Aliencake

Foi numa tarde de sábado, de encontros, reencontros e desencontros, de estreia literária e café, tudo prolongado em noite, jantar e mais café, ficando no entanto curto o tempo. De súbito, aparece-me pela frente um bolo com a minha cara. Um bolo com rosto de Alien. Olhei-o uma e outra vez, e só não me belisquei porque dói um bocado, convenhamos. Mesmo a aliens. As pessoas cantavam os parabéns e batiam palmas, eu ouvia e agradecia, mas mal tirava os olhos do bolo. Fizeram-me pegar nele com uma mão, perante a apreensão de alguns circunstantes, e conduzi-lo, ou deixar que me conduzisse, à mesa improvisada. Vivendo desde sempre em terrível dúvida sobre a minha origem e condição, houve um instante luminoso em que tudo se revelou. "Sou um bolo, afinal sou um bolo!" - exclamei para mim mesmo, entre alguma perplexidade e o alívio de uma certeza há muito tempo aguardada. Foi sol de pouca dura. Lá tive que partir o bolo. Lá tive que me cortar à faca em fatias que rapidamente desapareceram. Ao que parece, estava bom, eu. O facto é que, apesar disso, ainda estou vivo. Não serei, então, um bolo? Serei apenas a recordação dele? Felizmente, a fotógrafa estava lá. Serei assim talvez a fotografia de um bolo. Há piores destinos. Há piores fins de tarde-noite de sábados de lançamentos de livros, encontros, reencontros, desencontros, jantares, cafés, aniversários e ainda mais. Muito, muito piores, garanto-vos.

14 de ago de 2009

Endless game - versão (quase...) final

Tenho vindo a pôr ali ao lado várias fases de evolução de uma música da responsabilidade de uma banda em formação e início de carreira. Aqui fica a versão (quase) final, gravada em estúdio caseiro.

A banda: Parasomnia Noise. Os membros: Dywas, pSi e Mercedes.

Música: Dywas Letra: Mercedes Guitarra: Dywas Voz: Mercedes Baixo: pSi

Programação da bateria, produção e mistura: Dywas

A música:






A letra:


Endless Game

Swallowing what's on your mind
You're keeping monsters locked inside
Walking, breathing, to survive
A process that denies your lies

You watched me dancing on your hand
trust that seemed never to end
Now I'm dancing in your mind
Destroying every sun I find

We're playing games, you stop and say
I don't really want to play your little game

(2x)
You might be free now you're unchained
But there are games that never change

(4x)
My child, falling from the skies didn't wake you up

You are sitting on a chair
The scent of failing in the air
I hold you very close to me
Strangling your reality

All this presence makes no sense
Gave my mind to ignorance
Wonder if you kept my face
Closed in thoughts during this space

You watched me dancing on your hand
trust that seemed never to end
Now I'm dancing in your mind
Destroying every sun I find

(2x) Every sun..

Para quem quiser saber mais, o link para o site da banda no MySpace.

Espero que gostem! Mas, se não for o caso, digam! As críticas são sempre bem-vindas - e necessárias.

44 comentários:

Justine disse...

Eu sei que estou completamente ultrapassada, sei que ainda gosto de ouvir Zeca Afonso,Adriano, Vitor Jara, até os velhos Trovante.E outros, como a Sara Tavares. Sei que de vez em quando acho graça a coisas como os Deolinda. Resumindo: faz-me um pouco de confusão músicos portugueses a cantarem, escreverem e pensarem em inglês...
A música deste grupo não consegui ouvir, a letra é um tema clássico, não é?"...there are games that never change..."
Só espero que eles tenham todo o sucesso do mundo, porque a minha opinião não é nada importante:))
Abraços

Alien8 disse...

Justine,

Gostar de ouvir Zeca, Adriano, Jara e muitos outros não é, quanto a mim, estar ultrapassado... senão seríamos dois. Há música (e palavras) que não passam nunca, e eu diria até que são e estão bastante actuais...

"A música deste grupo não consegui ouvir" - isto é literal ou figurado? Se é literal, tenho pena de que não consigas ouvir música, esta ou outras, no meu blog.

Quanto ao facto de muitos grupos jovens escreverem e cantarem em Inglês, não me faz confusão nenhuma, nem me surpreende. Afinal, eles cresceram a ouvir e a ler Inglês, na televisão, nos computadores, na esmagadora maioria da música que passa nas rádios... Importa é que a música seja boa. A letra tem algo mais que se lhe diga, além do que dizes ser "clássico" (na minha opinião, evidentemente).

Muito obrigado por teres dado a tua opinião (entre outras coisas, e apesar do que acima disse, chamar a atenção para a nossa língua é sempre muito importante!).

