ama
Nos jogos de cama
Amava as criadas
Varrendo as escadas
Amava as gurias
Da rua, vadias
Amava suas primas
Levadas e opimas
Amava suas tias
De peles macias
Amava as artistas
Das cine-revistas
Amava a mulher
A mais não poder.
[...]

E eu digo que amar assim, indiscriminadamente, não é amar. Assim, gosta-se de... chocolate, por exemplo.

Confesso que houve partes de poemas que cantei várias vezes, sem me aperceber que estava a veicular um conteúdo com que não me identificava em absoluto! Um dia, foi assim uma espécie de pancada na cabeça - e também deixei de ouvir as suas canções porque de cada vez que ouvia, descobri mais uma coisa no texto que me desagradava...

Deixo-lhe só mais um exemplo:

Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
qualquer coisa além da beleza
qualquer coisa triste
qualquer coisa que chora
qualquer coisa que sente saudade
um molejo de amor machucado
uma beleza que vem da tristeza
de se saber mulher
feita apenas para amar
para sofrer pelo seu amor
e pra ser só perdão.

Espero que chegue para fazer passar o meu ponto de vista :-)

uf! disse...

[...]
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?

Por mim, não seria muito diferente dizer:
Querido Pai Natal, quero uma boneca in------el

Lizzie disse...

Alien, permite-me só que esclareça:

quando falo em liberdade criativa individual é em relação a qualquer quadrante político ou ideológico e sem a dita política de esquerda ou direita a ditar regras.

Quando falo em "clássico" estou-me a referir a correntes que tiveram origem num certo romantismo alemão e inglês e foram desenvolvidas a partir dos anos 20 nos EUA.
Essas "correntes" foram ferozmente combatidas quer pelo fascismo, quer pelo comunismo, na Europa.

E lá,pelo que vi e na prática, o conceito de esquerda e direita é um bocadinho diferente.

Quanto a bolsas, pois ali as pessoas trabalhavam e se quem dirigia achava que A ou B devia desenvolver mais este ou aquele aspecto, tinha mais aptidão para isto ou aquilo, então forneciam a bolsa, estágio, dormida, comida e roupa lavada, aqui ou ali.

O que acontecia é que havia pessoas "escolhidas", como judeus que conheci, que prescindiam da "ajuda" por não precisarem: quando havia custos, pagavam do seu bolso e o dinheiro a eles destinado era distribuído para quem precisasse de acabar estudos equivalentes ao nosso liceu, por exemplo.

Como deve saber, existe uma cultura de trabalho. Mesmo os muito ricos, começam a trabalhar, nem que seja nas férias, para pagar os seus extraordinários.
Por acaso havia um rapaz que preparava o chão que estava a fazer uma espécie de doutoramento sobre o Damião de Góis. And so on and on...
Os latinos, da América e da Europa é que cruzes canhoto:))
Doutores são doutores.

Lizzie disse...

e esqueci-me de dizer outra coisa:

as pessoas que iam lá parar eram "pescadas" em diversos sítios como companhias, pequenas escolas, discotecas e etc.
Por acaso, durante uma certa época o Ballet Gulbenkian, Deus tenha em boa paz a sua alma, também tinha esse sistema.

Assinava-se um contrato por certo tempo mas não havia aquela coisa obscena de "comprar","vender" e "emprestar" como no futebol.

Também não me lembro nada, se calhar estou com amnésia, de alguém ganhar tanto como o rapaz que anda sempre a ver se as suas vergonhas não fugiram.

Mais esclareço que nunca ninguém me convidou nem para ajudante de cozinha pelo que, não faço ideia, se há mais maneiras decentes de cozer castanhas para além de água a ferver com erva doce e sal.

Oh que tristeza:))
O que vale é que o vinho já vem engarrafado:))

uf! disse...
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uf! disse...

E passo ao frango e restantes convivas
:-)))))
Apanhou-me bem apanhada, Alien.
Penso que a explicação não está no facto de eu fazer cada vez menos distinção entre os animais humanos e os restantes. O caso é que eu, sempre que faço frango na púcara, nunca confecciono menos que um frango (que me dá, mais ou menos, com o arroz e etcs para 4 pessoas) e essas são as quantidades calculadas para tal dose. Como fica com o sabor mais apurado de um dia para o outro, se sobrar, melhor
:-)))
Caso tenha mais de 4 pessoas à mesa, acrescento frango (normalmente acrescento o resto em peitos de frango) e o resto deito a olho.
Um abraço de galinha pintada

uf! disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
uf! disse...

