Aliencake
Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.
7 de nov. de 2010
Ainda cá estou!
A modos que convertido ao livro das caras, mas ainda cá estou.
Desleixado nas visitas, mas ainda cá estou.
E vou continuar a estar.
Um dia destes volto a publicar regularmente, quem sabe?
Eu não sei, mas gostaria de.
Estou contente por, apesar de tudo o que disse, ainda ter por aqui quem comente!
Para vós, o que se segue:
28 de mar. de 2010
Parasomnia Noise no concurso Superbock Super Rock Preload
A BANDA PARASOMNIA NOISE ESTÁ A PARTICIPAR NO CONCURSO SUPERBOCK SUPER ROCK PRELOAD, CUJO OBJECTIVO É A SELECÇÃO DE NOVAS BANDAS PORTUGUESAS PARA ACTUAREM NO FESTIVAL. JÁ ESTEVE NO TOP-10, COMO ANTES FICOU DITO. AGORA NÃO ESTÁ, MAS PODERÁ VOLTAR A QUALQUER MOMENTO...
Para votarem nos Parasomnia Noise é necessária a inscrição no site do concurso (simples e rápida). Basta seguir as instruções do item "Como Votar", no menu que aparece à esquerda, abaixo de PRELOAD.
E, se possível, DIVULGUEM!
14 de ago. de 2009
Endless game - versão (quase...) final
A banda: Parasomnia Noise. Os membros: Dywas, pSi e Mercedes.
Música: Dywas Letra: Mercedes Guitarra: Dywas Voz: Mercedes Baixo: pSi
Programação da bateria, produção e mistura: Dywas
A música:
A letra:
Endless Game
Swallowing what's on your mind
You're keeping monsters locked inside
Walking, breathing, to survive
A process that denies your lies
You watched me dancing on your hand
trust that seemed never to end
Now I'm dancing in your mind
Destroying every sun I find
We're playing games, you stop and say
I don't really want to play your little game
(2x)
You might be free now you're unchained
But there are games that never change
(4x)
My child, falling from the skies didn't wake you up
You are sitting on a chair
The scent of failing in the air
I hold you very close to me
Strangling your reality
All this presence makes no sense
Gave my mind to ignorance
Wonder if you kept my face
Closed in thoughts during this space
You watched me dancing on your hand
trust that seemed never to end
Now I'm dancing in your mind
Destroying every sun I find
(2x) Every sun..
Para quem quiser saber mais, o link para o site da banda no MySpace.
Espero que gostem! Mas, se não for o caso, digam! As críticas são sempre bem-vindas - e necessárias.
2 de jun. de 2009
O Malandro - Mackie Messer
O mesmo que, com texto de Brecht, compôs a "Dreigroschenoper" ("Ópera de Três Vinténs"), da qual consta a celebérrima "Die Moritat von Mackie Messer", aqui interpretada por Ute Lemper.
Semelhanças? Só mesmo na música :)
23 de fev. de 2009
José Afonso - 2/08/1929 - 23/02/1987
Eu também me associo à homenagem, e não conheço melhor tributo à memória do Zeca Afonso do que ouvir e dar a ouvir as suas canções. Para que nunca ninguém esqueça as palavras, a música, a voz e a luta por um mundo melhor. Também a Lola, neste momento a trabalhar, faz parte deste post e desta homenagem.
Hoje, como sempre, "O que faz falta é avisar a malta...". Deixo-vos essa, e mais uma canção que me é particularmente querida: "Era um redondo vocábulo" - acompanhada de uma animação em 3D de Eurico Coelho que considero notável.
20 de out. de 2008
FMI - Para ouvir com tempo e atenção...
SEGUNDA PARTE:
22 de jul. de 2008
The Underground Railroad ou os blues da liberdade
No OVERandOUT, com data de 20 de Julho, está um excelente post sobre a história dos BLUES.
Como introdução ao que se vai seguir, recomendo vivamente a leitura desse texto, já que este post é uma espécie de sequência.