Um abraço.

wind disse...

Gostei sim senhor:)
Beijos

Justine disse...

Não consegui ouvir a música, literalmente! Não sou tão fundamentalista que não tivesse ouvido, se tivesse podido. Não sei dizer se gosto antes de provar...:))
Se calhar tb não me faz confusão, porque as explicações são claras, a expressão deveria ser: prefiro esta gente nova a cantar em português.
É bom trocar ideias. Um abraço!

bettips disse...

Beijinho Alien...

Alien8 disse...

Wind,

Obrigado pelo comentário.

Beijinho para ti.

Alien8 disse...

Justine,

Não sei como hei-de dizer isto, mas... podias ter ouvido a música e, mesmo assim, comentar "não consigo ouvir isto..." :) Não seria fundamentalismo!

Não consegues ouvir a(s) música(s) só no meu blog, ou também em outros? Gostaria de identificar o problema, para ver se, de futuro, posso melhorar alguma coisa.

Também eu acho importante que esta gente nova cante em Português. Até gostaria que se passasse um bocado dos CDs de tributo ao Zeca (excelente, o "Filhos da Madrugada", já agora!) e se (re)começasse a cantar a sua música, a do Adriano, do Manuel Freire, do José Mário Branco, da Brigada (que ainda está viva!), dos "velhos" Trovante, do Fausto, do Pedro Barroso e de outros, e de outras (estou a lembra-me da saudosa Júlia Babo e da Luísa Basto, ou da Ermelinda Duarte e da sua inesquecível "Gaivota", cujo título é, na realidade, "Somos Livres"). Somos? Pois... daí ter dito o que disse, embora tenha consciência de que a música é apenas o reflexo da forma como a "malta jovem" foi levada a encarar outras realidades. Felizmente, há muitas, mesmo muitas excepções, e são cada vez mais. Mas isto levava-nos a uma longa conversa... e, neste post, só pretendia divulgar a música de uma banda que me é, digamos, "familiar":)

Uma vez mais, muito obrigado pelo comentário!

Alien8 disse...

Bettips,

Pois... outro para ti!

Arabica disse...

ALien,

gostei muito, a parte instrumental com seu espaço próprio e muito bem alinhado, mesmo muito bem, a voz da Mercedes a levar os velhos jogos que nunca terminam, até onde quer, sem falha.

Mais do que sucesso, que neste país é tão relativo, desejo-lhes inspiração e persistência, para, como a voz da Mercedes, chegarem até ao seu objectivo. :))

Temos Banda!

Bom fim de semana, com beijinhos meus!

Alien8 disse...

Arabica,

Obrigado pela crítica, neste caso positivíssima. O pessoal da banda ficou, naturalmente, muito satisfeito :)

Tenho acompanhado o trabalho deles, e realmente é necessário, para além da inspiração, ser mesmo muito persistente! Tens toda a razão. E eles também agradecem, a ti e a todas as pessoas que comentaram e comentarão.

Uma boa semana e um grande abraço.

edgard disse...

Vim aqui parar por mero acaso.

Gostei imenso e tocou-me muito porque o meu namorado, o Osvaldo, toca trombone n'1 banda de Caxias.

Boa sorte

Edgard

Teresa Durães disse...

onde está o som? não será por não me deixarem fazer striming, assim penso.

(onde estão as férias? como acabaram tão depressa?)

Alien8 disse...

Edgrad,

Obrigado!!!

Alien8 disse...

Teresa,

Ai, as férias, pois... sempre curtas!

Se não consegues ouvir aqui a música, segue o link para o MySpace. A qualidade não é tão boa, mas dá para ouvir. Depois espero o teu comentário!!! Não o dispenso hehehe!

Um beijo.

Arabica disse...

Só te vim dizer bom dia Alien :))


Beijos meus :)

Alien8 disse...

Boa tarde, Arabica :)

Beijinhos.

Mocho Falante disse...

Ora viva

mas que som interessante sim senhor, eu cá gostei.

Um abraço

Alien8 disse...

Caro Mocho,

Obrigado! Um abraço para ti.

Arabica disse...

Boa semana :))

Abaixo o "dolce fare niente" tão próprio dos peixinhos :))
Uma receita de verão?
Um coktail de frutas?
Uma água de valência?
(não me responsabilizo pelos estragos posteriores)
Qualquer coisa?? :)))

Alien8 disse...

Arabica,

Para ti também, pelo menos o que resta dela :)

Estou mesmo de férias bloguísticas. Também é preciso :)

E mais, quero divulgar ao máximo a música deste post, a banda e etc., por isso o próximo terá que aguardar...

Um beijo.