Caro Alien, a semana está a ser difícil...
Escrevera umas larachas aí acima mas apaguei pois, de facto, não interessavam para nada ;-)
E vou dormir, que amanhã tenho de madrugar.
Boas «noutes»

Alien8 disse...

Lizzie,

Ah! Afinal sempre ouves a Baez! Menos mal, coño! :)

É evidente que já não apanhaste o fulgor do movimento hippie. Apanhaste resquícios, e, pelo visto, dos piores. Em todos os movimentos há degenerescências, facções ou pessoas que não têm realmente nada a ver com a teoria e a prática do movimento. A revolta contra a guerra, contra a falta de liberdade de expressão, contra a discriminação racial, contra os preconceitos e tabus a nível de sexo e sexos, enfim, contra uma sociedade decadente e incapaz de responder às necessidades dos jovens (de todos, não de alguns!) nada tem a ver com assédio sexual ou uso e abuso de drogas (embora a marijuana fosse habitual... so what?).

Os hippies não eram apenas filhos de famílias ricas, ao contrário da ideia que se pretende fazer passar. Desde logo, eram demasiados para isso. E havia gente de todas as idades, embora a maioria fosse jovem, e de todas as proveniências. Não havia aversão ao trabalho (os hippies são uns malandros!), mas aversão à inclusão numa sociedade que rejeitavam (e que os rejeitava).

Já agora, a imposição do que se devia ouvir é absolutamente o oposto da ideologia e da prática hippies. Qualquer imposição, aliás. Tiveste azar com os teus hippies, não há dúvida.

De qualquer maneira, foi um movimento datado, mas não aconteceu por acaso, e também não foi por acaso que envolveu tanta gente, produziu uma cultura própria, atravessou oceanos e deixou sementes que até deram frutos. Nada que se pareça com um movimento "postiço" e pretensamente radical que se lhe seguiu, os "yippies", cujo ideólogo era um tal Jerry Rubin, autor de "Do it" (li esse livrinho, sim! Gostava de andar informado :) Esses chegaram e rapidamente saíram de cena. Levaram umas bandejas com cabeças de porcos à Convenção dos Democratas, fizeram mais umas quantas avarias e pronto, acabou-se-lhes a gasolina!

Tudo isto, Lizzie, com todo o respeito pelas tuas opções se então e de agora. Nem seria preciso dizê-lo, porque já o sabes.

Eu bem digo "peace!", mas...

Bem, um abraço!

Alien8 disse...

Uf!,

Para maior facilidade, cito e respondo:

"E eu digo que amar assim, indiscriminadamente, não é amar. Assim, gosta-se de... chocolate, por exemplo."

Exactamente. É o amar de um miúdo de 10 anos. Não lhe vejo a mínima conotação machista, quanto mais misógina!

"Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
qualquer coisa além da beleza
qualquer coisa triste
qualquer coisa que chora
qualquer coisa que sente saudade
um molejo de amor machucado
uma beleza que vem da tristeza
de se saber mulher
feita apenas para amar
para sofrer pelo seu amor
e pra ser só perdão.


Não acredito que acredite que o Vinícius pensasse realmente que a mulher era "feita apenas para amar / para sofrer pelo seu amor / e pra ser só perdão". Isto não é uma tese nem um modo de vida, é apenas uma canção, um estado de espírito! E, mais uma vez, misoginia é que não. Misoginia é não gostar, detestar, odiar, desprezar as mulheres. Não conheço toda a obra de Vinícius, mas conheço o suficiente para saber que, como já disse, de misógino não tinha nada - muito pelo contrário! E também conheço algo da sua vida, dos seus actos, que confirma a minha convicção.

Finalmente, ao terceiro exemplo respondo com este link:

http://www.youtube.com/watch?v=nr0EFfh3FUQ&NR=1

É assim que interpreto esse poema. O que o Brassens canta é de Antoine Pol.

Vejo que temos diferentes formas de ler alguns textos. É natural, e não me diga que é por eu ser homem, porque não é mesmo. Aliás, se dissese, eu respondia-lhe que talvez fosse por a Uf! ser mulher... :) Mas, na verdade, nem uma coisa nem outra. Diferentes leituras, como as há de pessoa para pessoa.

Cheguei a ler o que apagou. Em relação às suas suposições: Conheço, sim, compreendo, sim. E mais não digo, já que os comentários se foram.

Que descanse bem!

Um abraço.