Já leram? Então posso prosseguir.
Ao lê-lo, lembrei-me de ter aprendido há tempos que muitas das canções entoadas pelos escravos trazidos de África nas plantações de algodão e outras explorações agrícolas, ou ao longo das vias férreas em construção, se destinavam a orientar e ajudar os que, tentando escapar à escravidão, fugiam em direcção ao Norte e à liberdade. Nas suas letras escondiam-se conselhos, nomes, locais, indicações preciosas para quem empreendia a fuga e queria chegar ao fim.
Procurei na net documentação, e obtive alguns resultados.
É imprescindível referir, a este propósito, a organização que ficou conhecida como The Underground Railroad, formada por pessoas de várias origens, e destinada a proteger e facilitar a fuga dos escravos.
Sobre essa organização, há um bom texto AQUI (em Inglês, mas curto e claro) e uma definição neste local da Wikipédia.
Podemos fazer, no site da National Geographic, uma interessante viagem rumo à liberdade, talvez iniciada com a ajuda de Harriet Tubman (nome de código Moses), e ao longo da qual outras figuras destacadas do movimento abolicionista vão surgindo.
Mas voltemos aos blues.
Entre as músicas cantadas pelos escravos, “Follow the Drinking Gourd” foi seguramente a mais conhecida, desde logo pela extrema clareza da letra.
Senão, vejamos:
When the sun comes back,
and the first quail calls,
Follow the drinking gourd,
For the old man is waiting
for to carry you to freedom
If you follow the drinking gourd.
Chorus:
Follow the drinking gourd,
Follow the drinking gourd,
For the old man is waiting
for to carry you to freedom
If you follow the drinking gourd.
The riverbank will make a very good road,
The dead trees show you the way.
Left foot, peg foot travelling on,
Following the drinking gourd.
The river ends between two hills,
Follow the drinking gourd,
There's another river on the other side,
Follow the drinking gourd.
When the great big river meets the little river,
Follow the drinking gourd.
For the old man is waiting
for to carry you to freedom
If you follow the drinking gourd.
A partir deste esclarecedor vídeo do You Tube, podemos encontrar outras interpretações da canção, a maior parte delas por coros escolares. Parece que a música ficou.
E ficou também a evidente associação dos BLUES à liberdade.
Os blues provêm, alegadamente, das «working songs». Estas eram cantadas na língua materna dos escravos, lingua(s) essa(s) que era(m) desconhecidas) dos capatazes e outros colonizadores. Como sabemos, (e os donos de escravos também sabiam), a aculturação é uma forma de dominação bastante eficaz. Como se explica, então, que permitissem que os escravos entoassem as SUAS melodias, nas SUAS línguas?! A resposta é simples: as work songs faziam aumentar o ritmo do trabalho e impediam muitos acidentes laborais. (Por exemplo, se estavam a cavar, não haveria o perigo de um baixar a enxada quando o outro a estava a erguer, porque cavavam ao ritmo da música).
Então os escravos começaram a aproveitar as work songs para enviar mensagens, ao longo dos campos e mesmo «nas barbas» dos patrões e capatazes» que, já nessa altura, não se davam ao trabalho de aprender outra língua que não fosse o rudimentar inglês KKKKKKK.
Podiam, por exemplo, estar a cantar, na frente do capataz, «digam à Maria que o marido conseguiu fugir e está à espera dela no celeiro da fazenda do irmão deste barrigudo deslavado»
Fascinante, não é?
Interessante, também, é a etimologia do jazz; esta música nasceu na rua das lanternas vermelhas, em New Orleans; eram «casas de meninas», onde os homens iam «to jazz»; a dada altura, a música tornou-se mais importante que a actividade sexual... :-)
Em ambos os casos, com os devidos agradecimentos.
3 de jul. de 2008
Leo Ferré - La solitude e Carmen Amaya no filme Maria de la O, de 1939
Podes sempre ligar o Bowie, aqui ao lado:)
À Lizzie, agradeço a ideia que o texto no "...e, já agora..." me deu para acrescentar este segundo vídeo.