Justine disse...

Alien, confesso que estou perturbada: então não é que estou a preparar um post para sair amanhã ou depois no "Quarteto" sobre "O meu pé de laranja lima"???Será que tu, além de alien, és bruxo????

Ainda sobre a música: continuo a não a ouvir aqui no teu blog(não faço ideia de qual seja o problema, mas já me aconteceu noutros blogs), mas fui, por irresistível curiosidade e depois da nossa troca de impressões, ao MySpace e estive a ouvir o "Endless game" dos Parasomnia Noise. E vou ser outra vez sincera contigo, não sei fazer de outra maneira:
-não é de facto o género de música que me faça vibrar
-nunca ouço este tipo de música, logo não tenho termo de comparação
-reconheço contudo que a Mercedes tem um bom timbre de voz e que os meus ouvidos não se sentiram agredidos com desafinações ou coisas parecidas
-achei graça aos vários registos que a música vai tomando à medida que se desenvolve, acompanhando os registos da letra
-senti alguma nostalgia, porque a música me fez lembrar sonoridades dos fins dos anos 60, princípios dos 70, daquele tempo magnífico em que eu tinha 20 anos e ainda andava a descobrir o mundo
-dado que é isso que esses jovens andam a fazer - a descobrir o mundo e a eles próprios- a canção tem o valor que eles lhe atribuírem.Tem portanto todo o valor,e o meu gosto musical não é para aqui chamado!
E, do fundo do coração, que tenham muito sucesso:))

(costume ser muito mais parca e económica nos meus comentários, mas fiquei mesmo perturbada com aquela do Mauro de Vasconcelos, e vê lá tu o resultado: um testamento...)
Abraços

bettips disse...

"There are games that never change"
impressionou-me a letra mais que a música! Isto pela idadezinha (minha) e falta de ouvido. Mas cheia de vontade que os novos encontrem os seus caminhos. Musicais e artísticos. Parece-me uma banda com garras e ganas de/para andar!
Bjinho

Teresa Durães disse...

Alien

Peço desculpas por só agora responder. A vidinha tem andado ocupadíssima e pouco tempo tenho para respirar. Chego a casa cansada e nem olho para o computador (sim... estou no trab... que vergonha...)

Vou dar a minha opinião à bruta e a seco, espero que não me leves a mal, não consigo ser simulada.

Confesso que o som não me atrai. A guitarra podia ser mais mlodiosa (seja lá o que quer isto dizer) e o final não gosto mesmo. Penso que não é uma músicaque nos envolva e desperte emoções. Pelo menos a mim.

Pronto, dura e crua.

Beijos

Alien8 disse...

Justine,

Não sou bruxo :), o JMV foi referido no teu post "Cintilações" (21/08):

"Os poetas sabem disso (José Mauro de Vasconcelos sabia-o, Ray Bradbury também, mas eles afinal eram poetas)." Mistério desvendado.

Quanto ao testamento, ainda bem: os compositores, músicos, cantora e produtores (e todos estes somam 3...) agradecem!

Alien8 disse...

Bettips,

A mim também me parece. Veremos o que se segue...

Obrigado, um beijo.

Alien8 disse...

Teresa,

A música e trabalho subjacente não foram aqui postos para se "dizer bem", mas para fazer exactamente o que fizeste. De outro modo, o pô-la aqui não teria grande utilidade para quem nela trabalhou. Por outro lado, não abordaste alguns aspectos em que a tua opinião seria muito bem-vinda.

Isto digo-te eu, também à bruta e a seco :P

Lizzie disse...

Olá Mi Verdito (a modos que ainda estou um bocado castelhana e nem sei se é bom dia ou boa noite ou assim-assim com luz indefinida:))

Passando ao tema em questão:
pois que este género de música não é da minha especialidade, logo fazer juízos de qualidade ou não seria errado mas

gosto da letra e, como deves calcular, não se me choca nada a língua inglesa pela musicalidade e sucintez (isto existe?:)que lhe é inerente. Além da universalidade. Isto sem desprimor da portuguesa, claro.

Por outro lado, pelo menos em algumas partes, a música tem um "desenho" circular, o que a torna muito coreografável. Lembrei-me logo de uma coreógrafa que conheço e que, se calhar, "vestiria" estes circulos e violência guitarristica adaptando-os a um certo "desacerto" (além de castelhana também venho com a mania das aspas:)) da vida interior.
Para ela, este tipo de música é uma forma de se posicionar na História. Provavelmente, também será este o mote desta banda.