Alien8 disse...

Uf!,

Já me esquecia do frango!!! :)))

E, manifestando a minha concordância com os seus considerandos, sobretudo com o facto de o sabor ficar mais apurado de um dia para o outro, digo-lhe da minha pena em não poder ainda experimentar a receita. Não perderá pela demora. Entretanto, volto a citá-la (a si, não à receita):

Penso que a explicação não está no facto de eu fazer cada vez menos distinção entre os animais humanos e os restantes.

Ora bem! De maneira que, para completar o que apanhei, o animal colocado na panela pode até um dia destes ser humano (de preferência do sexo masculino hehehehe!) e os convivas distintos galináceos! :))))

E ainda: Porquê "frango" e não "franga"? Há aqui discriminação! O frango é que é comido! Podia ao menos escrever frang@, não? :)))

Não me leve a mal. Creio que um pouco de brincadeira ajuda a digerir seja o que for. E, porque também me esqueci,

Peace!

Alien8 disse...

Errata: "Dissesse". Na primeira resposta escrevi (horror!) "dissese". Garanto que foi grlha. Ests tecldos!

Lizzie disse...

Alien

peace, pues claro!

Cada coisa tem o seu contexto histórico e só a História (parece que a medida são pós 50 anos), arrefecendo os entusiasmos e criando distãncia,mostrará a verdade inteira dos factos.

O que me aconteceu é que, infelizmente,cá, lá e em vários sítios e por motivos que agora não interessam, vi coisas capazes de matar qualquer mito seja ele positivo ou negativo.
Houve coisas que vi (vimos) do outro lado do espelho. E às vezes nada é o que parece.


Por natureza não sou, nem nunca fui, entusiasta nem de extremos nem de verdades absolutas.
Dou-me mal com ditaduras e autoridades seja em que campo fôr (embora, enquanto não casar com o Bill Gates tenha que as aturar para fazer face às minhas responsabilidades).

A convicção da certeza faz-me confusão, sobretudo porque ao longo de toda a História, cada época pensava que estava absolutamente certa e à beira da chegada ao fim possível do desenvolvimento.

Sou muito, volto a dizer, pela absoluta liberdade individual, desde que tal coisa não esmague ou ofenda o parceiro quer interior quer exteriormente, ou seja quer nos aspectos emocionais quer nos patrimoniais.

E, enfim, para além da marijuana havia o LSD, um bocadinho caro e perigoso. Mais os comprimidos com grande mistura de quimicos.
Vi uma criatura após ter tomado o LSD e não foi espectáculo que se esqueça. Cá vamos aos excessos.

E lá vamos às teorias psquiátricas dos gurus Cooper e Laing. Hoje sabe-se que tanto um como o outro tinham um perfeito harém e a avaliar pelo número de suicídios dos e das doentes, o tratamento era capaz de não ser muito adequado.O suicídio é sempre sintoma de um sofrimento extremo.

O que sei do movimento hippie propriamente dito, ouvi contar coisas muito pouco abonatórias quer pelos que nada tiveram a ver com ele quer pelos que tinham feito parte e o consideravam exageros próprios da juventude.

Como no ano passado nos dizia um senhor que tem agora setenta e tal anos, a chatice é que se tornaram adultos muito infelizes e problemáticos.

Tal como em muitas circunstãncias, uma coisa é aquilo que se é, outra é aquilo em que se acredita e outra ainda é aquilo que se pratica.

Digo eu, não sei. Cada um é como cada qual:))

Toma lá um abraço que por acaso até gosto mais da Janis Joplin que da Joan Baez.:))

uf! disse...

Alien, errou ;-)))
Qualquer dia passarei, sim, a fazer tofu na púcara :-)))
Se as galinhas e os galos, os frangos e as frangas, as pintas e os pintos gostarem, é claro que estarão convidados.
É precisamente porque para mim não faz sentido comer o vizinho ou a vizinha(salvo seja) que me faz cada vez menos sentido comer o frango ou a franga.
Quanto ao resto, acertou na mouche! Mea culpa, mea culpa.
Mas o que quer? Foram tantos anos a ler, ouvir, escrever, dizer o frango grelhado, o caldo de galinha e o ensopado de galo....

uf! disse...