4 de jun. de 2008
Pequeno post nocturno, modesto mas de inegável amplitude, muitos furos, quiçá buracos, acima do que se pratica no estrangeiro, na Europa e em Espanha!
HERÓI É O QUE NÃO TEVE TEMPO DE FUGIR!
(Millôr Fernandes)
São uns minutinhos que valem a pena. Espantoso o Amazing Grace, tocado com recurso frequente a harmónicas, e com afinação e reafinação de cordas em plena execução, a fim de ultrapassar as limitações da escala do baixo.
Divirtam-se!
6 de mai. de 2008
Für Teresa
Komm in mein Boot
ein Sturm kommt auf
und es wird Nacht
Wo willst du hin
so ganz allein
treibst du davon
Wer hält deine Hand
wenn es dich
nach unten zieht
Wo willst du hin
so uferlos
die kalte See
Komm in mein Boot
der Herbstwind hält
die Segel straff
Jetzt stehst du da an der Laterne
mit Tränen im Gesicht
das Tageslicht fällt auf die Seite
der Herbstwind fegt die Straße leer
Jetzt stehst du da an der Laterne
hast Tränen im Gesicht
das Abendlicht verjagt die Schatten
die Zeit steht still und es wird Herbst
Komm in mein Boot
die Sehnsucht wird
der Steuermann
Komm in mein Boot
der beste Seemann
war doch ich
Jetzt stehst du da an der Laterne
hast Tränen im Gesicht
das Feuer nimmst du von der Kerze
die Zeit steht still und es wird Herbst
Sie sprachen nur von deiner Mutter
so gnadenlos ist nur die Nacht
am Ende bleib ich doch alleine
die Zeit steht still
und mir ist kalt
kalt kalt kalt kalt
Vem
para o meu barco
Levanta-se uma tempestade
e anoitece
Aonde queres ir
que assim tão só
andas à deriva
Quem te agarra a mão
quando és puxado(a)
para o fundo
Aonde queres ir
tão infinito
o frio mar
Vem para o meu barco
O vento outonal mantém
a vela firme
E eis-te agora junto à lanterna
com lágrimas na face
A luz do dia desaparece
O vento outonal varre e limpa a rua
E aqui estás junto à lanterna
tens lágrimas na face
A luz crepuscular persegue as sombras
o tempo pára e chega o Outono
Vem para o meu barco
a busca será
o homem do leme
Vem para o meu barco
o melhor marinheiro
era afinal eu
E eis-te agora junto à lanterna
com lágrimas na face
Recolhes o fogo do castiçal
o tempo pára e chega o Outono
Falaram só da tua mãe
Apenas a noite é tão cruel
No final permaneço só
O tempo pára
e tenho frio
frio frio frio frio
Espero que gostem. Especialmente a Teresa, claro! :)))
14 de abr. de 2008
Regressando devagar...
Boa semana!
14 de mar. de 2008
7 de fev. de 2008
17 de abr. de 2007
Ecos da Páscoa
Infelizmente, disponho apenas de dois temas, que tenho de ir alternando, já que as gravações que possuo dos restantes têm fraca qualidade de som e poderiam transmitir uma ideia errada do que é realmente a banda.
Sei que alguns dos visitantes deste Título apreciam os Neverend. Espero que a banda conquiste mais adeptos, e assim ganhe mais força para ultrapassar os obstáculos que têm impedido o seu reaparecimento.
Fiquem bem, fiquem com o tema "Rush".
28 de mar. de 2007
The windmills of my mind...
A canção fez parte da música do filme "The Thomas Crown Affair" ("O Grande Mestre do Crime"), de 1968, realizado por Norman Jewison, com Steve McQueen e Faye Dunnaway. Em 1999, John McTiernan realizou um "remake" do filme, interpretado por Pierce Brosnan e Rene Russo.