Quanto ao resto, dos gatinhos nascidos estão três vivos, lindos e com grande potência nas cordas vocais ao contrário de mim que, com tanto sono, me virei para a afonia:))

Grande abraço x2, claro!

uf! disse...

só sei dizer que gosto da sonoridade mas, em alguns pontos, apetecia-me uma mudança de tom ou coisa assim. Não sei explicar. Mas cuido que é geracional :-))

legivel disse...

Tenho procurado que ao longo das anos, os meus sentidos estejam abertos ao experimentalismo e renovação que naturalmente vai acontecendo na arte em geral e na música em particular embora nesta área seja um simples ouvinte. Talvez por isso (porque "não ando a par"... como na área do cinema ou das artes plásticas, por exemplo) tenha menos dificuldade em afirmar de imediato, "gosto" ou "não gosto" sem antes pensar duas vezes - ou mais - consoante a informação/conhecimento que tenho armazenada na memória.
No caso vertente, nem sequer posso dizer que é das que "entram logo no ouvido".
já ouvi a banda diversas vezes e gosto muito. Do registo musical agradável e das lyrics comprometidas com alguma seriedade poética que milhentas bandas actuais não têm.
E vamos ao que não gosto:
Se por ventura a banda tem um percurso "fora de portas" (não o conheço) admito que se expressem em inglês por motivos estrictamente comerciais. Se assim não fôr - o que acontece com a larga maioria que o mercado discográfico português é pura e simplesmente caseiro - estes "cenários supostamente globais" não passam de meros arremedos pategos que mais não fazem que desviar atenções do idioma português. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra: é tão anedótico (para não dizer que se dá cabo do "produto" original) ouvir dobrada para português a voz de Anthony Hopkins como a Sara Tavares cantar em inglês num concerto em Portugal e para portugueses.
Pronto. Não digo mais nada.


Abraço.

Alien8 disse...

Lizzie,

A das aspas castelhanas,

Bem regressada, e com os gatinhos na maior. Apareceu-me um preto, pequenino sobrevivente de uma ninhada, acho, mas já se foi... a gata levou-o para parte incerta. O meu outro preto voltou a desaparecer...

Obrigado pela tua apreciação, que chefará a "quem de direito" (toma lá aspas!, e que não deixa de ser, como direi, coreografável? :)

Um abraço dos dois.

Alien8 disse...

Uf,

Mudança de tom geracional? Que é isso? :)))

Obrigado pelo comentário e pela visita!

E um abraço.

Alien8 disse...

Legível,

Disseste tudo muito claramente. Obrigado! Estou certo de que os interessados directos vão apreciar o contributo.

Um abraço, até breve lá no Papel.

uf! disse...

não, não é a mudança de tom que é geracional mas a necessidade dessa mudança de
:-))))

Arabica disse...

Alien,

estou a gostar de te (nos) ver envolvido(s) neste projecto :)
Claro que o comentário anterior era pura provocação, uma vez que já me tinha apercebido do teu gosto, da tua participação activa como mediador, entre os músicos e a eventual plateia que aqui vais reunindo.

Estou quase a ir de férias, as tais merecidas férias adiadas e estou mesmo, mesmo, muito necessitada delas: dormir sem despertador, nada de tarefas agendadas, muito mar, muita praia e espero, ainda muito sol :)

Até ao meu regresso ou ao encontro num cybercafé que entretanto eu encontre, aqui fica um abraço grande e muitos beijinhos para ti e Lola.

Alien8 disse...

Arabica,

As melhores férias para ti! Até que enfim!:)

Que o sol te acompanhe :)

E um abraço nosso também.

Alien8 disse...

Uf!,

Que pena! E eu a pensar que tinha inventado uma mudança de tom de novo tipo, estilo letra do anho, mas em música :))))

Arabica disse...

Alien,

com sol a rodos, chuva qb e vento na medida certa aqui fica o abraço de bom fim de semana :)

Alien8 disse...

Bom fim de semana para ti, Arabica!

Umm abraço.

Mocho Falante disse...

belo som, excelentes versos

aquele abraço :-)

Alien8 disse...

Obrigado e um abraço, Mocho Falante!
Boa semana!

Arabica disse...

Tudo aprovado!
E com rapidez! :)
Os bifes estão na mesa.
Traz o vinho por favor :))

Abraço contente pelo teu regresso!
Fora de horas e tudo :))

Alien8 disse...

E aí vai o vinho, Arabica! O bife parece excelente. Assim, também ofereço o café! :)

Um beijo.

mar disse...

Oláaaaaaaaaaa

Tenho andado desaparecida, mas cá estou de novo :)

Qt à música, ouvi e li e a letra e gostei

beijos

Alien8 disse...

Olá Mar,

Eu também :)

Obrigado pela opinião sobre a música.

Beijinho.