Relativamente ao Vinícius... dá pano para mangas mas uma coisa devo deixar já bastante clara: durante muito tempo eu pensei como o Alien. Por outro lado, foi um amigo meu, rapaz, quem me levou a dar os primeiros passos de emancipação feminina; que me ajudou a começar a reflectir sobre a «condição feminina». E também sei perfeitamente porque é que isso aconteceu - à semelhança das discussões que eu tinha com uma empregada por causa dos aumentos - ela achava «normalíssimo» que eu fosse mais aumentada do que ela e era sempre uma carga de trabalhos para aceitar que eu a aumentasse mais do que as outras pessoas para quem trabalhava.Assim como muit@s, d@s que lutaram contra a escravatura eram homens e mulheres livres.
Assim como muitas das pessoas que defendem @s homossexuais são heterossexuais.
etc.
Quanto ao Vinícius... é complicado e leva tempo. Se eu lhe disser que nunca gostei dos piropos de desconhecidos... será que dá para perceber melhor a minha posição? Sempre achei que era uma violência exercida sobre mim, quando o piropo, fosse qual fosse o teor, viesse de um ser desconhecido A QUEM EU NÃO PEDIRA OPINIÃO.
Por isso eu lhe dizia que falar em misoginia podia ser forte mas que dependia muito do quão alto se coloca a fasquia do conceito de feminino. Eu acho que o Vinicius trata a mulher como um objecto de desejo - e só isso. E para mim, ser só objecto de desejo seria um insulto. Para mim, um homem que não vê na mulher mais do que aquilo que ele refere, é um homem que não nos valoriza como eu desejo ser valorizada. Logo, se não valoriza suficientemente... desvaloriza.
Sim, durante algum tempo, achei que o poema podia ser irónico. Mas comecei a prestar mais atenção aos outros textos e são na mesma linha.
Numa coisa dou a mão à palmatória: usei uma metonímia abusiva. Nada sei sobre o Vinícius-pessoa; o meu problema é com o sujeito poético dos textos assinados por Vinícius de Moraes.
Mas é mesmo só nisso que dou o dito por mal dito.
:-))))

uf! disse...

Ainda o Vinicius
(deu-me corda, agora aguente :-))
Ele disse «que me desculpem as feias mas beleza é fundamental». Diga-me. Porque não disse ele «que me desculpem os feios mas beleza é fundamental»?
Peace, claro

uf! disse...

e antes que me venha falar na beleza interior e o blá-blá-blá (já vimos que a beleza interior feminina para vinicius é a submissão, a tristeza, a disponibilidade - o abdicar de si própria por amor do homem), dou-lhe o resto. Chama-se «Receita de Mulher»

(tentei colocar aqui, mas parece que é muito longo)

(permiti-me sublinhar o «em sua incalculável imperfeição», do final!)
peace and love :-)

uf! disse...

Vinicus take 5 ou 6, já não sei
(Creio que este texto também é dele)
Se você quer ser minha namorada
Ai, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exactamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarzinho

Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porquê

E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois

uf! disse...

Vinicius, take... mais uma:
Se eu fosse mãe de um filho de 10 anos que amasse assim as mulheres, andaria no psicólogo a tentar descobrir onde tinha errado.
E Vinicius já não tinha 10 anos quando escreveu o poema ;-)

uf! disse...

Quanto ao link para o Brassens, agradeço. Não conhecia esta canção.
Mas não tenho duvida de que prefiro este poema ao do Vinicius!
Aliás, se os comparar será por oposição.
Este é um tema de que tenho alguma dificuldade em falar, sobretudo depois de uma certa noite.