A letra merece destaque, por isso também aqui fica:
The Windmills of your Mind
Round
Like a circle in a spiral
Like a wheel within a wheel
Never ending or beginning
On an ever-spinning reel
Like a snowball down a mountain
Or a carnival balloon
Like a carousel thats turning
Running rings around the moon
Like a clock whose hands are sweeping
Past the minutes of its face
And the world is like an apple
Whirling silently in space
Like the circles that you find
In the windmills of your mind
Like a tunnel that you follow
To a tunnel of its own
Down a hollow to a cavern
Where the sun has never shone
Like a door that keeps revolving
In a half-forgotten dream
Or the ripples from a pebble
Someone tosses in a stream
Like a clock whose hands are sweeping
Past the minutes of its face
And the world is like an apple
Whirling silently in space
Like the circles that you find
In the windmills of your mind
Keys that jingle in your pocket
Words that jangle in your head
Why did summer go so quickly?
Was it something that you said?
Lovers walk along a shore
And leave their footprints in the sand
Is the sound of distant drumming
Just the fingers of your hand?
Pictures hanging in a hallway
And the fragment of a song
Half-remembered names and faces
But to whom do they belong?
When you knew that it was over
You were suddenly aware
That the autumn leaves were turning
To the colour of her hair
(na versão de Nana Mouskouri)
(When you knew that it was over
In the autumn of goodbyes
For a moment you could not recall
The color of his eyes)
Like a circle in a spiral
Like a wheel within a wheel
Never ending or beginning
On an ever-spinning reel
As the images unwind
Like the circles that you find
In the windmills of your mind
Que a Primavera vos esteja a ser agradável!
1 de mar. de 2007
Jeff Buckley

Como exemplo, embora um tanto diferente da sua linha habitual de composição, mas por isso mesmo, fica a canção Corpus Christi Carol, do álbum Grace.
He bear her off, he bear her down
He bear her into an orchard ground
Lu li lu lay lu li lu lay
The falcon hath bourne my mate away
And in this orchard there was a hold
That was hanged with purple and gold
And in that hold there was a bed
And it was hanged with gold so red
Lu li lu lay lu li lu lay
The falcon hath bourne my mate away
And on this bed there lyeth a knight
His wound is bleeding day and night
By his bedside kneeleth a maid
And she weepeth both night and day
Lu li lu lay lu li lu lay
The falcon hath bourne my mate away
By his bedside standeth a stone
Corpus christi written thereon
23 de fev. de 2007
Zeca Afonso deixou-nos há 20 anos

Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos
Polpas seus cabelos
Resíduos de lar
Nos degraus de Laura
A tinta caía
No móvel vazio
Convocando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas
A fúria crescia
Clamando vingança
Nos degraus de Laura
No quarto das danças
Na rua os meninos
Brincavam e Laura
Na sala de espera
Ainda o ar educa
27 de jan. de 2007
Lili Marlene

Recordemos outra Marlene, a Dietrich, a intérprete.
A canção tornou-se obrigatória durante a Primeira Guerra Mundial, a partir de 1916. Os soldados alemães cantavam-na nas trincheiras, e muito rapidamente os soldados ingleses, americanos e franceses os imitaram.

Conheceu inúmeras versões desde a original, evidentemente em ritmo de marcha...
Foi título de um filme de Fassbinder.
Deixo aqui a letra original e uma tradução para Inglês.
22 de set. de 2006
9 de jul. de 2006
The man who sold the world, de David Bowie, na versão dos Nirvana
We passed upon the stairs, we spoke of was and whenAlthough I wasn't there, he said I was his friend
Which came as a surprise I spoke into his eyes
I thought you died alone, a long long time ago
Oh no, not me
I never lost control
You're face to face
With the man who sold the world
I laughed and shook his hand, and made my way back home
I searched for form and land, for years and years I roamed
I gazed a gazely stare at all the millions here
We must have died alone, a long long time ago
Who knows? Not me
We never lost control
You're face to face
With the man who sold the world
Who knows? Not me
We never lost control
You're face to face
With the man who sold the world