Nós sabíamos que alguns deles - os mais solitários, os que não tinham companheira - terminavam as noites de sábado numa casa de alterne que ficava perto do bar (de cidade provinciana)onde tod@s´nos juntávamos para tomar um copo. O que diziam era que iam para lá continuar a conversa e beber mais uma cervejola. (Naquele tempo, os bares fechavam, o mais tardar, às 2h e as discotecas por volta das 4h. Uma noite caiu a bomba: a X (cantora conhecida e mais associada ao mundo intelectual) ia cantar no Y (casa de alterne). Achámos que muito provavelmente a cantora nem sabia em que tipo de sala ia cantar. Eles começaram a desafiar-nos para ir assistir e combinámos que sim, que iríamos.
Poupo-o aos pormenores. Para aqui interessa apenas que pela casa borboleteavam jovens de saias cujo comprimento era inversamente proporcionais aos decotes e com doses de maquillhagem inversamente proporcional à quantidade de luz. Visivelmente não estavam muito satisfeitas com a nossa presença- mas havia clientes «dos outros» em número suficiente para as manter ocupadas.
Um outro pormenor importante: Naquela noite, havia consumo mínimo obrigatório, o que levava a que os homens preferissem comprar uma garrafa e, em vez de pagarem às raparigas as bebidas que elas escolhiam (e que o barman prepararia sem álcool), queriam que elas bebessem da garrafa que fora para a mesa. E nós, estupidamente, resolvemos também mandar vir uma garrafa para a nossa mesa.
Claro que as bebidas estavam maradas. Eu tomei apenas uma dose de whisky, mas foi o suficiente para ficar com uma dor de cabeça de todo o tamanho. No fim da noite fui ao wc. Os clientes habitués já tinham saído e só restava o meu grupo. Quando eu estava «na privada», entraram algumas raparigas que, julgando que estavam sós (não era costume lá haver outras mulheres que frequentassem o WC para além delas), começaram a falar livremente. Estavam desesperadas, estouradas, embriagadas, mal dispostas, por terem sido obrigadas a consumir das mesmas bebidas que os clientes, e ainda tinham de ir arrumar e limpar a sala, antes de irem descansar. Isto dito assim, parece pouca coisa. Mas eu, que ouvi, sustendo a respiração - e só saí depois de elas terem voltado à sala-, fiquei com dor de estômago durante muito tempo.
E a situação destas mulheres, ainda assim, era light...

Alien8 disse...

Lizzie,

E pronto! Está tudo dito. Nunca acreditei em "gurus". A perspectiva histórica (e científica), é realmente importante, decisiva mesmo. Tal como as diferentes vivências e visões. Ou a noção de que nada está assente, acabado e definido, por muito que Galileu e Newton tenham tido razão... Depois veio o Einstein, e também teve. E depois veio... enfim, percebes onde quero chegar. É isto que dá o sal à História, à Ciência, à Arte, à Vida. À tua! (Copito de medronho...:)

Conheci hippies, bastantes mesmo, que nem tocavam no LSD. Nem sequer para experimentar uma "trip". Outros, que não eram hippies, pediram-me, uma vez em que fui à Califórnia, que lhes trouxesse "California Sunshine". Deves saber o que é...

E quem não gosta da sua absoluta liberdade individual (desde que não esmague ou ofenda o parceiro?

E quantos jovens que não foram hippies se tornaram adultos infelizes e problemáticos? Conheço exemplos de qualquer dos casos, e é natural, porque, como bem dizes,
em muitas circunstâncias, uma coisa é aquilo que se é, outra é aquilo em que se acredita e outra ainda é aquilo que se pratica.

E as pessdoas, antes de pertencerem a grupos, movimentos, ideologias, partidos, tendências artísticas ou literárias, são pessoas. Certamente influenciadas por aquilo em que se inserem, certamente influenciando-o, mas não só. Claramente não só. Seriam muito pobres se se esgotassem nisso - e eu acredito nas pessoas. Em ti em particular, por exemplo :) (Mais um copito!).

E também gosto mais da Joplin que da Baez, ora toma!

Um abraço forte (e não "um forte abraço hehe".)

Alien8 disse...

Uf!,

Uf!,

Uf!!!!!,


Pois errei, pois errei... mas será erro tão grande que mereça a ameaça de um "tofu na púcara"? Vá de metro sacanaz!

Vou a modos que encerrar o post e o Vinícius, passe a expressão, com uma pequena conclusão, a que chamarei "director's cut" (hehehe!):

Percebo a sua posição, mas não a subscrevo. Nem quanto à obra, nem quanto à vida. Não considero o Vinícius machista, quanto mais misógino. Creio que ele não encara a mulher apenas como objecto de desejo. Talvez como sujeito e objecto de desejo, mas não só.

Completando o que sublinhou, apenas para exemplificar as tais leituras diferentes:

e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.
. Pois.

Só uma resposta, já que perguntou: não escreveu "os muito feios" porque estava a falar da mulher! Olhe se ele se atrevesse a usar o masculino em tal contexto!!! :)))

E uma observação, já que observou: não tinha dez anos ele, mas tinha-os o miúdo...

Em relação à sua experiência, compreendo o choque, o impacto, a influência. Devo dizer-lhe que nunca frequentei esses locais, mas sempre ouvi dizer, a pessoas ou em documentários ou filmes, que essas mulheres não ingerem, por norma, ao acompanharem os "clientes" bebidas alcoólicas, mas qualquer coisa como chá. E percebe-se porquê.

Gratíssimo pela sua contribuição, fiquemos pois com o Brassens, e com o meu abraço.